4. Eutrophication assessment by area
4.2.4 West Agder county
A era digital revolucionou a infra-estrutura de comunicação com bastante destaque para a Internet. A utilização da Internet no dia-a-dia faz com que recursos hipermídia sejam cada vez mais utilizados pelas pessoas de maneira natural. A navegação na Internet utilizando os recursos de hipertexto e hipermídia já é realidade para a sociedade incluída no mundo digital.
A miniaturização dos computadores e a integração da telefonia celular com os computadores potencializam ainda mais a utilização da linguagem hipermídia. Isso acontece tanto para computadores de mesa ou portáteis quanto para novos aparelhos portáteis móveis como PDAs – Personal Digital Assistant ou telefones celulares. A comunicação via telefone, historicamente baseada na linguagem escrito-verbal passa a ser explorada pela linguagem hipermídia. A nova geração de telefones celulares poderia até ser chamada de geração de computadores móveis com telefonia, pois a telefonia é apenas um dos serviços de comunicação disponível. A transmissão de imagens e sons, o acesso à Internet e serviços já estão disponíveis nesses telefones. Os telefones celulares são também máquinas fotográficas ou filmadoras digitais. Eles não apenas registram momentos em formato digital, como também enviam esse conteúdo hipermídia pelo serviço de telefonia celular. Além disso, também começam a ser utilizados como aparelho de som portátil, como uma evolução do “walkman”.
É importante constatarmos a mudança da comunicação no meio digital. A combinação de textos, imagens, sons e vídeos encontra seu espaço na linguagem hipermídia. SANTAELLA (2001) aborda esses temas de forma bastante interessante como veremos em seguida.
Acho coerente descrever alguns aspectos históricos para compreendermos melhor a evolução da linguagem desde a disseminação da cultura do livro até a chegada da linguagem hipermídia no mundo digital da Internet. Desde a invenção de Gutenberg, a cultura do livro impresso imperou. SANTAELLA (2001) descreve a era das letras, estendendo-se do século XV até o XIX, como sendo aquela onde a linguagem verbal escrita dominou como produtora e difusora do saber e da cultura. O livro encontrou um espaço privilegiado nas universidades européias e desempenhou um papel fundamental tanto no registro como na transmissão do saber humanista e científico. Ela cita a fotografia como o primeiro golpe na hegemonia do livro e da cultura das letras. O desenvolvimento da mecanização da impressão massificou não apenas a quantidade de livros, mas também trouxe a explosão de jornal e revistas. Fotos e textos começaram a aparecer nos jornais e revistas assim como a linguagem diagramática. Era o início da cultura das massas que se desenvolveu mais ainda com o surgimento do cinema, uma extensão da fotografia.
SANTAELLA (2001) descreve o surgimento de novas tecnologias como fotocopiadoras e videocassete que representaram uma inovação importante, como marcada pela passagem de uma cultura das massas para um consumo
mais individualizado. Esse consumo individualizado é marcado, por exemplo, pelo hábito das pessoas alugarem filmes para assistirem em casa.
Com o desenvolvimento dos computadores pessoais com recursos hipermídia, a criação de conteúdo hipermídia estava apenas começando. SANTAELLA (2001) define hipermídia como uma nova linguagem que traz novos modos de pensar, agir e sentir. A hipermídia nasce da convergência fenomenológica de todas as linguagens como uma síntese das matrizes da linguagem e do pensamento sonoro, visual e verbal com todos os seus desdobramentos e misturas possíveis. Novas formas de pensamento linear e não-linear aparecem numa navegação por sistemas hipermídia. Essa navegação muitas vezes se dá na leitura de um hipertexto. O leitor passa a fazer sua leitura na ordem sugerida pela sua mente explorando recursos visuais, verbais e sonoros na forma que ele desejar. Em cada tela, o leitor escolhe para onde ir. Esse leitor, ou melhor, esse usuário é quem decide por onde navegar, num clique de um mouse. É o poder da interatividade que é disponibilizado pela linguagem hipermídia que permite ao usuário escolher esse caminho. Ela destaca na hipermídia a necessidade de mapeamento ou de uma cartografia mental para a navegação, como um grande potencial. Esse potencial correspondente a modos de pensamento e arquitetura de fluxos informacionais que podem ser muito bem analisados como na fantástica hipermídia de autoria de BAIRON e PETRY (2000). Utilizando recursos de labirinto em ambientes tridimensionais 3D, o usuário é estimulado a entrar nesse mundo, interagindo com objetos, entrando e saindo do labirinto para ter acesso aos conceitos que são disponibilizados. O usuário que navega nessa
hipermídia pode ser chamado de leitor imersivo. Esse usuário, em busca de surpresas e segredos a serem desvendados, passa por 64 objetos interativos que remetem a 30 conceitos de base que os levam aos textos analíticos. Essa interatividade é descrita como:
Interativo é o sistema que se abre e nos recebe, como uma construção arquitetônica nos recebe. O entorno, Umwelt, aborda-nos e expande nossa compreensão tal como a linguagem: na verdade, premia esta com uma ambientação imaginária... (BAIRON e PETRY, 2000, p. 51)
Na hipermídia de BAIRON e PETRY (2000) cada objeto interativo é representado por imagens visuais rebuscadas, e remete a um significado. Significado esse que é interpretado mentalmente por cada usuário que escolhe o seu caminho de navegação e de leitura da hipermídia para se aprofundar na questão desejada.
SANTAELLA (2001) destaca alguns diferentes tipos de hipermídia como os:
• instrucionais: voltados para a solução de problemas;
• ficcionais: incorporam a interatividade na escritura ficcional;
• artísticos: feitos para a produção e transmissão de atividades criativas para a sensibilidade;
• conceituais: feitos para a produção e transmissão de conhecimentos teórico-cognitivos.
Assim, o nascimento da linguagem hipermídia define o poder de hibridização das matrizes da linguagem e pensamentos nos processos de
comunicação, segundo SANTAELLA (2004). Impulsionada pela era digital, a hipermídia encontra nos computadores todo o potencial para manipular textos, imagens, vídeos e sons num único ambiente, além de propiciar uma interatividade que faz com que o usuário possa interagir com sistemas hipermídia.