Há uma grande lacuna acerca das atividades científicas desenvolvidas em outros Estados da federação, como é o caso específico do Pará, com a honrosa exceção para o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG)28
Se as ciências físicas e matemáticas se consolidaram mais fortemente nas Escolas de Engenharia - antigas Politécnicas - do Rio de Janeiro e São Paulo, é certo, também que em outras unidades federativas, as mesmas estiveram presentes.
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WATHAGHIN, Gleb. O ensino da física nas escolas secundárias e superiores (1935); ALVES, J. J. de Alencar. Luzes encurvam-se no céu.Einstein: mito e ciência (2000); ALVES, J. J de Alencar. A experiência da Universidade de São Paulo na formação de Físicos (1985).
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CUNHA, Osvaldo Rodrigues da. Talento e atitude: Estudos biográficos do Museu Emílio Goeldi. Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi, 1989 (Coleção Alexandre Rodrigues Ferreira).LOPES, Maria Margaret. O Brasil descobre a pesquisa científica: os museus e as ciências naturais no século XIX. São Paulo: Hucitec, 1997. SCHWARCZ, Lilia Katri Moritz. O espetáculo das raças: cientistas, instituições e questões raciais no Brasil(1870-1930). São Paulo: Cia. das Letras, 1993. SANJAD,Nelson.A bela adormecida entre a vigília e o sono: uma leitura da historiografia do Museu Paraense Emílio Goeldi, 1894-2000. In: FAULHABER, Priscila. TOLEDO, Peter Mann de. (Coord.). Conhecimento e Fronteira: História da Ciência na Amazônia. Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi.2001.
Enquanto Ribeiro (1994), refere-se somente ao Centro de Pesquisas Físicas e Matemáticas da Universidade de Pernambuco, como instituição fora do eixo Sul- Sudeste, Motoyama (1979) ampliou esse leque ressaltando o trabalho científico desenvolvido no Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, apresentando as diversas linhas de pesquisa em Física nas principais instituições brasileiras (MOTOYAMA,1979, p. 83-87).
Um outro trabalho, sob a forma de artigo, “A História do desenvolvimento do ensino e da pesquisa em Física na Bahia: notas introdutórias” foi escrito por Ribeiro Filho (1996)29. Neste artigo, o autor enfatiza as instituições de ensino superior que foram criadas na Bahia, no século XIX, com destaque para a criação do Curso Médico-Cirúrgico (1808) e a Escola Politécnica (1897).
Nesta são destacadas as disciplinas de Física que eram ministradas para o curso de engenharia: Física Geral, Mecânica Racional. Já no século XX, destaca-se a criação da Faculdade de Filosofia da Bahia, em 1941 e o Instituto de Matemática e Física, no início da década de 60. (RIBEIRO FILHO, 1996, p. 10). Por ser um artigo, este trabalho apresenta limitações.
Entendemos que a pesquisa realizada por Dias (2002) sobre as atividades matemáticas na Bahia30 apresenta um horizonte mais amplo. Um de seus objetivos foi analisar a transição da matemática dos engenheiros da Escola Politécnica para a matemática da Faculdade de Filosofia, bem como a dinâmica de implantação do Instituto de Matemática e Física da Universidade da Bahia. Sobre este instituto comentaremos no Capítulo 3 deste trabalho ao tratarmos do Núcleo de Física e Matemática, no Pará.
Nosso trabalho guarda certa semelhança com o de Dias (2002) na medida em que também enfocaremos as atividades da Física no Pará nas três instituições análogas. Como ele, analisaremos as trajetórias dos professores, suas formações originais e o processo de consolidação profissional através da migração dos professores para outros centros do País.
Além da Bahia, o Estado de Pernambuco também se apresenta como um espaço de atividades científicas fora do eixo Rio - São Paulo. Siqueira (1995)
29 Aurino Ribeiro Filho do Instituto de Física da Universidade Federal da Bahia, publicou seu artigo no Caderno de Física da Universidade Estadual de Feira de Santana, em 1996.
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Dias analisou as atividades matemáticas no período de 1896 a 1968, nas seguintes instituições da Bahia: Escola Politécnica, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e o Instituto de Matemática e Física (DIAS, 2002). Um trabalho, sob a forma de artigo, sobre o mesmo assunto.
organizou uma coletânea apresentando a trajetória histórica da Escola de Engenharia de Pernambuco.
Deste trabalho o que nos chamou mais atenção foi o capítulo dedicado ao Núcleo de Física e Matemática, escrito por Lemos (1995). Antes de analisar o papel desempenhado pelo Núcleo, O autor apresenta, em relação ao ensino de Física e Matemática, um espectro que começa com a iniciativa, em 1800, do Bispo Azeredo Coutinho, de fundar o Seminário de Olinda, originado do Colégio dos Jesuítas (LEMOS,1995).
No curso mantido pelo Seminário estudavam-se igualmente, além do Latim e da Teologia, e com a mesma intensidade, “a Geografia, a História, a Física, a Química, o Desenho, as Matemáticas, a Mineralogia, a Botânica” (LEMOS,1995, p. 49).
Lemos (1995) também enfatiza a criação, em 1895, da Escola de Engenharia de Pernambuco31 . No curso de engenharia desta Escola destaca-se as disciplinas científicas como:
A matemática, a Física, a Mecânica Racional e a Astronomia eram estudadas com um rigor que nivelavam seu estudo a qualquer Escola de Engenharia do país ou mesmo do estrangeiro. Daí se chamar naquele tempo a Escola de Engenharia de uma Escola de matemáticos. A ausência das chamadas Faculdades de Ciências, concorria para que todos alunos com aptidões para a Física e a Matemática, procurassem a Escola de Engenharia (LEMOS,1995, p. 50).
Lemos (1995) destaca ainda, a contribuição de Luiz de Barros Freire, desde os anos 1930, no propósito de formar uma elite científica, incentivando a ida de alunos considerados de altíssima categoria para fazerem cursos em São Paulo32. Luiz Freire juntamente com outros professores33 tentaram fundar um Centro de Ciências, no âmbito da Escola de Engenharia de Pernambuco.
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A Escola de Engenharia de Pernambuco foi criada no governo do Capitão José Alexandre Barbosa Lima, pela Lei Estadual nº 84 de 3 de junho de 1895 (LEMOS, 1995).
32 Alguns dos alunos foram: Guilherme Pessoa de Queiroz, Júlio Rabin e Mário Schenberg (LEMOS, 1995).
33 Dentre outros professores destacam-se os nome de: Osvaldo Gonçalves de Lima, Newton Maia, José .Leite Lopes, Hervásio de Carvalho e Romildo Pessoa (LEMOS, 1995).
O destaque maior deste trabalho é a criação do Instituto de Física e Matemática da Universidade de Pernambuco, nos anos 195034 que voltaremos a
comentar no Capítulo 3 deste trabalho.
Para o momento, salientamos que o trabalho de Lemos (1995) é importante por abordar as trajetórias das instituições do nordeste, que são pouco estudadas na historiografia nacional. Apesar do excesso de louvação aos personagens envolvidos na história da ciência de Pernambuco. Faz fronteira com nosso trabalho de pesquisa na medida em que evidencia as atividades científicas em duas instituições de mesma natureza das que estamos estudando no Pará.
Não trata propriamente do ensino de Física, mas contribui por focalizar as influências que essas instituições sofreram ao longo de suas existências, acentuando as relações entre a ciência e a política, para mostrar o caráter social das atividades científicas em Pernambuco.
Depois desta visão panorâmica sobre as atividades da Física no Rio de Janeiro e São Paulo, passando também por alguns Estados do Nordeste, eis que chegamos ao Estado do Pará. Observamos várias diferenças com o caso paraense.Se por um lado já há um significativo número de trabalhos publicados naquelas regiões, no Pará, a produção historiográfica sobre a história da ciência ainda é muito tímida. As exceções ficam por conta do Museu Paraense Emílio Goeldi e da Escola de Química Industrial35.
Um marco para o resgate das atividades científicas no Pará ocorreu em 1985, com a realização do Simpósio sobre a Historia da Ciência e da Tecnologia no Pará. A publicação dos Anais deste evento constitui importante fonte de pesquisa para o nosso trabalho. Na cerimônia de abertura assim se expressou Daniel Queima Coelho de Souza, então Reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA)
O evento objetiva o registro da história dos diferentes órgãos que, no Pará, tiveram influência no desenvolvimento científico e tecnológico, abordando os seus antecedentes e implantação, a sua filosofia ou política de ação e os acontecimentos mais importantes relacionados com a sua evolução; referindo os seus instrumentos institucionais; destacando o trabalho individual nas responsabilidades diretivas e de atividades-fim (SIMPÓSIO SOBRE A HISTÓRIA DA CIÊNCIA E DA TECNOLOGIA NO PARÁ, 1985, p. 1)
34 Ver também GOMES, Alfredo Pereira. Instituto de Física e Matemática do Recife, Ciência e
Cultura, v. 8, n. 3, 1956. Segue a mesma linha de Lemos (1995).
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Sobre a história da Escola de Química Industrial ver: Almeida (1997), Rheinboldt (1994) Mathias (1979), Bassalo & Lima (1996) e Silva (1999).
Neste Simpósio os diretores dos centros das ciências básicas e profissionais da Universidade Federal do Pará apresentaram a origem dos seus espaços institucionais. Outras instituições36 do Pará, de ensino e de pesquisa, fora do âmbito
da Universidade, também participaram. O convidado especial do Simpósio foi Simão Mathias37, da Universidade de São Paulo. Dentre os trabalhos apresentados no
Simpósio nos reportaremos, doravante, àqueles que estão relacionados com a institucionalização da Física no Pará38.