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Swistak (1990) assevera que nas primeiras décadas do século XX, o problema de se atribuir valor a determinados fenômenos, chamou a atenção não apenas das ciências naturais, mas também das ciências aplicadas à sociedade, tendo em sua compreensão a determinação de valores a objetos por meio da abordagem da Teoria da Mensuração (TM). Para Ribeiro, Pereira e Niyama (2014) essa teoria possui um caráter multidisciplinar, tendo a possibilidade de ser aplicada para as ciências sociais e exatas. Ela pode ser definida como o conjunto de procedimentos sistemáticos que são adotados, com a intenção de mensurar eventos almejados (RIBEIRO, PEREIRA e NIYAMA, 2014).

A Teoria da Mensuração também se constitui como o arcabouço de conceitos e princípios que norteiam o ato de mensurar (MARTINS, ARAÚJO e NIYAMA, 2011). Dias Filho (2011) destaca que essa teoria tem significado para a controladoria, pois lida com a estimação de dados que impactam o processo decisório, tendo como foco principal, o de atribuir números a objetos ou atributos de eventos.

Apesar de seu caráter pluridisciplinar, a TM possui algumas limitações, pois na área das ciências sociais há uma intensa dificuldade em se identificar quais atributos que serão desejados para o processo de mensuração de algum recurso (RIBEIRO, PEREIRA e NIYAMA, 2014). Outra limitação foi apontada por Ribeiro, Pereira e Niyama (2014) onde se há uma dificuldade na elaboração de estruturas parametrizadas para o processo de mensuração, haja vista a necessidade de se estabelecer constructos metodológicos para essa teoria. Heilmann (2015) corrobora com os autores quando propõe que a teoria deve promover estruturas matemáticas, que sustentadas por entendimentos conceituais específicos, sejam capazes de fornecer clareza sobre o uso e limitações de uma representação conceitual numérica.

Dias Filho (2011) salienta que quando se aplica a terminologia da TM para um conjunto de objetos a serem mensurados, esses recursos recebem a denominação de um sistema relacional empírico, e portanto um conjunto de números passa a ser chamado de sistema racional numérico. No campo do processo decisório, duas características podem ser associadas à teoria: a estratégica e a operacional, sendo que ambas devem ser contempladas por um modelo de mensuração (DIAS FILHO, 2011).

Swistak (1990) destaca que o conceito de mensuração está além da visão simplista de quantidade. Para o autor, o paradigma físico, abrangido pelas ciências naturais, que abarca a noção de uma mensuração por meio de quantidades, como massa e comprimento, é uma

percepção limitada e excludente, pois comprime a mensuração a uma noção generalista. Assim, o conceito de mensuração não é um termo de fácil discussão, ainda mais quando seu significado é avaliado de forma concisa, suficiente e clara (SWISTAK, 1990).

Martins, Araújo e Niyama (2011) notam que a mensuração consiste na determinação de medidas ou na atribuição de valores a alguma coisa. Hendriksen e Van Breda (2009) informam que o processo de mensuração pode ser traduzido pela atividade de atribuir estimativas monetárias significativas para recursos que estão associados a empresas. Musvoto (2010) relata que o termo mensuração é utilizado para designar unidades monetárias a fatos econômicos.

Dias Filho (2011) descreve que o fenômeno da mensuração é uma espécie de vínculo entre um sistema numérico e alguns aspectos dos objetos que serão mensurados. Um exemplo nesse sentido é explicitado pelo pesquisador, quando relata que um conjunto de bens (sistema empírico) pode ser vinculado a um conjunto de números (sistema numérico), com o intuito de representar algumas características de um item econômico, como: peso, valor, largura e comprimento.

Chambers (1998) destaca que toda estrutura de mensuração exige a especificação das propriedades do objeto, cujo interesse seja o de mensurar. Swistak (1990) entende de forma similar ao autor, aduzindo que a mensuração pode ser acessada por meio de atributos que não estejam relacionados apenas com uma escala de mensuração.

Em termos contábeis, a relação entre Teoria da Mensuração e contabilidade é afirmada por alguns estudiosos. Martins, Araújo e Niyama (2011) discorrem que a TM está relacionada com a contabilidade, pois a ciência estuda e analisa os fenômenos patrimoniais das instituições. A ciência contábil possui particularidades que se traduzem em unidades de medidas (MARTINS et al., 2014). Compete à contabilidade a instituição da mensuração, pois o reconhecimento de fatos contábeis é possível a partir da determinação de valores monetários, que são normalmente atribuídos por alguma metodologia (MUSVOTO, 2010; MARTINS, ARAÚJO e NIYAMA, 2011).

Niyama (2014) afirma que a ciência contábil é uma matéria apta a registrar fenômenos aos quais carecem de atribuição numérica, sendo a mensuração uma dimensão considerável para a teoria da contabilidade. Para Carnegie e West (2005), a contabilidade é concebida por uma área quantitativa, na qual destaca o uso de valores monetários em suas avaliações. Hone (1997) aponta que técnicas de mensuração podem ser abrangidas por metodologias

multidisciplinares de outras áreas, sendo a contabilidade uma ciência que se destaca para contribuir nesse processo.

Musvoto (2010) discorre que a definição de mensuração é largamente utilizada na literatura contábil atual, sendo o próprio conceito de contabilidade inserido na metodologia desta ciência de forma tradicional, tendo todas as mensurações alguma forma de erro, apesar de a mensuração contábil não contemplar o conceito de erro.

Sandino (2011) relata a existência de três critérios que podem ser utilizados para avaliar a qualidade e a relevância de uma mensuração em contabilidade. O primeiro analisa o impacto potencial de uma determinada mensuração (nível demandado por mensuração). Se o nível de interesse em uma mensuração construída é alto por parte de acadêmicos, então esses poderão construir novas bases de mensuração sobre as aquelas estabelecidas (SANDINO, 2011). Uma mensuração atinge maior relevância quando contribui para o desenvolvimento de uma teoria e pela existência do interesse usual por parte de profissionais contábeis (SANDINO, 2011). Por outro lado, a autora acrescenta que se o potencial de mensuração não é alto, então a mensuração de um valor se torna limitada e não relevante.

A pesquisadora nota que o segundo critério busca verificar a qualidade da mensuração, na qual é passível de ser alta quando sua construção é confiável e clara para o objeto mensurável. Uma informação confiável apresenta um erro mínimo aleatório em sua construção, possuindo consistência internacional e formas alternativas ou métodos para sua validação (SANDINO, 2011).O último critério para Sandino (2011) consiste na utilidade da informação. Uma base de mensuração deve ser construída com dados acessíveis a uma gama de pesquisadores, pois o conhecimento só pode ser desenvolvido quando vários estudiosos utilizam uma mesma mensuração proposta (SANDINO, 2011).

Na literatura contábil alguns autores criticaram a prática de mensuração em contabilidade. Musvoto (2010) afirma que há uma lacuna do ponto de vista conceitual que relacione os objetivos, a definição e a elaboração de demonstrativos contábeis com base na TM. Scrimnger-Christian e Musvoto (2011) corroboram com o entendimento do autor, aduzindo que a mensuração só pode ser inserida na contabilidade se ela se tornar uma ciência empírica que possua uma teoria subjacente. Relvas (2008) estudou a possível relação entre a mensuração contábil e a científica, concluindo que a mensuração científica não pode ser considerada uma mensuração contábil, pois aquela advém de uma mensuração fundamental.

Martins, Araújo e Niyama (2011) descrevem que o estabelecimento de um framework conceitual para o processo de mensuração em contabilidade ainda é um desafio, haja vista o

rol de bases de mensuração existentes que podem ser utilizadas para o processo de avaliação dos componentes patrimoniais.

Scrimnger-Christian e Musvoto (2011) afirmam que as pesquisas na área de mensuração contábil levam em consideração a visão dos princípios atuais de mensuração, sendo nada mais que a aplicação de uma premissa quantitativa. Os trabalhos desenvolvidos não consideram a função estabelecida pela teoria clássica da mensuração na elaboração da TM (SCRIMNGER-CHRISTIAN, MUSVOTO, 2011), que consiste no ato de se mensurar, considerando as propriedades ou caraterísticas dos objetivos mensuráveis.

Carnegie e West (2005) criticam a profissão, reconhecendo que os profissionais da área possuem uma formação calculista e que geralmente este conhecimento não é expandido para bens não financeiros, uma vez que com o passar dos anos, a contabilidade se transformou em uma ferramenta de controle para as organizações e para a sociedade, ultrapassando a imagem de que a referida ciência só lida com números (CARNEGIE, 2013).

Entretanto, a Teoria da Mensuração é recomendada por Martins et al., (2014) para a problemática dos heritage assets, pois a partir desta abordagem os ativos hereditários podem ser compreendidos por uma ótica analítica, que não está fora do alcance das ciências sociais. Por meio dessa abordagem é possível enxergar o processo de atribuição de medidas a bens que não fornecem benefícios econômicos futuros, pois a teoria leva em consideração as características peculiares de um recurso no ato da mensuração (MARTINS et al., 2014).