C iê nc ia huma na d e e xp e riê nc ia d e sa úd e -d o e nç a , me d ia d a p e la s re la ç õ e s p ro fissio na is, p e sso a is, c ie ntífic a s, e sté tic a s e é tic a s. É vista c o mo uma e xp e riê nc ia inte rsub je tiva , uma ve z q ue o s p a rtic ip a nte s (e nfe rme ira , fa mília ) a tua m a tiva me nte no s a c o nte c ime nto s q ue a e nvo lve m, se nd o a ssim inte rd e p e nd e nte s. Po ssui c o mo funç ã o e sp e c ífic a a jud a r a s fa mília s, e o s se us me mb ro s ind ivid ua lme nte , na p re ve nç ã o , re so luç ã o o u a ind a no sup o rte a o s p ro b le ma s re a is e p o te nc ia is, p o r me io d o p ro c e sso d e c uid a r, o q ue c o ntrib uirá c o m a me lho ria d a q ua lid a d e d e vid a , o a uto c o nhe c ime nto e id e ntific a ç ã o d e insig hts so b re
a c o nte c ime nto s d e sua s vid a s. Se r Enfe rme iro
A ima g e m q ue muito s d e nó s te mo s p ro je ta d o p a ra a so c ie d a d e le ig a q ua nto à s funç õ e s e à riq ue za d a Enfe rma g e m, e mb o ra nã o c o nstitua m a ve rd a d e so b re no ssa p ro fissã o , te m se a fig ura d o c o mo uma
c re nç a , d e mo d o q ue , a té q ua nd o so mo s re tra ta d a s p e lo s me dia ,
a p re se nta mo s uma p o stura d e o missã o , sub se rviê nc ia , e , a lg uma s ve ze s,
d e inc o mp e tê nc ia . Exp re ssõ e s c o mo “ a c ha va q ue a e nfe rme ira e ra
p ra tic a me nte inútil; e ra só p ra a p lic a r inje ç ã o ”, e xe mp lific a m e ssa visã o
d e turp a d a d o se r e nfe rme iro .
Asso c ie mo s a re duzida p a rtic ip a ç ã o da e nfe rme ira no inc re me nto de p o lític a s e te c no lo g ia s de sa úde , já q ue e sta ta re fa é a ssumida p e lo s mé dic o s; c o m sua re duzida p a rtic ip a ç ã o no c o ntato dire to c o m o s c lie nte s – já q ue e ssa ta re fa é re a liza da p o r a uxilia re s de Enfe rma g e m; re ssa lta ndo q ue e sse s p a p é is sã o ma is c ura tivo s do q ue c uida tivo s, e fina lme nte te re mo s b e m fo rma da e justific a da , a ima g e m disto rc ida de no ssa p ro fissã o (P6).
No c uid a d o à s fa mília s, o s e nfe rme iro s e nc o ntra m um e sp a ç o p a ra a mp lia r sua ima g e m, uma ve z q ue d e se nvo lve m a ç õ e s ind e p e nd e nte s e inte rd e p e nd e nte s, se nd o o p ro fissio na l q ue ma is d e ma nd a p a ra a e strutura d a a te nç ã o p rimá ria d e sa úd e .
Essa p o stura d e c o rre d o fa to d e q ue a fo rma ç ã o d o e nfe rme iro e stá d ire c io na d a a o c uid a d o e à p ro mo ç ã o d a sa úd e , p o r me io d a q ua l
vive nc ia d ive rsa s situa ç õ e s d e inte ra ç ã o c o m fa mília s e d e ma is g rup o s, no s ma is va ria d o s c o nte xto s.
O utra ra zã o re sid e na utiliza ç ã o d e re fe re nc ia is te ó ric o s q ue a mp lia m a visã o d e mund o d o e nfe rme iro , d ire c io na nd o p a ra um p a ra d ig ma ho lístic o , o q ue ve m a se r c o nfirma d o na s te se s e d isse rta ç õ e s a na lisa d a s:
Ao ide ntific a r o s p ro b le ma s de ma ne ira siste ma tiza da , te ndo c o mo a p o io mo de lo s o u c o nc e ito s, a e nfe rme ira dire c io na a s fa mília s p a ra o a te ndime nto de sua s ne c e ssida de s de c uida do , re c o nhe c e o s p ro b le ma s q ue fo g e m a sua c o mp e tê nc ia e a s e nc a minha p a ra o p ro fissio na l q ua lific a do p a ra o a ssunto e m q ue stã o . Enq ua nto sa ída do siste ma , re a va lia a s a ç õ e s dire c io na da s à fa mília , o fe re c e ndo sup o rte , até q ue se p o ssa a lc a nç a r a inde p e ndê nc ia na so luç ã o de se us p ro b le ma s de sa úde (P7).
Co nhe c e ndo e c o mp re e nde ndo c o mo a s p e sso a s se c uida m, a p a rtir de sua s visõ e s e sig nific a do s de te rmina do s e m se us c o mp o rtame nto s, é q ue a e nfe rme ira p o de rá pro mo ve r um c uida do c ultura l ha rmo nio so , q ue p o de rá le va r a o b e m-e sta r o u sa úde do indivíduo (P1).
Os mo de lo s p o ssib ilita m o dire c io na me nto do tra b a lho da s e nfe rme ira s, de fo rma a p o de r a te nde r a c lie nte la na sua inte g ra lida de e de fo rma individua liza da (P2).
Sug iro à s e nfe rme ira s q ue p re sta m c uida do s a fa mília s q ue tê m um de se us me mb ro s g e sta nte , q ue e sta b e le ç a m vínc ulo no se ntido de da r c o ntinuida de à re la ç ã o , no p e río do p ue rp e ra l. Pro p o nho q ue a s e nfe rme ira s tra b a lhe m c o m o mo de lo e studa do , e xp lic ita do p o r Pe p la u (1993), o b e de c e ndo à s fa se s do re la c io na me nto inte rp e sso a l (o rie nta ç ã o , ide ntific a ç ã o , e xp lo ra ç ã o e re so luç ã o ). Po r último , sug iro a utiliza ç ã o da s c a te g o ria s te ó ric a s e do s indic a do re s p ro p o sto s e a na lisa do s c o mo me io s p a ra a s e nfe rme ira s a va lia re m o p ro c e sso de matura ç ã o sa udá ve l de mulhe re s nutrize s (P4).
Pa ra a lé m da s ta re fa s té c nic a s, a e nfe rme ira p re c isa e xe c uta r funç õ e s de na ture za p síq uic a , dire c io na da s p a ra o se r da p e sso a c uida da , e de ve e sta r a te nta p a ra sua sa úde me nta l, se u p o te nc ia l huma no e sua c o ndiç ã o a nímic a ; de ve o rie nta r p a ra a e la b o ra ç ã o e a re a liza ç ã o de um p ro je to de vida re la c io na do c o m a sa úde ho lístic a da p e sso a e c o m sua re a liza ç ã o íntima , a juda ndo na re c o nstituiç ã o e ne rg é tic a /p síq uic a e na c ura (P6).
De ve mo s va lo riza r a s c o mp e tê nc ia s re la c io na da s a o se r huma no e m sua s dime nsõ e s p síq uic a , e sp iritua l e só c io -c ultura l, a lé m da b io ló g ic a , a o invé s de so me nte va lo riza rmo s a s c o mp e tê nc ia s té c nic a s do sa b e r fa ze r (P6).
Emp a tia e c o mp a ixã o sã o c o mp e tê nc ia s o nto ló g ic a s c o m a s q ua is a e nfe rme ira re c o nhe c e c o mo é difíc il p a ra a mulhe r a ssumir a s re sp o nsa b ilida de s b io ló g ic a s e so c ia is da g e sta ç ã o , p a rturiç ã o e p ue rp é rio , b e m c o mo p a ra se u c o mp a nhe iro e se us fa milia re s (P6).
A e nfe rme ira , e nq ua nto pro mo to ra de saúde, no c o nte xto de sa úde o u do e nç a , de ve se ntir-se re sp o nsá ve l p e la o rie nta ç ã o da s a do le sc e nte s
g rá vida s, e nc o ra ja ndo -a s a a do ta re m c o mp o rta me nto s sa udá ve is no de se mp e nho da s a tivida de s de vida (P7).
Esta r a le rta a o s p ro b le ma s, a g ir re sp o nsa ve lme nte , c o mp re e nde r o p o rq uê do s fe nô me no s, re fle tindo c o nsta nte me nte so b re o q ue e stá p o r trá s da ra iva , frustra ç ã o , silê nc io , a p a tia , c o nfusã o , surp re sa , a le g ria e o utro s se ntime nto s huma no s. Atra vé s do c o mp ro misso a utê ntic o , a e nfe rme ira va lo riza a Enfe rma g e m c o mo uma situa ç ã o e m q ue e xiste m c o ndiç õ e s ne c e ssá ria s p a ra a re a liza ç ã o huma na . Lo g o , a e nfe rme ira huma nista é a b e rta à s p o ssib ilida de s do a q ui e a g o ra , intima me nte c o mp a rtilha da s c o m o c lie nte (P8).
SER ENFERMEIRO
Pro mo to r d a sa úd e , p o r me io d o a to d e c uid a r. Inte ra g e c o m o c lie nte (ind ivíd uo , fa mília o u c o munid a d e ), re sp e ita nd o a a uto no mia d e ste e va lo riza nd o a s c o mp e tê nc ia s d o se r huma no e m sua s d ime nsõ e s b io ló g ic a , p síq uic a , e sp iritua l e so c io c ultura l, p rio riza nd o a ç õ e s “ c uid a tiva s” .
Cuida do Huma no : p a ra o nde c o nve rg e m o s sa b e re s e c o nhe c ime nto s da Enfe rma g e m.
O c uid a d o é a e ssê nc ia d a Enfe rma g e m, e , c o mo ta l, e ste ve p re se nte e m to d o s o s tra b a lho s. Ind e p e nd e nte me nte d e q ua l se ja o c o nc e ito q ue c a d a um te nha so b re e le , o u se sã o d ife re nte s, o q ue p a re c e imp o rta nte é sa b e r o q ue e sta mo s p e nsa nd o so b re o c uid a d o c o mo “ na ture za ” viva d a p ro d uç ã o d e no sso s c o nhe c ime nto s e d e no ssa s a ç õ e s (FIG UEIREDO e MAC HADO , 2001).
O c uida do e me rg e a p a rtir da visã o de mundo da s c lie nte s e da s inte ra ç õ e s e sta b e le c ida s c o m o s o utro s (P5).
De a c o rd o c o m Fig ue ire d o e Ma c ha d o (Ib ide m), a e xp e riê nc ia
d e p e nsa r e fa ze r o c uid a d o se re p o rta à p o ssib ilid a d e d e q ue e xiste um ra c io c ínio so b re o c uid a d o d e Enfe rma g e m q ue nã o é g e ra l, ne m p a ra a s e nfe rme ira s e muito me no s p a ra a so c ie d a d e . Ha ja vista a q ua ntid a d e d e a ç õ e s e sa b e re s d e q ue a Enfe rma g e m se utiliza p a ra c uid a r, b e m c o mo a a mp litud e d a s a b o rd a g e ns utiliza d a s q ue nã o sã o ma is a p e na s a s d a s c iê nc ia s b io ló g ic a s e d a vid a , e ste nd e -se à s c iê nc ia s so c ia is (Antro p o lo g ia , So c io lo g ia ), à Filo so fia e à Histó ria , na p e rsp e c tiva d e p ro p ic ia r a c o mp re e nsã o d o “ SER d o C UIDADO – o ho me m e a mulhe r, na s ma is d ive rsa s situa ç õ e s d e vive r” .
Em to d o s o s e stud o s a na lisa d o s, p ud e mo s ve rific a r c o nc e p ç õ e s, d e finiç õ e s d e c uid a d o , c o mo se g ue m o s e xe mp lo s:
Fe nô me no re la c io na do a a ssistir, a p o ia r o u ha b ilita r a multig e sta o u a sua fa mília a a da p ta r-se sa tisfato ria me nte à e xp e riê nc ia de uma no va g ra vide z (P1).
Outro tip o de o c up a ç ã o q ue é a trib uído e sse nc ia lme nte à mulhe r é o p a p e l de c uida do r. A mulhe r, p e la divisã o se xua l do tra b a lho , já a ssume e sse p a p e l ro tine ira me nte (...) O c uida do é uma via de mã o dup la : o se r c uida do r p o de se r c uida do , a ssim c o mo o q ue re c e b e o c uida do p o de se r, e m a lg um mo me nto , c uida do r (P3).
Emb o ra a e nfe rme ira nã o te nha a c a p a c ida de de sup rir to da s a s ne c e ssida de s, de ve c o nhe c e r o s re c urso s de q ue a c o munida de disp õ e e e stimula r o p a c ie nte a utiliza -lo s de mo do q ue ve nha a de se nvo lve r uma vida sa udá ve l (P4).
De ntre o s p re ssup o sto s p a ra a ‘ c iê nc ia do c uida do ’ , de sta c a mo s o s c o nside ra do s ma is re le va nte s p a ra no sso e studo :
a ) o c uida do huma no so me nte p o de se r de mo nstra do e p ra tic a do a tra vé s de re la ç õ e s inte rp e sso a is;
b ) o c uida do e fe tivo p ro mo ve a sa úde e o c re sc ime nto do indivíduo e de sua fa mília ;
c ) p a ra c uida r é ne c e ssá rio a c e itar a p e sso a nã o a p e na s c o mo e la é , ma s ta mb é m c o mo e la p o de rá vir a se r;
d) um a mb ie nte de c uida do é a q ue le q ue o fe re c e o de se nvo lvime nto do p o te nc ia l huma no (a uto -re a liza ç ã o ) e p e rmite a lib e rda de de e sc o lha ;
e ) o c uida do p o ssui uma ma io r c a p a c ida de de a uto g e nia , q ua ndo c o mp a ra do c o m a c ura , o u se ja , p o r se r a utó g e no , o c uida do g e ra c uida do ; f) a p rá tic a do c uida do é o c e ntro o u a e ssê nc ia da Enfe rma g e m. É o a trib uto ma is va lio so q ue a p ro fissã o disp õ e p a ra o fe re c e r à huma nida de . De no ta a re c ip ro c ida de e ntre e nfe rme ira e p e sso a c lie nte , p a rtic ip a ndo e ntre si numa re la ç ã o tra nsp e sso a l (P6).
O c o nc e ito d e c uid a d o fo i a p re e nd id o d a se g uinte fo rma , te nd o c o mo b a se o s tra b a lho s d a s p e sq uisa d o ra s, e nfim, a p ro xima nd o e nsino , p e sq uisa , e xte nsã o e p rá tic a d e Enfe rma g e m: