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Mesmo com contratempo, uma nova esperança se apresenta. Em 2012, um professor da Engenharia Mecânica submeteu um projeto de pesquisa com robótica a ser desenvolvido com alunos do segundo ano do ensino médio de uma escola pública. Por questões de reconhecimento da qualidade da escola pela comunidade e sua localização em relação à universidade, o professor buscou na escola, esses alunos. Coincidentemente, na escola havia um projeto em execução e uma equipe de robótica. Assim, quatro dos alunos participantes da equipe RobotStorms foram selecionados para fazer parte de seu projeto na universidade.

Esse momento de experiência dos sujeitos da pesquisa ocorreu no ano de 2013, graças à contemplação de um projeto da “Chamada CNPq/VALE S.A. N º 05/2012 – Forma- Engenharia” pela Engenharia Mecânica e Mecatrônica, que visava trabalhar com alunos do ensino médio de forma a estimulá-los a cursar alguma Engenharia. Especificamente essa chamada tinha o seguinte objetivo:

selecionar propostas que visem estimular a formação de engenheiros no Brasil, combatendo a evasão dos graduandos nos primeiros anos do curso e despertando o interesse dos alunos de ensino médio/técnico pela profissão de engenheiro (CNPq, 2012, p. 1).

Esses alunos selecionados deveriam estar cursando o 2º ano do ensino médio no ano de 2013. Somente, no máximo, quatro alunos poderiam fazer parte do projeto, pois, na chamada CNPq/Vale S.A. N º 05/2012, o documento de apresentação estabelecia que a equipe executora e coexecutora poderia ser formada por:

 Um professor Coordenador; e

 Um Graduando em Engenharia (bolsa de R$ 360,00).  Um Professor de ensino médio (bolsa de R$ 400,00); e  De 2 a 4 alunos de ensino médio (bolsa de R$ 161,00).  Outros colaboradores (CNPq, 2012, p. 4).

Nessas condições, Gonçalves (2012) estabeleceu que a equipe para o seu projeto seria composta por:

 Prof. Dr. Eng. Rogério Sales Gonçalves. Coordenador e participará de todas as etapas da metodologia.

 Prof. Ensino Médio. Participará na coordenação prática de todas as etapas da metodologia.

 Aluno da Graduação. Esse aluno irá fazer a interface entre a EDROM (Equipe de Desenvolvimento em Robótica Móvel) e a escola de ensino médio, auxiliando os alunos do ensino médio em todas as etapas da metodologia.

 Alunos do Ensino Médio (Dois Alunos). Esses dois alunos serão responsáveis pelo desenvolvimento e construção dos robôs da modalidade Robocup Júnior Soccer, conforme cronograma I.

 Alunos do Ensino Médio (Dois Alunos). Esses dois alunos serão responsáveis pelo desenvolvimento e construção do robô da modalidade Robocup Júnior Rescue, conforme cronograma II.

Dessa equipe, o professor do ensino médio acabou sendo o que tinha ligação com projeto PIBID inicialmente. Além do aluno da EDROM, um aluno da graduação de Engenharia Mecatrônica que acompanhava e apoiava o projeto na escola fez parte como colaborador na equipe. Os alunos de ensino médio selecionados tiveram origem na equipe de robótica de 2012 “RobotStorms”. O seu mentor selecionou quatro alunos, buscando aproveitar já o conhecimento e interesse desses pela área de Engenharia e Robótica. Apesar de, na equipe executora, os alunos serem divididos em duplas, no plano de execução, todos trabalhariam em equipe, ajudando para ambas as modalidades de competição. O cronograma de Gonçalves (2012) tinha um plano de execução de 2013 e 2014, em razão dos períodos das competições.

Para executar esse projeto, cada competição tinha uma metodologia de trabalho e execução. A competição modalidade Robocup Júnior Soccer teve como metas:

a) Revisão Bibliográfica: Inicialmente será realizada uma revisão bibliográfica sobre os robôs aplicados à competição Robocup Júnior Soccer. Após, será realizado o estudo do kit da LEGO® Mindstorm e dos sensores necessários para a modalidade;

b) Projeto Mecânico do Robô: Nessa etapa, será realizada a construção mecânica dos robôs para jogar futebol;

c) Programação dos Robôs: Será realizado o estudo das linguagens de programações utilizadas conjuntamente com o CLP da LEGO®. Após, será realizada a programação dos robôs para o cumprimento da tarefa. Esses devem ser autônomos e trabalharem cooperativamente.

d) Testes experimentais: Serão realizados testes práticos dos robôs simulando as partidas de futebol. Durante os testes os robôs serão aprimorados no projeto mecânico e na sua programação.

e) Relatório: Será redigido um relatório técnico com todas as etapas desenvolvidas de forma clara e concisa, permitindo a reprodução por outros alunos (GONÇALVES, 2012, p. 4).

Já a modalidade Robocup Júnior Rescue tinha como proposta metodológica de trabalho alguns pontos da Robocup Júnior, diferenciando em:

b) Projeto Mecânico do Robô: Nessa etapa será realizada a construção mecânica do robô para seguir linha (trajetória);

c) Programação do Robô: Será realizado o estudo das linguagens de programações utilizadas conjuntamente com o CLP da LEGO®. Após, será realizada a programação do robô para o cumprimento da tarefa. Esse deve ser autônomo.

d) Testes experimentais: Serão realizados testes práticos do robô simulando o ambiente de resgate. Durante os testes o robô será aprimorado no projeto mecânico e na programação. (GONÇALVES, 2012, p. 4-5).

A primeira metodologia e modalidade com a qual os alunos selecionados e sujeitos desta pesquisa de doutorado começaram a trabalhar foi a da Robocup Júnior Rescue, que envolve construir um robô que anda sobre uma linha demarcada, desviando de objetos e que realiza o resgate de vítimas em um pavimento da arena de competição. Essa modalidade de competição é promovida pela Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR).

Vemos, então, que os sujeitos da pesquisa saem da rede da escola que finalizou seus trabalhos e conectam-se a um novo polo de informação e conhecimento. Podemos colocar essa nova configuração em um mapa (Figura 39).

Figura 39 – Mapa da rede na universidade

Fonte: Próprio autor

Vejam que os sujeitos da equipe RobotStorms foram selecionados a fazer parte de uma nova aventura, ou melhor, de uma conexão direta com a universidade, como alunos

competidores de robótica, viver e participar de um competição de robótica da OBR. Nesse processo acabaram entrando em contato com outros competidores de nível universitário, da equipe EDRON.

Nessa fase na universidade, os alunos utilizaram o kit de robótica desenvolvido pela LEGO® Education, o mesmo com o qual trabalharam na escola. No entanto, a mudança significativa foi a aprendizagem de linguagem em C e C++, utilizando o software Bricx Command Center40, uma linguagem de programação em linha, diferente da programação em bloco.

Considerando que já conheciam o kit, seus estudos na universidade foram iniciados em entender e aprender a programar em C. Para aprender a programação, começaram com desafio, ao mesmo tempo em que estavam testando protótipos de robôs e conhecendo como se constrói um robô para a competição.

Os participantes desse projeto tinham de ir duas vezes por semana à universidade no contraturno de suas aulas para estudar e trabalhar com os materiais do projeto.

No dia 29/01/13, com a presença de todos, retornamos ao laboratório, para dar continuação ao desafio proposto, e continuamos com o auxílio do Lucas. Fizemos vários tipos de programação, começando por dar início ao programa, adicionar biblioteca, declarar variável, declarar sensores, funções, condições etc. Com a junção desses, conseguimos programar o robô.

No dia 30/01/13, apesar de estar terminada a programação, ainda faltavam alguns ajustes pelo qual foi feito, e testamos o robô que funcionou perfeitamente. Sendo assim, finalizamos o desafio com sucesso.

No dia 05/02/13, montamos uma parte do trajeto com fita isolante, contendo curvas de 90º e com um gap. Fizemos uma alteração no robô substituindo o sensor de espectro por outro de cor e também mudamos a localização dos sensores colocando-os próximos aos eixos das rodas. Ao final, fizemos a calibragem do sensor, conseguindo programá-lo.

No dia 07/02/2013, ao testarmos o robô nos deparamos com um defeito de programação, pois o mesmo não estava realizando a sua tarefa. Então, formatamos o nxt, fizemos algumas modificações na programação e reenviamos a ela, resolvendo o problema. Após isso, adaptamos a condição mecânica para o robô realizar o restante do seu desafio (RELATÓRIO FINAL DOS SUJEITOS DA PESQUISA).

Como podemos perceber, a cada encontro, os quatro sujeitos da pesquisa desenvolviam um estudo da programação e uma montagem. Tudo estava caminhando para que, à medida que conhecessem a programação, tivessem maior controle e domínio sobre a máquina, sobre o robô. As atividades envolviam situações que eles iriam encontrar no torneio de robótica. Superar esses desafios era parte da preparação e da construção da estratégia para

resolver o desafio do evento. Todo esse trabalho era assistido pelo professor da universidade e apoiado por alunos da graduação em Engenharia Mecatrônica.

Nessa fase de acontecimento, o envolvimento dos sujeitos da pesquisa voltou a ser de aluno, estavam fazendo parte de um novo coletivo, alunos e competidores de robótica da Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Uberlândia. Uma nova realidade. O Sujeito 4 descreve como foi a participação logo após a Engenharia:

Sujeito 4: Pontos positivos foram que a gente teve mais experiência também contava com experiência de quem está na faculdade, os meninos estão há muito tempo lá e a programação que é em linguagem.

Sujeito 4: Ah, aprendi muita coisa, lá tem como se fosse um PET, um grupo lá, que mexe com isso, eles programam, vai para campeonato e, por exemplo, a programação é um curso de engenharia. Eu vi mais ou menos, não vi tudo, mas eu vi um pouco da programação, vi que era legal colocar ela na prática, isso é um aspecto da engenharia, fazer a parte mecânica do robô. Isso tudo tem uma engenharia envolvida, então a gente aprendeu muita coisa.

Em suas falas, percebemos a importância de estar com outras pessoas com mais saberes e marcas de outros torneios, outras realidades, viam os universitários como um novo referencial. Mas, mesmo assim, ainda não podiam fazer parte daquele grupo: eram aprendizes e precisavam ainda alcançar a posição de alunos da Universidade Federal de Uberlândia. Além disso, percebemos em suas falas informações sobre o que aprenderam referentes às questões técnicas, como programação, organização de pensamento, prazos e montagem de robôs. Estavam vivendo um contexto de Engenharia, mas ainda não faziam parte daquele universo. Na fala do Sujeito 1, vemos a questão técnica, mas também a questão de conhecer um novo universo diferente do deles, uma possibilidade de futuro que poderiam viver, e tudo dependia deles.

Sujeito 1: Ah, a robótica na engenharia é diferente, mas é diferente de que jeito? É, a gente sabe que é um nível mais avançado, o que é a gente estudando os outros níveis que teve no (Escola Pesquisada) e veio para cá. Qual foi a diferença? A programação, o programa que a gente usava, e teve as melhoras, e qual foi o outro ponto positivo também? É, estilo de arquitetura do robô, que a gente teve um novo conceito sobre esse tipo. E esses foram os pontos positivos em geral e também aprendeu a trabalhar, o dia a dia da universidade, como que funciona tudo, burocracia e tal.

A proposta do projeto na Engenharia estava em conquistar e estimular jovens a fazer parte desse mundo. Portanto, encaixá-los no grupo era uma prova pessoal de cada sujeito, do que realmente gostaria de fazer de suas vidas. O sucesso do projeto ao envolver os alunos nesse contexto de universidade, de Engenharia, de competição, de trabalho com

universitários, foi de poder ajudar nas escolhas profissionais deles. De certa forma, havia uma mensagem oculta de que, se escolhessem aquele curso, seriam parte da equipe.

Para acompanhar esses momentos na Engenharia, foi criado o grupo no Facebook Robótica “Escola Pesquisada” na UFU, criado para ajudar. Nele, eles registraram seus relatórios, seu dia a dia. Os participantes do grupo eram integrantes do NUPEME, alunos do projeto (RE) Ação41, aluno da Engenharia Mecatrônica e os sujeitos da pesquisa. Era também um instrumento de registro de dados de pesquisa, mas um meio de comunicação entre os sujeitos de pesquisa e seus amigos. Nesse ano, seria o primeiro grupo de que os sujeitos de pesquisa iriam fazer parte. O segundo grupo foi (RE) Ação no PIBIC-JR, que surgiu, pois os professores do NUPEME em 2013 submeteram um projeto intitulado: “A Robótica no Desenvolvimento da Ciência, Matemática e Tecnologia no Ensino Médio”, respondendo a uma chamada da Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da UFU, para submissão de projetos no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica Ensino Médio e Iniciação Científica Júnior (PIBIC EM/CNPq e BIC JR FAPEMIG), sendo essa submissão aprovada. O envio ocorreu porque, em 2012, o NUPEME ofereceu uma oficina de robótica no Projeto (RE)Ação e um aluno teve interesse em aprender mais, tanto que se juntou aos sujeitos desta pesquisa na Engenharia, como convidado, sem bolsa, sem condições de participar do torneio da OBR, apenas para aprender. Além desse grupo, foi criado o grupo Inteligência Artificial e Robótica para compartilhar informações e ideias e orientar os alunos do PIBIC JR de robótica. Os grupos no Facebook estavam apenas começando. Vejamos a continuação da história.