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Wolves in human-dominated landscapes

Em setores marcados por rápidas e constantes mudanças, a vantagem competitiva das empresas é decorrente de sua capacidade de adaptação ao ambiente. A adaptação envolve a capacidade da empresa em responder rapidamente a esse processo.

Aragón-Correa e Sharma (2003) enfatizam a importância do ambiente na capacidade de mudar e influenciar uma estratégia, e defendem que diferentes níveis de variação ambiental requerem diferentes graus de estratégias como um meio de adequar os recursos.

Os efeitos do dinamismo do mercado sobre as capacidades dinâmicas têm diversas implicações. Uma delas é que a sustentabilidade dos recursos próprios varia com o dinamismo do mercado (TEECE; PISANO; SCHUEN, 1997). Por tratar-se de um setor em que o dinamismo é quase que diário, os fatores externos se apresentaram mais intensos. Dessa forma, os elementos que se destacaram nas entrevistas foram a situação macroeconômica, a tecnologia, as notícias e, com menos intensidade, a concorrência, conforme detalhados a seguir.

 Situação macroeconômica

No mercado de ações, os preços das ações oscilam conforme as forças do mercado e tendem a acompanhar o ritmo da economia, refletindo seus momentos de retração, estabilidade ou crescimento. Todo esse cenário tem influência no dinamismo do mercado.

Na categoria macroeconômica, destacam-se todos os assuntos ligados à economia nacional e internacional, e ao ambiente político e social. Nesse item, foi praticamente unânime a opinião dos entrevistados quanto à influência macroeconômica no dinamismo do mercado, conforme demonstrado a seguir:

a própria situação macroeconômica do mundo, não só do Brasil acabam definindo como os ativos e recursos líquidos são alocados. (C1).

São as mudanças mundiais. Mudanças não só nacionais, mas como mundiais. Tudo isso, hoje, está dentro de um tubo que rega todas as decisões do mundo... e tudo afeta o mercado. De uma forma ou de outra afeta o mercado. (C3).

nossa economia pode estar até boa, mas se tem um problema lá fora, o mercado aqui então ele sente primeiro. (C4).

o dinamismo de oscilação de mercado, que aí tem fatores macroeconômicos, políticos, externos, fatores de tudo quanto é lado. (C6).

são uma questão de mercado mesmo, muito de intervenção do governo, não é? (C9).

 Tecnologia

Outra categoria que foi identificada é a tecnologia. Teece, Pisano e Schuen (1997) são enfáticos em afirmar que as capacidades dinâmicas são fontes de criação de riqueza em empresas que operam em ambientes de rápida mudança tecnológica.

Reforçando esse posicionamento, podemos chamar a atenção para as seguintes falas:

o outro é tecnologia, acho que na nossa realidade Brasil, o aspecto tecnológico cresceu muito. (C1).

É só pelo lado tecnológico. (C2).

ela vive também... de tecnologia para acelerar a velocidade das tomadas de decisão ou arbitragem. Nesse aspecto, o Brasil está muito bem, porque a Bolsa responde muito bem. A Bolsa tem muita tecnologia. (C8).

Conforme mencionado por algumas corretoras, a tecnologia ganha relevância, sobretudo, a partir do IPO da Bolsa:

depois, em 2007, quando teve o IPO das Bolsas, que foi uma quebra de paradigma muito importante para o mercado, por quê? Porque, com o IPO, as Bolsas ficaram 100% eletrônicas, eles decidiram naquele momento acabar com o pregão viva voz e

transformar totalmente em eletrônica. Tecnologia depois de 2008 é tudo, e daqui para frente, vai ser mais tudo ainda, sempre! (C6).

No Brasil, pela estrutura de mercado, onde durante muito tempo a Bolsa foi dos corretores, a Bolsa, ela supria esta demanda dos corretores oferecendo uma tecnologia dentro da corretora, isso criou muita atrofia, uma atrofia em todo o mercado empresarial de pensar, então os sistemas de negociação passam por uma revolução, com robôs, algoritmos. (C9).

A maior parte dos recursos tecnológicos, antes da desmutualização, era subsidiada pela Bolsa. A partir do IPO, as corretoras passam a fazer seus próprios investimentos. Nota-se que algumas corretoras anteciparam esse movimento.

Então, foi uma decisão estratégica com o grupo, antes de ser corretora em 2004, nós já tratamos tecnologia como prioridade. (C9).

70% tecnologia, que eu diria que é o suor da empresa, é a tecnologia. (C9).

Por outro lado, outras corretoras não fizeram nada:

a Bolsa ajudava com o dinheiro para a tecnologia e as corretoras dividiam a plataforma, mas no começo ninguém queria, ninguém acreditava em pessoa física no início dos anos 2000... A nossa corretora foi uma das que menos investiu em tecnologia... Os corretores estão preocupados com o mercado, mas não estão fazendo nada, e isso é uma coisa que me incomodou muito. (C5).

 Notícias

A informação transformou-se em recurso fundamental em qualquer organização. Dessa forma, o acesso às notícias é outra categoria que foi percebida como um fator influente no dinamismo do mercado, pois em parte esse dinamismo financeiro é influenciado por elas.

A informação financeira atualizada em tempo real é a base para o funcionamento do mercado de capitais. Há uma intensa circulação dessas informações que embasam o trabalho dos operadores e analistas de investimentos, que as coletam e analisam para a tomada de decisões de compra e venda de títulos.

As fontes de informação utilizadas pelas corretoras de valores são: (1) dados publicamente disponíveis, como agências de notícias, relatórios anuais das empresas listadas em Bolsa; (2) dados de mercado, como tendências de preços de ações; (3) dados econômicos e relatórios setoriais; (4) dados de instituições financeiras, como bancos centrais e órgãos reguladores; (5) dados oriundos de reuniões com clientes, mesmo que confidenciais; e (6) discussões com fontes especializadas no setor, governo ou meio acadêmico. Isso pode ser evidenciado nos trechos a seguir:

informação é superimportante, quem tem informação mais rápida acaba ganhando mais, os bancos, por exemplo, têm as informações muito rápidas. (C5).

Bolsa é muito sensível a qualquer coisa. É sensível à novidade, é sensível à notícia boa, é sensível à notícia ruim. (C8).

 Concorrência

Neste item, foram abordadas duas questões interessantes, quando se trata do mercado de capitais não foi identificada nenhuma concorrência, pois temos somente uma única Bolsa de Valores atuante no Brasil:

concorrencial, bursátil não existe, nós temos uma única Bolsa aqui. (C2).

Quando se trata das corretoras de valores mobiliários, a concorrência é observada por dois prismas: preço e produto.

agora está todo mundo olhando a concorrente, olhando a educação financeira, que é a competição. (C5).

porque fidelidade é preço. (C8).

tem concorrência que reduz a as margens, aumenta as margens. (C9).