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A VSLUTTENDE REFLEKSJONER

6. AVSLUTNING

6.2 A VSLUTTENDE REFLEKSJONER

127 Ibidem, p. 291. N ESCALA APROXIMADA 1: 11.500 (1cm = 115m)

O projeto era extremamente inovador em relação aos traçados urbanísticos produzidos na época. Saturnino de Brito propôs um traçado assimétrico e irregular, em oposição à quadrícula que era largamente empregada por outros urbanistas. No seu desenho não havia ruas paralelas, o que originou uma grande diversidade de formatos de quadras – umas trapezoidais, outras triangulares e várias em forma de diferentes polígonos irregulares – , bem como largos e perspectivas interessantes, obtidas a partir da inflexão de algumas vias.

Uma análise do plano mostra que o engenheiro terminou por não ser tão fiel aos seus preceitos sanitaristas, dotando o plano de forte caráter estético. A área projetada tinha pouco mais de 100 hectares e não apresentava grandes desníveis topográficos – as cotas do perímetro dela variavam entre 42 m e 50 m e o contorno da lagoa, sua parte mais baixa, se situava na cota 30 m – que justificassem um plano tão irregular, donde se conclui que ele se permitiu, também, elaborar um desenho que viesse a contribuir para o embele- zamento da cidade e para enriquecer as perspectivas desta.

O traçado proposto por Saturnino de Brito não chegaria a ser implantado – era inovador demais para a sua época. Ele seria substituído por um desenho convencional, em forma de trama ortogonal.

Supomos que sua rejeição teve origem no forte desejo, que predominava no governo e na sociedade local, de equiparar a pequena Parahyba do Norte às grandes capi- tais do país. Portanto, estabelecer um desenho urbano que a distinguisse dessas não era interessante num período de grandes transformações da configuração espacial das cidades, em que a implantação das infra-estruturas e o embelezamento arquitetônico e urbanístico concorriam para a padronização das cidades.

O projeto de esgotamento sanitário também não foi implantado de imediato, sua execução sendo adiada devido à carência de recursos do Estado e à Primeira Guerra Mundial. A maioria dos equipamentos utilizados era importada da Europa, ficando, então, impraticável a compra deles, em razão do seu elevado custo de importação na época.

Sem recursos suficientes, o presidente Castro Pinto, que encomendara o projeto, viu-se impossibilitado de dar início à sua implantação no decorrer de sua gestão.

O presidente Camillo de Hollanda, que governou a Paraíba entre 1916 e 1920, foi autorizado, por lei estadual de outubro de 1918, a executar o projeto dos esgotos:

Fica, egualmente, auctorizado o Poder Executivo a contractar, com quem melhores vantagens offerecer, o serviço de exgotto desta capital, de accôrdo com o projecto do sr. dr. Francisco Saturnino de Britto [...]. 128

Mas ele achou mais prudente não iniciar as obras. Ele assim se justificaria, no final de seu mandato, por ter tomado tal decisão:

O proprio dr. Saturnino de Brito, autor do projecto existente, aconselhou o adiamento da sua realisação em face da difficilima e onerosa execução, accentuando que as obras custariam quatro ou cinco vezes a importancia orçada. 129

Só na gestão seguinte (1920-1924), do presidente Solon de Lucena, é que o sistema de esgotamento sanitário da capital paraibana se tornaria realidade.

128

Lei nº 489, de 28 de outubro de 1918. Leis e decretos de 1918. Imprensa Official: Parahyba, 1920.

129

Exposição de motivos e occorrencias do quadriennio administrativo de 1916-1920, do Estado da Parahyba, apresentada pelo dr. Francisco Camillo de Hollanda ao exmo. sr. dr. Solon de Lucena. A União. Parahyba, 24/10/1920, p. 3.

A implantação do serviço de esgotamento sanitário

Com coragem e determinação, Solon de Lucena resolveu iniciar a execução da rede de esgotos da capital, apesar das incertezas que tal decisão envolvia. Ele diria, no fim de sua gestão, que tomara essa iniciativa “temerariamente [...] na esperança de solu-

cionar esse problema, que vinha sendo o tormento e a velha aspiração de todos os govêrnos, de João Machado aos nossos dias.” 130

Ele decidiu que o Estado seria o proprietário e gestor da rede, e para realizar a construção desta, por administração, convidou o engenheiro Saturnino de Brito, o próprio autor do projeto a ser executado – que já construíra com sucesso os sistemas de esgota- mento sanitário de Santos e Recife.

A imprensa local elogiaria essas iniciativas. Em 1925, a revista Era Nova diria, em relação à implantação dos esgotos: Póde ser que haja um beneficio maior que

esse, porém mais necessario, não. Imprescindivel. 131 Quanto à contratação de Saturnino de Brito, ela faria o seguinte comentário:

E para tão notavel solução foi o ex-presidente procurar o homem que se vem dedicando inteiramente, durante uma existencia toda, a sanear o Brasil. [...] Seu grande serviço consiste no ponto de vista economico em facilitar o mais possivel aos govêrnos levar á frente a construcção desses trabalhos. Para isso os contractos lhe dão poucas vantagens, vantagens ridiculas em face de outros contractos communs no Brasil e em toda parte. O engenheiro F.S. Rodrigues de Brito não realiza esses serviços senão como homem de trabalho e que quer prestar o seu concurso ao paiz.132

Saturnino de Brito aceitou o convite e assinou contrato com o governo em julho de 1922. Mas ele não se fixaria na capital paraibana para dirigir diretamente as obras; ele as supervisionaria à distância. Ele entregou a chefia dos trabalhos a outro grande enge- nheiro brasileiro, Lourenço Baêta Neves, professor catedrático da Escola de Engenharia de Belo Horizonte e Diretor da Secretaria de Viação e Obras Públicas de Minas Gerais.

130

O Relatorio do dr. Solon de Lucena. A União. Parahyba, 26/10/1924, p. 1.

131

Saneamento da Parahyba. Era Nova. Parahyba, nº 72, janeiro 1925 (páginas não numeradas).

132

Os trabalhos foram executados, entre dezembro de 1922 e janeiro de 1926, seguindo no geral a solução proposta por Saturnino de Brito em 1913 – aqui já descrita. Mas foi preciso dar nova disposição à rede da área de expansão integrante do terceiro distrito, uma vez que nela fora aberto um arruamento de traçado bastante diferente daquele projetado pelo engenheiro no seu plano de 1913. Foi também preciso estender a rede a novas ruas que foram criadas entre esse ano e a data do início das obras. Com isto o plano geral da rede de esgotos ficou com a configuração mostrada na Figura 32.