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DEL II: FORETAKSSTRAFF

8 FORETAKSSTRAFFENS FAKULTATIVE KARAKTER

8.3 Vurdering og anbefaling

Os estudos sobre migrações internacionais tradicionalmente enfocaram as seguintes temáticas: fluxos globais (motivos de expulsão e atração de populações), aspectos laborais

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(mercado de trabalho nos destinos), demografia, questões políticas e legais; tendo emergido mais recentemente estudos sobre etnicidade, multiculturalismo e racismo, bem como, questões de segurança e controle de fronteiras (como o terrorismo) (Miller e Castles, 2009).

Como destaca Pinho (2012: 9):

A migração implica o movimento de indivíduos e grupos entre as sociedades que acabaram de deixar e aquela onde estão a inserir-se, o que tem correspondência, na sociologia das migrações, a duas problemáticas que correspondem a estas duas etapas do processo migratório: 1) a migração propriamente dita; 2) a fixação dos imigrados (Rea e Tripier, 2003). Na primeira inclui-se o estudo das causas, da acção dos estados dos países de origem e chegada e dos fluxos migratórios, assim como do tipo de migrantes que os compõem. A segunda concentra-se no estudo da integração, aculturação, aquisição de uma posição social, mobilidade social, entre outras relativas à permanência dos imigrantes na sociedade receptora.

Neste sentido, as principais abordagens da sociologia das migrações, podem ser divididas em: investigações de caráter mais quantitativo sobre fluxos migratórios e perfis de migrantes; e investigações com abordagens prioritariamente qualitativas sobre “comunidades imigrantes” no país de destino. Ou, como definido por Peixoto (2004a): teorias macro e micro-sociológicas de explicação das migrações; sendo que as teorias macro enfocam o caráter estrutural dos movimentos migratórios, enquanto as micro centram-se no papel do agente migrante.

A abordagem subjacente aos estudos tradicionais enfocava o migrante enquanto homem (Padilla, 2007a). Na década de 1980, ganham maior relevância os trabalhos sobre mulheres migrantes, no entanto, abordavam-na como objeto/recorte, através do binarismo homem e mulher, e não a partir da perspectiva relacional de gênero (Donato, et. al. 2006). A partir dos anos 1990 surgem perspectivas interdisciplinares para abordar gênero e migrações (idem). Emergiram temas como: a forma como as relações de gênero desiguais na origem e no destino afetam de forma diferente mulheres e homens migrantes, mudanças nos papéis e nas subjetivações de gênero no contexto migratório, emancipação da mulher migrante, imigração GLBTT, o racismo e o sexismo interseccionados no contexto da migração, entre outros.

Em Portugal, os estudos sobre imigração têm crescido na última década, com destaque para pesquisas acerca das construções identitárias e etnicidade, bem como, sobre a comunicação social e estereótipos (Machado e Azevedo, 2009). Neste âmbito é que esta Tese pretende contribuir, a partir de um enfoque teórico que se busca inovador no contexto português – o qual articula a análise sobre racismo, sexismo, colonialidade, imaginários, subjetivações – para abordar o tema das identidades, etnicidades e estereótipos.

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etnicidades e estereótipos, está associado ao tema da integração dos imigrantes na sociedade de destino. Pires (2003) apresenta um completo panorama das discussões acerca do tema da integração nas Migrações. Conforme o autor, a integração social dos imigrantes tem sido analisada a partir de dois conceitos: “etnicização” e “assimiliação”. A etnicização corresponde ao processo pelo qual os imigrantes valorizam suas culturas de origem e isolam-se da sociedade de destino (incluindo a territorialização). A assimilação trata da adoção ou partilha, por parte dos imigrantes, da cultura e dos valores da sociedade de destino (não implicando numa total homogeneização).

Em sentido semelhante, Machado (2000: 14-15) destaca que a valorização do grupo majoritário de sua própria cultura em detrimento da cultura do grupo minoritário é interpretada por alguns teóricos como racismo sutil e por outros como etnocentrismo; sendo que ambas interpretações consideram o grau de diferença entre a cultura maioritária e a cultura minoritária como fator importante. A explicação daqueles que entendem o fato como racismo sutil, aponta que quanto menos diferente da sociedade de destino for percebido o imigrante, mais assimilado e mais integrado estará e menos racismo ele sofrerá. A explicação dos que analisam o fato como etnocentrismo, naturaliza a atitude etnocêntrica do grupo maioritário. Acredita-se que ambas as concepções são excessivamente teóricas e, assim, invisibilizam e naturalizam o processo de produção histórica de determinadas diferenças como negativas, o qual está na origem do racismo e do etnocentrismo – conforme será discutido a seguir.

Entende-se que as abordagens enfocam excessivamente as “comunidades imigrantes” e analisam as sociedades de destino através de pressupostos teóricos a-históricos, acabam por naturalizar processos de rejeição a diferença pelas sociedades de destino, processos que são históricos e não essenciais – conforme analisar-se-á com mais detalhe a seguir. As análises a partir dos conceitos de etnicização e assimilação são úteis e auxiliam a compreender a realidade dos imigrantes dentro dos estudos de migrações, no entanto, é possível avançar nessa análise quando o foco é mais amplo sobre as relações de saber-poder de determinada sociedade. Assim, não seriam abordas apenas as formas como os imigrantes se integram na sociedade de destino, mas as condições sociais de possibilidade desta integração (condições nas quais os imigrantes se deparam na sociedade que precisam integrar-se), marcadas, notadamente, pelo racismo.

Com objetivo de desafiar estas abordagens tradicionais sobre integração, focadas apenas nas “comunidades imigrantes”, em suas “identidades” e em seu processo de “assimilação”, Gilroy (2007) propõe o conceito de convivialidade. Através deste conceito, o

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autor enfatiza a relação entre comunidades imigrantes e comunidades de acolhimento; questiona a naturalização destas comunidades como “culturas diferentes”; e, propõe um olhar sobre as semelhanças e diferenças cívicas, políticas e quotidianas entre as comunidades (e não apenas diferenças culturais). Conforme o autor: “a convivialidade faz com que o esforço interpretativo deixe de estar focalizado nos recursos culturais que antecedem os acontecimentos nas zonas de contacto pós-coloniais” (idem: 175). Padilla e Azevedo (2012) utilizam o conceito de convivialidade por entenderem que a diversidade abordada pelo ponto de vista da integração é limitada. As autoras apontam que através do conceito de convivialidade é possível abordar a coabitação e as diversas formas de interação, não pressupondo a ausência de racismo, de tensões e de conflitos.

Esta Tese posiciona-se em uma perspectiva crítica às abordagens tradicionais sobre “comunidades imigrantes”, identidades, etnicidades e estereótipos. No entanto, entende-se o crítico como complementar, em uma perspectiva de que a ciência necessita de diferentes visões. O enfoque será na construção discursiva de uma comunidade imigrante pela sociedade de acolhimento, notadamente demarcada por gênero; ou seja, será analisada a construção do imaginário <Mulher Brasileira> em Portugal. Também, analisar-se-á como, em resposta a esta construção discursiva, pessoas subjetivam-se como mulheres brasileiras. As mulheres brasileiras não serão analisadas como uma “comunidade imigrante” que, em seus aspectos identitários e étnicos, se assimila ou se etniciza. Tampouco serão analisadas como estereotipadas pela sociedade de acolhimento devido a sua diferença cultural antecedente. As teorias de análise são outras, as quais formas desenvolvidas até aqui e serão aprofundadas a seguir, no que tange a relação entre Turismo, Migrações e a Produção da Diferença.

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