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What is a Petite Bonne?

In document Sommerfelt (ed.) (sider 25-29)

Quando o Sudoeste Paulista ainda não havia sido percorrido pelo homem branco, os naturais da terra já o atravessavam com muita freqüência, pois o território era cortado pelo famoso Peabiru ou caminho de São Tomé. O Peabiru32 era uma antiga rota indígena que se

estendia do Planalto Paulista (São Vicente) até o Sul do Brasil, atravessando assim, o Sudoeste Paulista.

Nesse caminho existiam várias ramificações. Uma das ramificações, cerca de vinte quilômetros antes da atual cidade de Itapetininga, desembocava em Cananéia. Outra ramificação, partindo da atual cidade de Itapeva, alcançava “Santo Antônio das Minas do Apiaí”. Seguindo o trajeto, partindo da atual Itapeva, chegava-se ao Paraná, a partir do qual encontravam-se mais duas ramificações, uma que levava a Assunção no Paraguai, e outra que levava às minas de prata em Potosi, no Peru. Segundo relatos da época, o Peabiru era a maior via de penetração do território Sul Americano, e foi a partir de 1603 que a exploração deste caminho, entre Guairá e São Vicente (litoral paulista), teve início.33 A figura 2 mostra o trajeto do Peabiru no Estado de São Paulo.

31 Esta sub-seção baseia-se em Muzel (s/d) e Cruz Filho (s/d).

32 O significado de Peabiru, em Tupi, é controverso. As interpretações mais comuns são: “caminho antigo ida e volta”, “caminho batido ou pisado”, “pegada do caminho” ou “caminho cujo percurso se iniciou”. Existe ainda a possibilidade de Peabiru ser o resultante da coordenação de pe-biru, que equivaleria a caminho para o biru (conforme os incas denominavam o seu território), Caminho para o Peru e Caminho para as Montanhas do Sol são outras interpretações possíveis. Este caminho ficou muito conhecido e bastante percorrido no Brasil colonial. (http://www.editoraestradareal.com.br/titulos/peabiru/imprensa.htm)

33Revista de História da USP, vol.39, p.71, citada no site: http://www.itapevacity.com.br/modules.php?name=Ita Historia&page=historia7.

FIGURA 2: Cidades fundadas a partir do pouso de tropas no Estado de São

Paulo

Essa trilha foi utilizada por muitos bandeirantes em suas andanças com destino ao Sul, porém em 1653, por ordem de Tomé de Souza, a rota foi fechada, pois os portugueses tinham medo de uma invasão espanhola. No entanto, a partir de 1693, com o comércio entre São Paulo e Curitiba, e devido às fortes pressões desse intercâmbio comercial que se desenvolvia já no ciclo do ouro, a trilha indígena passa a ser explorada novamente. Em 1712, o comércio entre paulistas e curitibanos é intensificado e, nesse contexto, começaram a surgir as Paragens (locais onde os viajantes/comerciantes paravam para descansar e pernoitar) na região recortada pelo antigo Peabiru.

Em 1715, o capitão-mór Joseph de Góes Morais recebe uma carta de terras (sesmaria), que lhe dava poderes sobre uma porção territorial na qual foi criada a Paragem de Itapeva da Faxina. Com o estabelecimento das Paragens, entre 1720 e 1730, têm início o surgimento dos

primeiros núcleos populacionais, e a velha estrada indígena dá lugar ao que mais tarde seria conhecido como Estrada das Boiadas. Na realidade, a reabertura da velha estrada, como via de comunicação, significou para a região Sudoeste Paulista a possibilidade de incorporação na vida social e econômica brasileira, uma vez que, no período que se estende de 1730 a 1740, estabeleceu-se o maior sistema de transportes que o Brasil-Colônia conheceu: A Tropa de Muares. Assim, nessa perspectiva de comércio entre o Planalto Paulista e o Sul do país, surgiu a Paragem de Itapeva da Faxina.

Em 1765, essa região, que servia de passagem às tropas que comercializavam muares entre Sorocaba e o Sul do país, era pontilhada por pequenos povoados. No mês de janeiro desse mesmo ano, a rainha de Portugal, Dª Maria I, ordenou a Dom Luiz de Souza a fundação de várias vilas na região, dentre elas a Vila de Faxina, a fim de congregar a população, inclusive aquela pertencente à Paragem de Itapeva da Faxina. Para tal incumbência, Dom Luiz de Souza nomeou o paulista Furquim Xavier Pedroso. Segundo relatos da época, a idéia de “fundar de novo” a Vila da Faxina, em substituição à Paragem de Itapeva da Faxina, foi um erro. Houve conflito entre a escolha de Furquim Pedroso e os antigos proprietários de terras da região em torno do local da “nova fundação”.

A nova Vila da Faxina acabou ficando longe do Peabiru e, em 20 de setembro de 1769, foi lavrado o Auto de Fundação, acompanhado das solenidades pertinentes. Porém, a grande maioria da população da Paragem de Itapeva da Faxina não compareceu. Apesar das divergências, Furquim Pedroso deu continuidade às obras exigidas para a construção de uma sede na nova Vila. Surgem outras divergências, pois as instalações do núcleo já existentes na Paragem de Itapeva da Faxina não seriam aproveitadas. O Governador da época criou embargos para a finalização das obras públicas, estipulando prazos que não foram cumpridos por Furquim Pedroso, e, diante disso, ordenou a transferência do pelourinho da Vila de Faxina para a Paragem de Itapeva da Faxina. Assim, em 1785, a Paragem passa a ser oficialmente Vila de Itapeva da

Faxina, atualmente conhecida como Itapeva. A figura 3 mostra a sua localização no Estado de São Paulo.

FIGURA 3: Localização geográfica do município de Itapeva – SP

Portanto, falar sobre as origens de Itapeva remete ao caminho percorrido pelos tropeiros no início do século XVIII. Inicialmente, os tropeiros iam de Itapetininga e Sorocaba para Curitiba, para comercializar gado bovino, e, posteriormente, vinham do Sul do país para

abastecer de muares as províncias de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O elo comercial entre o Sul do Brasil e o Sudoeste logo abrigou várias Paragens, e foi da necessidade de povoar de forma mais efetiva a região que surgiu Itapeva. O tipo de atividade dos tropeiros influenciou sobremaneira a região, o que torna possível entender o desenvolvimento inicial de criações de gado e da agricultura de subsistência como atividades econômicas principais.

In document Sommerfelt (ed.) (sider 25-29)