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WAT’s activities on Information, Communication, Lobbying and Advocacy

CHAPTER 3 - INFORMATION, COMMUNICATION, ADVOCACY AND

3.2 WAT’s activities on Information, Communication, Lobbying and Advocacy

Ananké — pelas exigências da realidade —, e que essa tarefa é a de unir indivíduos isolados numa comunidade ligada por vínculos libidinais.47

Não há possibilidade de separar as duas necessidades vitais, pois ambas possuem origem e fins comuns. O homem moderno assume o papel de Prometeu ao pensar que, por meio da ciência, assumiria o “lugar do sujeito da inteligência divina” em condições de dominar a natureza.48 Segue-se outra problemática entre oposição de categorias – liberdade e

natureza.

Os pólos pulsão/natureza/antigos vs civilização/liberdade/modernidade estão associados. Quando Freud desconstrói o conceito de auto-regulação que protegeria a subjetividade, em um contexto paradigmático que desconsidera a proteção divina, o desamparo se torna inevitável e incurável. “Por isso mesmo, impõe-se ao sujeito a exigência de gestão do mal-estar e do desamparo, pelo registro horizontalizado dos laços sociais.”49

A atividade humana está intimamente ligada ao não-sentido, pois impulsiona ao trabalho constante de ordenação do cosmo e, ainda, relaciona o surgimento de traumas diante da impossibilidade de resolução das ambigüidades pela razão,

[...] ou seja, os fracassos inevitáveis da razão e da língua (e de outros procedimentos de ordenação) nos encontros com as ambivalências modernas estão nas raízes do traumático como regime de vida; passa-se, assim, de uma consideração dos “eventos traumáticos” aos “traumas cumulativos (Khan, 1963) e, mais ainda, aos traumas crônicos e recorrentes que pertencem a um dado projeto de mundo (no sentido heideggeriano do termo), o mundo

moderno.50

Aqui se deve situar o sujeito do qual estamos falando. O adolescente se defronta com a possibilidade de assumir a gestão da própria identidade que irá, em sua maturidade, permear sua subjetividade e os seus laços sociais. Neste processo, lidará com a desilusão da idéia completude e auto-suficiência que o colocará em contato com a necessidade do trabalho

47 FREUD. 1930. As obras de Freud foram consultadas na Edição standard brasileira das obras psicológicas

de Sigmund Freud, formato eletrônico. Deste modo, indico o ano da obra e o volume da edição. Não é possível

indicar o número da página.

48 BIRMAN, 2005, p. 218. 49 IBID., p. 219.

constante para equilibrar a solicitação dos desejos e sua inserção e aceitação no mundo social. O sujeito/adolescente deve lidar, também, com o desencanto das figuras parentais como deuses capazes de protegê-lo e traçar seu destino.

Tanto a criança quanto a espécie humana, em seus primeiros tempos de vida, se defrontam com tarefas incomensuráveis com suas forças e que são resumidas na expressão “renúncias pulsionais”. [...] E uma vez que, com o passar do tempo, o princípio de realidade se instala mais vigorosamente, surge a possibilidade de renunciar, pois sua vez, a essas satisfações substitutivas: a criança acede à maturidade psicossexual, e a humanidade, à etapa em que a ciência torna dispensável o recurso à religião.51

Durante o período de latência, energias foram direcionadas para o domínio da racionalidade, das ciências, do entendimento sobre causas, efeitos dos fenômenos naturais e sociais. Agora, suas certezas e verdades são confrontadas com o indeterminismo, a multiplicidade e complexidade em qualquer fenômeno, seja natural ou civilizatório. A latência sobre o desenvolvimento da libido pontuada por Freud pode ser comparada à Modernidade que, para alguns filósofos foi deflagrada a partir do séc. XVIII. Ambos os fenômenos, são caracterizados pela tentativa (e ilusão) de estabelecer o domínio da razão sobre a natureza.

Gradualmente, as pessoas perdem a confiança na sua natureza instintiva de estabelecer elos de ligação, seja na direção de se fazerem amadas e aceitas pelo outro, seja no ato de cuidar e amar o outro. Devem recorrer aos manuais para iniciar uma relação amorosa, de conquistar a intimidade, de compartilhar projetos, de criar filhos, de cuidar dos pais idosos... Há uma verdadeira epidemia de livros de auto-ajuda e de ‘personals’, contratados para organizar fotos de família, acompanhar exercícios físicos, escolher as roupas da estação e assim por diante. Também o jovenzinho que vinha se preparando para ter um espaço singularizado no meio sócio-familiar desde, principalmente, o conflito edipiano vivenciado na fase fálica, perde muito de sua espontaneidade natural para dar respostas mais adequadas e seguras ao habitat social pretendido.

Experimentar esse processo de desnaturalização e racionalização seguido pela desilusão e consciência do desamparo incurável anacronicamente, já exige um grande

trabalho intra e extra-psíquico. Atualmente, tudo isso parece estar sendo vivenciado simultaneamente. Na pré-adolescência (latência) já se encontram situações de desamparo, pois as instituições que deveriam exercer a função de holding para que o jovenzinho possa ter a coragem, o desejo de responder por si sobre questões cognitivas, emocionais e existenciais, fracassam. E, por outro lado, na adolescência final ainda se tenta buscar respostas racionais que possam dar quietude ao seu estado de curiosidades e incertezas. A sobreposição da latência e da adolescência dá uma nova configuração no processo de desenvolvimento. Essa, apesar de já ser falada e discutida, ainda não faz parte do imaginário dos pais, educadores e da sociedade em geral. Bion nomeia como mudança catastrófica, esse processo no qual uma nova idéia com potencial disruptivo altera estruturas pré-existentes, sejam de natureza intra- psíquica ou relacional, provocando desorganização, sofrimento e frustração.

O percurso a ser percorrido pela criança – se identificar com os membros de sua família, abrir mão de pulsões em favor de sua socialização - necessita de pontos de partida, de bifurcações e escolhas e de fins a se alcançar. Por outro lado, este percurso individual depende e interfere naquele a ser feito pela família dessa criança dentro da comunidade em que está inserida.

Vale dizer, estamos ainda num momento histórico de passagem entre as ordens familiar moderna e pós-moderna, de maneira que as figuras parentais não conseguiram ainda encontrar a melhor solução e ponto de equilíbrio para isso tudo, qual seja, entre terem seus projetos existenciais singulares e o cuidado familiar dos filhos. Com isso, a fragilidade do investimento afetivo se faz geralmente presente, com os desdobramentos nefastos que isso provoca.52

Cabe à psicanálise a tarefa de nomear, compreender e analisar tal fenômeno para contribuir nesse tempo-espaço de subjetivação que se faz acontecer agora. Se partirmos da concepção de que o conflito deve ser administrado durante toda a vida, como propôs Birman (2006) pautado nas últimas proposições freudianas a respeito do destino das pulsões, e que sua gestão só pode ser exercida através dos laços sociais e do exercício da alteridade, chegaremos ao desamparo não só do jovem como de sua família diante das exigências do mundo atual.

2 ASPECTOS TRAUMÁTICOS E DISRUPTIVOS DA MODERNIDADE