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What kind of research is clinical case reporting?

1. INTRODUCTION

1.5 What kind of research is clinical case reporting?

Analisaremos neste tópico uma ação própria do computador que traz implicações diretas para a experimentação da escrita por parte dos sujeitos de nossa investigação. Faremos nossa reflexão a partir de dados de entrevistas ocorridos após aulas diferentes, nas quais os alunos experimentaram atividades distintas. O diálogo abaixo ocorreu após a aula de digitação do alfabeto.

Pesquisadora: Aluno TA, você gostou da aula de fazer o alfabeto? Aluno TA: Gostei.

Pesquisadora: E qual a diferença entre fazer o alfabeto no caderno e no computador?

Aluno TA: É que no computador eu tenho que apertar a tecla e no caderno eu tenho que escrever; é legal!

Pesquisadora: O que é legal? Aluno TA: Apertar a tecla e escrever.

Pesquisadora: Você acha que aprende com os dois? Aluno TA: Eu acho que aprendo mais no computador. Pesquisadora: Por quê?

Aluno TA: Porque no computador a gente aprende muita coisa e tem que estudar muito.

Pesquisadora: E você, GM, já tinha feito o alfabeto no computador? Aluna GM: Não.

Pesquisadora: E o que você achou? Aluna GM: Foi legal!

Pesquisadora: E você gosta de fazer o alfabeto no caderno?

Aluna GM: É legal também; só que no caderno a gente usa o lápis e no computador o teclado.

Pesquisadora: O que você achou do teclado?

Aluna GM: É mais difícil um pouco para mim porque faz AAAAAAAAAAAAAAA às vezes e eu levo um susto. [risada] Depois eu aprendi a apertar menos a tecla e aí levei menos susto. [risada]

O ato de teclar é muito diferente se comparado ao ato de escrever. Essa é uma ação que compõe a multimodalidade do texto digital. Quando se trata de

crianças em período de alfabetização inicial, isso ganha um realce maior ainda, se levarmos em consideração que gestos motores são complexos nessa fase. Portanto, muitas vezes teclar é um gesto mais “tranquilo” de se realizar, mesmo quando, a princípio, a criança precisa se acostumar com a intensidade do toque, conforme comentário de GM.

Apertar uma tecla é muito mais suave do que fazer com o lápis gestos motores para efetuar o registro da letra. Ou seja, ter de diminuir a intensidade do toque, sem dúvida, pode ser mais fácil ou menos doloroso do que aprender a fazer gestos motores que precisam de muitas voltas para que a letra se concretize na folha.

O segundo trecho de entrevista, que complementa nossa análise, ocorreu após a aula em que os alunos coloriram a letra do próprio nome e digitaram o nome na tela do computador. Nele o aluno RO faz a seguinte declaração:

Pesquisadora: E o que você mais gostou de fazer: digitar ou desenhar? Aluno RO: Digitar o texto.

Pesquisadora: Por quê?

Aluno RO: Porque não gosto de desenhar. Pesquisadora: Nem no computador? Aluno RO: No computador eu gosto mais.

Pesquisadora: Qual a diferença de colorir e desenhar na folha do caderno e no computador?

Aluno RO: É que no computador a minha mão não dói.

Escrever sem doer. Esse sem dúvida é um grande benefício que o suporte digital de texto traz para a criança nessa fase de alfabetização. Não estamos propondo, com isso, a abolição da escrita manuscrita nessa fase, assim como alerta Chartier (2002, p. 117) em relação à leitura: “O surgimento da escrita cibernética não significa o fim do livro ou do leitor.”

Queremos, na verdade, ressaltar a necessidade de a escola proporcionar aos alunos mais atividades de alfabetização no computador, porque esse uso concomitante pode ser interessante para o amadurecimento da psicomotricidade da criança. Além disso, voltamos a afirmar que, ao fazer exercícios no computador simplesmente teclando as letras, a criança pode se liberar mais para concentrar sua atenção à construção de sua escrita ao invés de se perder na ação cognitiva por ter que aguentar o incômodo da dor na mão.

Conclusão

Certamente os gestos e comportamentos diante do computador são os elementos mais visíveis de algo que acontece internamente com o sujeito, ao se relacionar com e através de tal suporte de texto. Além disso, as representações sobre a escrita e seus usos são alterados exatamente porque mudam sua forma de circulação e de divulgação.

A esse respeito, Carla Coscarelli (2002, p. 113) observa o seguinte: “Já não precisamos esperar tempos para uma carta chegar ao destinatário, sair de casa para ir ao banco, ter enciclopédia na estante [...]. Podemos conversar com desconhecidos sem que eles nos vejam e sem que saibamos quem são [...].”

As relações com o texto e com as pessoas se transformam nessa outra forma de funcionamento da escrita. As mudanças são tanto de ordem corporal, comportamental quanto cognitiva.

Relacionando as descobertas da primeira pesquisa de mestrado com as que vieram com esta pesquisa de doutorado, pudemos observar a experiência escolar de alunos de instituições públicas em Belo Horizonte com o novo suporte de texto. Nas duas situações de pesquisa, a incorporação de uma nova forma de lidar com o texto não significou a desvalorização do contato com o texto em outros suportes.

Isso ocorreu porque o contato virtual não substitui o contato físico/material com o texto. Pudemos perceber isso claramente em um episódio ocorrido na pesquisa de doutorado. A situação foi a seguinte: todos os trabalhos realizados pelos alunos foram postados no blog da turma que visitamos ao longo do ano de 2009. Entretanto, mesmo tendo acesso aos textos através do blog, o aluno TI perguntou-me: “Julianna, quando que você vai me entregar este trabalho na folha para eu poder levar para casa?”

Curioso que apareça essa necessidade de contato físico (material) com o texto; a revolução digital e virtual ainda está sendo processada por esse garotinho de apenas seis anos. O contato dele com a escrita está em fase inicial e

acreditamos que essa oportunidade de fazer uso do texto no computador traga, tanto para ele quanto para todas as crianças dessa turma de seis anos, uma contribuição positiva em sua percepção de como lidar com o texto escrito em suportes diferentes.

Quinto Capítulo: Na rede de textos – aprendizagem de gêneros no