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A etnografia crítica, diferente da etnografia convencional que “descreve o que é”, pergunta “o que poderia ser” (THOMAS, 1993) o fenômeno cultural, procurando encontrar formas de romper com o processo de domesticação por meio da exposição descritivo- interpretativa e do questionamento dos mecanismos de controle e de poder que estabelecem o senso comum e a hegemonia. A “domesticação”, sendo ideológica, envolve um conjunto de crenças e atitudes sobre o mundo. Seus problemas sociais são compartilhados pelos membros de determinada comunidade, implicando, às vezes, a isenção de responsabilidades de certos grupos que consideram problemas sociais como problemas dos outros:

A pesquisa etnográfica crítica refere-se ao processo reflexivo de escolha entre alternativas conceituais, e de realização de juízos carregados de valores sobre o sentido e o método para desafiar a pesquisa, a política e outras formas de atividade humana. Assim, os etnográficos críticos podem falar em nome dos participantes da pesquisa, estudando a cultura para modificá-la, e exaltando sua posição política e normativa como um meio de invocar a consciência social e a mudança da sociedade (THOMAS, 1993, apud RIOS, 2010, p.67).

Por sua vez, Thiollent (1994 apud PIMENTA, 2005, p. 532) apresenta os seguintes objetivos da pesquisa-ação:

1. Objetivo prático (ou de resolução de problema): visa contribuir para o equacionamento do problema central na pesquisa, a partir de possíveis

soluções e de propostas de ações que auxiliem os agentes (ou atores) na sua atividade transformadora da situação;

2. Objetivo de conhecimento (ou de tomada de consciência): a pesquisa-ação propicia que se obtenham informações de difícil acesso por meio de outros procedimentos e, assim, possibilita ampliar o conhecimento de determinadas situações. Desse item são exemplos: as representações dos professores, as questões pedagógicas, etc.

3. Objetivo de produzir e socializar o conhecimento que não seja útil apenas para a coletividade diretamente envolvida na pesquisa, mas que possibilite certo grau de generalização.

Portanto, a pesquisa-ação não se limita a uma forma de ação, pois pretende aumentar o conhecimento dos pesquisadores ou o nível de consciência das pessoas e dos grupos considerados. A pesquisa colaborativa, por sua vez, tem por objetivo criar nas escolas uma cultura de análise das práticas que são realizadas, a fim de possibilitar que os seus professores, auxiliados pelos docentes da universidade, transformem suas ações e as práticas institucionais. Conforme ressalta Pimenta (2005), esse tipo de pesquisa parte do pressuposto do ‘compromisso dos envolvidos’ e de que a realização de pesquisas em escolas investe na ‘formação de qualidade de seus docentes’, com vistas a possibilitar a transformação das práticas institucionais no sentido de que cumpram seu papel de democratização social e política da sociedade. A importância da pesquisa na formação de professores acontece no movimento que compreende os docentes como sujeitos que podem construir conhecimento sobre o ensinar na reflexão crítica sobre sua atividade, na dimensão coletiva e contextualizada institucional e historicamente.

Espera-se, assim, que os professores constituam-se em pesquisadores a partir da problematização de seus contextos. Na reflexão crítica e conjunta com os pesquisadores da

universidade, os/as professores/as são provocados a problematizar suas ações e as práticas da instituição, e a elaborar projetos de pesquisa seguidos de intervenção. As principais características da pesquisa colaborativa são:

- Pesquisa com professores ao invés de pesquisa sobre professores;

- Demandas da pesquisa são originadas a partir da análise do cotidiano dos professores ao invés do interesse próprio do pesquisador;

- A relação entre os participantes é de colaboração (pesquisador - conhecimento metodológico; professor - conhecimento da realidade escolar);

A pesquisa-ação colaborativa foi realizada em duas escolas da zona rural de Sobradinho e contou com a participação de doze professores, três coordenadoras e um diretor

escolar. A partir da sugestão do grupo de professores, tivemos alguns encontros de formação continuada, e os temas escolhidos para a reflexão e estudo foram sugeridos pelo grupo de colaboradores. Foram discutidos nos encontros presenciais os seguintes temas motivadores: argumentação e letramento, gêneros e tipos textuais, leitura e produção textual. A escolha dos temas deu-se, principalmente, devido à dificuldade dos professores, relatadas por eles/as mesmos/as nos contatos iniciais com o grupo, em desenvolverem atividades contextualizadas, que pudessem auxiliar seus alunos em relação ao desenvolvimento e aprimoramento das habilidades leitora e escritora. Dessa forma, a pesquisa colaborativa pode contribuir para o desenvolvimento de uma cultura de análise das práticas, dando ênfase em uma reflexão crítica conjunta, ocasionando uma ação autotransformadora – tanto o cotidiano escolar quanto os participantes são transformados durante o processo.

Como apontamos inicialmente, a etnografia crítica procura encontrar formas de romper com o processo de estagnação por meio da exposição descritivo-interpretativa e do questionamento dos mecanismos de controle e de poder que estabelecem o senso comum e a hegemonia. As relações de poder nas instituições de ensino, sendo ideológicas, envolvem um conjunto de crenças e atitudes sobre o mundo. Seus problemas sociais são compartilhados pelos membros de determinada comunidade, implicando, às vezes, a isenção de responsabilidades de certos grupos que consideram problemas sociais como problemas dos outros:

A pesquisa etnográfica crítica refere-se ao processo reflexivo de escolha entre alternativas conceituais, e de realização de juízos carregados de valores sobre o sentido e o método para desafiar a pesquisa, a política e outras formas de atividade humana. [...] Os etnográficos críticos podem falar em nome dos participantes da pesquisa, estudando a cultura para modificá-la, e exaltando sua posição política e normativa como um meio de invocar a consciência social e a mudança da sociedade (RIOS, 2010, p. 67).

Portanto, a pesquisa-ação não se limita a uma forma de ação sobre as pessoas, mas, também, com elas:

A pesquisa colaborativa, por sua vez, tem por objetivo criar nas escolas uma cultura de análise das práticas que são realizadas, a fim de possibilitar que os seus professores, auxiliados pelos docentes da universidade, transformem suas ações e as práticas institucionais conforme o pressuposto e o compromisso dos envolvidos de que a realização de pesquisas em escolas investe na formação de qualidade de seus docentes, com vistas a possibilitar a transformação das práticas institucionais no sentido de que cumpram seu papel de democratização social e política da sociedade. [...] A importância da pesquisa na formação de professores acontece no movimento que compreende os docentes como sujeitos que podem construir conhecimento sobre o ensinar na reflexão crítica sobre sua atividade, na dimensão coletiva e contextualizada institucional e historicamente (PIMENTA, 2005, p. 523).

Nesta seção, abordamos os pressupostos básicos da pesquisa-ação que nortearam o trabalho de campo realizado nas duas escolas rurais. A escolha pela pesquisa-ação deve-se, principalmente, ao fato de, desde o início da pesquisa, termos a intenção de interagir de com o grupo de colaboradores/as a fim de colaborarmos para as práticas institucionais e auxiliar os professores/as com relação à reflexão crítica sobre suas atividades.