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O perfil VI localiza-se na EM1037, entre a localidade de Reveladas e Porto da Espada, aproximadamente nas seguintes coordenadas: N39º20’22.1’’ W7º22’18.4’’. Este perfil abrange xistos negros que se tornam mais siltíticos à medida que se sobe na sequência e, chegam mesmo a ter intercalações de finas lâminas quartzíticas com cerca de 1 a 2 cm de espessura (aproximadamente aos 17 m). Nos níveis de topo do perfil voltam a predominar os xistos siltíticos, terminando a exposição da sequência por volta dos 35 metros (fig. 4.28).

Segundo J.M. Piçarra (info. oral), neste perfil poderá ocorrer a passagem do Silúrico ao Devónico, uma vez que esta seção se localiza numa posição estratigráfica inferior aos quartzitos brancos equivalentes aos da “Fm. S. Mamede”, datados do Lochkoviano, que se encontram próximos deste local. Os níveis amostrados encontram-se dobrados, sendo que o plano axial das dobras é sub-horizontal. Este perfil é bastante afetado do ponto de vista tectónico, apresentando zonas de falha onde foi possível observarem-se fendas de tração e veios de quartzo.

No perfil foram recolhidas 13 amostras para estudos palinológicos (amostras 343 a 355), tendo sido todas elas processadas. Quando observadas ao microscópio verificou-se que apresentavam muito resíduo mineral resistente. Mesmo após a concentração da matéria orgânica recorrendo a líquidos densos, o resíduo palinológico observado era em pequena quantidade. Procedeu-se à oxidação de todas as amostras e, apenas uma (amostra 348) apresentou resultados positivos. A associação de palinomorfos recuperados (esporos, prasinófitas e quitinozoários) é pouco diversificada e, encontra-se mal preservada, tendo sido registados 2 tempos de oxidação nestas amostras: 6 e 13 hrs.

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Figura 4.28. Coluna estratigráfica do Perfil VI (Casa do Xisto), com localização das amostras estudadas. Assinalam-se a vermelho as amostras produtivas para palinologia. (ver Anexo 2, estampa de afloramento 9, foto 2; estampa 10, foto 1 e 2)

A associação de esporos identificada nesta associação inclui: Ambitisporites avitus Morphon, Amicosporites splendidus, Apiculiretusispora spp., Archaeozonotriletes chulus Morphon, Brochotriletes sp., Cymbosporites sp., Retusotriletes abundo e R. warringtonii. Na associação recuperada também se identificaram espécimenes de algas prasinófitas (Leiosphaeridia sp. 2, Leiosphaeridia sp. 3), assim como, de quitinozoários (?Angochitina sp.), estes últimos, identificados por Nuno Vaz (UTAD).

Devido à baixa diversidade da associação recuperada, não foi possível identificar uma biozona de esporos. No entanto, tendo em conta a distribuição estratigráfica dos espécimenes identificados, principalmente os exemplares de Amicosporites splendidus e Cymbosporites sp., torna-se possível indicar que a associação pertencerá ao Pridoli (Richardson e McGregor, 1986; Burgess e Richardson, 1995; Richardson et al., 2001). Por sua vez, a presença de espécimenes de Retusotriletes abundo, cuja distribuição estratigráfica apenas atinge o topo do Ludfordiano (Ludlow)/base do Pridoli, permite precisar um pouco mais a idade, indicado que a associação recuperada poderá pertencer aos níveis de base do Pridoli.

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Devido à baixa taxa de recuperação deste corte (apenas uma amostra positiva), não se consegue inferir se a passagem Silúrico/Devónico se encontra aqui presente, tal como proposto por J.M. Piçarra (info. oral).

4.2.1.4.7. Perfil VII – V.G.Broa

O perfil VI (fig. 4.29) localiza-se na EM522-2, a norte do vértice geodésico Broa, aproximadamente nas seguintes coordenadas: N39º16’21.7’’ W7º21’45.8’’.

Figura 4.29. A - Localização simplificada das secções amostradas. B – Coluna estratigráfica do Perfil VII (V.G. Broa), com localização das amostras estudadas. (ver Anexo 2, estampa de afloramento 11, foto 1)

O perfil apresenta duas secções, iniciando-se com níveis pelíticos intercalados com siltitos, a topo dos quais se observa a passagem para níveis constituídos por quartzitos e arenitos com intercalações de siltitos. No total, esta primeira secção abrange cerca de 70 m de sedimentos.

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Em seguida, observam-se cerca de 80-100 m de afloramento com má exposição, não tendo sido recolhidas amostras neste intervalo. Posteriormente, inicia-se a segunda secção do corte, que aflora ao longo de cerca de 300 m, embora com secções de não exposição.

A secção 2 inicia-se com pelitos e siltitos que, por vezes, apresentam intercalações de bancadas quartzíticas. Segundo J.M. Piçarra (info oral), estes níveis terão uma idade de Ordovícico médio. A topo desta sucessão observa-se a passagem a uma bancada quartzítica com cerca de 10 m de espessura, sendo o contato por falha. Por último, a topo dos quartzitos foram amostrados cerca de 13 m de pelitos com intercalações de quartzitos.

No total, neste perfil foram recolhidas 14 amostras (amostras 356 a 369), tendo sido todas elas processadas. Quando observadas ao microscópio, verificou-se que apresentavam muito resíduo mineral resistente. Mesmo após a concentração da matéria orgânica recorrendo a líquidos densos, o resíduo palinológico observado era em pequena quantidade. Procedeu-se à oxidação de todas as amostras e verificou-se que o material orgânico se encontrava mineralizado, tendo sido oxidadas até à exaustão sem se obterem resultados.

4.2.1.4.8. Conclusões

O estudo desta região tinha como objetivos principais o apoio à cartografia geológica que se está a rever; a descrição das associações palinológicas presentes na sequência estratigráfica do Ordovícico, Silúrico e Devónico para esta região e, complementar os dados palinológicos primeiramente obtidos para a sequência do Carbónico.

No total foram obtidas 8 amostras positivas, das 82 amostras estudadas, tendo sido alcançada uma taxa de recuperação aproximada de 9,8%. Os escassos resultados obtidos na região indicam as más condições de preservação para o conteúdo micropaleontológico. Os melhores resultados obtidos, assim como, a melhor taxa de recuperação, observou-se nos sedimentos do Carbónico (taxa de recuperação aproximada de 64%).

Nesta região apenas dois cortes forneceram dados positivos: Perfil V – Rabaça; Perfil VI – Casa do Xisto. O perfil VI forneceu uma única amostra positiva, mal preservada e pouco diversificada, cuja associação recuperada indica a base do Pridoli.

O perfil V, essencialmente abrangendo os sedimentos do Carbónico, forneceu uma associação de palinomorfos que permitiu identificar a Biozona NC, do topo do Viseano, devido à presença da espécie índex Bellispores nitidus. Estes resultados permitem correlacionar e complementar os dados obtidos para a sequência carbónica nesse mesmo perfil (Pereira, dados não publicados), assim como, os dados de palinologia recolhidos na sucessão, do lado espanhol (González et al., 2007).

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Na sequência espanhola, os sedimentos carbónicos foram datados do Viseano, com base em esporos, num intervalo correspondente entre as Biozonas Pu e VF (González et al., 2007). Por sua vez em Portugal, foi identificada a Biozona SN (=VF) (Pereira, dados não publicados) e a Biozona NC (este estudo), indicando que todo o Viseano se encontra representado nesta sucessão.

Nas associações do Carbónico identificadas quer em Portugal, quer em Espanha, foi assinalada a presença de material reciclado de idades mais antigas, assinatura que tem sido constante na análise das associações de palinomorfos do Carbónico identificadas na ZOM e TSP (Pereira et al., 2006b; Pereira et al., 2007; Pereira et al., 2008; Machado et al., 2011; Lopes et al., 2013). Esta particularidade pode vir a fornecer mais informações para as interpretações geodinâmicas relacionadas com a Orogenia Varisca, tal como irá ser abordado mais à frente neste estudo.

4.2.2. Zona de Ossa-Morena 4.2.2.1. Região de Barrancos

Na região de Barrancos foram estudadas 8 secções para palinologia (tab. 3.1), num total de 144 amostras (tab 3.2, capt. 3). As secções estudadas (fig. 4.30) abrangeram sucessões estratigráficas do Câmbrico ao Devónico Inferior, sendo os perfis estratigráficos apresentados, sempre que possível, baseados nos perfis presentes no trabalho de Piçarra (2000).

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Figura 4.30. Localização das secções estudadas na região de Barrancos (Adapt. Piçarra, 2000).

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