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Esse nome [da Associação] foi da gente, porque só com esperança para isso aqui mudar, já que a gente não tem nada, né. (Rosa, integrante da Associação, DC, 05/07/2017).

Meu conhecimento sobre a Associação das Mulheres Unidas pela Esperança no Morro da Polícia (AMUE) ocorreu durante a realização do trabalho de campo realizado para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) no Serviço de Informação à Mulher, o SIM – Tudo Fácil23, em 2015. Na ocasião, entrevistei Rosa que atuava

como Promotora Legal Popular (PLP)24 no espaço de atendimento.

A organização foi idealizada por um grupo de mulheres negras de uma família moradoras do Morro da Polícia, no ano de 2007 que já possuíam um histórico em movimentos sociais. A Associação é registrada desde 2008 e por não ter uma sede própria funciona na casa de Rosa, uma das fundadoras da mesma.

23 O SIM – Tudo Fácil foi uma parceria entre o Governo do Estado do Rio Grande do Sul, a ONG Themis e a Associação das Promotoras Legais Populares (APLP). A parceria terminou em agosto de 2015 devido o fim do convênio mantido entre as partes.

24 As Promotoras Legais Populares (PLPs), são mulheres que receberam capacitação legal sobre os direitos humanos das mulheres. O curso de capacitação é oferecido há mais de vinte anos por uma ONG feminista em Porto Alegre. As PLPs, na grande parte, realizam o curso por serem lideranças comunitárias.

Imagem 2: Localização da AMUE. Fonte: Google Maps, 2017.

Imagem 3 – Entrada do beco que leva até a casa/sede da Associação. Fonte: Google Maps, 2017.

O trabalho social realizado pela AMUE possui objetivos de melhorar a perspectiva de vida daqueles em situação de vulnerabilidade social. As áreas em que a Associação atua giram em torno da saúde, geração de renda, inserção no mercado de trabalho e cultura. As atividades focalizam a defesa dos direitos humanos, a promoção de ações de defesa ao meio ambiente e do desenvolvimento sustentável e ações que possibilitem diminuir as desigualdades econômicas e sociais existentes com enfoque nas mulheres negras. (SAAVEDRA, 2013).

No blog da Associação estão presentes fotos das atividades realizadas pelas ativistas, como festas tradicionais de páscoa, natal e eventos mais específicos como o Dia da Sopa, Dia da Mulher Negra e Latino-americana e Caribenha e oficinas de costura e artesanato.

Imagem 4: Festa junina. Fonte: Facebook da AMUE, 2017.

Além das atividades exclusivas da associação, a mesma faz parte da campanha Ponto Final da Violência contra as Mulheres e Meninas, da Semana da Consciência Negra da Câmara Municipal de Porto Alegre, do Conselho Estadual de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra (CODENE) na questão de gênero, do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (COMDIM) e do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA).

A falta de uma sede própria é apontada pelas ativistas como o principal problema a ser enfrentado. Por conta disso, elas utilizavam espaços cedidos por

outras associações da localidade como a Associação Comunitária Vila São Miguel (ACOVISMI) e a Associação Clara Nunes.

Imagem 5: Localização das associações ACOVISMI e Clara Nunes Fonte: Google Maps, 2017.

Atualmente a Associação não tem mais acesso aos espaços destas duas associações. De acordo com Rosa e as demais integrantes, esta mudança se deu desde a troca da gestão da ACOVISMI e por conta do encerramento das atividades da Associação Clara Nunes depois que o presidente e idealizador do projeto faleceu, em 2015.

Também houve uma tentativa de obter um terreno cedido pelo governo do Estado. Rosa e as demais integrantes entraram com um pedido para a Secretaria da Habitação, de acordo com elas já estava tudo certo, o terreno a ser doado estava inclusive cercado, localizado perto da caixa d’água de abastecimento do Morro, mas, com o final da gestão do governo estadual, o processo foi engavetado e a cedência do terreno não aconteceu.

Mas este fato não é visto como algo negativo por elas, muito pelo contrário. Segundo Rosa, se a cedência tivesse sido efetivada, o Estado ia querer coordenar

junto e isso elas não querem. Sendo assim, a busca por uma sede continua de

outras formas.

Desde 2016, um grupo de alunos dos cursos de design e engenharia da UniRitter vem desenvolvendo alguns projetos com a AMUE, entre eles foi a construção de uma vaquinha online25 com intuito de arrecadar quantias mensais para

ajudar a manutenção e a construção da sede que vai ser feita no terreno da casa de Rosa, que irá ceder um pedaço para a Associação.

Imagem 6: Layout da página da vaquinha online

Diante desde novo cenário, a Associação vem estabelecendo novas parcerias, no que as mesmas denominam uma nova etapa para a organização. Uma delas é a criação da marca “Mulheres do Morro”, na qual pretendem lançar uma linha de turbantes, além das roupas customizadas, guardanapos, lençóis e abayomis26. Dentre as atividades realizadas com maior frequência, encontram-se as oficinas de turbante e os desfiles com moradoras e moradores do Morro da Polícia.

25 A “vaquinha online” corresponde a uma página criada em uma plataforma colaborativa nas quais organizações do chamado Terceiro Setor podem receber doações em dinheiro. Nesta página de doação online há a possibilidade de doar apenas uma vez ou em formato de assinatura mensal. Os valores vão de R$ 30,00 à R$ 500,00 reais.

26 As abayomis são pequenas bonecas feitas de tecidos trançados. De origem iorubá, as bonequinhas tem o objetivo de servir como um amuleto de proteção. A criação das abayomis remonta

Imagem 7: Desfile na Escadaria da Borges, Centro de Porto Alegre. Fonte: Facebook da AMUE, 2017.

A seguir apresento algumas reflexões do meu ingresso no campo bem como as escolhas metodológicas realizadas para a produção de dados.