5. METODE
5.6 V ALIDITET OG RELIABILITET
5.6.4 Vurdering av de valgte tolkninger
Diante da grande variedade de dispositivos midiáticos acessíveis aos sujeitos na atualidade, a proposta educomunicativa de mediação tecnológica nos processos educacionais apresenta-se como uma alternativa para escolas e universidades que, cotidianamente, convivem com as tecnologias digitais em sala de aula, na maior parte das vezes trazidas pelos alunos. O uso estratégico de tais tecnologias pelo professor, associado diretamente ao conteúdo de ensino e à participação dos estudantes no processo pode render bons frutos, no sentido de coordenar ações docentes efetivamente promissoras para aprendizagens mais abertas, e para propiciar estruturas de ensino menos tradicionais.
É preciso que a mediação tecnológica, no cerne dos processos educativos, acompanhe não só a forma com que os sujeitos sociais apropriam-se do uso e do progresso das TDIC, como também intermedie a jusposição entre o mundo da vida dos aprendentes e os conteúdos da educação formal, considerando a diversidade, despertando a criticidade e fomentando, pois, a criatividade nos espaços em que mudanças oportunas nas formas de pensar-agir coordenem possibilidades de intervenção social cada vez mais oportunas.
Takahashi (2000) destaca que a atração que as tecnologias exercem sobre sujeitos e organizações pode levar a uma visão perigosamente reducionista acerca do papel da educação na sociedade da informação, enfatizando a capacitação tecnológica em detrimento de aspectos mais relevantes.
Pensar a educação na sociedade da informação exige considerar um leque de aspectos relativos às tecnologias de informação e comunicação, a começar pelo papel que elas desempenham na construção de uma sociedade que tenha a inclusão e a justiça social como uma das prioridades principais. E inclusão social pressupõe formação para a cidadania, o que significa que as tecnologias de informação e comunicação devem ser utilizadas também para a democratização dos processos sociais, para fomentar a transparência de políticas e ações de governo e para incentivar a mobilização dos cidadãos e sua participação ativa nas instâncias cabíveis. As tecnologias de informação e comunicação devem ser utilizadas para integrar a escola e a comunidade, de tal sorte que a educação mobilize a sociedade e a clivagem entre o formal e o informal seja vencida. (TAKAHASHI, 2000, p. 45)
Considerando o cenário de pobreza, desigualdades sociais, alto índice de corrupção, descrédito e desesperança da população brasileira em relação ao cenário político, má gestão de recursos públicos em várias áreas (incluindo a educação), a promoção da cidadania deve ser um tema transversal a partir do qual as perspectivas de intervenção educomunicativas podem debruçar-se.
Na escola/universidade, a utilização das TDIC é apontada por Soares (2011) como uma das áreas intervenção social da educomunicação, que objetiva promover a emancipação humana e despertar a consciência crítica23dos sujeitos desde cedo, nos espaços educacionais.
Assim, para que instituições de ensino vislumbrem ações de intervenção social a partir da educomunicação e da utilização das TDIC é necessário que gestores e docentes sejam coautores de propostas que podem tornar-se políticas de ensino ou pelo menos linhas de orientações de uma pedagogia comunicacional antenada com as especificidades e complexidades da cultura digital e da educação do século XXI.
Soares (2011a) assevera que a educomunicação apresenta-se hoje como um excelente caminho de renovação das práticas sociais que objetivam ampliar as condições de expressão de todos os segmentos humanos, especialmente da infância e da juventude.
Porém, mesmo diante desse destaque favorável à utilização das TDIC para fins de intervenção social nos processos de ensino-aprendizagem, é preciso ter cautela para que o caminho transforme-se em ponte e não em barreira. A escolha do tipo de tecnologia e a seleção da informação por ela mediada é uma questão que deve ser refletida, uma vez que os aparatos tecnológicos da atualidade permitem o compartilhamento rápido, e por qualquer pessoa, de informações que nem sempre condizem com a realidade.
Nesse sentido, outra inquietação é que, ao mesmo tempo em que apresentam uma possibilidade de interação maior entre os sujeitos, rompendo fronteiras espaço-temporais, as tecnologias também podem favorecer o isolamento.
Mas, mesmo diante de tais circunstâncias, é inegável que a articulação mídia-educação apresenta incontestáveis possibilidades de (re)construção das relações dos sujeitos com o mundo (contemporâneo), oferecendo o “lugar de fala” que o ciber-cidadão necessita provocar e conquistar mediante suas próprias competências.
23Conceito apresentado por Freire (1979) como o anseio de profundidade na análise dos problemas; reconhecimento de que a realidade é mutável; necessidade de livrar-se de preconceitos ao confrontado com algum fato; caráter indagador, investigativo, aberto ao diálogo.
A existência, porque humana, não pode ser muda, silenciosa, nem tampouco pode nutrir-se de falsas palavras, mas de palavras verdadeiras, com que os homens transformam o mundo. Existir, humanamente, é pronunciar o mundo, é modificá-lo. O mundo pronunciado, por sua vez, se volta problematizado aos sujeitos pronunciantes, a exigir deles novo pronunciar. (FREIRE, 1987, p.44)
De fato, pensar a educomunicaçao como campo do conhecimento e práxis social requer a consideração das suas variadas vertentes, dentre as quais a mediação tecnológica na educação, em prol das perspectivas de intervenção no arcabouço do mundo social da vida. A partir dessas inquietações é que surgem os vários processos e práticas educomunicativas, buscando atender as demandas que, nem sempre, estão postas, mas que apresentam indícios que podem ser consideradas para o desenvolvimento de construtos teóricos e empíricos que fundamentam a interface educação/comunicação, suas faces, possibilidades, tensões e atribuições na educação e nas políticas públicas geradoras de (in)certezas.