Internal Analysis
4. Internal analysis
4.1 VRIO Framework
Este estudo buscou verificar o perfil de resiliência mais característico entre os gêneros masculino e feminino, dentre os servidores de um órgão público federal. Especificamente, buscou-se identificar os fatores de resiliência predominantes nessa amostra de servidores, comparar os resultados em relação à variável de gênero e comparar os resultados com os de outros estudos que buscaram investigar o fenômeno da resiliência. Partiu-se do pressuposto de que mulheres e homens possuem perfis distintos de resiliência e para descobrir tais perfis foi utilizado o Resilience Quotient Test de Reivich e Shatté (2002), traduzido e adaptado por Oliveira (2007).
De modo geral, a amostra registrou maiores índices de resiliência nos fatores autoeficácia, controle de impulsos e análise causal e mostrou menores resultados nos fatores de otimismo e reaching out. Verificou-se ainda que a maioria dos participantes obteve resultados acima da média em todos os fatores.
Considera-se que o objetivo principal deste trabalho foi alcançado e os resultados encontrados corroboram com os pressupostos sugeridos: foram encontradas diferenças entre os gêneros nos fatores análise causal, autoeficácia e empatia. Nos dois primeiros, homens obtiveram maiores escores e, no último, as mulheres alcançaram melhores resultados.
Considerando que apenas um número reduzido de diferenças psicológicas entre homens e mulheres são verificados no contexto da investigação sistemática, os resultados deste trabalho evidenciam a influência que os papéis de gênero podem ter na forma como as pessoas enfrentam adversidades e expressam sua resiliência.
Em outros trabalhos semelhantes, também foram encontradas diferenças entre os gêneros quanto a resiliência. No entanto, os fatores em que as discrepâncias foram verificadas são distintos. Ripar, Evangelista e Paula (2008) encontraram que o fator de autoeficácia (assim como o presente estudo) e alcançar pessoas (reaching out) eram diferenciais entre os gêneros, porém favoravelmente para as mulheres. Enquanto que Oliveira (2007) encontrou os fatores administração das emoções e alcançar pessoas (reaching out) como os fatores diferenciais, favoravelmente para os homens.
Isso sugere que gênero é uma variável que influencia na resiliência dos indivíduos, mas que não a determina inteiramente. Outras variáveis devem ser consideradas para se compreender com mais profundidade o fenômeno multifacetado e multideterminado que é a resiliência.
Dentre as limitações deste estudo, está o fato de que o instrumento de pesquisa tem a limitação de enfatizar apenas características pessoais dos respondentes, de modo que sua análise só permite uma interpretação parcial do fenômeno, não compreendendo completamente o caráter processual da resiliência. Recomenda-se que, para fins gerencias especialmente, a interpretação dos resultados deste instrumento seja feita em contexto de diagnósticos ambientais mais amplos.
A segunda limitação deste trabalho reside no seu reduzido poder de generalização, devido ao número pequeno de respondentes. Dessa maneira, as afirmações desta pesquisa só devem ser encarados como identificadores de tendências. Para um diagnóstico mais completo recomenda-se a realização de estudos com maiores amostras e em diferentes populações.
Outra limitação do trabalho está na dificuldade encontrada para classificar os resultados do questionário, pois os resultados conseguidos com a versão do Resiliense Quotient Test adaptada para o português não podiam ser comparados com os resultados obtidos por Reivich e Shatté (2002). Ocorre que a adaptação para o português trazia uma escala de respostas de apenas 4 elementos, enquanto que a versão original em inglês trazia uma escala de 5 elementos, impossibilitando a comparação dos resultados. A adaptação para o português utilizada, assim como nenhuma outra adaptação encontrada, não sugeria metodologia alternativa para comparação dos resultados. Dessa forma, foi elaborada uma tabela própria (tabela 5) para a classificação dos resultados e, assim, possibilitar sua comparação com outros estudos.
Dessa forma, confirma-se a importância do desenvolvimento e o aprofundamento dos estudos de resiliência na Administração, tanto para atingir um conhecimento maior acerca dos indivíduos quanto para se desenvolver programas de promoção de resiliência nas organizações privadas e na esfera governamental. Sugere-se a realização de pesquisas comparando os resultados de outras variáveis, como idade, estado civil e escolaridade. Sugere- se também a ampliação da amostra e aplicação de pesquisas com diferentes populações.
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ANEXO A – QUESTIONÁRIO DA PESQUISA DE CAMPO
PESQUISA PARA AVALIAR OS NÍVEIS DE RESILIÊNCIA DOS SERVIDORES LOTADOS NA SGP DO TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO CEARÁ
Prezado(a) Servidor(a),
Você está convidado a participar de uma pesquisa descritiva que tem por objetivo avaliar os níveis de resiliência dos servidores públicos lotados na Secretaria de Gestão de Pessoas do TRE-CE. Esta pesquisa servirá como base para a elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso do estudante Jonathan Gomes de Queiroz (estagiário da SECAP) que está concluindo a sua graduação em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Ceará. Esta pesquisa é formada por duas seções: a primeira refere-se a um questionário sociodemográfico e a segunda trata-se do Questionário Quociente de Resiliência, elaborado por Reivich e Shatté (2002) e traduzido por Oliveira (2007).
Todos os dados fornecidos permanecerão anônimos. Suas respostas e as dos demais participantes vão trazer informações que serão analisadas em conjunto. A duração do questionário é de aproximadamente 15 minutos.
A. QUESTIONÁRIO SOCIODEMOGRÁFICO
a) IDADE:_________________ b) SEXO:_______________________
c) ESTADO CIVIL: Solteiro(a) Casado(a) Divorciado(a) Viúvo(a) Outro
d) ESCOLARIDADE: Ensino Médio Ensino Superior Pós-graduação
e) TEMPO DE SERVIÇO NO TRE-CE:__________________________
f) CARGO: Técnico(a) Judiciário(a) Analista Judiciário(a) Outros
g) Exerce atualmente cargo de chefia (chefe de seção, coordenador(a) etc.)? Sim Não
B. QUESTIONÁRIO QUOCIENTE DE RESILIÊNCIA (RQ TEST)
OBS.: Ao responder às questões seguintes, procure ser o mais sincero possível. Não há respostas certas ou erradas. O que realmente importa para este estudo é o modo como você efetivamente se comporta/age, mesmo que o seu comportamento seja diferente daquele que você considera ideal.
Instruções: Complete os itens do questionário a seguir. O tempo do questionário é de aproximadamente 15 minutos. Assinale, na coluna da direita, quão verdadeiro é, para você, cada um dos itens abaixo, de acordo com a seguinte escala:
1 = Nem um pouco verdadeiro
2 = Algumas vezes ou pouco verdadeiro 3 = Normalmente verdadeiro
Escala: 1= nem um pouco verdadeiro / 2 = algumas vezes ou pouco verdadeiro / 3 = normalmente verdadeiro / 4 = muito verdadeiro
1 Quando tento resolver um problema, eu confio nos meus instintos e escolho a primeira solução que me ocorre. 2 Mesmo quando eu planejo antecipadamente uma conversa com meu patrão, sócio, cônjuge ou filho, eu ainda me sinto agindo emocionalmente.
3 Eu me preocupo com minha saúde futura.
4 Eu sou bom (boa) em tirar qualquer coisa da minha frente que me distraia da atividade que estou fazendo. 5 Se minha primeira solução não dá certo, eu sou capaz de voltar atrás e continuar tentando diferentes soluções até achar uma que funcione.
6 Eu sou curioso(a).
7 Eu sou incapaz de criar emoções positivas para me ajudar a focar em uma tarefa.
8 Eu sou do tipo de pessoa que gosta de tentar coisas novas.
9 Eu prefiro fazer algo em que me sinta confiante e relaxado(a) a algo que seja bastante desafiador e difícil.
10 Ao olhar para as expressões faciais das pessoas, eu reconheço as emoções que estão sentindo.
11 Eu cedo à tentação de desistir quando as coisas dão errado.
12 Quando surge um problema, eu penso em muitas possíveis soluções, antes de tentar resolvê-lo.
13 Eu consigo controlar a forma como eu me sinto quando aparece uma adversidade.
14 O que as outras pessoas pensam a meu respeito não influência o meu comportamento.
15 Quando surge um problema, eu estou ciente dos primeiros pensamentos que surgem na minha cabeça acerca do problema.
16 Sinto-me mais confortável em situações em que não sou o(a) único(a) responsável.
17 Eu prefiro situações em que eu possa depender da habilidade de outrem, mais do que da minha própria habilidade. 18 Eu acredito que é melhor acreditar que os problemas são controláveis, mesmo que isto nem sempre seja verdadeiro. 19 Quando surge um problema, eu penso cuidadosamente sobre o que o causou, antes de tentar resolvê-lo.
20 Eu tenho dúvidas sobre minha habilidade de solucionar problemas no trabalho ou em casa.
21 Eu não perco tempo pensando em fatores que estão fora do meu controle.
22 Eu gosto de fazer tarefas simples, rotineiras, que não mudam.
23 Eu me deixo levar pelos meus sentimentos.
24 É difícil para mim entender porque as pessoas sentem o que sentem.
25 Eu sou bom (boa) em identificar o que estou pensando e como o pensamento afeta meu humor. 26 Se alguém faz alguma coisa que me desagrada, eu sou capaz de esperar um momento melhor, quando eu estiver mais calmo(a), para discutir a questão. 27 Quando alguém reage exageradamente a um problema, eu normalmente penso que a pessoa só está de mau humor naquele dia.
Escala: 1= nem um pouco verdadeiro / 2 = algumas vezes ou pouco verdadeiro / 3 = normalmente verdadeiro / 4 = muito verdadeiro
29 As pessoas frequentemente me procuram para ajudá-las a resolver problemas.
30 Eu me sinto perdido(a) em entender porque as pessoas reagem da forma como reagem.
31 Minhas emoções afetam minha habilidade de focar naquilo que eu preciso fazer em casa, na escola ou no trabalho.
32 Trabalho árduo sempre compensa.
33 Depois de completar uma tarefa, tenho receio de que serei avaliado(a) negativamente.