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2 Teoretisk perspektiv

3.7 Vurdering av studien

Reflexivo ou reflexível, em sua conotação mais usual, é um atributo do que é próprio para refletir. Refletir, por seu turno, pode se referir tanto a uma propriedade física (p. ex., o espelho que faz retroceder a luz incidente) quanto a uma atividade mental (p. ex., o raciocínio ponderado a respeito de algo). Reflexividade, ou reflexibilidade, seria então a qualidade de reflexivo, ou reflexível (NASCENTES, 1988).

A reflexividade que nos interessa é a da atividade humana. Nessa vertente, a reflexividade é objeto de investigação da Filosofia e das ciências humanas e sociais, podendo ser definida de diferentes maneiras:

Monitoramento da ação – capacidade de refletir sobre a própria ação, seja a priori seja a posteriori, raciocinando sobre motivações, conseqüências, propósitos, entre outros aspectos.

• Razão – O entendimento da reflexividade como racionalidade ou razão deriva do

cogito cartesiano, sendo a capacidade da consciência em pensar-se a si própria.

Essa mesma concepção de reflexividade estaria presente no idealismo alemão, com Kant e Hegel, até sua expressão mais recente na fenomenologia husserliana (DOMINGUES, 2002).

• Duplicação racional – capacidade de o sujeito objetivar e tornar passíveis de análise sua própria atividade psíquica e suas operações subjetivas (MORIN, 2002). Essa definição seria, em última análise, uma forma alternativa de descrever a reflexividade como a própria razão em atividade interna; semelhante, portanto, à definição anterior.

A reflexividade utilizada nesta investigação tem, como ponto de partida, as três definições apresentadas. Contudo, as ultrapassa ao posicionar a reflexividade em um âmbito suprapsicológico e ao configurá-la como um processo contínuo e incremental de aplicação de conhecimento. Nessa acepção, a reflexividade contemporânea é entendida como um processo em que “as práticas sociais são constantemente examinadas e reformadas à luz de informação renovada sobre estas próprias práticas, alterando assim constitutivamente seu caráter” (GIDDENS, 1991: 45). Um processo emancipado das determinações tradicionais das sociedades pré-modernas e que não se encerra após um ciclo simples de análise da ação, de atividades psíquicas ou de operações subjetivas. O que caracteriza essa reflexividade é seu caráter aberto, inconclusivo, visto que o próprio conhecimento nela gerado é transitório. Ao realimentar o processo, o conhecimento produzido afeta o fenômeno observado – produzindo, por sua vez, uma nova ‘verdade’ a ser postulada.

A ‘sociologização’ e a ‘psicologização’ do casamento seriam exemplos dessa reflexividade em espiral. O conhecimento das estatísticas de divórcio, por exemplo, afeta tanto a decisão de se casar, como a do regime de propriedades sob o qual as uniões conjugais são estabelecidas (GIDDENS, 1991). Essas decisões terminam por afetar o fenômeno casamento de tal maneira que, numa descrição posterior (qualitativa ou quantitativa), este pode vir a apresentar características consideravelmente diversas. E que afetarão, de maneira diferente, as próximas decisões – inclusive político-legais – a respeito do casamento.

Esse processo reflexivo pode ser verificado nas recentes mudanças da legislação brasileira a respeito das uniões estáveis e das obrigações delas decorrentes. O conhecimento sobre as formas de relacionamento e as estatísticas sobre as uniões conjugais informais afetam as decisões de se casar oficialmente ou não. Ao mesmo tempo, esse fenômeno reflexivamente mutável cria demandas (sociais, legais) que requerem aplicação de conhecimento especializado (jurídico, sociológico) para seu devido equacionamento. No caso em questão, criou-se todo um aparato legal para nortear o tratamento jurídico das uniões estáveis, em parte conferindo-lhes direitos e deveres semelhantes aos dos casamentos formais. E o processo reflexivo não cessa: esse aparato legal afeta as decisões subseqüentes quanto à forma de união, que afetam as estatísticas, que geram novas demandas, e assim por diante.

A transposição desse conceito para o âmbito organizacional e para o fenômeno trabalho pode ser feita de maneira similar, com alguns ajustes de definição e de escopo – mesmo se entendendo que a Administração não é uma ‘pequena Sociologia’ e que nem sempre são possíveis tais transposições entre diferentes campos disciplinares. Feitas essas ressalvas, poderíamos caracterizar a reflexividade no trabalho como um processo composto pelas seguintes etapas:

• A1 - Aplicação de conhecimento ao trabalho visando ampliar a eficiência e a eficácia organizacionais. Esse conhecimento pode ser específico a determinado cargo (por exemplo, de Marketing ou de Finanças) ou pode ser um conhecimento administrativo, relacionado à gestão da organização e do trabalho (por exemplo, técnicas de estruturação de processos, técnicas de gestão de pessoas).

• B1 - Modificação do trabalho em decorrência dos conhecimentos direta ou indiretamente aplicados.

• C1 - Surgimento de novas demandas para o exercício desse trabalho modificado, suscitando a busca de capacitação profissional e a pesquisa de modelos explicativos para essa nova realidade.

• A2 - Nova aplicação de conhecimento ao trabalho alterado, tanto diretamente pelo profissional com capacitação atualizada, como indiretamente, pela aplicação de novas técnicas de gestão no ambiente organizacional.

• B2 - Nova modificação do trabalho, e assim por diante.

Observa-se um processo cíclico, ou melhor, um processo em espiral de aplicação de conhecimento ao trabalho, representado esquematicamente na figura 7.1.

A1 B1 C1 A2 B2 C2 A3

Aplicação de conhecimento ao trabalho não é, por certo, um fenômeno historicamente recente. Sua ocorrência se tornaria mais expressiva, contudo, a partir do processo de industrialização. A industrialização é acompanhada, de maneira muito próxima, pela incorporação da racionalidade técnico-científica ao universo produtivo, tendo como um de seus principais marcos o advento da Administração Científica com Taylor. Esse processo se estende, aos poucos, para além das fronteiras do trabalho manual e da racionalização de seus tempos e movimentos. Transfere-se à economia de serviços sob idênticas premissas e, mais adiante, alcança o trabalho do conhecimento no que Drucker (1997) caracteriza como o desafio gerencial contemporâneo: aplicar conhecimento ao conhecimento a fim de torná-lo mais produtivo.