5. Arbeid, trygd og lavinntekt
5.4. Yrkesinntekt, stønader og lavinntekt
Este capítulo tem o objetivo de discutir a histeria como vicissitude psicopatológica, enfocando os principais aspectos que a caracterizam a partir das postulações freudianas e de autores que contribuem com proposições clínicas e teóricas.
É importante salientar também, que a histeria é um tema bastante amplo e complexo, tratado de diferentes formas desde a Antiguidade.
Assim, passando pelas mais diferentes concepções, de acordo com o momento histórico da civilização, entendo que Freud, ao publicar seus estudos psicanalíticos, conseguiu oferecer um tratamento a esta temática mais aprofundado, amplo e coerente para a modernidade. A este respeito, Birman (2001) entende que:
A teoria freudiana do psiquismo e sua interpretação correlata da histeria seriam, assim, a retomada de alguns traços da concepção da Antiguidade, mas agora inseridos em outro
284 Declaração de Chanel a seu amigo Paul Morand. Disponível em: MORAND, Paul. El aire de
contexto discursivo, no qual a problemática da diferença sexual estaria presente.285
Deste modo, conforme Birman (2001) entende a psicanálise freudiana trouxe uma leitura da histeria em que faz uma ligação modificada entre a concepção de uma perturbação nervosa (sustentada desde o século XVII) e sua dimensão sexual e social (defendida no século XVIII). Este psicanalista escreve que: “Freud formulou a teoria nervosa da histeria não no sentido estrito de uma perturbação do sistema nervoso, mas numa leitura na qual o psiquismo poderia dar conta das ditas perturbações nervosas.”286
Assim, de acordo com a compreensão de Birman (2001), a partir de suas postulações, Freud propôs uma realocação, atualizada, da sexualidade no campo do psiquismo, reconhecendo que o sexual caracterizaria o psíquico, sendo o primeiro ligado ao movimento do segundo.
Tomado por esta dimensão sexual na constituição do psiquismo, Freud se debruçou no entendimento da patologia histérica e formulou uma definição para a histeria ao analisar o famoso “caso Dora”. Segundo ele escreve:
Eu tomaria por histérica, sem hesitação, qualquer pessoa em quem uma oportunidade de excitação sexual despertasse sentimentos preponderante ou exclusivamente desprazerosos, fosse ela ou não capaz de produzir sintomas somáticos.287
Assim, no contexto deste trecho anteriormente explicitado, Freud ainda no início de suas postulações teóricas, e por isso, ainda formulando hipóteses do que caracterizaria a histeria (longe das proposições sobre a feminilidade), postula uma definição ampla, imprecisa, mas que, a meu ver, atenta para a dimensão sexual no psiquismo do sujeito neurótico.
Birman (1997), em sua leitura acerca desta patologia proposta por Freud, entende que “(...) na histeria o sujeito revela o seu terror pela excitação e pela mera
285 BIRMAN, Joel. Gramáticas do erotismo – a feminilidade e as suas formas de subjetivação em
psicanálise. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001, p. 93
286 Idem, p. 93
287 FREUD, Sigmund (1905[1901]). Fragmentos da análise de um caso de histeria. ESB, vol. VII,
evocação do erotismo, que deixa o sujeito siderado face ao anúncio virtual de sua emergência.”288
Sendo assim, entendo que este terror diante da excitação sexual se instala a partir de diversos percalços vividos pelo sujeito (homem ou mulher histéricos) durante a constituição de seu psiquismo.
É importante observar também, que a histeria tem forte relevância na psicanálise freudiana pois, conforme Laplanche e Pontalis (1992) escrevem: “como sabemos, o esclarecimento da etiologia psíquica da histeria é paralelo às descobertas principais da psicanálise (inconsciente, fantasia, conflito defensivo e recalque, identificação, transferência, etc.).”289 Assim, é possível dizer que a histeria,
como patologia paradigmática do início das construções psicanalíticas freudianas, vai acompanhando, paralelamente, a evolução teórica de Freud.
E, à medida que a teoria da psicanálise avançava, outras questões permeavam as reflexões de Freud. Com relação ao percurso realizado por ele, desde o início da criação da psicanálise, Birman (1997) considera que:
(...) se o início do percurso freudiano foi marcado pela indagação sobre o enigma da mulher, pela mediação da figura da histeria e que esta preocupação ainda obcecava Freud nos seus textos tardios sobre a sexualidade feminina, forjados entre 1925 e 1932, foi, contudo, a problemática da feminilidade que passou a dominá-lo no final de sua pesquisa.290
Deste modo, entende-se que o discurso de Freud, ao longo de suas construções, foi aos poucos se deslocando do saber acerca da neurose para os aspectos constitutivos da feminilidade.
Sendo assim, acompanhando seus estudos a respeito da primeira tópica, na conferência XVIII, intitulada Fixação em traumas – o inconsciente (1917[1916]),
Freud, ao analisar suas pacientes histéricas, observou que seus sintomas ou
288 BIRMAN, Joel. Se eu te amo, cuide-se. In: BERLINCK, Manoel. Histeria. São Paulo: Escuta, 1997,
p. 120
289 LAPLANCHE, Jean e PONTALIS, Jean Bertrand. Vocabulário da Psicanálise. São Paulo: Martins
Fontes, 1992, p. 212
290 BIRMAN, Joel. Se eu te amo, cuide-se. In: BERLINCK, Manoel. Histeria. São Paulo: Escuta, 1997,
consequências destes remetia a “(...) uma fase muito precoce da vida — um período de sua infância ou, até mesmo, por mais que isto pareça risível, um período de sua existência como criança de peito.”291
Deste modo, mesmo estando Freud situado em um período de construção da sua teoria ainda anterior à formulação do complexo de Édipo feminino em sua forma final, ele postula que, na neurose histérica, as pacientes apresentam, por meio da linguagem dos sintomas, a existência de uma fixação da libido na fase da oralidade, a fase mais precoce da infância.
Neste sentido, Laplanche e Pontalis, no Vocabulário da Psicanálise (1992), interpretam que a especificidade da psicopatologia histérica se caracteriza pela “(...) predominância de um certo tipo de identificação e de certos mecanismos (particularmente o recalque, muitas vezes manifesto), e no aflorar do conflito edipiano que se desenrola principalmente nos registros libidinais fálico e oral.”292
Assim, é possível compreender que aquilo que comporá a histeria terá início nos primórdios da vida psíquica da menina. A fase oral é, conforme explicitado no capítulo anterior do presente trabalho, a primeira fase do desenvolvimento psicossexual a ser vivida, desde o início, com o outro.