5.2 Application of Technical Features of Egolf
5.2.2 Water Heating Tank
O início da história do ciberjornalismo em Portugal marca-se há cerca de 21 anos, com os primeiros passos a serem dados em 1995 pelo Jornal de Notícias e mais tarde, em 1998, com a criação do primeiro jornal exclusivamente digital, o Setúbal na Rede (Jerónimo, 2011). No que diz respeito ao ciberjornalismo de proximidade, a primeira atividade marca-se a 1 de julho de 1996, com o registo do domínio vozportucalense.pt (Jerónimo, Bastos, 2012). No entanto, é de salientar que não é de todo descabido colocar reservas sobre quem foi o primeiro a chegar ao digital, pois como Jerónimo e Bastos referem, existem casos de jornais que antes de registarem os seus domínios, já disponibilizavam os seus conteúdos na rede, através de outros sites, como aconteceu com o semanário, Região de Leiria (1997) e do extinto, Comércio do Porto, que apesar de criar o seu domínio a 31 de março de 1998, só disponibilizou o ciberjornal a 2 de junho de 2004. O que significa que situações semelhantes possam ter ocorrido com outros títulos regionais, dos quais não há registo do seu percurso histórico na Internet.
Antes de avançarmos mais, consideramos importante esclarecer o que se entende pelos conceitos de “ciberjornalismo”, “ciberjornalistas” e “ciberjornalismo de proximidade”. Em termos genéricos, colocando de lado as dificuldades na sua definição, pode-se definir o ciberjornalismo como “o jornalismo produzido para publicações da Web por profissionais destacados para trabalhar, em exclusivo nessas mesmas publicações” (Bastos, 2010, p.1). A sua definição também está associada à sua diferenciação de outros géneros jornalísticos devido à componente tecnológica que permite a existência de características apenas suportadas deste meio, como a multimedialidade, a hipertextualidade e a interatividade (Bastos, 2010). No que diz respeito aos ciberjornalistas, Hélder Bastos continua e afirma que “os ciberjornalistas diferem de outros seus colegas de profissão no sentido em que usam as características particulares da Internet no seu trabalho diário” (ibidem). O autor explica que este profissional, ao contrário do que acontece dos seus colegas que produzem conteúdos para os meios tradicionais, têm
“Consequentemente, de tomar decisões sobre qual o formato ou formatos de media que melhor se adaptam a uma determinada estória (multimédia),de considerar opções que permitam ao público responder, interagir ou mesmo personalizar certas estórias (interatividade), e pensar nas maneiras de relacionar a estória com outras estórias, arquivos e outros recursos através de hiperligações (hipertexto) ”. (Bastos, 2010, pp. 1, 2).
No entanto, apesar das diferenças, Bastos lembra as similaridades que estes “profissionais dos media” têm com os restantes colegas dos meios tradicionais, já que defende que “o
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ciberjornalista é, antes de mais, um jornalista”, pelo que se deve reger pelas regras da profissão.
Quanto ao ciberjornalismo de proximidade, este conceito surgiu pela primeira vez, em Portugal, em julho de 2010, aquando a apresentação pública do projeto de tese de doutoramento de Pedro Jerónimo. Para a construção deste conceito o autor recorre ao trabalho de Xosé López García (2008) e à junção dos conceitos de ‘jornalismo de proximidade’, na perspetiva defendida por Camponez (2002) e ao de ‘ciberjornalismo’ de Salverría (2005), avançando assim uma definição de ciberjornalismo de proximidade como a “prática de um jornalismo de proximidade, comprometido com um determinado território e a sua comunidade (Camponez, 2002 cit. in Jerónimo, 2012), e que usa o ciberespaço para recolher, editar e sobretudo disseminar informação noticiosa (Salverría, 2005, cit. in Jerónimo, 2012)”.
Quanto à evolução do ciberjornalismo, nos seus primeiros doze anos, no âmbito nacional, Hélder Bastos (2010) estabelece a sua evolução em três fases distintas, a primeira, de implementação (1995-1998), a segunda, de expansão ou “boom” (1999-2000) e a terceira, de depressão seguida de estagnação (2001-2007). Neste trabalho, Hélder Bastos dedicou-se apenas à evolução do ciberjornalismo no âmbito nacional, no entanto, a imprensa regional e local também teve um desenvolvimento no digital, como vamos analisar de seguida, mas Pedro Jerónimo (2012) avança desde logo, com uma perspetiva que pode caracterizar esse percurso com a expressão “evolução na continuidade”.
De volta às fases do ciberjornalismo em Portugal, estabelecidas por Hélder Bastos, a primeira fase inclui os anos de implementação de edições eletrónicas de media tradicionais na Web. É um período que Bastos caracteriza como experimental, hesitante, dominada pelo modelo “shovelware”, ou seja, os jornais abrem os seus sítios na Internet, para neles reproduzirem o material produzido na versão de papel. No caso das rádios, transmitem nos seus sites o sinal hertziano e as televisões os telejornais.
Durante o período de 1995 a 1998, verificou-se um aumento acentuado no número de órgãos de comunicação social portugueses que abriram as suas páginas na Web, onde era visível o seu carácter experimental. Em termos de comparação, Bastos recupera os números de novembro de 1996, onde se registavam 39 jornais na plataforma digital e de abril de 1998 onde o número escalou para 109. A mesma tendência verificou-se nas revistas, jornais e televisões, apesar de nesta última, o aumento não ser tão acentuado.
Para além do grafismo pouco desenvolvido e da utilização feita deste meio, onde se levou para o digital a herança das manchetes dos jornais, com os títulos das principais notícias destacadas, a falta de experiência transparecia também no mercado de trabalho. Em 1996, Bastos registava que a maior parte dos diários não tinha jornalistas a tempo inteiro nas suas edições eletrónicas e o trabalho resumia-se ao “despejo” direto dos conteúdos do impresso na Web.
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Por esta altura, em comparação a outros países, Portugal seguia em último lugar no respeitante à produtividade online. “Se a modernização tecnológica de um país fosse mensurável pela quantidade de páginas na Web produzidas pelos seus habitantes, Portugal estava no fundo da tabela comunitária (e se fosse pela qualidade dessas páginas, o resultado seria o mesmo) ” (Querido, 1997, cit. Bastos, 2010, p.3).
Já no que diz respeito à segunda fase, Bastos nomeou como sendo uma época de expansão, ou também chamado de “boom”, marcada pelo otimismo empresarial à volta da economia gerada pela Internet, um tanto ou quanto exagerado. O gradualismo, que marcou os primeiros anos do ciberjornalismo em Portugal é substituído por momentos de euforia, tanto nacionais como internacionais, onde surgem novos projetos, com investimentos avultados. Algumas redações optaram por alargar substancialmente os seus quadros de funcionários.
No entanto, os primeiros sinais da crise dos órgãos de comunicação social no digital, que se veio agravar, começaram nos finais do ano de 2000, com a demissão dos diretores da Lusomundo.net. O panorama depressivo espalhou-se dando início ao fim da ilusão criada, com o encerramento de sites, dos cortes nos funcionários e na redução de despesas. “A “bolha”, inflacionada, não demoraria a rebentar, arrastando muitos milhares para o desemprego” (Bastos, 2010). (Vieira, 2001 cit. In Bastos, 2010) afirma que “a nova economia não existe, tal como muitos investidores a imaginavam. A utopia da Internet como o novo El Dorado não passa, para já, de uma ilusão” (p. 6). Em comparação ao que se passou nos Estados Unidos da América, Portugal teve apenas uma pequena amostra, com o número de desempregados das chamadas “dot.com” a chegar aos 400, enquanto nos Estados Unidos da América, os números rondaram os 75 mil funcionários desempregados (Viera, 2001,cit. in Bastos, 2010).
Num estudo citado por Bastos, de outubro de 2003, intitulado “A Internet e a imprensa em Portugal”, da Associação Portuguesa de Imprensa (AIND) e pela empresa Vector 21, era concluído que com o surgimento e expansão das publicações digitais, cerca de 30% dos portugueses tinham alterado os seus hábitos e deixaram de comprar jornais em banca. No entanto, essa diminuição não aumentou o número de leitores no digital, valor que ainda se mantinha reduzido, na casa dos 12% e que se traduzia entre os 132 e os 144 mil leitores, sendo os estudantes universitários o “alvo em expansão”. Em 2006, José Vítor Malheiros, citado por Bastos (2010), afirmava que “tem havido melhorias, mas muito lentas. As equipas são pequenas, mal pagas e há uma cultura de contenção de custos. Mas os leitores que estamos a ganhar estão no online. É muito fácil ver onde está o futuro” (p. 8).
Apesar do período negro entre 2001-2007, a partir do segundo semestre de 2006, a situação começou a dar tímidos sinais de melhoria. A partir desta data, registaram-se também algumas inovações ou reformulações em alguns media online e alguns investimentos contracorrente. Para além destas inovações que se verificaram, “surgiam notícias que indicavam que os cibernautas portugueses recorriam cada vez mais aos sites e portais de informação para se
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manterem a par das notícias diárias, em detrimento da leitura dos jornais tradicionais” (Bastos, 2010, p. 9).
Depois de olhar para o panorama da evolução do ciberjornalismo em Portugal, Hélder Bastos conclui que a primeira década de ciberjornalismo em Portugal, é marcada por “uma fase experimental relativamente longa, por outra fase de expansão tão acelerada e intensa quanto curta, e por uma fase de estagnação prolongada – pontuada por investimentos a contracorrente, mais no acessório que no essencial” (Bastos, 2010, p.10). Em termos qualitativos, o autor também não faz um balanço melhor, “mais de uma dúzia de anos após as primeiras experiências jornalísticas portuguesas na Internet, os ciberjornais portugueses de informação geral de âmbito nacional aproveitam menos de um quarto das potencialidades máximas do novo meio” (Zamith, 2008, cit. in Bastos, 2010, p. 10). Na opinião de Bastos, o ciberjornalismo português não se conseguiu afirmar nos seus primeiros doze anos por três motivos principais, a falta de investimento em meios técnicos suficientes e em meios humanos, a falta de investimento e conservadorismo das empresas e jornalistas e a falta de interesse generalizado das empresas portuguesas em investir no ciberjornalismo devido à dificuldade em encontrar modelos de negócio de sucesso e pelo agravamento de projetos falhados.