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Vurdering av Norsk Maritimt Museum, epost datert 5. oktober 2017

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Vedlegg 2 Vurdering av Norsk Maritimt Museum, epost datert 5. oktober 2017

Como vimos anteriormente, a história da educação de adultos conduziu à emergência do campo da animação sociocultural, a partir dos anos setenta. A grande contribuição deste campo na reflexão e acção educativa “consistiu em pôr em evidência a dimensão quantitativa e qualitativa dos fenómenos educativos não formalizados e/ou não deliberados” (Canário, 2000 p.16). A partir do momento em que a educação deixa de se circunscrever a práticas educativas formais e valoriza outras dimensões, abre-se caminho para uma nova forma de pensar a educação e para o surgimento de novos projectos, como é o caso do projecto de Animação de Séniores.

A emergência da animação sociocultural como um campo de práticas sociais e educativas só se torna compreensível no contexto de um conjunto de mutações sociais (Besnard in Canário, 2000): rápido crescimento económico; fenómenos de massificação; fenómenos de natureza demográfica; tendências da normalização social; aumento generalizado do tempo livre. Embora seja difícil temporalizar com precisão o momento da sua aparição e aplicação na vida social, sabe-se que está associada ao aumento do tempo livre. Magalhães (1991) considera o lazer como um fenómeno cultural relativamente recente, tendo surgido com a Revolução Industrial, sendo produto das sociedades modernas.2

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 Em termos históricos, sabe-se que nassociedades primitivas o lazer, ou tempo de não-trabalho, era visto como um tempo sagrado, dedicado aos deuses. Com a emergência da Idade Média surge o tempo religioso, vivido de uma outra forma (monoteísmo). De facto, o tempo de lazer

A expressão animação sociocultural não tem sido sinónimo de clareza e rigor conceptual. Segundo Canário (2000, p.72): “as dificuldades de conceptualização representam a tradução da distância que separa, por um lado, o desenvolvimento real destas práticas, no campo social e cultural, e por outro, a limitada exploração a que estas práticas têm sido submetidas, a partir de estratégias de investigação”.

A este propósito Jaume Trilla (1998, p.25) afirma que “não há um autor que se tenha preocupado com o conceito de animação sociocultural, que em seguida, não tenha reconhecido a polissemia, a ambiguidade, a imprecisão, o carácter vago…no uso da expressão”. Besnard (in Canário, 2000, p.72) considera que a falta de rigor do campo deriva do “conjunto de práticas situadas na ‘margem’ da realidade escolar (dominante) instituída”.

Tendo em conta a dificuldade de conceptualização da expressão de animação sociocultural, vários autores propuseram-se a reflectir sobre o mesmo. Imhof (ibidem) analisou o conceito numa perspectiva adaptativa, considerando que a animação designava “toda a acção exercida sobre um grupo, uma colectividade ou um meio, visando desenvolver a comunicação e estruturar a vida social, recorrendo a métodos semi-directivos; (…) de integração e de participação”. Raymod Labourie (in Canário, 2000, p.73) acentuou a vertente criativa e gestionária da formação, considerando que a animação correspondia “às acções geridas por pessoas que se juntam e que determinam, elas próprias, o conteúdo destas acções em função de objectivos sociais e culturais (...) actividades educativas fora do trabalho.”

Esta definição reflectiu-se no projecto de Animação de Séniores, uma vez que os séniores eram quem seleccionava os conteúdos e actividades que pretendiam desenvolver, em função dos seus objectivos pessoais, sociais e culturais. Pierre Besnard (in Quintana, 1993, p. 30) assumiu uma posição semelhante ao considerar que a animação sociocultural é uma acção intencional destinada a transformar as atitudes individuais e colectivas dos sujeitos, através da realização de actividades sociais, culturais e lúdicas, em que todos participam. Durante as sessões de

      

associadas ao trabalho, e este passa a estruturar toda a vida social. As pessoas começam a ter acesso aos seus direitos, a uma determinada remuneração, valores, crenças, pertença a uma classe social.

Nos anos 70 surge o problema do desemprego, emergindo problemas sociais, como a marginalização, constituindo um perigo para a ordem social, levando a que o tempo de trabalho entre em crise. Alguns autores propõem um novo tempo social, para a nova era, a Modernidade, relacionado com o lazer. Na perspectiva de Roger Sue (in Magalhães, 1991) estamos perante uma sociedade dominada pelo tempo livre. Defende a existência de um tempo associativo, caracterizado pela colaboração de diversos elementos, no sentido de intervir em conjunto para resolver problemas, e desenvolver projectos para a comunidade onde se encontram inseridos. Só nos anos 80 é que se começa a valorizar os tempos livres e os problemas culturais que o mesmo comporta.

Animação de Séniores, pretendeu-se estimular os sujeitos a participarem, no sentido de assumirem um papel activo e de se valorizarem na comunidade a que pertencem. No projecto desenvolvido a animação sociocultural assumiu-se também como:

“o conjunto de acções realizadas por indivíduos, grupos ou instituições numa comunidade, e dentro do âmbito de um território concreto, com o objectivo principal de promover nos seus membros uma atitude de participação activa no processo do seu próprio desenvolvimento quer social quer cultural.” (Trilla 1998, p.26)

Relativamente ao tipo de programa de animação sociocultural vigente no projecto, considera-se que este se classifica num programa sócio-educativo (Quintana, 1993) já que o seu âmbito de actuação pretende fornecer respostas educativas “a necessidades sociais, individuais, colectivas, para as quais as instituições educativas tradicionais” nem sempre revelam capacidade de responder (Canário, 2000, p.74). Por vezes, “a animação sociocultural é entendida como uma “escola paralela” que permite complementar as formações anteriores e, ao mesmo tempo, aprofundar interesses culturais específicos” (ibidm.,p.76).

Neste trabalho a maioria dos adultos envolvidos não teve oportunidade de estudar, pelo que a universidade assumiu um papel fundamental. A título de exemplo, considere-se a reflexão de um sénior:

“ chegarmos aos sessenta e nove anos e convidarem-nos para uma Universidade é caso para ficarmos a pensar: " Eu para a Universidade?!" Só com a 4º classe?!" Não hesitei, e fui! Hoje lá vão três anos e vejo que é muito bom e que me sinto bem porque encontrei uma ocupação que me faz sentir viva, recebendo e contribuindo com ideias. Encontrei uma riqueza de valores humanos e de sabedoria que não esperava. (.. ) Esta vinda para a Universidade foi como um sol para mim, uma luz que me dá vida…por isso convido as pessoas que se sintam sós a virem.”

Em síntese, como acontece com esta experiência, tem-se assistido ao nascimento de algumas iniciativas que suscitam o reforço da sociedade civil, levando ao aparecimento de novas respostas educativas, como o caso das universidades de terceira idade.

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