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Part 2: Warning bulletins

2.2.2.5 Yield estimation

No capítulo anterior, foram descritas diversas correntes éticas, com base na teoria de alguns filósofos selecionados, sem abordar especificamente as aplicações dessas teorias nas organizações. Pretende-se aqui, apresentar a visão de alguns autores da área de ética organizacional a respeito do emprego de algumas correntes éticas no contexto organizacional.

Srour (2003) adota a mesma classificação de Weber: a ética da convicção e a ética da responsabilidade. Leisinger e Schmitt (2002, p. 166) também seguem a mesma linha de pensamento de Weber e diferenciam a ética dos princípios e a ética da responsabilidade com a aplicação no contexto empresarial. Entendem que a ética dos princípios é governada exclusivamente pela pureza da própria intenção, independentemente das possíveis consequências. Já a ética da responsabilidade leva em conta todas as consequências práticas e as incorpora na decisão.

No ambiente empresarial, a ética da responsabilidade preocupa-se, portanto, com todos os efeitos causados pelas ações da organização, enquanto que a ética dos princípios está focada na aplicação dos seus conceitos que “pode ser equiparada a uma ética de resultados comerciais de curto prazo, que ‘santifica’ todos os meios que contribuem para o apurado” (LEISINGER; SCHMITT, 2002, p. 166).

Já Srour (2003, p. 140) defende a utilização da ética da responsabilidade, por considerá-la uma “ética situacional, aberta, cética e condicional, em busca do ’horizonte possível’ de cada época, moldada pelas análises de risco e precariamente estribada em certezas provisórias, sujeita à dinâmica dos costumes e do conhecimento”. É preciso ficar claro que a ética da responsabilidade, por possibilitar essa “abertura”, pode servir a interesses obscuros que serão justificados pela sua flexibilidade e pelas circunstâncias.

Morin (2007, p. 82), que também aborda a contradição entre as duas teorias éticas, alerta para tal fato: “[...] com efeito, uma responsabilidade desprovida de convicção seria puro oportunismo e se tornaria irresponsável; uma convicção sem responsabilidade conduz à impotência ou aos fracassos que indicamos na ecologia da ação”. Ao se analisar a aplicação da teoria da convicção ou da responsabilidade, defende-se a coexistência das duas teorias, proposta também confirmada por Morin

(2007, p. 82), ao citar que há possibilidade de diálogo entre a ética da responsabilidade e da convicção, “a partir do momento em que há convicção para assumir a responsabilidade e responsabilidade para salvaguardar sua convicção” (MORIN, 2007, p. 85).

Solomon (2000, p. 20), defensor da ética das virtudes, afirma que “as virtudes fornecem os fundamentos da vida ética e do sucesso nos negócios”. Enfatiza que, na maioria das vezes, é construída uma ideia errônea do mundo dos negócios, e afirma que os valores não estão desvinculados dos negócios, que se manifestam como virtudes pessoais. Solomon (2000, p. 113-164) construiu o catálogo das virtudes com base em Aristóteles, tendo em vista que o mundo dos negócios incorporou determinadas virtudes, por uma questão de sobrevivência e manutenção no mercado.

As virtudes consideradas as mais relevantes no mundo empresarial são a honestidade, a justiça e a credibilidade. “São essas as virtudes que conferem poder, que tornam o negócio possível. Nenhum negócio, nenhuma sociedade pode prescindir disso” (SOLOMON, 2000, p. 111). O autor explica que a integridade é formada pela união das três virtudes, que “... não é uma característica isolada nem uma virtude única, e sim a união das virtudes. E, entre elas, devemos destacar a honestidade, a justiça e a credibilidade”.

Estilo ético Descrição

Limitado pela regra Baseado em regras e princípios. Utilitário Baseado nas consequências.

Profissional Baseado na profissão, na instituição e na sua reputação.

Leal Baseado na lealdade à empresa.

Virtuoso Baseado no reflexo da ação sobre o caráter da pessoa.

Intuitivo Baseado na consciência, mesmo sem deliberação, argumento ou razões.

Empático Baseado no outro. Seria o “colocar-se no lugar do outro”.

Quadro 6 – Os sete estilos éticos Fonte: Adaptado de Solomon (2000, p. 167).

Solomon (2000, p. 167) apresenta algumas diferentes formas de ser ético. Cada um de seus sete estilos éticos levará em consideração aspectos diferentes, conforme Quadro 6. A razão de haver tantos conflitos pode ser explicada pelas diferenças existentes em cada estilo. Percebe-se, pela descrição de Solomon (2000), que cada indivíduo seguirá um estilo; porém, a definição de determinado estilo será influenciada de maneiras diversas como a cultura organizacional, a liderança, as pressões exercidas pela organização entre outros fatores.

Ferrel, Fraedrich e Ferrel (2001, p. 52), na abordagem sobre ética empresarial, apresentam a descrição de algumas teorias aplicadas nas decisões empresariais, conforme Quadro 7.

Teoria Descrição

Teleologia Afirma que os atos são moralmente certos ou aceitáveis, se produzirem um resultado desejado, como a realização de interesse próprio ou utilidade.

Egoísmo Define como ações certas ou aceitáveis aquelas que maximizam o interesse particular do indivíduo, da maneira por ele definida.

Utilitarismo Define ações certas ou aceitáveis como aquelas que maximizam a utilidade total ou o maior bem para o maior número de pessoas. Deontologia Concentra-se na preservação dos direitos do indivíduo e nas

intenções associadas a um comportamento particular, e não em suas consequências.

Relativismo Avalia subjetivamente a natureza ética, com base nas experiências do indivíduo e do grupo.

Ética da virtude Pressupõe que o que é moral, em uma dada situação, não é apenas o que a moralidade convencional exige, mas também o que a pessoa amadurecida, de “bom” caráter moral, consideraria apropriado.

Justiça Avalia a natureza ética com base na equidade: distributiva, processual e no que interessa a inter-relações.

Quadro 7 - Comparação das filosofias aplicadas em decisões empresariais. Fonte: Ferrel; Fraedrich e Ferrell (2001, p. 52).

Como já foi enfatizado, não se pretende recomendar a adoção de determinada teoria em detrimento da outra. Neste contexto, apresenta-se a descrição de alguns estudos a respeito da aplicação prática da ética organizacional nas organizações, com o intuito de ilustrar as várias realidades organizacionais.