Material and Methods
4.4 Further work
De acordo com Stefanesco et al. (1982), pouco ou nada se sabe sobre a população original do Planalto de Angónia anterior ao século XVII, mas artefatos da era de pedras e pinturas rupestres foram encontrados próximo de Dzedza, República do Malawi, próximo da linha de fronteira. Os habitantes mais antigos que se conhecem da atual parte central do Malawi e do Planalto de Angónia são os Chewa. Estes povos, segundo informações disponíveis, vieram do sul do Katanga (Zaire) provavelmente durante os séculos XVII e XVIII da era cristã. Atualmente, os Chewas perderam a sua organização tribal e vivem em pequenos povoados espalhados. Os Chewas são essencialmente agricultores, cultivando milho, ervilha, banana, mangas, amendoim, feijão, batata doce, entre outras, mas também criam porcos, cabras, bovinos, galinhas e outro tipo de gado que constitui a sua base de subsistência. Este assentamento populacional originalmente pacífico foi perturbado com a vinda de comerciantes de escravos (A-chikundas) e os invasores Ngoni, durante ofinal do século XVIII até a metade do século XIX, que obrigou os Chewa a se refugiarem para áreas mais inacessíveis, onde alguns ainda vivem atualmente (STEFANESCO et al.,1982).
Segundo Carvalho (1988), a parte norte do Planalto de Angónia foi explorada por diversos grupos tribais. Por exemplo, o povo A-chikundas vinha do Vale do Rio Zambeze (Tete - Manica), provavelmente antes do século XVII. O chefe Yao Tambala, que vinha do sul da Tanzânia (nas mediações do Rio Rovuma), subiu o escarpamento do Vale do Rift por volta de 1870 e fixou-se juntamente com seu povo próximo do monte Chingoni, em Malawi, e no norte do Planalto de Angónia. Este segmento da população é conhecido atualmente como os Yao Amangoche (CARVALHO, 1988).
O povo Ngoni, sob comando do chefe Gomani, ocupou a parte nordeste do Planalto de Angónia e Malawi, enquanto outros dois chefes, Ngoni Kaphuka e Kasumbu, ocuparam
as áreas planálticas entre as cordilheiras de Dzalaniama, Domué, Dedza e monte Chingoni, por volta de 1845.
Finalmente, outro grupo Ngoni, conhecido por Pemba, oriundo do sul da Tanzânia (Songea) separou-se do clã Maseko e penetrou no interior da atual província de Tete, no vale do Rio Zambeze, em Moçambique. A partir desta região, partiu para o Planalto de Angónia e para República do Malawi e se fixou definitivamente nas mediações do monte Domué, por volta de 1871. Este grupo foi forçado a abandonar a região, para se fixar mais uma vez em Nichen a Mwanza, por volta de 1900, por outro grupo invasor Ngoni, liderado pelo chefe Zwangendaba, que veio da Zululândia, Natal na África do Sul. Este chefe invadiu sucessivamente o planalto entre o vale do Rio Limpopo e Rio Zambeze e se fixou, numa primeira fase, na parte central da Nyasalandia (Malawi). Mais tarde, o seu povo penetrou no interior do Planalto de Angónia e aí se fixou depois de arrasar outras tribos e grupos invasores. Nesta área, foram criadas comunidades densas, que possuíam grande quantidade de rebanhos de gados e, ao mesmo tempo, praticavam a agricultura de cereais, tubérculos e hortaliças. Este povo, rapidamente se misturou com a população local Chewa, depois de exterminar boa parte dos membros Chewa do sexo masculino, e obrigando-os a adotar a sua língua, crenças e costumes (RITA–FERREIRA, 1974).
De uma forma geral, e segundo Iliffe (1999), pode-se dizer que o povo Ngoni pertence a um largo grupo tribal Bantu, que migrou durante o século XVI da região dos Grandes Lagos do Oriente Africano (Lago Vitoria) para se fixar definitivamente na região de Zululândia, Natal, Durban, na República de África do Sul. Nesta região, no final do século XVIII, três clãs Ngoni começaram a se movimentar para o norte da região, devido às rivalidades tribais e se fixaram no norte do Reino da Suazilândia, ocidente da República do Zimbabwe, Malawi, Tanzânia, Zâmbia e Moçambique (RITA–FERREIRA, 1974;
STEFANESCO et al.,1982; CARVALHO, 1988; ILIFF, 1999).
Em pouco tempo, estes grupos Ngoni criaram poderosos estados políticos na Suazilândia (sob comando do Rei Sobhuza I) e na porção ocidente do Zimbabwe criaram o Estado Ndebele (sub comando do chefe Mziligazi, por volta de 1837). Outros estados políticos foram igualmente criados em Moçambique, como, por exemplo, o Estado de Gaza, sob o comando do chefe Soshangane e o mesmo terá acontecido em Malawi, Tanzânia Zâmbia, mas muito cedo foram desmantelados devido a lutas de diferentes chefes
de grupos rivais.
Atualmente, cerca de 12 milhões da população Ngoni encontram-se espalhados em tribos isoladas em quase toda a África Austral, incluindo a Zâmbia e o sul da Tanzânia. As mais conhecidas tribos Ngoni são: Zulu, Xhosa, Swazi, Ndebele, Themba, Pondo, Thetwa, Thonga, Shangane, Nyanja, Tumbuka, Chewa, Ngwani, entre outros. Os Ngoni encontram- se misturados com povos de diferentes raças, incluindo os hotentotes que herdaram o “click” na sua língua. A língua Ngoni é Chichewa que é língua oficial na República do Malawi e é falada por cerca de 60% da sua população (STEFANESCO et al.,1982; MAE, 2005).
Devido a razões históricas, o continente Africano foi dividido em vários países, sem considerar as realidades socioeconômicas e agroecológicas. Três países da África Austral, nomeadamente Zâmbia, Malawi e Moçambique, compartilham uma cultura comum, património e linguagem chamada “Chinyanja”, que também é chamado de "Chichewa” em Malawi. Estas comunidades são encontradas nos distritos de Macanga, Angónia, Tsangano, Zumbu, Maravia, Moatize e Chifunde na província de Tete, em Moçambique; nos distritos de Lilongwe, Kasungu, Mchingi, Salima, N’tcheu, Mwanza e Nkhototakota, em Malawi e nos distritos de Chipata, Katete, Petauke e Chandiza, na Zâmbia (AMEDE et al., 2014).
Os diversos grupos tribais desta comunidade, nestes três países, são administrados por reis locais que se subordinam ao rei máximo, o rei Gelaundi que vive na Zâmbia. Os líderes comunitários tradicionais têm status (legitimidade), com base na linhagem (tribo) e motivos religiosos, de mediar um determinado grupo étnico e seu ambiente natural e social (AMEDE et al., 2014).
No caso do Planalto de Angónia, a estrutura política do vangoni usa a terminologia
Banga que inclui o chefe da família abambo da unidade familiar (Banja); o chefe da linhagem (Limana); o chefe nyakwawa grupo de linhagens Mudzi e mfumo que é o chefe máximo das linhagens. No caso de Banga e a mfumo Gimo, a sua história local pode ser rastreada até a conquista do território de Angónia pela vangoni no século XIX. Para o caso do vangoni, existe uma nkhosi wa makossi- um chefe supremo - que atualmente é a Sra. Jacinta Marcos Dama Rinze (Figura 9) que vive na Aldeia de Folotia, na Localidade de Mangani.
Figura 9 – Sra. Jacinta Marcos Dama Rinze, InKosi ya maKosi Zitambira IV.
Sua principal função é garantir a paz e a harmonia nas comunidades rurais dentro do seu território. Em muitas sociedades agrícolas e pastoris tradicionais, há o costume de não passar decisões a menos que haja um consenso absoluto entre a elite local sobre gestão dos recursos naturais em nível da aldeia. Esta regra da unanimidade pressupõe qualidades importantes na resolução de conflitos, mediação, facilita as ligações sociais e, principalmente, na negociação de autoridades de alto nível e conciliação e monitora a produção agrícola anual das diversas comunidades. Ele também organiza festas anuais, eventos e rituais em junho-julho de cada ano. Essas habilidades dependerão muito da experiência, carisma, prestígio e status, e são, portanto, encarnado por líderes tradicionais, e são o próprio mecanismo pelo qual se pode aspirar a liderança tradicional. Embora status pode ser atribuído ao nascimento através das linhas de herança, que, muitas vezes, ser desafiado ao longo do tempo, e, a menos que um líder tradicional faz jus às expectativas, ele ou ela pode ser dispensada da sua / seu dever (MASSUANGANHE, 2008).
As autoridades governamentais de cada país atribuíem os chefes locais a liberdade de administrar o seu povo, e em contrapartida eles geralmente apoia a escolha de membros
dos governos. Assim, chefes locais optar por não interferir com as políticas governamentais, e às vezes se aliam os políticos através da mobilização de suas comunidades durante os períodos eleitorais. Como o presidente dos respectivos países normalmente atribui o poder, os chefes comumente evitam a interferência política direta. (AMEDE et al., 2014) (Figura 10).
Figura 10 - Sua Excelência Presidente da República com a Rainha Zitambira IV
Fonte: Banze e Cossa (2016).
Segundo Stefanesco et al. (1982) e Voortman e Spiers (1986), que trabalharam na coleta de dados da cobertura vegetal e solos no Planalto de Angónia, os Ngoni é uma população inteligentes, engenhosas e de mente muito aberta. Eles assimilaram as culturas e técnicas avançadas de diferentes povos com os quais mantiveram contato, incluindo os europeus, e incorporaram estas técnicas para melhorar o seu modo de vida (sistema de produção e econômico). Mesmo atualmente, a posse de gado é sinônimo de prestígio, alto
status social e econômico, prosperidade e fonte de alimento e de bem-estar.
Desde os tempos remotos, a fonte de alimentação básica do povo do Planalto de Angónia é o sorgo, que, mais tarde, foi substituído pelo milho. Outras importantes fontes de alimentação são feijão, inhame, abóbora, entre outras (APÊNDICE E). A cana-de-açúcar foi introduzida no planalto pelos trabalhadores Ngoni da Empresa Sena Suger States, que se localizava na região do Vale do Rio Zambezi. A mandioca e ervilha foram trazidas pelos europeus estabelecidos no sul do Malawi, depois da fome de 1949, na região de Dedza e
desta região ter-se-ia introduzido no Planalto de Angónia. A produção do tabaco começou em 1939. Repolho, batata Reno, alface, tomate, alho e cebola só foram introduzidos depois de 1943. A pêrabacate, em 1946. O pêssego foi introduzido, a partir do Malawi em 1951. A manga foi introduzida no planalto, a partir do sul do Malawi, antes de 1940. A batata doce foi introduzida entre 1930 e 1940. O café foi plantado em 1977, na missão católica de Fonte Boa, juntamente com outras árvores fruteiras, como damasco, ameixa, maçã, pêra e uva. Figueiras foram introduzidas por alguns fazendeiros portugueses, depois de 1955 (RADCLIFFE; ROCHETTE, 1982).