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Universitetet i Oslo

2. Vurdering av status

A principal função do calçado consiste em proteger o pé das variações climatéricas e das agressões durante a marcha. Neste contexto, o pé encontra-se isolado do contacto com o ambiente exterior, criando uma atmosfera fechada e escura, com temperatura estável e húmida devido à transpiração produzida pelo homem durante a sua utilização. Estas condições podem promover o crescimento de colónias de microrganismo e fomentar o desenvolvimento de doenças podológicas. O calçado é desenvolvido para ser o mais ajustado possível ao pé, tentando-se dessa forma otimizar o conforto durante a marcha. Por esta razão o pé está em constante contacto direto com o interior do calçado, composto na generalidade das situações por materiais têxteis ou couro.

4.1.1 Importância da respirabilidade dos materiais utilizados

No decurso da sua atividade, o corpo humano produz uma quantidade de energia que poderá ser maior ou menor, em função do tipo de atividade desenvolvida. Assim, durante o sono produz cerca de 80W de energia, podendo no entanto esse valor pode atingir os 1000W no caso de realização de exercício físico extremo. O excesso de calor gerado nestas situações deverá ser libertado para as vizinhanças do sistema, caso contrário o corpo entrará em hipertermia.

A libertação de energia para a vizinhança pode ser realizada por três diferentes vias: respiração, calor seco (radiação, convecção e condução) e evaporação. Em condições de temperatura baixa a moderada, a transferência de calor por evaporação ocorre na forma de perspiração insensível e representa cerca de 15% das perdas de calor através da pele. No caso de exercício físico intenso, ou quando submetidos condições

57 de temperatura mais elevadas (a partir dos 34-37°C), as perdas de calor por evaporação são acompanhadas por transpiração, originando a formação de um filme de água sobre a pele. Para que o utilizador do vestuário possa sentir-se confortável nessas condições, é necessário que o suor seja removido da superfície da pele, na forma líquida ou de vapor de água, garantindo dessa forma uma boa gestão de humidade, assegurando em simultâneo uma redução da temperatura corporal [19].

A passagem da água do estado líquido ao estado de vapor é um processo que consome energia. O processo de evaporação é um mecanismo fundamental para o arrefecimento em sistemas mecânicos e em sistemas biológicos. Porque razão transpiramos num dia quente ou quando fazemos exercício físico? Porque a energia consumida na evaporação do suor que geramos, consome energia e, dessa forma, o nosso corpo consegue transferir essa energia para a vizinhança, reduzindo a sua temperatura.

A transpiração constitui por isso um mecanismo essencial no arrefecimento do corpo humano quando submetido a temperaturas elevadas. Por essa razão, as propriedades dos materiais utilizados na fabricação do calçado, em especial os aplicados no revestimento do seu interior, assumem um papel preponderante na adequação do sapato às solicitações a que é submetido durante a sua utilização, devendo entre outras propriedades evidenciar uma boa permeabilidade ao vapor de água, garantindo dessa forma as condições indispensáveis a uma boa dissipação do calor gerado pelo organismo.

O revestimento interior do calçado pode ser definido como o material que cobre a superfície interna do sapato e que, em última análise, envolve e é a camada de material mais próxima do pé. A ausência de saliências que possam criar lesões por via da abrasão com a pele constitui outro dos principais requisitos a que estes materiais devem obedecer, que normalmente se alcança recobrindo as suas costuras interiores. A utilização de materiais mais espessos também podem contribuir para proporcionar um maior conforto durante a sua utilização, dotando o sapato de um acolchoamento adicional. Deve no entanto garantir-se sempre que essa espessura acrescida do material não contribui de forma significativa para reduzir a sua permeabilidade ao vapor de água, fator que como já foi referido é essencial para atingir o equilíbrio térmico, especialmente em situações de atividade física intensa e de exposição a condições climatéricas especialmente quentes.

Em última análise, o interior do calçado funciona como um “recipiente”, no qual se deposita a transpiração que é rica em nutrientes e vai sendo gradualmente absorvida e evaporada pelos materiais que entram na

58 sua composição. Os materiais têxteis integram o grupo daqueles que são frequentemente aplicados no interior do calçado, sendo nesses casos normalmente compostos por fibras sintéticas. Esta escolha justifica- se pelo facto de possuírem resistência mecânica superior às fibras naturais e exibirem uma fraca capacidade de retenção de água, devido à sua reduzida hidrofilidade, contribuindo dessa forma para aumentar a velocidade à qual a humidade é conduzida para as paredes externas do material e a partir daí evaporada. A permeabilidade ao ar e ao vapor de água, o baixo teor de absorção de humidade, a resistência á tração e a solidez dos tintos, são assim aspetos determinantes que têm vindo a contribuir para o aumento da utilização de materiais têxteis sintéticos no interior do calçado. Apesar de menos propensas a serem degradas por microrganismos, podem também ser submetidas a acabamentos funcionais destinados a eliminar ou inibir o desenvolvimento de microrganismos nestes meios, contribuindo dessa forma para melhorar a higienização do interior do sapato. Esta operação é geralmente efetuada durante o seu processo de fabrico, através da incorporação de compostos antimicrobianos na massa que vai originar as fibras durante o processo de extrusão. Pelo contrário, as fibras naturais e celulósicas encontram-se mais sujeitas ao ataque e desenvolvimento de microrganismos, pelo que a utilização deste tipo de acabamentos é ainda mais premente, uma vez que permite higienizar o meio e reduzir a probabilidade de degradação dos materiais.