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WTOS LANDBRUKSAVTALES ARTIKKEL 5: SPECIAL

A festa nos Açores está presente em todas as ilhas, com fortes marcas comuns e particularidades que podem ser específicas de uma das ilhas ou de apenas uma das freguesias dessa ilha.

A implantação da festa data do início do povoamento, mas há registros que particularizam e explicam os primórdios da festa e as designações ou manifestações variadas que podem assumir. É o caso do Império dos Nobres, antiga festa realizada a expensas das casas nobres e ricas ou do Império de S. João, realizado no dia do santo, apenas para as crianças, ambos na Ilha de Santa Maria, onde se realizam anualmente cerca de trinta Impérios. O Império, nos Açores, pode ter múltiplos significados, entre eles a designação da própria festa, de cunho religioso, mas que associa cerimônias litúrgicas a cerimônias populares. Mas pode receber outras denominações como Festa da Pombinha, em São Miguel, em razão de milagre ocorrido no século XVII, quando uma pomba apareceu e assistiu a todas as cerimônias, realizadas para agradecer o fim de grave epidemia.

Na Terceira, em 1643, foi construída uma ermida do Espírito Santo, o que atesta a devoção já existente, e que se fortaleceu com os cataclismos que a têm assolado. Em 1886 foram registrados trinta e quatro Impérios.

Na Graciosa, a presença de velhos e rústicos alpendres de pedra, denominados Impérios, atesta a antiguidade da devoção ao Espírito Santo.

Em São Jorge, os primeiros registros sobre o culto datam de 15 de abril de 1523, quando foi formalmente criada uma irmandade, mas reunida em casa já existente, dita Casa do Espírito Santo.

No Pico, a festa data do século XV, mas os primeiros registros associam a festa a pagamento de promessas relativas à peste que grassou em 1523, à erupção vulcânica de 1572 e que se intensificaram com os terremotos de 1718, que foram seguidos de violenta erupção vulcânica.

No Faial, acredita-se que a festa tenha a mesma antiguidade, ainda mais porque em 1523 a ilha foi atingida pela peste, mas no período seguinte parece ter caído em

decadência, razão pela qual atribuiu-se valor de punição à erupção vulcânica de 1672, quando foi criado o Império dos Nobres, na Horta, para retomada da festa. Realizada em ramada ou arramada armada a cada ano, só em 1700 foi construído o império ou teatro de pedra.

Uma curiosidade da festa no Faial é ter sido também realizada pelas freiras, nos conventos, com coroação, impanatriz e serviço de doces, oferecido pelas grades, ao som de cravo e guitarra.

Nas Flores há poucos estudos e registos históricos sobre a festa, mas sabe-se da existência de uma antiga capela dedicada ao Espírito Santo. As festas são feitas a expensas das irmandades.

A festa nos Açores manteve hábitos e tradições perdidas em Portugal Continental. Mas adaptou-se também às novas circunstâncias, principalmente no que diz respeito ao período de realização e à duração dos preparativos. Estas mudanças estão diretamente relacionadas à forte emigração ocorrida nas ilhas nos últimos anos, principalmente em direção aos Estados Unidos e ao Canadá. Para contar com a presença desses emigrantes, principais financiadores, foi-se ampliando o período da festa, que tradicionalmente ocorria em três dias – o domingo do Espírito Santo, o sétimo após a Páscoa; a segunda-feira seguinte, a Oitava e o domingo seguinte, o da Trindade. Atualmente as festas ocorrem com frequência nos meses de veraneio. Também foi alterado e reduzido o período de preparação, pelas mesmas razões.

A festa é realizada, como em outras localidades, para pagamento de uma promessa e sua figura essencial é o Imperador, detentor das insígnias que o identificam coroa, ceptro e salva – e responsável pelo provimento das prestações alimentares, refeições rituais, seja como financiador seja como distribuidor de bens recebidos.

A festa em Santa Bárbara, da ilha de Santa Maria, descrita por Leal (1994) está constituída por ritos religiosos e por oferta de refeições e prestações alimentares e estende-se, em geral, pelas oito semanas que vão do domingo de Páscoa ao domingo da Trindade, tendo como pontos culminantes os dois últimos domingos, o de Pentecostes, uma semana antes, e o da Trindade, além da segunda-feira de Pentecostes. As manifestações religiosas que precedem os grandes dias realizam-se, geralmente, na casa do Imperador, em divisão da casa preparada para esse fim, com um altar decorado com flores e velas onde ficam expostas as insígnias – o quarto do Espírito Santo.

Nesse espaço são realizadas as alumiações, que consistem em cantares das folias em honra do Espírito Santo e onde se rezam terços.

O ponto mais importante da festa é a coroação, no dia de Império, ato solene que ocorre na igreja, durante a missa dita da coroação.

Há também um número grande de cortejos, que marcam os momentos essenciais da festa: a instalação da coroa na casa do Imperador, a transferência para a igreja no dia principal, entre outros. A organização desses cortejos é semelhante à das procissões e obedece a um ritual e a uma disposição fixa de seus participantes.

O segundo ponto, de importância equivalente, é a oferta das diversas doações de alimentos, dos quais se destacam as sopas do Espírito Santo. Para as ofertas, a tradição antiga previa a realização de peditórios, para o trigo, em um condesso forrado de chita, e para o milho, na época das colheitas, e depois para o vinho na época das vindimas. Todo o processo seguia um ritual próprio, em que os participantes da festa iam de porta em porta, com o ceptro ou a pomba. A escolha dos cereais e o transporte aos moinhos era mais uma oportunidade de festejos. Atualmente as doações são essencialmente em dinheiro e, por essa razão, encurtou-se o período de preparação da festa.

As primeiras doações são feitas aos ajudantes e consistem em distribuição de escaldadas de porta em porta, na véspera da instalação da coroa na casa do Imperador, e na Ceia dos ajudantes, no dia. Na madrugada desse mesmo dia podem ser oferecidas sopas, em caboucas, um recipiente de barro, aos ajudantes, aos vizinhos e aos doentes e idosos, que não podem deslocar-se. Durante as alumiações são oferecidos biscoitos de orelha, aguardente e vinho. No fim da festa faz-se a retribuição das ofertas recebidas, as irmandades, compreendendo pão e carne, eventualmente vinho, e que se destina a todas as casas que fizeram doações, aos ajudantes, ao padre e ao sacristão, e ainda de um número determinado de esmolas aos pobres da localidade.

Outras formas de doações podem ocorrer ainda, dependendo da localidade, assim como podem, mais raramente, deixar de ocorrer, nos denominados Impérios secos.

O imperador conta com grande número de ajudantes, com obrigações específicas e cargos com denominação correspondente.

Em Santa Bárbara, Ilha de Santa Maria, um primeiro grupo ocupa-se das questões culinárias e é composto por dois cozinheiros, uma mestra, um escarrilhador e um agueiro, grupo este reforçado pelos familiares desses integrantes.

Um segundo grupo atua na esfera cerimonial e é composto pelo trinchante, o mestre-sala ou mestre-sá e dois vereadores ou briadores. Todos são identificáveis pelas insígnias que portam – um lenço amarrado no pescoço, um fruteiro enrolado no braço, uma vara de 2 metros. Os dois primeiros usam ainda uma toalha branca sobre os ombros. Estes componentes acompanham o imperador em todo o cerimonial e são responsáveis pela distribuição de alguns alimentos. O número de ajudantes é grande e compreende ajudantes do

trinchante, de copeira, de portais, de porta-da-igreja, de porta da copeira, copeiro do vinho e foguista, todos comandados pelo copeiro.

Um terceiro grupo é a corte imperial constituída pelo próprio imperador, a imperatriz ou impenatriz, os pás da mesa (possivelmente uma derivação de pagens) e o ajudante do imperador. Estes componentes são em geral de uma mesma família e sua função é ritualmente pouco importante.

Por último a folia, composta pelo mestre, que toca tambor, e mais dois foliões, um que leva o estandarte e outro que toca testos. A folia comanda as principais sequências rituais dos Impérios, com cânticos conhecidos como alvoradas, que podem ter uma conotação religiosa mais ou menos forte e, mais raramente, canções de cunho lúdico, os falsetes. Passa- se assim da predominância de cantos litúrgicos – o Bendito e Louvado e o Glória –, em Portugal Continental, para os cantos populares – as alvoradas e falsetes. Veremos depois que no Maranhão coexistem os dois tipos de cânticos, com denominações múltiplas, de acordo com o momento e as condições de uso.

Leal registra um aspecto interessante da festa em Santa Bárbara, hoje perdido, e que anuncia a prática das caixeiras, no Maranhão:

Essa preparação [das diversas variedades de pães e biscoitos] envolve sobretudo duas operações distintas: o peneirar da farinha – única operação que resta de um conjunto, nalgum tempo diversificado de operações, envolvendo a passagem do grão à farinha – e a cozedura propriamente dita. Era sobretudo nestas ocasiões que nalgum tempo se exprimia um aspecto hoje quase esquecido dos Impérios: o seu “cancioneiro” feminino.

Este “cancioneiro” feminino compreende sobretudo canções de trabalho e canções de recorte fundamentalmente religioso. Tal como no caso das canções entoadas pela folia, algumas delas assinalam cerimonialmente o início de uma determinada tarefa. Embora de acento sobretudo vocal, era frequente estas canções fazerem-se acompanhar pelo rufar do tambor da folia tocado por uma mulher.

Era esse o caso das canções entoadas no decorrer das intervisitas mais ou menos cerimoniais que as mulheres se faziam umas às outras quando o pão era cozido em várias casas (1984, p.17).

Na Graciosa, o Império tem os seguintes componentes: imperador e imperatriz, trinchante ou presidente, foliões, briadores (bereadores, vereadores), menino da mesa, copeiro, cozinheiro e cozinheiras, serventes e aguadeiro (FERNANDES; FERNANDES, 2006, p. 287). Em São Miguel há o depositário, o alferes, o vedor ou vaidor, foliões e criadores (FERNANDES; FERNANDES, 2006, p. 302). Em São Jorge, mordomos, condestável, andadores, passeadores, cavaleiros, folia, cabeça de peloiro, alferes da bandeira, portador da coroa, Sr. Juiz Conservador, este último responsável pela distribuição das vésperas, outra forma de doação de alimentos (FERNANDES; FERNANDES, 2006, p.

311). No Pico o responsável por fazer a festa é o mordomo, mas quem a dirige é o Cabeça do Peloiro.

Para Leal (1994), há cinco grandes variantes da festa, no arquipélago, caracterizadas por diferenças na estruturação genérica do ritual, na vertente alimentar, nas cerimônias religiosas, na composição das folias e na arquitetura religiosa: a variante de Santa Maria, a de São Miguel, a das ilhas do Grupo Central – Terceira, Graciosa, São Jorge e Pico -, a do Faial e a do Grupo constituído pelas ilhas das Flores e do Corvo.

Quanto à folia, a composição é a seguinte, em cada uma das cinco variantes: Em Santa Maria há um Mestre – que toca tambor e dirige a folia, um folião que transporta o estandarte e outro que toca os testos: em São Miguel predomina um tocador de tambor, um de pandeiro (ou outro tambor) e um porta-bandeira, mas na parte oriental da ilha pode haver pandeiro, rabeca, viola e ferrinhos; no Grupo Central – Terceira, Graciosa, São Jorge e Pico um tocador de tambor, um de pandeiro (ou outro tambor) e um porta-bandeira, mas em São Jorge pode ser só um cantador e um tambor e no Pico há dois tambores; no Faial também um tocador de tambor, um de pandeiro (ou outro tambor) e um porta-bandeira e no Grupo Flores e Corvo, um tocador de tambor, um de testos, dois cantadores, um dos quais é porta-bandeira (o pandeiro caiu em desuso); nas Flores um dos pratos dos testos é menor.

A arquitetura religiosa compreende dois espaços principais, o primeiro dos quais é aquele onde ficam expostas as insígnias no dia da festa. A destinação desse espaço é a mesma em todo o arquipélago, mas as designações podem mudar. Em Santa Maria e São Miguel é teatro, no grupo central de ilhas império, mas no Pico é capela, construída geralmente junto a um largo arborizado que chamam de ramada, e nas Flores e no Corvo é Casa do Espírito Santo. Esta construção pode ser retangular ou quadrada, à maneira de pequena capela ou semelhar-se a um alpendre. Pode ter escadaria fixa ou removível e ter um ou mais anexos, que variam de designação. Em Santa Maria há uma copeira, denominada Casa do Espírito Santo em São Jorge, onde também é conhecida por copeira, teatro ou cadafalso (FERNANDES; FERNANDES, 2006, p. 315), mas com as mesmas funções, no Faial há uma copeira e uma cozinha.

Na Terceira a festa compreende o que se designa como Funções e bodos. As Funções designam as diversas obrigações rituais dos festejos: terços, coroação, cortejos – da coroação e das mudanças das insígnias entre as casas dos imperadores, antigamente acompanhados pelas folias e hoje preferencialmente pelas filarmônicas – e prestações alimentares, das quais a principal é o Jantar do Espírito Santo, constituído por sopas do Espírito Santo, cozido, alcatra e diversas variedades de pão e compreende ainda as esmolas

de mesa, ofertas de sopas de carne cozida e pão às casas mais pobres do lugar e a distribuição do pão dos inocentes a crianças.

Os Bodos (Fig. 11) são distribuições de alimentos – em geral pães variados e vinho que podem ser acompanhadas por outras manifestações populares como arraiais, bailes, arrematações ou leilões, apresentações de filarmônicas .

Figura 11 – Bodo

Fonte: Acervo da autora

Este modelo, característico da Terceira, repete-se em quase todas as ilhas, mas as designações podem também variar. Assim, em São Jorge são conhecidas como Jantares e Festas, respectivamente; no Pico por Coroação e Império, na Graciosa por Coroação e Bodo, e nas Flores e no Corvo Domingas ou Semanas e Impérios.

No Faial, no entanto, as festas concentram-se no domingo do Espírito Santo, e na 2ª e 3ª feiras seguintes, podendo continuar até o domingo da Trindade e consistem na Coroação e no Jantar, embora possam ser oferecidas esmolas de massa sovada para as crianças.

Em São Miguel, os festejos anteriores ao dia principal são designados por Domingas e os do dia Impérios. As Domingas são constituídas por refeições, a principal delas conhecida como Ceia dos Criadores, e a eles destinada principalmente, associada a arraiais e arrematações e a ofertas de alimentos, designadas por pensões e compreendendo carne crua, pães e vinho.

Nas Flores e no Corvo o modelo assemelha-se ao de São Miguel. As Domingas ou Semanas consistem em alvoradas e deslocamentos da coroa entre a igreja e as casas do Imperador ou do Espírito Santo. O que diferencia mais fortemente a cerimônia daquelas realizadas nas outras ilhas é a ausência de coroação. As Domingas podem ter ainda prestações

alimentares, por promessa, consistindo em Jantares cozidos – Sopas do Espírito Santo, massa sovada e vinho, em geral restrita a convidados, mas podendo ser ampliadas para a freguesia ou para pessoas de fora e os Jantares crus, carne crua e pão para alguns moradores selecionados.

Nos Impérios, a estrutura é semelhante à das Domingas com Alvoradas e Cortejos, mas um aspecto original da festa é a participação de meninas vestidas de branco para o transporte das coroas no cortejo até à Igreja, algumas das quais serão escolhidas Rainhas da Festa. Além disso, é feita também uma oferta de carne crua aos membros da irmandade; esta oferta recebe designações diversas segundo a freguesia: Enfiadas, Oitavas, Mordomos, entre outros.

No Pico, há distribuição de bolos grandes de trigo, com enfeites em relevo, as Vésperas, que são conduzidos à Ramada em Açafates transportados por jovens vestidas de branco, como em Tomar. As Vésperas eram responsabilidade dos membros da irmandade. Na freguesia da Piedade os irmãos do Espírito Santo ofereciam uma Conta de rosquilhas, compreendendo 50 Rosquilhas, mas os números eram variáveis em cada freguesia, podendo ir de 30 a 65.

As Insígnias também podem variar, incluindo eventualmente um Espadim, mas são os Altares que mais se distinguem, pela

utilização profusa de todo o tipo de elementos decorativos – flores naturais e artificiais, rendas e toalhas, decorações natalícias, “bibelots” de todo o gênero [...] dispositivos de iluminação e, por vezes, há mesmo casas que instalam mecanismos que permitem que o altar rode sobre si próprio (LEAL, 1994, p. 184).

No que diz respeito ao promotor das festividades, a designação mais comum é a de Imperador, mas pode ser também Mordomo, em São Jorge e no Pico, Mordomo, Irmão da coroa ou Imperador, em São Miguel e Cabeças da irmandade, nas freguesias do sul, nas Flores. Os critérios de seleção, em geral por sorteio, podem incluir toda a comunidade ou um grupo específico, uma Irmandade, como em São Jorge, no Pico e em São Miguel. Os Mordomos, em graus diferenciados de importância e de funções exercidas, são uma constante, mas há diferenças entre as ilhas quanto ao número e designações, com casos raros de participantes diferenciados, como os Cavaleiros, em São Jorge; o Condestável ou Pagem do estoque e o Pagem do coxim, encarregados, respectivamente, de transportar o Espadim e a Almofada para o imperador ajoelhar, ou os Senhores das varas, que formavam o Quadrado De Varas no cortejo, em São Miguel; nas Flores, a festa é comandada por dois membros da Irmandade, os Cabeças, um dos quais será designado por Mordomo e o outro por Tesoureiro;

há um Imperador para cada semana e as mudanças são feitas em Cortejos , com a participação do Rei da Coroa e do Alferes da Bandeira, que transportam essas respectivas insígnias, e da Folia, constituída por quatro Foliões. O cortejo ainda conta com a Rainha da festa e suas Damas de honor.

Os tipos de alimentos distribuídos nos Bodos também são diversificados:

Graciosa – uma ou duas distribuições de Rosquilhas e vinho, financiadas por um conjunto de Irmãos que oferecem dinheiro e organizadas por uma comissão encarregada de preparar as Rosquilhas e comprar o vinho;

São Jorge – duas ou três distribuições de Bolos ou Vésperas e vinho, podendo incluir ainda tremoços e fatias de queijo, ou um Bodo de leite. As casas da freguesia contribuem com gêneros ou um número definido de bolos.

Pico – duas ou três distribuições de Bolos ou Rosquilhas, denominadas de argolas, e vinho.

A ilha do Faial apresenta alguns aspectos diferentes do padrão comum às ilhas centrais, principalmente na existência de um Imperador para cada dia da festa, o que também ocorre nas Flores. A festa compreende a Coroação e o Jantar, com os cortejos rituais habituais.

Nas Flores, além do jantar oferecido pelo imperador, depois da coroação são distribuídas as carnes das reses abatidas, os Arreliques, aos irmãos que, nesse momento entregam a sua contribuição de pão e massa e oferecem vinho, aguardente e Farelórios, nome genérico para bolos, suspiros e Massa sovada..

As peculiaridades da festa não estão restritas aos espaços individuais das ilhas, mas podem ocorrer dentro de uma mesma ilha, de freguesia para freguesia. Leal (1994) registra algumas variantes da festa, na freguesia de Santo Antão, na Ilha de São Jorge, e na freguesia da Piedade, na Ilha do Pico. Em Santo Antão, a Festa compreende dois tipos de festejos, os Jantares e os Gastos, equivalentes às funções, e as Festas. Os Jantares são realizados durante oito semanas e designados pela ordem em que ocorrem: primeiro Jantar, segundo Jantar etc. Os Gastos ocorrem nos domingos do Espírito Santo e da Trindade, juntamente com as Festas, velha e nova respectivamente. As coroações e ofertas de refeições e alimentos são múltiplos e estendem-se pelas oito semanas da festa. São oferecidos jantares, esmolas, distribuição de pão de cabeça, almoço, distribuição porta-a-porta de sopas do Espírito Santo, de presentes em massa sovada, ofertas de carne crua para as amassadeiras, de brindes de massa sovada e vinho à filarmônica, de prato de doces, o chamado serviço da

coroa – espécies, rosquilhas brancas, esquecidos, caramelos, suspiros e pão leve – aos membros da irmandade, bolos, bolos mancebos e coscorões e bodo de leite nos Gastos.

Na freguesia da Piedade, no Pico, há dois tipos de festejos, as Coroações, ou Gastos de Coroa ou Jantares e os Impérios. Estes últimos têm como ponto central a distribuição de alimentos, realizada por irmandades distribuídas em pontos, de acordo com os dias de realização da festa.

Como se pode avaliar, é a associação da diversidade à unidade que caracteriza a festa nas nove ilhas do arquipélago dos Açores, festa que é marca de açorianidade e orgulho de seu povo.