Todos os dados coletados referentes à morfometria e birrefringência foram tabulados e submetidos à análise estatística. Foi utilizado o programa SPSS 20.0.
Foram descritas as médias dos escores atribuídos a cada parâmetro da histoquímica (hematoxilina-eosina), de imunohistoquímica e de retardo óptico (birrefringência de fibras colágenas), segundo os grupos GS, GA e GB e o dia de coleta com uso de medidas resumo (média, desvio padrão, mediana, mínimo e máximo) (KIRKWOOD & STERNE, 2006).
Os grupos foram comparados para cada parâmetro com uso de análises de variâncias (ANOVA) com dois fatores (NETER et. al., 1996), sendo grupos e dias de coleta; as estimativas dos parâmetros foram realizadas com método de mínimos quadrados para evitar problemas com a ausência de normalidade de distribuição testada com uso do teste Kolmogorov-Smirnov (KIRKWOOD & STERNE, 2006). Foram utilizadas comparações múltiplas de Bongferroni (NETER et. al., 1996) quando necessárias para comparação dos grupos e ou dias de sacrifício dois a dois. Adotou-se p < 0,05, ou 5% o nível de rejeição da hipótese de nulidade (nível de significância).
5.RESULTADOS
Não houve diferenças estatisticamente significativas entre GS, GA e GB, segundo teste ANOVA, na quantidade de fibroblastos (p = 0,576), de vasos (p = 0,894) e de tecido de granulação (p = 0,364) conforme apresentado na Tabela 1, Tabela 2 e Tabela 3, respectivamente.
Tabela 1. Análise de fibroblastos pela coloração de hematoxilina-eosina de cada grupo segundo dias de coleta.
Teste ANOVA
Tabela 2. Análise de vasos pela coloração de hematoxilina-eosina de cada grupo segundo dias de coleta.
Teste ANOVA
Tabela 3. Análise de tecido de granulação pela coloração de hematoxilina-eosina de cada grupo segundo dias de coleta.
Em relação ao dia de coleta da análise de hematoxilina-eosina, foi demonstrado que houve diferença estatisticamente significativa do 14º dia em relação ao 7º dia, onde houve redução de fibroblastos (p < 0,001), vasos sanguíneos (p = 0,021) e tecido de granulação (p = 0,010), de acordo com a Tabela 4 e os gráficos apresentados nos Apêndices 6, 7 e 8.
Tabela 4. Comparação das variáveis analisadas através da coloração de hematoxilina- eosina entre os dias de coleta.
Teste: Comparações múltiplas de Bonferroni
A intensidade do infiltrado inflamatório, também observada na análise de hematoxilina-eosina, não demonstrou diferenças estatisticamente significativas em relação aos grupos GS, GA e GB (p = 0,810) de acordo com o teste ANOVA, demonstrado na Tabela 5; nem com relação aos dias de coleta como demonstrado no gráfico do Apêndice 9.
Tabela 5. Análise de infiltrado inflamatório pela coloração de hematoxilina-eosina de cada grupo segundo dias de coleta.
Teste ANOVA
Na tabela 6 está relacionada a análise descritiva dos dados de colágeno tipo I e tipo III em percentual de área em micrômetros quadrados (µm2) na região da cicatriz dos grupos em que foram coletadas as amostras de tecido no 7º dia e na tabela 10 está relacionada a análise descritiva dos dados de colágeno tipo I e tipo III em percentual de área em micrômetros quadrados (µm2) na região da cicatriz dos grupos em que foram coletadas as amostras de tecido no 14º dia.
Tabela 7. Descrição dos percentuais de área de colágeno tipo I e tipo III no 14º dia
Na tabela 8, segundo o teste ANOVA com dois fatores o percentual de área de colágeno tipo I apresentou comportamentos dos grupos entre os dias de sacrifício estatisticamente diferentes (p = 0,007) (Apêndice 10). Já o percentual de área de colágeno III apresentou diferença média estatisticamente significativa apenas entre os grupos (p = 0,021) independente do dia de sacrifício (Apêndice 11).
Tabela 8. Comparações das médias de colágeno tipo I e tipo III segundo grupos e dias de coleta
O percentual médio de área de colágeno I, segundo a Tabela 9, foi estatisticamente menor nos grupos GB e GA em qualquer dia em comparação com controle no 7º dia (p < 0,05), sendo que nas comparações: GS7 X GB7, GS7 X GA7, GS7 X GB14, GS7 X GA14 a significância foi p < 0,001; GB7 X GS14 a significância foi p = 0,001; GS14 X GA14 a significância foi p = 0,013. Também foram estatisticamente menores os percentuais de área de colágeno I dos grupos experimentais em relação ao controle no 14º dia (p < 0,001), com exceção apenas do GB no 14º dia (p = 0,056).
Tabela 9. Comparações dos percentuais de área de colágeno tipo I entre os grupos ou dias de coleta.
O percentual médio de área de colágeno III, segundo a tabela 10, foi estatisticamente menor no GA em comparação ao controle (p = 0,042) independente do dia de coleta.
Tabela 10. Comparações dos percentuais de área de colágeno tipo III entre os grupos ou dias de coleta.
Teste: Comparações múltiplas de Bonferroni
Nos Apêndices 12 e 13 estão representadas as fotomicrografias de imunohistoquímica de colágeno tipo I e tipo III dos grupos estudados.
Na tabela 11 está relacionada a análise descritiva dos dados de retardo óptico em nanômetros (nm) de pele adjacente e de cicatriz dos grupos em que foram coletadas as amostras de tecido no 7º dia. Estão relacionados média, desvio padrão (DP) e mediana.
Tabela 11 - Descrição das médias de retardo óptico segundo grupos com amostras coletadas no 7º dia.
7° dia
Variável Grupo Média DP Mediana n
Retardo óptico Pele adjacente GS 5,21 1,16 25,32 10 GB 7,14 0,45 7,20 10 GA 7,00 1,02 7,20 10 Retardo óptico cicatriz GS 3,88 0,74 3,66 10 GB 6,18 0,81 6,10 10 GA 6,03 1,08 6,43 10
Na tabela 12 está relacionada a análise descritiva dos dados de retardo óptico em nanômetros (nm) de pele adjacente e de cicatriz dos grupos em que foram coletadas as amostras de tecido no 14º dia. Estão relacionados média, desvio padrão (DP) e mediana.
Tabela 12 - Descrição das médias de retardo óptico segundo grupos com amostras coletadas no 14º dia.
14° dia
Variável Grupo Média DP Mediana n
Retardo óptico Pele adjacente GB GS 4,99 6,92 0,89 1,39 4,88 6,87 10 10 GA 7,07 0,76 7,09 10 Retardo óptico cicatriz GB GS 3,88 6,10 0,91 1,18 3,77 5,65 10 10 GA 5,99 0,77 5,65 10
O teste ANOVA com dois fatores mostrou as médias de retardo óptico de pele adjacente apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre os grupos GS, GA e GB (p < 0,001), mas não houve diferença entre os dias de coleta e o comportamento dos grupos entre os dias de coleta foram estatisticamente iguais (p > 0,05) como está demonstrado no gráfico do Apêndice 14. O mesmo foi observado com os valores de RO da cicatriz (Apêndice 15 ).
Ao comparar os grupos GS, GA e GB, o teste de comparações múltiplas de Bonferroni mostrou que houve aumento do RO na pele adjacente do grupo GA comparado ao GS (p<0,001) e do grupo GB comparado ao GS (p<0,001); não houve diferença significativa de valores de RO de pele adjacente entre os grupos GA e GB (p>0,999) (Tabela 3).
Os valores de RO da cicatriz, segundo as comparações múltiplas de Bonferroni mostrou que houve aumento do RO do grupo GA comparado ao GS (p<0,001) e do grupo GB comparado ao GS (p<0,001); não houve diferença significativa de valores de RO da cicatriz entre os grupos GA e GB (Tabela 13).
Tabela 13. Resultado das comparações entre os grupos para as médias de retardo óptico. Variável Grupo Média Erro Padrão p
Retardo óptico interface GS x GB -1,93 0,31 <0,001 GS x GA -1,94 0,31 <0,001 GB x GA -0,01 0,31 >0,999 Retardo óptico cicatriz GS x GB -2,26 0,29 <0,001 GS x GA -2,13 0,29 <0,001 GB x GA 0,13 0,29 >0,999 Teste: Comparações múltiplas de Bonferroni
No Apêndice 16 estão representadas as fotomicrografias de birrefringência de fibras colágenas dos grupos estudados.
6. DISCUSSÃO
A cicatrização é um dos principais objetos de estudo da Fisioterapia, que utiliza diversos recursos biofísicos para modular ou acelerar esse processo. Dentre eles destacam-se o ultrassom (ENNI et al., 2006; TACANI et al., 2010), a eletroterapia (LIEBANO et al., 2008; MARTINEZ et al., 2013) e a fototerapia de baixa intensidade (HOURELD
et al., 2008; SILVEIRA et al., 2011; GARCIA et al.,2012), sendo esta
última, um dos recursos mais utilizados para tratamentos de cicatrização tecidual pela sua facilidade de manuseio, simplicidade de aplicação, resultados satisfatórios e ausência de efeitos colaterais.
Nesse sentido, a literatura é bem ampla, sobretudo no que se refere a estudos experimentais, que evidenciam os efeitos benéficos da LLLT no processo de cicatrização desde a fase inflamatória até a de remodelamento, em diferentes tecidos como pele, tendão, osso e tecido nervoso (REZENDE
et al., 2007; ROCKIND et al., 2009; NEVES et al.,2011).