• No results found

6. METODEREFLEKSJONER

6.3 Erfaring som utgangspunkt

6.3.2 Hermeneutikk

Na seção anterior, vimos que a abordagem declarada pelo professor na entrevista e também presente na prática observada na coleta de dados tem forte influência nas decisões sobre o movimento pedagógico a ser desenvolvido na sala de aula. Conforme Almeida Filho (1993) apresenta no modelo OGEL, a abordagem de aprender do aluno também tem papel importante no processo. Nesse sentido, Xavier e Urio (2006) declaram que, conforme as concepções do professor, este pode adaptar, suplementar e até descartar atividades, caso considere não serem importantes para seus alunos. Por sua vez, McDonough, Shaw e Masuhara (2013) ressaltam que o curso não fica isolado no tempo e no espaço, uma vez definidos os objetivos do curso e das políticas nacionais para o ensino de LE, as possibilidades de implementação estão diretamente ligadas às necessidades dos aprendizes e às características do contexto local.

A abordagem declarada, e que orienta a prática do professor P1, pode ter também impacto no papel desempenhado pelo aluno e nas concepções do que ele entende que seja aprender uma LE, conforme apresenta Almeida Filho (1993).

Observamos na turma A [P1] que os alunos, embora sejam falantes entre eles, no desenvolvimento das atividades, permanecem tímidos. No trabalho pedagógico desenvolvido pelo professor, em seu papel central na apresentação do conteúdo e nas atividades, a participação dos alunos fica restrita a repetir as frases nas atividades de prática oral ou cópia do conteúdo apresentado para registro no caderno, conforme a [Obs].

Com base na observação da aula da turma B [P2] e também na retomada da gravação, podemos concluir que o professor P2 tem, como conceito orientador, favorecer a interação aluno-aluno e aluno-professor, conforme vimos na seção anterior. Essa característica é observada na aplicação das atividades propostas no material CI, adaptadas para o trabalho em grupo ou em pares, sempre de forma colaborativa, alunos fazendo perguntas ou respondendo. O professor P2, durante todo o tempo de atividade, circulou pela sala, verificou o aproveitamento dos alunos, respondeu às dúvidas, sempre usando o idioma- alvo, segundo a [Obs]. Observamos, em consulta ao material (ANEXO 4), que os exercícios foram adaptados para promover a interação entre os alunos e a participação ativa, principalmente na utilização e na produção oral, tanto na correção dos exercícios como no desenvolvimento da atividade com os colegas. Constatamos na atividade proposta Fashion History – Did you know that, que se trata de um texto composto por fragmentos a respeito de

diversas informações e curiosidades. A sugestão para o professor é breve e aberta, sem maior detalhamento, dando liberdade a ao docente. Percebemos que as adequações na aplicação da atividade tiveram por base as sugestões presentes no material de apoio. Na análise da aula comparada com a atividade proposta, podemos ver que o professor segue a orientação proposta no CI, nesse sentido, os dados referentes à abordagem de aprender dos alunos, ainda que poucos dialogam com a abordagem de ensinar do professor, por sua vez dialoga com a abordagem presente no material, que não lhe apresenta dificuldade.

Essa preocupação observada na aula está presente também na entrevista:

P2. “Acho que tem que ter variedade de atividades... acho que é legal... acho que não pode ser sempre igual... tem que mudar... tanto é que fico pensando no que posso fazer de diferente hoje...” [Ent]

Na aula observada, registramos que o aluno lê, pesquisa, realiza exercícios, pergunta, resolve desafios, tarefas, trabalha com os colegas de turma etc. A atividade de cópia foi mínima, somente para registrar os exemplos do conteúdo gramatical que eles próprios haviam elaborado na realização do exercício, como visto na [Obs].

Na observação da aula da turma C [P3], a abordagem com ênfase mais tradicional de orientação gramatical compreende o papel central do professor e o enfoque na apresentação das estruturas gramaticais como base da aprendizagem da língua. De acordo com essa concepção, o aluno desempenha um papel mais passivo, conforme constatamos na análise da aula, faz anotações, copia da lousa os conteúdos aprendidos, conforme postulado na abordagem tradicional apresentada por Mizukami (1986) e Abrahão (1992) e percebido na prática dos alunos de acordo com a [Obs].

No questionário inicial [QsA], solicitamos aos alunos que indicassem as atividades pelas quais tivessem preferência. No gráfico a seguir são apresentadas as respostas dos alunos, de acordo com as turmas:

Gráfico 4 - Preferência dos alunos

Fonte: próprio autor.

No gráfico 3 estão registradas as preferências dos alunos pelos tipos de atividades para trabalho em sala de aula, observamos que as atividades de leitura, diálogos e gramática são também indicadas nas preferências dos alunos da TC[P3]. Isso difere somente na preferência indicada na atividade música, a qual, na prática, no planejamento do professor P3, fica em segundo plano.

Observamos na turma A[P1] que as atividades de maior preferência dos alunos são a música e a leitura. Na turma C[P3], observamos certa regularidade na indicação das preferências. Na turma B[P2], a atividade que obteve maior indicação dos alunos foi jogos, seguida pelas atividades de diálogo, leitura e música, o que corresponde à frequência das atividades apresentadas por P2 [QsP].

Nesse sentido, tendo como referência os dados da observação realizada com a turma C[P3], percebemos que, a ênfase dada pelo professor na oferta das atividades reflete também na preferência dos alunos. Percebemos aqui o efeito retroativo na formação do aluno e na forma como ele entende o que é aprender uma língua estrangeira, conforme vemos em Marcelo (2009) a partir de Lortie58 (1975), em que as crenças do que é aprender uma LE é

construída por meio da observação em todo o percurso como aluno, como também nos apresentam Barcelos (2006a), Lima (2011) e Paiva (2007) nos estudos sobre narrativas.

Vemos em Tomlinson e Masuhara (2005) que as atividades motivadoras são aquelas que propiciam aos alunos as temáticas que dialogam com as necessidades deles, pois estes só aprendem o que desejam ou o que realmente precisam aprender. Nesse sentido, consideramos em nossa análise que a abordagem do professor tem influência na construção da abordagem de aprender dos alunos, nesse caso, os dados ratificam o que é apresentado por Marcelo (2009) e Lortie59 (1975). Contudo, também pudemos ver na observação que as

atividades que mais se aproximaram das expectativas e das temáticas de interesse dos alunos foram aquelas que apresentaram melhor participação.