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Esta subcategoria aborda a percepção dos discentes sobre a possibilidade de se aproximarem da prática profissional por meio do jogo. Observou-se que essa aproximação deu-se, sobretudo, a partir de dois aspectos: a vivência de situações semelhantes às da prática do enfermeiro e o exercício de habilidades importantes para a atuação profissional.

No primeiro dia de jogo, os alunos ressaltaram que o jogo favoreceu os dois aspectos: tanto a vivência de situações próprias ao cotidiano do enfermeiro, quanto o exercício de habilidades relevantes para a prática profissional.

Sobre a vivência de situações-problema passíveis de ocorrer no dia-a-dia de atuação do enfermeiro, seguem abaixo exemplos.

“A partir do momento em que entramos no jogo e foi proposto o primeiro desafio,

de ajudar o menino todo machucado a se tratar e, além disso, entrar na questão psicológica e familiar do menino tudo pra mim fez sentido, são situações muito prováveis de vivermos na prática profissional” (A20).

“As situações apresentadas e vivenciadas, além de prenderem a atenção,

representavam alguns casos com os quais um enfermeiro pode se deparar no seu dia- a-dia de trabalho. Essas situações eram bem diversas, abrangendo diversas áreas da

O primeiro exemplo retrata a compreensão discente sobre a abordagem psicológica e familiar, associada aos cuidados físicos, como processo próprio da prática profissional do enfermeiro.

Quanto às habilidades, o trabalho em equipe constituiu a principal habilidade que os discentes destacaram como possível de ser exercitada no jogo, conforme os exemplos abaixo.

“Outro momento do jogo que me chamou muita atenção foi a possibilidade do

trabalho em equipe, o fato de todos entrarmos em um senso comum para a tomada de uma decisão, também foi algo bastante sugestivos a respeito da sociedade na qual

iremos estar inseridos profissionalmente” (A3).

“É importante também, pois o jogo nos ensina uma coisa fundamental para a nossa

profissão: a trabalhar em equipe” (A9).

Esses exemplos destacam que o jogo favoreceu o reconhecimento discente sobre a importância do trabalho em equipe para o futuro exercício profissional.

Também foram destacadas, nesse primeiro dia de jogo, as habilidades de comunicação, de tomada de decisão e de raciocínio como passíveis de serem exercitadas nas situações apresentadas no jogo, conforme exemplificado abaixo.

“Neste primeiro dia de jogo, eu achei que foi mais trabalhado o lado da

comunicação, como por exemplo, como abordar uma pessoa, como explicar para ela

algo novo, apresentar problemas e entre outros” (A8).

“A atividade foi bem intrigante e foi notório perceber como um simples jogo pode

desenvolver tanto e em pouco tempo o meu raciocínio e a tomada de decisões” (A31).

“Os casos expostos levaram-me a raciocinar rapidamente, estar diante de desafios

que devem ser solucionados, sendo estes muito parecidos com os que irei encontrar

nos estágios da Enfermagem” (A4).

Esses exemplos denotam a diversidade de habilidades passíveis de serem reconhecidas e exercitadas pelos alunos durante a vivência das situações do jogo.

No segundo dia de jogo, os alunos ressaltaram, igualmente ao dia anterior, que o jogo permitiu a vivência de situações próprias ao cotidiano do enfermeiro e o exercício da habilidade de trabalhar em equipe. Novo aspecto surgiu relacionado à possibilidade do exercício da criatividade, conforme exemplificado a seguir.

“Cada dia de jogo que se passa exercitamos mais a nossa criatividade, o encontro

com novos casos faz com que possamos sentir na pele como serão as nossas futuras

vivências” (A17).

No terceiro dia de jogo, os alunos ratificaram que o jogo favoreceu a vivência de situações próprias ao cotidiano do enfermeiro, com destaque para a possibilidade de vivenciá- las sem o medo do erro, conforme trecho abaixo.

“Está sendo muito interessante esse jogo para retratar casos que encontraremos na

nossa vida profissional, e principalmente que são situações novas pra muita gente, e esse jogo faz com que podemos lidar com essas situações sem medo de errar. O

lugar de errar é no jogo, porque em nossa vida profissional errar pode custar vidas”

(A22).

Esse exemplo denota que o jogo, segundo os alunos, constituiu uma oportunidade para lidar com as situações próprias do cotidiano do enfermeiro com espaço para a errância, diferentemente do que acontece na realidade da atuação profissional.

No quarto dia de jogo, os alunos retomaram a potencialidade do jogo em favorecer a vivência de situações próprias ao cotidiano do enfermeiro e o exercício da habilidade de trabalhar em equipe. Entretanto, novos aspectos foram ressaltados: a possibilidade de comparar as situações vivenciadas no jogo com a atuação do enfermeiro em determinados cenários e o exercício de novas habilidades.

Quanto à comparação das situações, os discentes ressaltaram que os casos vivenciados no jogo puderam ser comparados à prática específica do enfermeiro em determinados cenários/áreas de atuação, conforme exemplo que se segue.

“Comparei a mesma como uma Unidade de Pronto Atendimento, em que chegam

pacientes em estados de urgências que precisam ser atendidos rapidamente, com agilidade. Precisamos separá-los e escolhemos a maneira do Protocolo de Manchester, separando-os por classificação de risco” (A4).

Observou-se que o jogo, ao favorecer a comparação das situações vivenciadas com o cenário de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), possibilitou aos alunos a referência aos saberes prévios que envolvem a atuação nesse espaço.

Quanto às habilidades, os alunos destacaram a possibilidade do exercício de novas habilidades no jogo, como trabalho sob pressão e agilidade, conforme exemplificado abaixo.

“Missão muito difícil, que não obteve sucesso, mas foi uma ótima experiência pois

“As situações apresentadas exigiam uma agilidade maior para serem solucionadas, pois eram urgências” (A10).

No quinto dia de jogo, os alunos reiteraram a potencialidade do jogo em favorecer tanto a vivência de situações próprias ao cotidiano do enfermeiro, quanto o exercício da habilidade de trabalhar em equipe. Sobre esses aspectos já abordados, também retomaram a possibilidade de comparar os desafios vividos com a atuação do enfermeiro, mas em outra área de atuação; e, ainda, destacaram novas habilidades passíveis de serem exercitadas no jogo.

Quanto à possibilidade de comparação das situações vivenciadas no jogo com a atuação específica do enfermeiro em determinada área/cenário, destacou-se a relação entre sustentador e gestor, como exemplificado abaixo.

“O mesmo [sustentador] mantém e melhora o funcionamento de todas as casas, sendo, portanto a meu ver um gestor” (A4).

“O trabalho de sustentador pode ser comparado ao da gestão no sistema de saúde do

SUS, onde várias pessoas estão estudando e analisando o funcionamento do sistema

de saúde para saber seus problemas, assim podem sugerir melhoras” (A7).

O último exemplo denota, como já observado anteriormente, a possibilidade de os alunos reelaborarem os conhecimentos prévios sobre a atuação do enfermeiro em determinadas áreas como, nesse caso, a gestão.

Quanto às novas habilidades passíveis de serem exercitadas no jogo, os alunos destacaram a paciência e a tolerância, conforme exemplos que se seguem.

“Precisamos ter tido, acima de tudo, paciência para resolver todo o alvoroço, uma das dádivas que acredito ser indispensável como profissional de enfermagem”

(A25).

“Creio que precisamos de tolerância para entender esse tipo de situação, mais uma

das qualidades úteis para um profissional da nossa área” (A25).

No sexto e último dia de jogo, retomou-se a vivência de situações próprias ao enfermeiro e o exercício das habilidades de trabalhar em equipe, de comunicação e de tolerância.