4. Tvil og framandkjensle i Ejersbos trilogi
4.2 Frå kolonisert til kolonist: Sofie
4.2.3 Å sjå seg som kvit i Afrika
A intenção de construir uma nova cultura e história se caracterizava na difusão de novos mitos e alegorias no centro da cidade, com o propósito de atingir a cultura dos migrantes e dos antigos moradores da região em que Palmas foi erguida, contrapondo o novo e o antigo. Diante dessa prática, o governo criava uma babel de identidades ao optar por um contexto histórico diferente da cultura tocantinense. Exemplo disso se tem na reprodução do Memorial 18 do Forte de Copacabana; do memorial Luís Carlos Prestes; do frontispício do Palácio Araguaia, do estilo arquitetônico dos prédios públicos. Essas alegorias, para os antigos moradores, eram indescritíveis, pois viam uma cidade nascer no lugar dos cerrados, pastos, brejos, fazendas e rios subitamente, surgindo do nada espaçosas avenidas circundadas por edificações caracterizadas por uma arquitetura pós-moderna. Conforme Bourdieu; Passeron (1975, p. 14), “As condições Sociais que fazem com que a transmissão do poder e dos privilégios deva tormar, mais do que em nenhuma outra
sociedade, os caminhos desviados” da política e da cultura repercutiam nas relações de poder.
Por sua vez, a forma de ocupação da cidade teve por objetivo construir espaços com acessos previamente selecionados dentro de uma política de ordenamento territorial centripetamente identificada por áreas de comércio, serviços, residências, indústrias e repartições públicas. Contudo, essa estrutura de planejamento não foi totalmente seguida pelo governo, diante das necessidades de expansão condicionadas pelos interesses de mercado do solo urbano.
Essa política de ocupação territorial mitigada pela construção de uma nova memória foi acelerada por uma política massiva de doações e vendas de lotes e áreas para instituições e para terceiros. Esse processo gerou uma flexibilização no ordenamento territorial da cidade; por outro, houve a personificação da ocupação de espaços e lugares. Contudo, mesmo com essa forma de ocupação, Palmas permaneceu caracterizada pela Praça dos Girassóis. Até o ano 2000, os vazios da praça e de outros logradouros públicos eram utilizados pelo governo para plantar girassóis, massificando o símbolo da cidade no dia a dia da população. Assim, ano a ano, repetiam-se os rituais de plantação, colheita e replantio das sementes. As Figuras 18 e 19 demonstram os hábitos de transportes dos moradores e as paisagens da plantação de girassóis junto ao Palacinho.
Assim, em termos políticos, pode-se discutir o perfil do primeiro governador a partir da seleção dos símbolos do Estado e da capital. Para a capital, foi escolhido o Girassol, talvez pela beleza da planta, não pelo que ela representa para um Estado da região norte, que conta com uma das maiores diversidades de plantas do Brasil. Por isso, pegar uma planta fora do bioma do Estado, no mínimo, é desconhecer essa realidade ou para satisfazer a vontade particular de quem comanda, que preferiu não consultar a população ou especialistas sobre as melhores opções para simbolizar a cidade. Nessa direção, qualquer tentativa para alterar a representação alegórica montada pelo primeiro governador era duramente rechaçada:
No governo do Avelino, ele tentou mudar o símbolo da cidade, substituindo o Girassol por duas mãos juntas... Ele construiu esse monumento na entrada de Palmas, perto da rodoviária, que era o símbolo do governo dele, mas quando o Siqueira ganha de novo para governo do Estado, na primeira noite passa o trator em cima do símbolo. Derrubou totalmente, passou o trator por cima. Isso é um exemplo, que ele não queria
nada que fosse contrário a simbologia que ele estava construindo na cidade e construiu-se (Narrador 1– SILVA, 2008, p. 55).
FIGURA 18 – Vista do Palacinho e dos hábitos de transporte na região, 1989.
Fonte: Edson Caldas, cedida pela Gerência de Patrimônio Cultural da Fundação Cultural de Palmas.
FONTE: Márcio Pietro, cedida pela Gerência de Patrimônio Cultural da Fundação
Cultural de Palmas.
Nesse aspecto, como explica Halbwachs, as pessoas ou comunidades, quando se deparam com uma nova alegoria, a tendência é assimilar a identidade em construção e esconder a antiga, diante da fragilização da cultura pretérita em relação aos resultados das intervenções realizadas na produção da nova cultura. A cultura da região onde a capital foi construída era representada por fazendeiros, chacareiros, vaqueiros e pequenos agricultores. Por isso, ao condicionar uma nova memória aos moradores, o poder público destrói a verdadeira história para construir outra; por isso, as intervenções eram direcionadas ao esquecimento do indivíduo. Nesses espaços e lugares, seguindo a visão de Bosi (1994), o governo fixava os interesses políticos nos princípios da socialização, procurando alterar a identidade político-cultural transitando do particular ao coletivo na direção da construção de uma nova memória voltada para a legitimação de uma determinação política caracterizada na permanência no poder; para isso, há a desconstrução das lembranças de historias vividas. Na interpretação de Santos (2007), a cultura, quando é transformada em uma coisa adversa do que representava, caracteriza a dominação ou uma pretensão hegemônica; logo, o resultado é o surgimento de uma falsa consciência. Nessa direção, a cultura não é a consciência, mas o momento, a possibilidade para se perceber a consciência sobre uma determinada realidade ou sobre a destruição de uma identidade político-cultural.
Assim, a perda da consciência cultural dos migrantes acontece quando a manifestação do antigo ethos passa a ter uma conotação estranha diante das novas intervenções difundidas pelo poder público junto à comunidade, por meio da construção de uma nova memória cultural. A princípio, a população não percebeu que essa intervenção resultaria na perda de sua identidade por meio da ilustração dos novos espaços, dos novos cenários e paisagens identificadas na arquitetura de uma cidade-jardim construída numa região com poucos recursos técnicos e fora do circuito de comunicação. Nestes espaços, o governo institucionaliza um ethos urbano direcionado à consolidação do novo território. Nesse sentido, o universo relativo à memória cultural e política foi desenvolvido por Brandão (1998), Halbwachs (2006), Santos (2007), Bosi (1998) e Silva (2008).
A análise, portanto, centra-se em situações culturais direcionadas à susbstituição da memória histórica de uma região para o surgimento de uma cultura voltada para os espaços de uma cidade planejada com um formato centrípeto, formato este impregnado pela construção de um território de poder que utiliza uma ideologia de desenvolvimento econômico e social. Conforme Bosi (1994, p. 43), por uma “fenomenologia da lembrança da obra, bem como uma série de distinções de caráter analítico, extremamente sugestiva e cuja adequação podemos comprovar ao longo dos registros deixados na relação entre o passado e o presente”.
Partindo da pecepção de Bosi (1994, p. 44), esse processo é intermediado pela “lembrança da população, diante de um sentimento difuso e constante no interior da vida da cidade, mantida pela percepção do meio físico e social que circunda o presente e o passado”. Desse modo, o problema do presente está imbricado nas condições da desterritorialização das lembranças das pessoas que habitavam a Região Norte antes da fundação do estado do Tocantins.
Essas percepções surgem quando a população se depara com símbolos que, direta e indiretamente, promoveram uma espécie de apagão nas lembranças da população nativa e nas lembranças da população que migrou. Isso ocorreu diante da difusão do novo entranhado nos monumentos e nas perspectivas de ascensão social oferecida pela cidade e pela funcionalidade do poder público, a partir das representações postas nas categorias saudade, desenvolvimento, refuncionalização dos espaços, das estruturas, das formas e do fluxo da história da reprodução urbana:
Pode-se pensar que as idéias que comandam a elaboração da história urbana são sobretudo duas: a idéia de forma e a idéia de tempo. As formas, quando empiricizadas, apresentam-se seja como objeto, seja como relação a obedecer. Entretanto, é também necessário empiricizar e precisar o tempo, se nós queremos trabalhá-lo paralemente às formas. Esse é, talvez, um dos grandes problemas metodológicos que se colocam para a história das cidades e da urbanização (SANTOS, 2008, p. 65).
A reelaboração da história exige a superaração das fragilidades do território em termos econômicos, políticos e sociais. Para isso, o governo investe na construção de uma cidade planejada com características pós-modernas; com isso, as políticas de ordenamento territorial foram determinantes para a construção de uma nova memória.
A necessidade de fixação em um novo espaço, a vontade de construir uma nova realidade ante novos cenários possíveis de uma ascensão social, fez com que as pessoas se alienassem de forma positiva e inconsciente, conforme as especificações de Hegel (1992) na
Fenomenologia do Espírito. Essa alienação representa uma condição de pertencimento, de inclusão do indivíduo em um espaço ideal a partir da configuração de um novo tempo. Nessa pesquisa, a alienação foi estudada a partir da hegemonia construída por meio da ocupação dos espaços e das formas idealizadas pelo governo do Tocantins para estabelecer a noção de pertencimento por meio da instituição de símbolos e mitos. Considerando que a hegemonia pode se realizar de diferentes modos ou intervenções ou
Quando a classe dirigente consegue silenciar o discurso crítico, levando os subalternos a não se autoperceberem como tais, mas a assumirem sua situação de classe como se fosse o produto de uma escolha livre, num processo de interiorização e aceitação coletiva da visão de mundo hegemônico como a única verdadeira (COELHO, 1982, p. 39).
Todas as ações eram caracterizadas pelo perfil simbolizado nas solenidades realizadas pelo governo na Praça dos Girassóis. A praça foi o palco inicial das intervenções – tais como a primeira solenidade realizada para marcar a construção da capital do Estado.
A representação da cultura definida pelo governo, em relação aos monumentos colocados na Praça, como a cruz demonstrada na Figura 19: por um lado, a cruz pode ser considerada como uma alegoria neutra em relação à região; por outro, pode ser entendida como objeto demarcador do início de uma apropriação territorial por culturas e interesses diferentes da cultura autoctone, como aconteceu com a ocupação da América pelos europeus. Por fim, a cruz não deixa de ser uma represetanção universal perante as civilizações ocidentais.
FIGURA 20 – Cruzeiro da Praça dos Girassóis – 2004.
FONTE: cedida em (2010) - pela Gerência de Patrimônio Cultural da Fundação
Cultural de Palmas.
Pode-se considerar que em todas as intervenções havia uma forte demonstração de poder mitigado no simbolismo da realidade que estava sendo criada e que esta era fantasiada por atributos simultâneos, sem levar em conta as lembranças pretéritas. O governo investiu na massificação e construção de uma identidade palmense extensiva a todo o territorio do estado, cimentada na figura do migrante pioneiro, “acreditando, como Max Weber, que o homem é um animal amarrado a teias de significados” (GEERTZ, 1989, p. 04). Mesmo que estes significados, em um dado momento, não façam parte das lembranças postas em um determinado contexto, haja vista que “o passado conserva-se e, além de conservar-se atua no presente, mas não de forma homogênea. De outro lado, o corpo guarda esquemas de comportamento de que se vale muitas vezes automaticamente na sua ação sobre as coisas” (BOSI, 1994, p. 48).
Essa forma de institucionalização da cultura reproduziu uma sensação de intervenção nas vontades dos indivíduos que, numa situação de defasagem sócio-política,
aceitaram imposições de situações unilaterais ante a objetividade em que ocorreram as intervenções. Poderíamos dizer que essas formas de intervenção aconteceram como síndromes provocadas entre sequestrador e sequestrado. No caso em questão, não há sequestrador, mas um conjunto de intervenção caracterizada nas diferenças e nas necessidades de sobreviver em um determinado espaço – o espaço da cidade de Palmas.
De acordo com as críticas de especialistas, mesmo que Palmas seja uma cidade com traços pós-modernos, sua estrutura urbanística e a ocupação dos espaços reproduzem uma cidade neoconservadora. Assim, o discurso predominante reportava à memória do atraso, do abandono da Região Norte. A identidade que se queria construir era cimentada por uma memória do novo, do desenvolvimento. Contudo, em termos de fixação da memória, “um acontecimento só toma lugar na série dos fatos históricos algum tempo depois de ocorrido. Portanto, somente bem mais tarde é que podemos associar as diversas fases de nossa vida aos acontecimentos” (HALBWACHS, 2006, p. 75). Talvez por isso o governo, para desmontar a cultura predominante, associou uma linguagem negativa à memória cultural, construindo monumentos com pouca significância no ethos da região, como se nota da Figura 20.
Ignorou-se, por conseguinte, a cultura da região ante a memória que reproduziam a partir do perfil de outra sociedade: “consequentemente, [...] a esfera pública nunca chega a constituir-se como pública, definida sempre e imediatamente pelas exigências do espaço privado, de sorte que a vontade e o arbítrio são as marcas do governo e das instituições públicas” (CHAUI, 1985, p. 55). De modo que os significados “diversos das espaciais associadas ao cotidiano, envolvendo as coisas correntes, e as manifestações menos frequentes ou periódicas estão, com raras exceções” (CORRÊA, 2007, p. 17), ao serem retratadas nos monumentos erguidos para representar a cultura do Estado do Tocantins. As opções do governo centraram-se numa concepção de desenvolvimento econômico do território criando na população uma espécie de fragmentação de sua identidade político- cultural ao apregoar um discurso de vergonha do passado. Por isso, todas as estruturas teriam que representar a perspectiva do novo, do suntuoso em relação ao que existia, começando pela sede do executivo estadual:
O Palácio Araguaia está localizado na Praça dos Girassóis, centro físico, administrativo e comercial da cidade, no cruzamento das avenidas Teotônio Segurado (eixo norte-sul) e Juscelino Kubitschek (eixo leste- oeste). Seu caráter visual é marcado pelos arcos de cerâmica de proporções
variadas que apóiam um generoso beiral que circunda, protege e sombreia toda a caixa de vidro dos espaços interiores. Esses arcos fazem uma referência às construções coloniais de Porto Nacional, particularmente a Catedral Nossa Senhora das Mercês e o antigo Colégio Sagrado Coração de Jesus da ordem dos padres dominicanos. O Palácio possui quatro pavimentos e um subsolo para atender às funções políticas e administrativas, com área útil de 14 mil m2. O edifício e o seu entorno sofreram interferências físicas posteriores, como a eliminação da praça original elíptica, a adição de duas portarias na praça, um monumento à Lua, além de interferências na cobertura do edifício e na aplicação de painéis nas vigas do seu coroamento. (SOUZA, 2005, p. 03).
FIGURA 21 – Memorial 18 do Forte. FONTE: José Miranda, 2012.
Observe-se a Figura 21, da fachada do Palácio Araguaia, ainda com o frontispício (bola iluminada) no telhado, por questões políticas foi retirada no segundo governo de Marcelo Miranda. Com o retorno de Siqueira Campos, em 2010, logo nos primeiros meses de governo foi colocado um grande brasão do Estado nos mesmos lugares dos frontispícios: nas entradas sul e norte do Palácio. Exceto os arcos da entrada do Palácio, os edifícios
construídos na Praça tem pouca ou nenhuma proximidade com a arquitetura colonial das cidades históricas, as diferenças vão da natureza estrutural ao padrão estético das partes internas e externas dos edifícios.
FIGURA 22 – Palácio Araguaia, sede do governo estadual - 2004. FONTE: Fernando Alves – cedida pela Gerência de Patrimônio Cultural da Fundação Cultural de Palmas.
Com a construção de monumentos pouco representativos em relação à riqueza cultural do Tocantins, teve-se uma das estratégias do governo para consolidação do território. Assim, o processo de construir e habitar os espaços foram conduzidos dentro de uma lógica seletiva e abstrata em relação ao contexto histórico local. Para isso, utilizou-se de símbolos abstratos para a materialização de uma nova cultura. Associado à construção de símbolos, o governo procurava atrair migrantes de outras regiões para validar os espaços da capital. Considerando a natureza da ocupação dos espaços de Palmas, o governo procurava dar à cidade uma feição indefinida, por isso
Os monumentos da Praça dos Girassóis, na qual se localiza o Palácio também, naquela ocasião, despertaram muita curiosidade porque parecia não haver conexão entre eles e o lugar. Estavam dispostos como se cada qual contasse uma estória, narrasse um monólogo solitário para justificar sua presença ali. Estes “contos” monumentalizados e reunidos, de alguma forma, tinham a intenção de dar sentido à cidade. Contudo, havia uma inquietação, o deslocamento proposto pelos objetos causava estranheza e naquele primeiro contato com essa paisagem, exercemos, sem dúvida, mas sem consciência disso no momento, um olhar estrangeiro, pois, tudo pareceu enigmático e sem sentido. (SILVA, 2008, p. 140).
Com o retorno de Siqueira Campos ao governo do Estado, as alegorias iniciais estão sendo restauradas. Em pronucianemto o governador disse que transformará a Praça dos Girassóis em um grande museu do Tocantins, com essa transformação, o Palácio do governo também será transformado em museu. A ocupação dos espaços da capital, majoritariamente, é constituída por pessoas de outras regiões do país. Nessa direção, as lembranças da cultura anterior dos poucos habitantes nascidos na região, ora enfraquece ora se acentua na “quintessência do vivido. Cresce a nitidez e o número das imagens de outrora, e esta faculdade de relembrar exige um espírito desperto, a capacidde de não confundir a vida atual com o que passou, de reconhecer as lembranças e pô-las às imagens de agora” (BOSI, 1994, p. 81); mesmo que não se tenham espaços para essas manifestações, elas coexistem no silêncio da lembrança, da ausência de iguais, diante da presença ostensiva caracterizada nas intervenções dispostas na cultura do outro.
Vale dizer, que a cidade, em qualquer sociedade, é o espaço do cidadão – o espaço vivido. Por isso, as cidades são as principais referências em termos do processo de fracionamento, bem como da conjugação da totalidade dos espaços. Porém, dependendo da intervenção processada para fragmentar a noção de cultura e dos espaços, essa fragmentação opera a inclusão dos que passam a ser definidos como os de dentro, ou seja, os incluídos.
As outras frações, isto é, os de fora, são caracterizados em relação aos habitantes que não foram icluídos, mesmo estando presentes nos espaços dos incluídos. Nesse contexto, “quando o homem se defronta com um espaço que não ajudou a criar, cuja história desconhece, cuja memória lhe é estranha, esse lugar é a sede de uma vagorosa alienação” (SANTOS, 2007, p. 81). Nessas condições, a predominância da alienação relacionada à adaptação de pessoas ou grupos a determinados espaços, pode ser vista no momento que a inconsciência cultural se transforma em alienação política, dificultando o estranhamento. Conforme (SANTOS, 2007, p. 81), quanto maior
O estranhamento e menores as possibilidadedes de uma adaptação inconsciente, mais os sentidos são despertados para a verdade que esconde os objetivos e as relações sociais. Incluindo o processo produtivo e as práticas sociais, a cultura é o que nos dá a consciência de pertencer a um grupo.
Toda intervenção gera fragmentação e retira a capacidade de uso do território como espaço cultural ante interferências que dividem e separam o homem do seu próprio espaço, reproduzindo uma falsa sensação de pertencimento não institucionalizado e sem uma correlação entre as culturas e as transformações simultâneas e diacrônicas entre pessoas e meio social. Essa dicotomia pode ser vivida ou expressada de forma particular ou coletiva em relação às necessidades pragmáticas criadas em torno de um conceito de pertencimento. Tal imposição foi gerada pelas necessidades de se continuar incluído no meio social em formação; por isso, o indivíduo assume uma condição passiva perante o que está sendo criado, mesmo entendendo que o espaço público não é uma coisa privada, particular, mas coletiva, por isso deve estar à disposição de todos moradores e não só de grupos dominantes. Diante disso, dependendo das condições, as pessoas não se rebelam para não provocar rupturas na estrutura de pertencimento que está sendo construída em um processo qualquer de ocupação de espaços condicionados pelo gestor público. Isso caracteriza uma sensação de privatização desses espaços para satisfazer interesses particulares e políticos, manifestados nas intromissões de gestores nas condições culturais coletivas e individuais de uma