Chapter 2: Previous Work and Theoretical Aspect
2.1 Works on Cause of Language being Threatened
Na verdade, este vitral mostra compreensão do próprio Dom João estando há 26 anos junto dos capixabas. Conforme a entrevista a Glória Cristina, do Jornal A Tribuna, em 17 de julho de 1983, Dom João fala de seu apoio aos pobres, das mágoas com a situação vivida naquele momento, fala de sua amizade com Dom Hélder Câmara, e de sua posição enquanto bispo.
Trata de assuntos referentes à religião e à política, fala de 1983 como seu último ano à frente da Arquidiocese de Vitória, refere-se a uma série de transformações vividas nesses anos, lembra das orientações do Papa João Paulo II, fala de sua voz como eco da voz do povo, traz lembranças de sua infância, de sua família, de sua vocação e de uma bênção inesquecível que traz consigo da infância, que foi quando, ao atender um homem pobre que batia à porta de sua casa pedindo água. Ele foi servir o pobre homem, que bebeu lentamente a água, e disse-lhe “Deus te abençoe” e caiu morto para trás.
Esta reportagem traz também algumas queixas de Dom João quanto à consciência social e a outras questões sociais. (ANEXO N)
3.2 UMA ANÁLISE SOBRE OS VITRAIS
Numa análise de todas as entrevistas pode-se perceber que oito dos nove entrevistados iniciam suas falas registrando traços da personalidade\ temperamento de Dom João: amigo, comunicativo, firme, seguro, atencioso, simpático, autêntico, simples, calmo, tranqüilo, humilde, simpático, dinâmico e sensível foram os adjetivos dispensados a sua pessoa. Diante disso pode-se concluir que o arcebispo era uma pessoa muito bem quista entre os seus.
Outro ponto citado na maioria das entrevistas foi à participação de D.João como um disseminador das idéias conciliares. Dos entrevistados, apenas três não fizeram a ligação da pessoa do arcebispo com o Vaticano II. Dos relatos a respeito desta temática registra-se que Dom João:
· “Esteve preocupado com a implantação do Concílio na Igreja como um todo” (D.Waldir)
· “Acolheu e disseminou o Concílio” (Dom Demetrio). “Um entusiasmado
com o Concílio e transmitia isso” (Dom Serafim)
· “Vem desse encontro empolgadíssimo” (Cláudio Vereza)
· “Primeiro bispo a colocar em prática as idéias do Concílio” (Cônego Maurício).
Além de seu temperamento afável e da identificação com os ideais disseminados pelo Concílio Vaticano II, fica explícito também pelas entrevistas o compromisso de Dom João com os pobres e sua preocupação em construir também uma Igreja que tenha uma ação voltada para esta temática. Informações como o envolvimento e atuação do bispo na mobilização social e no atendimento as vítimas da enchente de 1979, o fato de querer ser enterrado no meio do povo, o enfrentamento às autoridades da época para defender os ditos “invasores” de terra e sua postura contrária à ditadura militar, só vem confirmar sua “opção preferencial pelos pobres”. Em relação ao combate as injustiças e inserção política, fica explícito, especialmente nas entrevistas dos leigos, como Dom João foi considerado uma “autoridade respeitada” nas palavras de Tereza Côgo, e “um dos maiores lideres do Espírito Santo” para Cláudio Vereza, que relatou o apoio do bispo a primeira e maior greve do estado do Espírito Santo, em 1979: “Ele estava ali no momento de um grande conflito entre os trabalhadores e o capital. Dom João estava presente e todos buscavam apoio na cidade alta, no centro de pastoral...”. Dentre os entrevistados, representantes do clero\ religiosos, Ir. Roque também reconhece a inserção política de Dom João, afirmando que o mesmo chegava ser acusado de comunista por defender os pobres. Dom Geraldo relembra que o bispo foi sensível à questão rural, sendo um entusiasta da implantação do Centro de Aperfeiçoamento de Líder Rural – CALIR, e teve grande envolvimento com a juventude. Relata ainda que Dom João sofreu forte repressão do regime militar por se preocupar com as questões concretas do povo, ser um defensor dos direitos humanos, especialmente em relação ao sistema carcerário. Dom Geraldo também relembra que houve uma manifestação da elite acusando o bispo em questão de comunista e subversivo. Tanto Ir. Roque, quanto Dom Geraldo e Cônego Mauricio relacionam a ação política de Dom João aos preceitos bíblicos: “sua prática política e social baseava-se na Bíblia” (Ir. Roque). “O discurso de Dom João tinha forte implicação política e social, mas não
era um discurso político, mas sim de pastor e profeta” (Dom Geraldo), “Dom João exerceu uma ação política sim, pois era visto como um homem que questionava a maneira de se viver, de agir e de governar a partir do evangelho” (Cônego Mauricio). Ainda no que diz respeito ao seu posicionamento político ao lado das massas populares, três dos entrevistados relembram a celebre frase atribuída a Dom João: “Só o povo salva o povo”.
No que diz respeito ao envolvimento de Dom João com as comunidades eclesiais de base – CEB’s, sete dos nove entrevistados fizeram menção ao apoio e incentivo dado pelo bispo. Somente Dom Serafim e Dom Waldir não teceram comentários explícitos às comunidades, embora tenham mencionado a estreita relação de Dom João com os pobres e o incentivo dado por ele a abertura e inculturação da Igreja. Destoando um pouco da idéia posta pela maioria, que considerava Dom João um grande defensor e incentivador das ceb`s, Frei Betto afirma que Dom João “se entusiasmou com a reaproximação dos pobres à Igreja, mas não participava do dia- a-dia das ceb`s, exceto nas grandes celebrações”.