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World experience of using different types of structures for arctic conditions

3. ANALYSIS

3.4. World experience of using different types of structures for arctic conditions

Gustavo é um rapaz de 23 anos (no momento da entrevista), nordestino, auto identificado como branco e com nível de escolaridade de ensino médio completo. No momento da entrevista morava sozinho. Refere-se à sua profissão

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como ativista. Afirma-se como não religioso, contudo ―acredita em deus, mas também não é o deus cristão, nem monoteísta‖, em suas palavras. Ao ser perguntado sobre sua orientação sexual, definiu-se como pansexual e pela sua identificação de gênero orientou-se como ―uma pessoa do gênero masculino‖. Optou por este nome, após ponderar outras possibilidades, como Felipe. Não informou o motivo da escolha. Informou que em seu percurso como militante, sua identidade política foi construída como homem (trans), mas para ele, é apenas o ―Gustavo‖.

Sua entrevista aconteceu no primeiro dia do I Encontro de homens trans do Nordeste, em 14 de junho de 2013, no quarto do hotel em que estava hospedado (o mesmo em que foi realizado o encontro), a pedido de Gustavo. Na época de aproximação com as prováveis pessoas a ser entrevistadas, Gustavo desde o primeiro contato no evento já se posicionou muito favoravelmente em conceder uma entrevista. Tanto foi assim que ao final dos trabalhos do dia, o mesmo me procurou solicitando realizar a entrevista, com um tom de urgência.

Com o desenrolar da pesquisa, no segundo semestre de 2014 tive a notícia pela rede social Facebook que Gustavo havia realizado sua primeira cirurgia para a sua transição, a mastectomia. Fato de relevância para o mesmo, visto que anunciou com diversas postagens em sua página nesta rede social. Faz uso de hormônio masculino por aproximadamente três ou quatro anos, segundo informou. Em contato com ele, informou que ainda no momento atual não tramita na justiça um processo para a retificação de seu nome e sexo na documentação civil. De todos os entrevistados foi o único que referiu ter conhecimento da campanha STP – STOP TRANS PATHOLOGIZATION, inclusive tecendo críticas à mesma.

3.3.1.2 Barbosa

Barbosa tem 28 anos de idade (quando da realização da entrevista), nordestino e auto identificado como negro. Sua escolaridade é de nível superior,

estando na época cursando o segundo curso superior, referindo também ser sua ―prioridade a vida acadêmica‖. A entrevista foi realizada na data de 16 de junho de 2013, último dia do evento I Encontro de homens trans do Nordeste. Afirmou ser casado, residindo com sua parceira, uma mulher (trans). Apresentou diversas atividades profissionais como ―promoter em boates LGBTs, mas eu também sou profissional do sexo. Eu trabalho com um site pornô‖. Sua orientação sexual é bissexual, e informou que gosta de homens e de mulheres, porém estas últimas apenas (trans), por conseguinte, se reconhece como bissexual. Não gosta e não fica com mulheres cis44. Define-se como cristão agnóstico, frequentando com sua esposa um centro espírita kardecista, podendo também ir a uma igreja católica, uma vez que afirma ter fé cristã. Ao ser perguntado sobre sua identificação de gênero prefere ser reconhecido como ―homem”, todavia não se incomoda com nenhum dos termos utilizados para definir sua experiência, concordando em ser nomeado como homem (trans). Sua opção pelo nome Barbosa deve-se a um de seus sobrenomes. Preferia que fosse utilizado o nome que eu o conheci, embora tenha compreendido e concordado com a necessidade de um pseudônimo.

Já realizou a mamoplastia masculinizadora45 e faz uso de hormônios

masculinos há oito anos, no entanto quando o entrevistei estava há um ano sem hormonizar-se devido a aspiração de engravidar, referindo que vinha tentando uma gestação, mas estava tendo algumas dificuldades para atingir este objetivo. Assim como Gustavo, ainda não alterou judicialmente seu nome. Ainda que seja um

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Cis é a abreviação do termo cisgênero. Pessoa cisgênero é aquela que não tem discordância com o gênero atribuído no momento do nascimento. Este é um vocábulo bastante proposto, discutido e difundido pela própria população de pessoas (trans), as quais forjaram um termo para dar conta de explicitar os privilégios e as relações desiguais de poder entre as pessoas que não vivenciam a experiência de contrariar as normas de gênero (cis) e as pessoas (trans), cujas vidas são marcadas pelo constante desafio de existir fora dos padrões impostos pela sociedade generificada. Atualmente há um debate entre alguns acadêmicos/as brasileiros/as e pessoas (trans), algumas delas também inseridas na academia e altamente intelectualizadas, pela necessidade do termo. Ressalto que o termo vêm ganhando grande difusão no contexto brasileiro (com a utilização até mesmo em meios de comunicação de massa), sendo impossível na atualidade desconsiderar esta nomenclatura, bem como sua potência em denunciar um sistema que hierarquiza, desqualifica, estigmatiza e violenta pessoas (trans), a saber: o sistema cissexista e cisnormativo. Algumas pessoas (trans), numa atitude de enfrentamento, ironicamente referem-se ao ―cistema”.

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Seguindo a linha adotada neste trabalho, quando mais de um termo for usado para descrever experiências ou mesmo atos, utilizarei sempre a designação que o interlocutor descreveu.

militante de influência nacional no movimento social de homens (trans) brasileiros, relatou desconhecer a campanha pela despatologização das identidades (trans).

3.3.1.3 Frederico

Este é o mais jovem dos interlocutores desta pesquisa, tendo apenas 17 anos de idade, cursa o terceiro ano do ensino médio simultaneamente ao cursinho preparatório para o ENEM46 e vestibular e se define como branco. Trabalha numa ONG que atua no segmento de pessoas (trans) de Curitiba como coordenador desta organização. Também é ―freelancer de textos”. Mora com o pai, entretanto intercala em alguns momentos a moradia com sua mãe, visto que seus pais são separados. Quando o entrevistei não estava namorando, iniciando um relacionamento algum tempo depois. Define-se como heterossexual e já esteve em relacionamentos com mulheres (trans) e cisgêneras. Quando indagado a respeito de sua identidade de gênero respondeu que ―no quesito da militância eu sempre digo que eu sou homem (trans), mas no geral eu sempre digo que eu sou homem assim, tipo numa totalidade”. Define-se como ateu.

Compreendeu-se como um homem (trans) com 12 anos, enquanto cursava a sexta série do ensino fundamental, a partir de uma aula que assistia em que seu professor referindo à transexualidade ―falou que era uma pessoa que se sentia aprisionada num corpo que não lhe pertencia”. Iniciou a hormonização47 com

testosterona aos 15 anos de idade e ainda não realizou nenhuma cirurgia, contudo no período da entrevista informou que propôs uma ―vaquinha na internet‖, isto é, uma arrecadação online para angariar fundos para fazer a cirurgia de mastectomia.

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ENEM é a sigla para Exame Nacional do Ensino Médio, o qual avalia o desempenho do estudante que conclui o ensino médio. É utilizado por muitas instituições de ensino superior para a seleção de seus novos estudantes.

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Com o intuito de buscar nomenclaturas menos patologizantes, opto pelo uso deste termo, contrapondo-me à hormonioterapia, ou terapia hormonal, designações frequentemente empregadas pela literatura médica.

Foi através de Frederico que tive a informação da existência do CPATT e do grupo Cartografias Trans, e foi ele quem intermediou minha aproximação com o espaço. Nossa entrevista foi realizada na segunda quinzena de setembro de 2014, na sede da ONG, a qual é coordenador. Também foi a mais longa de todas as entrevistas. Por sugestão de uma colega pesquisadora da área e de uma ativista conhecida entrei em contato com Frederico pelo Facebook, ele demorou duas semanas para me responder se concordava ou não com a entrevista. Conheci pessoalmente este rapaz na exibição e posterior debate do filme ―Tomboy‖, atividade proposta pelo LABIN – Laboratório de Investigação em Corpo, Gênero e Subjetividade na Educação da UFPR, cujo projeto CineLabin é responsável pela realização de atividades públicas direcionadas à comunidade universitária e externa. Meu quarto interlocutor - indicação de Frederico - também esteve presente nesta sessão fílmica.

3.3.1.4 Marcelo

Em contrapartida a Frederico, Marcelo é o mais velho dos entrevistados, tendo 48 anos de idade. Solteiro, sua escolaridade é o ensino superior completo (informou também possuir magistério). Se auto declara branco e descreve duas profissões: artista plástico e professor, conquanto atualmente exerça uma atividade informal para seu sustento. Mora com um irmão mais velho. Afirmou sua orientação sexual como bissexual, embora questione esta identificação uma vez que ―[...] eu não sei hoje em dia, mas eu acho mais pra hétero. Eu não sei se é só uma coisa que eu ainda me acostumei de certa forma, mas eu vejo que pra relacionamento mesmo, tem que ser mulher. É só esporádico mesmo [...]‖. Quanto à sua identificação de gênero refere que usa designações como homem (trans) ou homem (transexual), não obstante foi o único a mencionar algumas vezes o termo (trans)homem. É da religião espírita kardecista e frequentador de um centro espírita, descrevendo-se como um médium.

Realizei sua entrevista no prédio em que está localizado o CPATT, na 2ª regional de saúde da secretaria estadual de saúde do Paraná no final do mês de setembro de 2014. Nosso contato inicial foi na sessão do filme ―Tomboy‖, porém minha abordagem para a entrevista deu-se pela indicação de Frederico, o qual me recomendou Marcelo em sua lista de amigos do Facebook. Marcelo ainda não fez nenhuma cirurgia para a sua transição e hormoniza há dois anos. Está aguardando a tramitação de seu processo de retificação de nome e sexo representado pelo Núcleo de Práticas Jurídicas da Universidade Federal do Paraná, assim como Frederico e o último entrevistado, Styler.

3.3.1.5 Styler

Styler tem 36 anos de idade e morador da grande Curitiba. Tem escolaridade de ensino médio completo, sendo que atualmente cursa um novo curso pós-médio. É solteiro e se define como branco. Sua profissão é estudante atualmente e quanto a sua religião, refere identificar-se com o espiritismo. É heterossexual e ao ser questionado a respeito de sua identidade de gênero respondeu que não tem preferências por termos, mas que evita transexual visto que ―quando eu falo transexual o pessoal confunde com homossexual‖, então utiliza homem (trans) ou (trans)homem para facilitar a compreensão das pessoas. Segundo Styler ―eu tenho que falar homem (trans) ou (trans)homem e daí explicar que não é [homossexual], tem gente que fala que é gordura trans‖. Mora com um amigo. O nome escolhido reflete o seu gosto por músicas eletrônicas e danceterias que tocam tais músicas. Foi o único dos entrevistados que demonstrou algum receio em ser reconhecido, pois solicitou, anteriormente a eu informar que não utilizaria seu nome na pesquisa, que caso eu utilizasse seu primeiro nome, não o complementasse com seu sobrenome.

Nossa entrevista foi desmarcada duas vezes por motivos de incompatibilidade de horários. Ela foi realizada num shopping center do centro de Curitiba, no início do

mês de outubro de 2014. Naquela ocasião, Styler estava há poucas semanas de ter feito a mastectomia, e o mesmo ainda sentia muito desconforto causado pela cirurgia, contudo demonstrava muito contentamento com sua conquista. Faz uso de testosterona há mais de oito anos. Embora ele tenha sido usuário dos serviços prestados pelo CPATT, naquele momento não estava fazendo seus atendimentos, pois afirmou que os horários disponibilizados não permitiam que ele pudesse concluir seu curso, momento em que pude informá-lo que era possível frequentar apenas o especialista que desejasse, no seu caso, o endocrinologista. Também aguarda a retificação de seu nome e sexo na documentação civil.

Para ilustrar algumas das informações e facilitar a leitura, opto por fazer um quadro esquemático dos interlocutores da pesquisa.

QUADRO 01 – DADOS DOS ENTREVISTADOS

Nome Idade Etnia Escolaridade Orientação Sexual

Região Religião Conhece STP-2012 Gustavo 23 Branco Médio completo Pansexual Nordeste Não

religioso Sim Barbosa 28 Negro Superior completo Bissexual Nordeste Cristão

agnóstico Não Frederico 17 Branco Médio completo Heterossexual Sul Ateu Não Marcelo 48 Branco Superior completo Bissexual Sul Espírita

kardecista Sim Styler 36 Branco Médio completo Heterossexual Sul Espírita Não

FONTE: O autor, (2013,2014).

3.3.2 As experiências em Curitiba

Na cidade de Curitiba realizei as três últimas entrevistas e me aproximei do CPATT. No início do segundo semestre de 2014 estava tendo dificuldades para conseguir as entrevistas. Alguns possíveis interlocutores, os quais encontrava a partir da rede social Facebook não se dispunham a realizá-la, e dois desistiram no dia marcado. A alternativa foi solicitar uma sugestão de pessoas que já estavam em

contato com prováveis interlocutores. Ainda que eu seja oriundo de Curitiba, meus contatos de homens (trans) brasileiros eram em sua maioria, de outras regiões, particularmente do estado de São Paulo, o que gerou a necessidade de buscar auxílio. Pedi sugestões para uma pesquisadora da área e para uma ativista. As duas me indicaram um jovem (trans) curitibano, o qual me indicou o próximo entrevistado e me deu importantes informações sobre o funcionamento e localização do CPATT. O último entrevistado foi escolhido pelo Facebook, se tratava de um homem (trans) que eu já conhecia há alguns anos e que fazia parte do meu círculo de contatos nesta rede social.

Como dito anteriormente, os primeiros interlocutores eram ativistas do movimento de homens (trans) e responderam às entrevistas no I Encontro de homens trans do Nordeste em junho de 2013, na cidade de João Pessoa na Paraíba. Em Curitiba, um dos colaboradores foi entrevistado em uma ONG que atua na defesa dos direitos das pessoas (trans) do Paraná, outro no prédio público onde está localizado o CPATT e outro num shopping center no centro da capital paranaense. Foi ofertada a possibilidade de realizar as entrevistas em qualquer local que fosse do desejo dos entrevistados, a escolha ficando sempre a cargo dos mesmos. Nenhum desejou realizar em sua casa, sendo que quatro deles expressou a necessidade de ser em algum local com privacidade, mas nenhum pediu sigilo para o lugar da entrevista.

3.3.2.1 Centro de Pesquisa e Atendimento a Travestis e Transexuais – de um