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8. Oppsummering

8.3 Vurdering av rutiner og tekniske løsninger

Segundo o mapa etno-histórico de Nimuendaju (1981), o médio Vale do Paraíba próximo a Guararema (vide Figura 5) foi ocupado no período colonial por grupos Tamoio e Puri (1645 – 1697). No entanto, referindo-se ainda a este período as pesquisas envolvendo fontes etnográficas nos alertam sobre as denominações dadas pelos portugueses aos grupos indígenas, os quais muitas vezes confundiam os vocábulos e designavam etnias diferentes pela mesma designação (REIS, 1979, PREZIA, 2000, SCIENTIA, 2004). Esta situação ocasionou grande debate entre os estudiosos no início do século XX, principalmente entre os grupos Guaianá identificados no litoral do Estado de São Paulo e na região do Vale do Paraíba (REIS, 1979, PREZIA, 2000). As discussões envolviam questões lingüistas e étnicas sobre as denominações dadas pelos portugueses em fontes escritas do período colonial. Até

hoje, conforme informa Prezia (2000) a questão ainda não esta resolvida, mas havendo uma tendência de indicar o grupo Guaianá como pertencente ao tronco lingüístico Gê.

Figura 5: Mapa Etno-histórico apresentando os grupos identificados no Vale do Paraíba no período colonial. (NIMUENDAJU, 1981).

O processo de colonização européia avançou no século XVI, apesar das revoltas e guerras de grupos indígenas de diversas nações contra os portugueses e populações indígenas aliadas a estes. A escravização das populações indígenas neste período causou uma grande fuga destes grupos para o interior (sertão), ocasionando deste modo uma mudança da área original de assentamento destas populações. A proibição da escravização indígena exercida pela Coroa portuguesa e a meta de cristianizar os índios possibilitaram a criação dos aldeamentos indígenas controlados por religiosos e leigos (PETRONE, 1995 apud SCIENTIA, 2004). Os aldeamentos foram em muitos locais os primeiros núcleos coloniais os quais reutilizavam muitas vezes aldeias indígenas localizadas em pontos estratégicos, principalmente próximos aos principais cursos fluviais. Segundo a historiografia foi a partir deste contexto que por volta do início do século XVII foi fundado por Gaspar Vaz, sesmeiro de Mogi, o aldeamento da Escada. Este aldeamento foi o primeiro núcleo populacional criado onde hoje se encontra o atual município de Guararema. Conforme Silva (s/d), foram levados

para o aldeamento índios já catequizados, mas sem nenhuma especificação de grupos em particular. Em 1625 o aldeamento foi entregue aos padres jesuítas que empregaram a mão-de- obra indígena na lavoura, devido ao seu posicionamento geográfico, as margens do rio Paraíba e no caminho para o Rio de Janeiro e Minas Gerais, tornou-se ponto de parada de viajantes alcançando pequena prosperidade. Por volta de 1652, segundo Silva (op. cit) foi construída a primeira capela no local.

Figura 6: A seta indica a localização do Aldeamento Nossa Senhora da Escada, início do século XVII. (Fonte: (Petrone, 1995 apud Scientia, 2004).

Após a expulsão dos jesuítas do Brasil, o controle do Arraial da Escada foi entregue ao índio Sebastião Silva nomeado capitão-mor em 1732. Neste mesmo ano a primeira capela foi demolida em virtude de má conservação. Dois anos depois, em 1734, chegam ao Arraial da Escada os padres franciscanos, os quais iniciam a construção de um alojamento anexo a capela que posteriormente passou a funcionar como convento. Ambas as edificações foram construídas em taipa de pilão com características da arquitetura colonial. A capela denominada inicialmente de Nossa Senhora da Conceição passou a se chamar Nossa Senhora da Escada (Foto 10), hoje o conjunto arquitetônico pertence ao patrimônio histórico e artístico nacional através do tombamento realizado em 25/01/1941. Segundo Silva (op. cit.) a mudança do nome da capela ocorreu para facilitar a catequização dos índios através da associação das crenças indígenas com a religião católica. A tradição popular argumenta que os grupos indígenas tinham por hábito colocar sobre a sepultura um fardel de alimentos e uma escada para que a subida da alma até o reino de Tupã se realizasse de forma tranqüila. Os padres conhecedores desta tradição teriam esculpido degraus ao redor da imagem da santa. (Silva, ibdem, 1). Outra versão popular afirma seria porque havia uma escada entre a barragem do rio e o lugar onde se ergueu a capela22.

Foto 10 – Igreja Freguesia da Escada. Sua arquitetura é tipicamente barroca, com suas paredes construídas em taipa de pilão.

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História de Guararema. Disponível em <http://www.explorevale.com.br/cidades/guararema/historia.htm> acesso em: 09 de dezembro de 2007.

Para atender as necessidades religiosas das fazendas mais distantes do arraial foi construída em 1682 em uma colina, às margens do rio Paraíba do Sul, a capela de Nossa Senhora D'Ajuda23, a qual abrigou também um cemitério, se convencionado enterrar os ‘brancos’ no interior do templo e os escravos atrás (Foto 11 e 12).

O crescente progresso do Arraial da Escada possibilitou sua elevação à categoria de Freguesia em 1846, pela Lei n° 09 de fevereiro de 1846. Porém, devido ao atrofiamento de sua prosperidade e aumento de representatividade política dos núcleos vizinhos a lei foi revogada em 1850 (Lei n° 06 de 23 de maio). Somente em 1872 o arraial foi definitivamente elevado a Distrito de Paz, pela Lei n° 01 de 28 de fevereiro. Seus primeiros dirigentes foram: Benedito Antonio de Paulo, Antonio de Mello Franco e Joaquim Alves Pereira. Como vigário da nova paróquia foi nomeado o padre Miguel Piement. Neste mesmo ano, em 03 de julho a capela de Nossa Senhora da Escada24 foi instituída canonicamente.

Foto 11 – Vista da área de implantação da Igreja Nossa Senhora d´Ajuda. (Fonte: PMG)

23 É uma das construções coloniais mais antigas no Estado de São Paulo. Para alcançá-la é necessário subir 81 degraus. A Igreja possui uma imagem de Nossa Senhora D'Ajuda, em terracota, provavelmente de origem portuguesa. Em 24 de setembro de 1984 a capela foi tombada como monumento de interesse histórico pelo CONDEPHAAT.

24 Esta é a única Igreja do Brasil que possui a imagem de São Longuinho, conhecido popularmente como o Santo das coisas perdidas. No centro da capela está enterrado o frei José de Santa Bárbara de Bittencourt, que faleceu em 29 de setembro de 1890. Em 1982, a Igreja passou por uma reforma definitiva quando foi construída a praça em frente. (fonte: Prefeitura Municipal de Guararema, disponível em <http://www.guararema.sp.gov.br/home/historia.asp>

Foto 12 – Fachada da Igreja Nossa Senhora d´Ajuda. (Fonte: PMG)

Até a metade do século XIX o principal núcleo populacional do atual município de Guararema foi a Freguesia da Escada. Com o desenvolvimento econômico do Vale em 1869, foi construída a Estrada de Ferro do Norte (ou E. F. São Paulo-Rio), por fazendeiros do vale do Paraíba. O primeiro trecho articulou-se com a linha da São Paulo Railway, localizado no bairro do Brás, em São Paulo, e chegou até o bairro da Penha (ALASCA, 2007:10).

Por volta de 1875 dona Laurinda de Souza Leite proprietária de muitas posses no arraial da Escada doou a uma ex-escrava dona Maria Florência “um quinhão de terra situado às margens do rio Paraíba, em lugar plano, distante 3,5 km do arraial da Escada, próximo ao foz do ribeirão Guararema” (SILVA, ibdem:2). Neste período, dona Maria Florência levada por sentimentos religiosos, iniciou com auxílio de outras pessoas e algumas economias suas a construção de uma capela para o santo de sua devoção, São Benedito, em uma parte do terreno recebido. Em pouco tempo foram se estabelecendo outros moradores nos arredores da capela, motivados pela inauguração em julho de 1876 do trecho da E.F.C.B. entre Mogi das Cruzes e Jacareí com passagem da estrada de ferro foi formando-se um vilarejo que recebeu o nome de "Guararema" (do tupi guarani - Pau D’Alho), devido à abundância dessa árvore naquela região. Em 1877, a ferrovia chegou a Cachoeira (Paulista), onde se encontrou com ramal da E.F. Dom Pedro II, ferrovia constituída em 1855 no Rio de Janeiro e pertencente ao Governo Imperial (ALASCA, op. cit.). As vilas que se encontravam no trajeto da linha férrea desenvolveram-se rapidamente, como aconteceu com o vilarejo de Guararema, quinze anos após sua implantação o Decreto de 08 de janeiro de 1890, transferiu a sede do Distrito da Paz da Escada para o povoado.

Foto 13 – Igreja de São Benedito - matriz de Guararema

Decorridos oito anos da transferência a vila foi elevada a categoria de Município pela Lei n° 528 de 03 de julho de 1898. Entretanto para a efetivação da lei foi necessária a construção da Câmara Municipal e da Cadeia Pública. Os prédios públicos foram rapidamente construídos, sendo inaugurados em 19 de setembro de 1899, data que se instituiu como aniversário da cidade. Posteriormente em 19 de dezembro de 1906, a Lei Estadual nº 1.038 elevou a sede municipal à categoria de cidade.