UnB, Regionalização dos Fóruns e participação na gestão do
governo distrital
Com a consolidação das discussões regionais e nacionais, o GTPA – Fórum EJA/DF teve uma representação de 40 delegados no II EREJA-CO, ocorrido de 8 a 10 de novembro de 2012, em Goiânia/GO, com o objetivo de discutir propostas de EJAT para o Centro-Oeste e os encaminhamentos da CONAE-2014 das conferências municipal, distrital, estadual e nacional de educação.
Além da participação marcante da delegação do GTPA-Fórum EJA/DF no XII ENEJA, em Salvador, a equipe do Portal contribuiu com a primeira transmissão online em tempo real com gravação de um encontro nacional, uma vez que já havia procedido dessa forma, no I EREJA-Centro-Oeste e I EREJA-Sul.
Anualmente e mais recentemente, de dois em dois anos, ocorre também o Encontro Nacional de Educação de Jovens e Adultos-ENEJA e, em todos esses encontros, distrital, estaduais, regionais e nacionais, membros desse fórum têm estado presentes. Esses são momentos privilegiados de reflexão que não podem e não devem parar, pois são impulsionadores dos avanços no movimento pela EJAT.
De 2011 a 2012, já no governo de coalizão do governador Agnelo Queiroz- PT, o GTPA-Fórum EJA/DF participou muito ativamente, apresentando propostas para EJAT no DF. No processo de transição foi entregue o docu- mento do XX Encontro de EJA do DF resultado das discussões do encontro anual. O GTPA-Fórum EJA/DF indicou parte da equipe para a Coordenação de Educação de Jovens e Adultos, assim como contribuiu junto à equipe da Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais de Educação – EAPE – na formação dos educadores que atuaram no “Programa DF Alfabetizado- Juntos por uma nova história”, a fim de garantir os princípios freireanos na formação oferecida aos alfabetizadores do DF, bem como participação efetiva no recém-criado Fórum Distrital de Educação.
Na linha de formação, a reivindicação que o GTPA-Fórum EJA/DF vem fazendo à Universidade de Brasília é o mestrado coletivo para os professores e profissionais da educação de jovens e adultos trabalhadores e, no mínimo, curso de extensão para os educadores populares, visto que é preciso prepa- rá-los cada vez mais, para lidarem com os alfabetizandos, na fase primeira e despertá-los para a necessidade de continuidade de seus estudos.
Muitas vezes quando a universidade pensa a formação de professores, tudo é voltado ao público da escola pública, mas há uma grande demanda pela formação de boa qualidade por parte dos educadores populares, pois geralmente são eles que organizam e impulsionam o público da EJAT, para segmentos subsequentes.
Enfim, nesse longo caminho que o GTPA-Fórum EJA/DF vem trilhando e ainda terá que trilhar, talvez sua maior contribuição tenha sido pensar a construção coletiva, porque esse jeito de fazer é um exercício de cada dia. Nem os delegados aos encontros dos Fóruns de EJA são indicados na pró- pria reunião de discussão, visto que, a recomendação é clara, todos devem discutir objetivos e nomes nos grupos de base de suas cidades, só depois os nomes são referendados pelo coletivo maior. Assim, virtudes como a responsabilidade e a cumplicidade estão presentes nas ações do movimento. E, é também nessa lógica, que GTPA – Fórum EJA/DF – comemorou seus 23 anos de luta, no dia 20 de outubro de 2012.
Ao longo desses anos, construiu-se uma relação de complementari- dade exercida sob o princípio da autonomia política de uma realidade em permanente movimento, tensionada pelos interesses públicos e privados, na qual é difícil ao GTPA – Fórum EJA/DF, como movimento social, se pensar historicamente sem a presença da UnB e esta sem a presença do GTPA – Fórum EJA/DF. Esta complementaridade, que permite participar de desafios e fecundar possibilidades de mudança, consubstancia-se na participação orgânica do GTPA-Fórum EJA/DF no Conselho Comunitário e, por consequência de representação, no Conselho Universitário da UnB- CONSUNI, desde 2010.
Para melhor compreensão, a primeira questão mais conceitual é que o movimento social desencadeou-se no enfrentamento do problema da alfa- betização de jovens e adultos no DF, que não deixou de ser ainda motivo de
luta política emancipatória necessária em nosso país. Entretanto, ao longo desse processo se deu, de fato, uma ampliação para o entendimento da al- fabetização integrada à EJA, como modalidade de ensino conquistada nos limites da conjuntura política da LDB 9.394/96 e, para além dela, retomou-se o eixo da luta pela identidade da EJAT com princípios inseridos, de forma solidária e libertadora no mundo do trabalho, organizados politicamente na construção de uma nova sociedade, em oposição à simples empregabilidade reprodutora do mercado de trabalho explorador e competitivo. Na EJAT, conjuga-se dialeticamente a construção coletiva na luta popular, sindical, estudantil, partidária e em outras formas de organização por autogestão como a economia popular solidária15, que desafia sua própria viabilidade
nessa prática emergente com 81 bancos comunitários no Brasil16, cooperativas
e empresas autogestionadas.
Também na EJAT, busca-se a efetiva participação na gestão social para formulação e controle social de uma política pública de Estado com represen- tação em conselhos, fóruns, comissões, conferências e audiências públicas, juntamente, com o esforço de representação no poder legislativo federal, estadual, distrital e municipal.
Com estas possibilidades, a questão da educação profissional, assumida dentro de uma compreensão do currículo integrado, implica na indissocia- bilidade de pesquisa-ensino-extensão nas universidades públicas, inclusive a UnB. Esse é o grande desafio político-pedagógico da EJAT, para consolidar como eixo o mundo do trabalho. Eixo integrador da EJAT que supõe in- corporar as diferentes territorialidades nas conexões da educação da cidade e do campo, expressas na complexa diversidade exposta pelos crescentes movimentos sociais de indígenas, quilombolas, afro-brasileiros, camponeses, trabalhadores rurais, pescadores, ribeirinhos, povos da floresta, trabalhadores urbanos, cooperativados, mulheres, pessoas com necessidades educativas especiais, LBGT, pessoas privadas de liberdade, entre outros. Hoje, os mo-
15. CARBONARI, P.C. Economia Popular Solidária: possibilidades e limites, 1999. Disponível em: www.ifil.org/rcs/biblioteca/Carbonari.htm. Acesso em: 01/11/12.
16. Fórum Brasileiro de Economia Solidária. Disponível em: http://www.fbes.org.br/. Acesso em: 01/11/12; Rede de Bancos comunitários. Disponível em: http://www.bancopalmas.org. br/oktiva.net/1235/secao/9963. http://www.brasil.gov.br/noticias/arquivos/2012/12/13/brasil- ja-tem-81-bancos-comunitarios. Acesso em :01/11/12.
vimentos sociais pela diversidade, no esforço de afirmação das identidades e das diferenças, começam a reconhecer as desigualdades sociais geradas na sociedade capitalista como um ponto comum da luta que vai em direção dos interesses da classe trabalhadora pela construção coletiva solidária de uma sociedade socialista. Trata-se de uma questão tensionada no movimento social do GTPA – Fórum EJA/DF e demais Fóruns do Brasil, porque é um movimento aberto às várias tendências e possibilidades políticas, mas, é dentro desse campo que se caracteriza a luta atual da EJAT.
Para o movimento social do GTPA – Fórum EJA/DF como espaço político de exercício de autonomia, o infográfico, anexo, representa a teia ou rede de relações construídas (apelidada de “aranha”) da sociedade civil organizada nas suas diferentes formas, pressionando de cima para baixo os poderes: executivo (UnB no Ministério da Educação como serviço público federal), legislativo e judiciário. Tratando-se do DF como capital do país, as relações com embaixadas realizam-se como parcerias de cooperação e de intercâmbio, sobretudo, com países da África pela CPLP17 e América
Latina pela OEI18.
Nesta tentativa de síntese das relações construídas entre a UnB e o movimento social GTPA – Fórum EJA/DF, mantendo a indissociabilidade da pesquisa-ensino-extensão é possível destacar contribuições identifica- das em cada uma destas finalidades acadêmicas com intenso diálogo com o GTPA – Fórum EJA/DF, focando a EJAT e envolvendo quatro grupos de pesquisa CNPq Lattes19.
Na pesquisa, em 1985, os quatro mestrandos de educação, com base empírica na experiência de alfabetização de jovens e adultos na Escola Normal de Ceilândia, assumiram a aplicação da metodologia observacional
17. Comissão dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Disponível em: www.cplp.org. Acesso em: 01/ 11/ 12.
18. Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI). Disponível em: www.oei.org.br. Acesso em 01/ 11/ 12.
19. ATEAD-Aprendizagem, Tecnologia e educação a distância - Coord. Profa. Dra. Laura Maria Coutinho; GENPEX-Grupo de Pesquisa-Ensino-Extensão em Educação Popular e Estudos Filosóficos e Histórico-Culturais - Coord. Prof. Dr. Renato Hilário dos Reis; Proeja- Transiarte: Educação de Jovens e Adultos e Educação Profissional em Brasília - Coord. Prof. Dr. Lúcio França Teles; NEPET - Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação e Trabalho - Coord. Profa. Dra. Olgamir Francisco de Carvalho
de base etológica, desenvolvida originariamente na zoologia, seguida pela psicologia, contribuindo para a análise da dinâmica interativa geradora do ato de descoberta no círculo de cultura, baseado na educação libertadora de Paulo Freire, usando pela primeira vez o registro audiovisual em videoteipe na educação. Evidenciou-se a compreensão do fenômeno interativo que se passa no círculo de cultura na perspectiva de educação política, pois, permitiu o recorte em episódios com a transcrição de imagens e sons, identificação dos sujeitos de saberes envolvidos no fluxograma da interatividade, inter- venção diretiva no processo da descoberta, medida de duração do tempo e ocorrência do extracampo.
Fruto de duas dissertações de mestrado20, em 1988, também foi pro-
duzido um vídeo21 em linguagem de documentário utilizado até hoje na
mobilização e no processo formativo de educadores populares e professores. Criou-se uma cultura político-tecnológica de registro fotográfico, áudio e audiovisual nas ações do GTPA – Fórum EJA/DF que contribuiu para a iniciativa, entre outras, do uso apropriado de filmes no processo de alfabeti- zação e a criação do Cine Popular, em Ceilândia, objeto de pesquisa de uma educadora popular e mestre pela UnB, em 200522. A inserção de linguagens
tecnológicas na educação libertadora retoma o pioneirismo de Paulo Freire, em 1963, quando fez uso de projeção de imagens fixas coloridas no processo de alfabetização de jovens e adultos23.
Outra contribuição na pesquisa, decorrente da adoção do referencial freireano da pedagogia do oprimido ou da educação libertadora, reconhe- cido como transdisciplinar, é a prática da metodologia da pesquisa-ação existencial de René Barbier com as referências precedentes de Paulo Freire (1971-Tanzânia) e, mais recentemente, Michel Thiollent e Carlos Brandão24,
20. COUTINHO, L. M. Ver e rever educação. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Educação da UnB, 1988. ANGELIM, M.L.P. Educar é descobrir – um estudo observacional exploratório. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Educação da UnB, 1988.
21. Educar é descobrir -26 min. Março/1986. Direção: Laura Maria Coutinho. Disponível em: www.forumeja.org.br. Acesso em: 01/11/12.
22. TÔRRES, M. M. O cinema – a língua escrita da realidade – na alfabetização de jovens e adultos. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Educação da UnB, 2005.
23. Curiosamente chamado à época de “cineminha da favela”.
24. ANGELIM, M. L. P; BRUZZI, R.; REIS, R. H. Cap. 5 - Implicações da Pesquisa-ação no Proeja. In: TELES, L.; REIS. R. H.; CASTIONI, R. (orgs.) Proeja-Transiarte: construindo novos sentidos para a educação de jovens e adultos trabalhadores. Brasília: Verbena, 2012. (p.94-110) e-book e pdf. Disponível em: http://forumeja.org.br/df/node/2482. Acesso em:
acrescida do espaço de construção coletiva do conhecimento em ambiente virtual. E, seguindo o mesmo referencial freireano, desenvolve-se a metodolo- gia do Estudo do Meio, baseada na contribuição do geógrafo Milton Santos25,
acrescida das possibilidades do ambiente virtual interativo multimídia com significativos resultados na informação, comunicação, mobilização, formação e organização política dos segmentos organizados por cidades participantes do GTPA-Fórum EJA/DF.
E, por fim, desde 1998, desenvolve-se e intensifica-se na Faculdade de Educação a pesquisa das possibilidades do ambiente virtual interativo multimídia a serviço do movimento social dos Fóruns de EJA do Brasil, a partir do GTPA-Fórum EJA/DF, consubstanciada na criação da página www. gtpadf.unb.br em 2005, seguida da criação do Portal dos Fóruns de EJA do Brasil www.forumeja.unb.br aprovada na plenária do VII Encontro Nacional de EJA-ENEJA, em setembro/2005, em Brasília, com suporte tecnológico do Centro de Desenvolvimento de Tecnologia do Conhecimento - CDTC/ UnB e apoio do MEC/SECAD. Este Portal mudado para o domínio org.br, por coerência política, resulta da adesão aos movimentos sociais de software livre e de acesso aberto, constituindo-se como espaço formativo permanente, integrando as dimensões política, tecnológica e pedagógica na apropriação criativa e desenvolvimento pelos participantes do GTPA-Fórum EJA/DF e demais Fóruns de EJA. O Portal como campo de pesquisa-ação tem se de- safiado na construção do conceito do real como a inter-relação do vivencial (físico vivido) e do virtual e, mais recentemente, com o conceito de telepre- sença nas experiências de transmissão online em tempo real de plenárias deliberativas de encontros, nos quais os delegados eleitos pelo coletivo são assistidos pelos representados, estes com comentários via livestream, num exercício de transparência democrática fundamental em movimento social.
A produção coletiva de conhecimento multimídia dos Fóruns de EJA constitui a maior parte do acervo do Portal, no qual o GTPA – Fórum EJA/ DF tem progressivamente exposto sua dinâmica política, sendo referência para outros Fóruns. Importante registrar que parte deste acervo, reconhe-
25. FERNANDES, M. L. B. & COSTA, T. S. O. O Estudo do meio e a Educação de Jovens e Adultos. Texto apresentado ao Encontro Nacional de Prática de Ensino de Geografia, Goiânia, 2011.
cido institucionalmente pela UNESCO, constitui o registro em audiovi- sual, incluindo produção de entrevistas com participantes estrangeiros e coordenação da VI Conferência Internacional de Educação de Adultos – CONFINTEA26 – realizada pela primeira vez no hemisfério sul, de 1º a 4/
12/ 2009, em Belém-PA.
Mantendo e aperfeiçoando a metodologia da pesquisa-ação, envolvendo o ambiente virtual interativo multimídia, a EJAT constitui o foco de dois significativos programas na Faculdade de Educação da UnB: o PROEJA- Transiarte27 e o Centro de Memória Viva DF28.
Já é expressiva a produção de pesquisa acadêmica de graduandos, pós- graduandos especialistas, mestrandos e doutorandos com foco na EJAT, em particular, com aplicação da metodologia de pesquisa-ação.
No ensino, o conceito de autoria coletiva “Comunidade de Trabalho e Aprendizagem em Rede – CTAR”29, de base freireana e de outros pesquisa-
dores, tem norteado a docência sobre a EJAT na graduação e pós-graduação com uma reiterada demanda do GTPA-Fórum EJA/DF, pelo mestrado co- letivo, diante da experiência positiva da oferta de especialização a distância com projeto de intervenção local coletivo, em 2009/2010. Constitui desafio à consolidação da CTAR conjugada ao Portal dos Fóruns de EJA do Brasil, banco de dados, portais do Centro de Memória Viva DF e Proeja-Transiarte, moodle e o potencial de possibilidades interativas online em tempo real pelo livestream, mever ou web conferência.
Na extensão, citado anteriormente, o GTPA – Fórum EJA/DF mantém uma relação orgânica de membro do Conselho Comunitário da UnB, po- dendo fortalecer esse espaço de interlocução com os movimentos sociais do DF. Como consequência destes 23 anos, consolida-se como Programa de Extensão de Ação Contínua – PEAC – o Portal dos Fóruns de EJA do Brasil, o Centro de Memória Viva e a Alfabetização no Paranoá. Como reconhe-
26. VI CONFINTEA. Disponível em: www.forumeja.org.br/confintea. Acesso em: 01/ 12/ 12. 27. PROEJA-TRANSIARTE. Disponível em: www.proejatransiarte.ifg.edu.br. Acesso em: 01/12/ 12.
28. Centro de Memória Viva do DF. Disponível em: www.forumeja.org.br/cr . Acesso em: 01/ 12/12 .
29. SOUZA, A. M; FIORENTINI, L. M. R.; RODRIGUES, M. A. (orgs.) Educação Superior a distância –CTAR. Editora da Universidade de Brasília, 2010. Disponível em: www.fe.unb. br. Acesso em: 01/ 12/12 .
cimento da contribuição da UnB na relação com o GTPA – Fórum EJA/ DF e demais Fóruns de EJA, por solicitação do MEC/SECAD, em parceria com a UNESCO/ICAE e Cátedra UNESCO de EJA, foi oferecido o primeiro curso de extensão de Gestão Social em política educacional de EJA para gestores públicos e representantes dos Fóruns de EJA do Brasil integrantes da Agenda territorial de desenvolvimento integrado de Alfabetização e EJA (Turmas - 2010 e 2011).
Outras atividades sobre a EJAT envolveram a participação da UnB, do GTPA-Fórum EJA/DF e demais Fóruns quando, na instância do executivo federal, professores da Faculdade de Educação da UnB, no exercício da cons- trução coletiva, compartilharam com os Fóruns de EJA e demais participantes em audiências públicas (2007) propostas que contribuíram de forma decisiva para a elaboração pela Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação da Resolução nº 3/201030 sobre Diretrizes Operacionais de
EJA referente à idade mínima, certificação/ exames e educação a distância. Assim, como no legislativo distrital, realizaram-se audiências públicas por iniciativa de deputados distritais do Partido dos Trabalhadores-PT com intensa participação do GTPA-Fórum EJA/DF e da UnB, dentre elas na ci- dade Estrutural, com gravação em audiovisual e disponibilização imediata no Portal www.forumeja.org.br/df, documentando a garantia de abertura de escola de EJA reivindicada pelo movimento popular local.
Diante do exposto, as relações entre a UnB e o GTPA – Fórum EJA/ DF construídas ao longo destes 23 anos, ou seja, 27 anos, se considerarmos que o início de tudo se deu em 1985, sugerem reflexões sobre a perspectiva política de organização da luta pela EJAT como problema estrutural da so- ciedade capitalista, que implica necessariamente em transformação radical pela construção de uma sociedade socialista e, portanto, de inserção dos movimentos estudantis, populares, sindicais e partidários, tensionando o setor empresarial e o terceiro setor.
Por um lado, na construção desta teia de relações, os Fóruns de EJA buscam de forma polêmica sua identidade como movimento social, tendo
30. Audiências públicas da CEB/CNE. Disponível em: www.forumeja.org.br. Acesso em: 01/12/12.
como um dos seus segmentos os gestores públicos, muitos deles proceden- tes e atuantes em movimentos populares, sindicais, estudantis com opções partidárias, filiados ou não, o que contraria conceitos do movimento social como sociedade civil organizada que enfrenta, negocia interesses com o poder público, sobretudo, o executivo.
Por outro lado, o histórico do exercício da gestão democrática na uni- versidade pública, dentre elas a UnB, constitui espaço de conflitos entre interesses públicos e privados seja na pesquisa-ensino-extensão expressos no Plano de Desenvolvimento Institucional – PDI – na polêmica presença das Fundações de apoio e, sobretudo, o apelo à autonomia conquistada no texto constitucional.
O primeiro grande desafio, a história do DF não está contada do pon- to de vista dos movimentos sociais. O resultado desse seminário pode ser uma primeira aproximação, somada a outras, no sentido de constatar que há outra história a ser contada, a história que vem dos movimentos sociais, dizendo como o DF, de fato, se constitui nas suas contradições atuais, desde a ditadura da especulação imobiliária, da alta concentração de renda, da precarização do trabalho, da carência de serviços públicos até a ditadura da negação da escola pública para os trabalhadores. E por fim, o entendimento de que há diferenças de olhares, entretanto, elas não são antagônicas, são diferenças que têm que ser contempladas na sua diversidade, de formas de ação, de dinâmicas, de pautas, de agendas, com foco comum a luta por uma sociedade socialista.
O segundo grande desafio é a busca da história dos 50 anos da UnB que está permitindo, muito recentemente, uma apropriação muito preliminar da pesquisa-ensino-extensão que incorpore efetivamente os movimentos sociais do DF como sujeitos coletivos, também da história da própria UnB.
Este esforço de síntese, ainda limitado pela complexidade das relações construídas entre a UnB e o GTPA – Fórum EJA/DF, constitui um convite ao leitor na esperança de aprofundarmos esta compreensão como instrumento de luta pela transformação construtiva de uma nova sociedade brasileira.
Anexo 1
Infográfico do GTPA-Fórum EJA/DF, em 2012