5. UTGRAVNINGEN
5.13 Vurdering av utgravningsresultatene, tolkning og diskusjon
Acerca do número de jornalistas existentes em Portugal, Diana Andringa (2008) salienta que “por alturas do 25 de Abril de 1974 rondariam os 700 e que em 1987 havia 1281 jornalistas com carteira profissional. Em 1997 eram 4247. Em 2006, a Comissão da Carteira Profissional dos Jornalistas (CCPJ) contabiliza 7402 títulos profissionais” (p.4).
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Gráfico 2 - Evolução do número de jornalistas com carteira profissional
Fonte: Andringa (2008) também incluso em Rebelo (2011) Esta evolução permite perceber que começamos a estar, portanto, perante a criação de um campo profissional de dimensões consideráveis em Portugal, sobretudo a partir da década de 1990. Outra característica importante é que o campo jornalístico também se torna mais plural, desde logo em termos de género, deixando o jornalismo de ser uma profissão quase exclusivamente masculina, como acontecia durante o período do Estado Novo. As tentativas de emancipação da mulher começam em Portugal com Ana de Castro Osório, pioneira na luta pela igualdade de direitos, entre o homem e mulher26, mas seria só com o
código civil de 1966 e as melhorias que trouxe - a mulher casada passa a poder exercer uma profissão liberal sem autorização do marido e a dispor do seu salário, que se deram passos importantes para a autonomia feminina. Em 1968 aconteceu outro avanço significativo quando a mulher passou a poder participar na vida política, através do voto27. Por volta de
1960 as mulheres não representariam mais de 20 a 25% da população activa empregada (a emigração e a guerra colonial iriam trazer as mulheres para o emprego) e até 1976 continuou a haver algumas profissões legalmente reservadas ao homem: a carreira judicial e a do Ministério Público, a diplomacia, a polícia e as forças armadas. Em relação ao campo dos
media, Manuela S. Azevedo, segundo o jornal Correio do Ribatejo (2011), foi a primeira
mulher a ter carteira profissional de jornalista em Portugal e a entrar nos quadros de uma redacção de um jornal (o ‘República’), depois de ter sido chefe de redacção da revista ‘Vida
Mundial’; trabalharia ainda no ‘Diário de Lisboa’ e no ‘Diário de Notícias’ onde exerceu até
aos 80 anos especializada em crítica teatral. Segundo dados do Sindicato dos Jornalistas, em 1960 havia 10 mulheres sindicalizadas (entre 455 jornalistas) e em 1965, dos 559 jornalistas, 8
26 ‘Mulheres Portuguesas’, foi escrito por si em 1905 e constitui o primeiro manifesto feminista
português. Criaria ainda o Grupo Português de Estudos Feministas (1907), a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (1908) e a Associação de Propaganda Feminista (1911).
27 Carolina Beatriz Ângelo foi a primeira mulher a votar em Portugal (em 28 de Maio de 1911) só o
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eram mulheres. Cinco anos depois, em 1970, havia 24 mulheres num total de 782 profissionais. Em 1975 havia 87 mulheres num total de 1221 sindicalizados e no início dos anos 80, havia 190 mulheres sindicalizadas num total de 1886 jornalistas. Na evolução acontecida, o número de mulheres a exercerem a profissão, continua inferior ao dos homens em todos os anos do estudo que nos serve de base, apesar de 2004 e 2006 terem sido de aproximação delas a eles, como evidencia a seguir o gráfico 3.
Gráfico 3 – Diferenciação de jornalistas (homem-mulher) com carteira profissional
Fonte: Rebelo (2011) Quanto à distribuição por tipos de título (profissional, colaborador especializado e provisório – estágio) na comparação de anos mais recentes (2004 e 2006) sobressai (ver tabela 4) a equivalência de números sem variação global significativa:
Tabela 4 – Distribuição dos jornalistas por tipos de título
Tipos de títulos 2004 2006 Taxa de variação
Profissional 6880 6767 -1,6 %
Colaborador especializado 74 79 6,8 %
Provisório (estágio) 395 556 40,8 %
Total 7349 7402 0,7 %
Fonte: Rebelo (2011) Especial saliência deve merecer o facto da esmagadora maioria dos jornalistas serem profissionais a tempo inteiro – o salientar advém de que isso é relevante para as características e dinâmicas do campo. O facto de assistirmos a um relativo crescimento do número de estagiários também pode ser indicador da progressiva precarização de uma parte das redacções jornalísticas, o que pode indiciar um enfraquecimento da autonomia, quer face a outros sectores das empresas de comunicação (administração, departamentos comerciais, etc.), quer face a outros campos, como o político ou o económico (um jornalista precário tem menos condições para ser independente e ‘corajoso’ face ao poder político). Terá este facto algum peso na propalada crise do jornalismo e se não tem, como entender a recente
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tentativa de alteração da lei para que os estagiários possam assinar peças? Estas perguntas tornam-se importantes para perceber as dinâmicas e o poder do campo.
Relativamente à distribuição dos jornalistas por meios de comunicação social a rádio em 2006 é ultrapassada pela televisão28 em número de profissionais (revelando a sua força
dentro do campo), embora a imprensa continue a ser a mais representativa (ver tabela 5):
Tabela 5 – Distribuição dos jornalistas por meios de comunicação social
MEIO 1990 1997 2006
Imprensa escrita 67,3% 61,3% 59,2%
Rádio 17,9% 18,5% 12,9 %
Televisão (Tv) 14,7% 14,6% 15,5 %
Fonte: Rebelo (2011) O grau de formação dos jornalistas é um factor importante a considerar, enquanto indicador que pode ser demonstrativo de movimentos dentro do campo. Nesta perspectiva, continuando a ter como base o estudo que vem sendo tratado, Andringa (2008), refere que “só em 1982 se tornava obrigatória para o exercício da profissão a conclusão do curso complementar” (p. 6) aumentando nos anos seguintes os cursos superiores (ver tabela 6).
Tabela 6 - Habilitações académicas dos jornalistas (2006)
Contra Outrem Regime Livre Desempregado Reformado
Ensino básico 56 17 6 7 Ensino secundário 1846 405 108 81 Licenciatura 3299 616 148 36 Mestrado 96 40 3 2 Doutoramento 11 10 0 1 Total 5308 1088 265 127 Fonte: Rebelo (2011)
28 Concretizando a ideia do Governo que pelo Decreto 40 341 de 18 de Outubro de 1955 decidira criar
uma sociedade anónima para prestação do serviço público de televisão, esta deu os primeiros passos em Portugal, a preto e branco, a 4 de Setembro de 1956, com emissões experimentais na feira Popular. As emissões regulares iniciaram-se em 7 de Março de 1957, sendo somente disponível a captação na região de Lisboa. A Radiotelevisão Portuguesa (RTP) chegaria depois ao Porto, Madeira e Açores, numa cobertura nacional e com abertura de delegações em diversas regiões. Em 25 de Dezembro de 1968 começaram as emissões do segundo canal da RTP (RTP 2). Em termos de crescimento, se em 1960 havia 31 256 televisores, em 1974 o número de aparelhos a funcionar era já de 387 512. A 7 de Março de 1980 iniciar-se-iam as emissões a cores, seguindo-se a internacionalização em 10 de Junho de 1992. Aconteceria na sequência a abertura à iniciativa privada com o aparecimento da SIC a 6 de Outubro de 1992 e a 20 de Fevereiro de 1993 a TVI começava as emissões. A 17 de Março de 2013 seria a CMTV.
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Analisando a tabela anterior verificamos que o jornalismo passa a ser uma profissão de licenciados, atingindo uma valoração de 62,7% de jornalistas com habilitação superior em 2006, levando a que o campo acompanhe, dessa forma, o crescimento exponencial de licenciados da sociedade portuguesa, acontecido nas diferentes áreas.
Estes números não reflectem, contudo, uma realidade que possa ser única e simplesmente florida. Apesar dos jornalistas na sua maioria terem habilitação universitária, por vezes, isso pode não corresponder exactamente a uma vocação específica para o exercício da profissão como é evidenciado por Andringa (2008):
“Judite de Sousa29, que entrou em 1979 por concurso público, para a RTP, não acha
que a superior preparação académica provoque automaticamente “uma melhoria
intrínseca em termos de desempenho profissional” e considera “que entraram nos cursos de Comunicação Social muitos jovens que não tinham vocação para serem jornalistas.” (p. 11).
Existem entretanto ideias que vão em sentido oposto como seja a de José Rodrigues dos Santos30, que destaca a importância do recrutamento feito nas Universidades: “É um sistema de recrutamento muito melhor, muito mais justo e mais prestigiante para a profissão” (idem).
Apesar da divergência, que até pode ser entendida como complementaridade de posições, tem-se como certo que foi notória a evolução acontecida, particularmente na menção feita por Sousa (2009) quando afirma que “o conceito de profissão em jornalismo, mesmo à luz das leis actuais, passa muito pela dedicação ao ofício como ocupação profissional principal, permanente e remunerada” (idem) o que não acontecia antes.
Hoje, as condições da vida jornalística são completamente distintas do vivido em ditadura, marcam a actualidade e exigem do jornalista, o “domínio alargado de múltiplas capacidades, bem como a aptidão para trabalhar em ciclos de notícias de actualização permanente (Bastos, 2007, p. 106), na exigência sempre presente de produção de informação com qualidade e rigor. É a esse jornalismo autónomo, de qualidade, ético e responsável e profissional, exercido a todo o tempo de forma empenhada e sem outros ‘empregos’ que Traquina (2000) se refere evidenciando as suas implicações:
“A autonomia do campo jornalístico implica um número crescente de jornalistas comprometidos, única e exclusivamente, com a sua própria profissão, substituindo outras militâncias, por uma militância profissional. Assim, o aperfeiçoamento do sistema democrático, e da comunicação política passam também pelo apego dos
29 Nascida no Porto, em 1960, iniciar-se-ia no jornalismo como repórter, na RTP Porto. Em 2011 passou
para a Televisão Independente (TVI), onde assume protagonismo de pivot do jornal da noite, em horário nobre, sendo ainda vice-directora de informação. È um dos nomes mais importantes do jornalismo da actualidade em Portugal.
30 Nasceu em Moçambique, em 1964 e iniciou-se em 1981 no jornalismo, na Rádio Macau. Desde 1991
apresenta o telejornal da noite na RTP tendo sido já director de informação. É um dos mais premiados jornalistas portugueses e reconhecido escitor.
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jornalistas às regras deontológicas e éticas, bem como pela afirmação da mitologia jornalística em toda a sua pujança, resistindo às tentações do sensacionalismo e das “cachas” de noticiabilidade duvidosa que servem o interesse próprio e não o (nobre) objectivo de “informar o público” (p. 43).
Esta posição relembra o estudo de Howard Wilensky (1964) relativamente aos pressupostos (sequência de eventos necessários) no processo de profissionalização quando o autor chama a atenção para factores como: procedimentos de treino e selecção; trabalho a tempo inteiro; formação de associações profissionais; busca de reconhecimento público; elaboração de um código de ética (p. 12), vistos sequencialmente e integrados naquilo que se constituem como fases importantes a considerar no processo em causa.
A evolução técnica em paralelo com a produção de sentido (na legitimidade que se lhe reconhece) contribuíram para a sua autonomização enquanto campo específico e mesmo como ciência (enquanto pesquisa, experimentação, análise, debate, controvérsia) como salienta Groth (2011) ao referir que “teve que conquistar, passo a passo, um espaço entre as ciências e carrega até hoje marcas nítidas da luta pelo seu reconhecimento” (p. 30) na afirmação do seu ethos específico.
Na medida em que temos preocupação com a dimensão local, fez-se o levantamento relativo à representação de empresas de media no distrito albicastrense que é o distrito escolhido para concretizar o estudo empírico e que a tabela 7 enumera:
Tabela 7 – Empresas do campo dos media representadas no distrito de C. Branco (2015)
Localidade Nome empresa Site
C. Branco Agência Lusa (DR) http://www.lusa.pt/
C. Branco Jornal Correio da Manhã (DR) http://www.cmjornal.xl.pt/ C. Branco Jornal de Notícias (DR) http://www.jn.pt/paginainicial/ C. Branco RTP (DR) http://[email protected] Fundão Jornal do Fundão http://www.jornaldofundao.pt/
Covilhã Jornal Fórum Covilhã http://www.forumcovilha.pt/ C. Branco Jornal Gazeta do Interior http://www.gazetadointerior.pt/
Covilhã Jornal Notícias da Covilhã http://www.noticiasdacovilha.pt/ Oleiros Jornal de Oleiros http://www.jornaldeoleiros.com/ C. Branco Jornal Povo da Beira https://pt-pt.facebook.com/pages/Povo-da-Beira/
C. Branco Jornal Reconquista http://www.reconquista.pt/
C. Branco Rádio Beira Interior http://www.radio-beirainterior.com Caria Rádio Caria http://www.radiocaria.com/ Monsanto Rádio Clube de Monsanto http://radiomonsanto.pt/
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Fundão Rádio Cova da Beira http://www.rcb-radiocovadabeira.pt/ Covilhã Rádio Clube da Covilhã https://pt-pt.facebook.com/pages/RCC-
Rádio-Covilhã/
Fundão Rádio Jornal do Fundão https://pt-pt.facebook.com/pages/R%C3%A1dio- Jornal-do-Fund%C3%A3o/
C. Branco Rádio Juventude www.radiojuventude.com C. Branco Rádio Urbana http://www.urbana.fm/
Penamacor Rádio Voz da Raia https://pt-pt.facebook.com/pages/R%C3%A1dio- Voz-da-Raia/
DR - Empresa nacional com representação a nível local (delegação regional)
Fonte: Elaborado pelo autor a partir de dados da pesquisa (2015) Refira-se que para o aumento do número de jornalistas profissionais que trabalham diariamente nestes órgãos de comunicação social contribuiu, fortemente, a profissionalização das redacções de órgãos regionais espalhados por todo o país (jornais e rádios). Para além do distrito de Castelo Branco que tratamos, uma boa parte dos jornais regionais, cujas produções jornalísticas eram feitos antes com base em colaboradores e correspondentes amadores, passou a integrar jornalistas profissionais. Ainda que sendo em pequeno número em cada um dele(a)s, no conjunto das redacções dos jornais locais e das rádios, resulta num número significativo de jornalistas em órgãos regionais. O crescimento e a profissionalização dos órgãos de informação local em Portugal acompanha a instalação e consolidação do chamado ‘poder local democrático’ e também beneficia das necessidades dos agentes e instituições políticas eleitas funcionarem num sistema de comunicação com a opinião pública local, como salienta Carvalheiro (2005; 2014). Desenvolver-se-á mais esta ideia no capítulo IV.
Segundo Castells (1997) os media tornam-se capazes de negar a autonomia do sistema político e impor-lhe as suas lógicas (p. 312). Por isso, na relação entre campo jornalístico e o campo político a nível local, importa saber de quem é a propriedade dos órgãos de comunicação, atentas as motivações e as diferentes tomadas de posição resultantes da informação produzida, o que tentamos saber com a informação constante do Anexo VIII. Considerando esse anexo, ao atentar nas empresas constituídas localmente e que aparecem representadas a seguir na figura 5, verifica-se que existem órgãos de informação que pertencem à Igreja Católica, que outros estão ligados (embora não explicitamente a partidos políticos e ao poder local), outros pertencem a grupos empresariais regionais e outros a grupos de comunicação de âmbito nacional. Isto faz diferença do ponto de vista das condições que cada um tem para a independência jornalística e para um certo grau de autonomia face a outras instituições, nomeadamente, na relação que mantêm com os outros campos e principalmente no interesse do estudo, na relação com a polícia. Se aparece uma repetição de uma notícia sobre determinado posicionamento policial, importa saber se isso resulta apenas do ‘valor notícia’ ou se efectivamente estão implícitos outros considerandos.
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Figura 5 – Empresas de media no distrito de Castelo Branco
Fonte: Elaborado pelo autor a partir de dados da pesquisa (2015)