Como foi referido, anteriormente, as hipóteses de trabalho auxiliam na formulação de um resultado provisório ao problema de investigação. Devem assim justificar a parte empírica de um trabalho científico (Hill & Hill, 2005).
Tendo em conta o nosso problema e a literatura existente, deduzimos sete hipóteses para verificação do problema definido. Se atendermos que as fontes de informação vão mudando ao longo do percurso académico, adquirindo uma natureza mais interativa em fases mais adiantadas do percurso formativo (Galotti & Mark, 1994), percebemos que nas fases anteriores à escolha, propriamente dita, predomina a natureza passiva e ativa da recolha de informação. Por outro lado, também se reconhece que os elementos psicossociais dos estudantes são moldados pela informação das instituições (Nora, 2004). Desta forma, temos reunidas as condições para podermos considerar que as IES devem comunicar com os estudantes até ao momento em que este deve tomar a decisão (escolher) sobre o seu futuro académico. Por isso, devemos obter respostas para as seguintes questões baseadas nos objetivos já referidos anteriormente, nomeadamente:
Quais os fatores do Marketing Mix que são mais importantes na escolha de um curso de Turismo?
Que relações existem entre as Características Internas dos Estudantes e os fatores do Marketing Mix?
Que importância possui a Influência Externa na decisão de um curso superior na área do Turismo?
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o Consequentemente, quais as diferenças entre Espanha e Portugal, nestas mesmas questões?
A procura de respostas a estas três questões centrais, e uma complementar, permite-nos desenvolver as hipóteses do nosso modelo (ilustrado na tabela 8).
A Tabela 8 ilustra de forma resumida um conjunto de hipóteses estruturadas de forma que cada grupo de questões envolve um conceito abordado na parte da revisão da literatura. Assim foram definidos sete hipóteses de investigação relacionadas com as três questões centrais levantadas: envolvendo variáveis qualitativas e utilizando escalas de medida nominais e ordinais. Para cada uma das hipóteses foi definido um conjunto de testes estatísticos considerados pela literatura:
Hipótese 1 (H1), “Os estudantes com percursos académicos mais sólidos tendencialmente escolhem a sua formação de forma mais convicta”: a literatura parece sugerir que os estudantes com percursos académicos mais sólidos, identificados pela sua classificação mais alta, desde cedo definem as suas opções de escolha formativa no Ensino Superior (Chapman, 1981; Hossler e Gallagher, 1987). Para o efeito utilizaremos o teste de Qui-Quadrado, para identificarmos se existe relação entre as variáveis comportamentais, “média de entrada” e “1ª opção da escolha”. Depois, tentaremos verificar se o curso em si, identificado pelo fator “produto”, também possui alguma influência na escolha (Chapman, 1981, 1986; Hossler e Gallagher, 1987; Ming, 2010). Neste caso recorreremos ao teste do Qui- Quadrado para cada relação das variáveis do fator “produto” com a variável “1ª opção da escolha”.
111
Tabela 8: Hipóteses de Investigação
Fonte: Elaboração própria
Nº Hipóteses de Investigação (Questionário) Questões Variáveis Tipo de Escala de Medição Análise Estatística
1
Os estudantes com percursos académicos mais sólidos tendencialmente escolhem a sua formação de forma mais convicta
Q5 / Q8
Q8 / Mix 1 a 5 Qualitativas Nominal (Binária) / Nominal (Binária) Nominal (Binária) / Ordinal Teste de Qui2 2
O custo de vida do local de estudo influência mais a escolha a quem
já teve alguma experiência profissional
Q7 / Mix 9 Qualitativas Nominal / Ordinal Mann-Whitney Teste de Qui2 3
Os estudantes procuram preferencialmente estabelecimentos de ensino
próximos do seu local de residência
Q2 / Mix 6 a 8 Qualitativa Nominal / Ordinal Análise de Frequência Teste de Qui2
Ró de Spearman 4 mais sensíveis às condições físicas Os estudantes mais jovens são
dos estabelecimentos de ensino Q1 / Mix 16 a 18 Qualitativas Nominal (Binária) / Ordinal Teste de Qui
2
5
Os estudantes com alguma experiência profissional na área do
Turismo são menos sensíveis à comunicação
Q4 / Mix 10, 12 e 13 Qualitativas Nominal / Ordinal Teste de Qui2 6 O género feminino é mais sensível aos conselhos dos Familiares e
Amigos Q6 / Mix 11 Qualitativas Nominal (Binária) / Ordinal
Análise de Frequência Teste de Qui2
7
O processo de escolha de um curso é determinado por diversos fatores, não sendo o “Processo” e
“Pessoas” predominantes
Mix 14, 15 e 19
112
Hipótese 2 (H2), “O custo de vida do local de estudo influência mais a escolha a quem já teve alguma experiência profissional”: a literatura parece sugerir que os estudantes com experiência profissional, os quais já passaram, ou conviveram de perto, com a própria independência financeira dão mais valor aos gastos que terão de incorrer com a sua formação, pelo facto de dependerem de si próprios (Chapman, 1981; Hossler e Gallagher, 1987). Para o efeito utilizaremos o teste de Qui-Quadrado, para identificarmos se existe relação entre a variável comportamental, “atividade anterior no corrente ano de 2014” e o fator “preço” com a variável, “o custo de vida no local do estabelecimento de ensino”. Utilizaremos também o teste de Mann-Whitney para verificar se há diferenças significativas entre os dois grupos de inquiridos na importância dada ao custo de vida.
Hipótese 3 (H3), “Os estudantes procuram preferencialmente estabelecimentos de ensino próximos do seu local de residência”: a literatura parece sugerir que os estudantes procuram um local para prosseguirem os seus estudos, preferencialmente, próximos dos seus locais de residência (Chapman, 1981, 1986; Hossler e Gallagher, 1987; Ming, 2010). Para o efeito iremos utilizar uma Análise de Frequência, para verificar qual a quantidade de respostas que apontam para a preferência de proximidade, na escolha de um curso superior em Turismo, através da variável sociodemográfica “distância da residência ao estabelecimento de ensino”, recorrendo aos indicadores, “até 50 Km” e “de 51 a 100 Km”21.Por outro lado, também utilizaremos o teste de Qui-Quadrado para comprovar a existência de relações entre, a já referida, variável da distância e o fator “local”, com as variáveis “o local do estabelecimento de ensino”, “a existência de transportes públicos para o estabelecimento de ensino” e “a segurança do local do estabelecimento de ensino”.
Hipótese 4 (H4), “Os estudantes mais jovens são mais sensíveis às condições físicas dos estabelecimentos de ensino”: a literatura parece sugerir que os estudantes, mais jovens, são mais influenciados pelas boas condições físicas que os estabelecimentos de Ensino Superior apresentam, até pelo facto de se acreditar que as visitas prévias às instalações, ajudarem às escolhas (Ming, 2010; Hossler e Gallagher, 1987: Hoyt e Brown, 2003). Para o efeito iremos utilizar o
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teste de Qui-Quadrado para verificar se existem relações entre a variável sociodemográfica “idade” e o fator “evidências físicas”, através das variáveis “as condições do edifício escolar”, “a existência de cantina e de residência de estudantes” e “a existência de biblioteca e salas de estudo”. Aqui há que destacar que pretendemos avaliar a relação entre os mais jovens, os que para nós possuem menos de 23 anos em Portugal e de 25 anos em Espanha, e as “evidências físicas”, pelas razões já indicadas.
Hipótese 5 (H5), “Os estudantes com alguma experiência profissional na área do Turismo são menos sensíveis à comunicação”: a literatura parece sugerir que os estudantes que já tenham tido alguma experiência profissional nas suas áreas vocacionais, não necessitam de grandes estímulos comunicacionais para se decidirem pela sua formação superior (Hossler e Gallagher, 1987; Hoyt e Brown, 2003). Para o efeito iremos utilizar o teste de Qui-Quadrado para verificar se existem relações entre a variável comportamental “média de entrada” e o fator “comunicação”, através das variáveis, “a utilidade da página Web do estabelecimento de ensino”, “campanhas publicitárias do estabelecimento de ensino” e “a opinião dos antigos alunos”.
Hipótese 6 (H6), “O género feminino é mais sensível aos conselhos dos Familiares e Amigos”: a literatura parece sugerir que os estudantes femininos são mais sensíveis aos conselhos dos seus familiares e amigos próximos, quanto à escolha de uma instituição de Ensino Superior (Chapman, 1981, 1986; Hossler e Gallagher, 1987; Maringe, 2006). Ainda que no nosso caso se esteja a tratar da escolha de um curso na área do Turismo e não de uma instituição em si mesma, admitimos poder aplicar o mesmo pressuposto aos cursos. Para o efeito iremos utilizar a Análise de Frequência para verificar a quantidade de respostas do género feminino, que apontam para a importância dos “familiares e amigos” na escolha do curso, através da variável sociodemográfica “género” e da fator da “influência externa”, através da variável “a opinião de amigos e familiares”. Por outro lado, utilizaremos também o teste de Qui-Quadrado para avaliar a relação entre a variável sociodemográfica e o fator, referidos.
Hipótese 7 (H7), “O processo de escolha de um curso é determinado por diversos fatores, não sendo o “Processo” e “Pessoas” predominantes.”: a literatura americana ou de influência americana sugere que os fatores “processo” e “pessoas” são importantes na escolha de uma instituição (Hossler e Gallagher,
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1987; Hoyt e Brown, 2003; Ming, 2010), contudo, como estamos em presença de uma realidade europeia, entendemos que os jovens estudantes, quando entram pela primeira vez no sistema de Ensino Superior, estão pouco ou nada conscientes da importância desses fatores, aquando da sua escolha, até porque só irão conviver com essas realidades depois de entrarem nos respetivos estabelecimentos de ensino. Por outro lado, também, as motivações da escolha de um curso não são integralmente as mesmas da de uma instituição. Para o efeito iremos utilizar a Análise de Frequência para verificar a quantidade de respostas que apontam para alguma importância das variáveis, “o processo de frequência de aulas no estabelecimento de ensino”, “o processo de avaliação de conhecimentos no estabelecimento de ensino”, para o fator “processo” e da variável “o atendimento da secretaria e da receção”, para o fator “pessoas”. Utilizaremos também a Análise Fatorial de modo a identificar se esses fatores possuem, por si só alguma importância, ou se são absorvidos por outros, dando assim a ideia de perderem a sua importância de forma isolada.