Hoje em dia é amplamente conhecida e reconhecida a importância que o turismo tem como um instrumento facilitador do desenvolvimento da economia local, uma vez que há benefícios a longo prazo, quando aplicado de forma que atenda às necessidades sócio- econômicas dos envolvidos com a atividade turística. De fato, a cadeia produtiva envolvida no fornecimento de alimentação, hospedagem, deslocamentos, lazer e outros serviços tende a contribuir com o desenvolvimento local,4 na medida em que possibilita uma abertura de novas fontes de renda, de emprego e novas possibilidades de desenvolvimento social e cultural, pois, ao se instalarem no lugar, geram nas pessoas um aumento de sua auto-estima.
A esse propósito, Ribeiro e Vareiro [2005?] argumentam que:
é útil lembrar, como qualquer outro setor produtivo, o turismo tende a localizar-se nas áreas do espaço físico que lhe são mais favoráveis, ou seja, onde se encontra a matéria-prima que o abastece. As atrações turísticas são a matéria-prima do turismo, quer dizer, elas constituem a causa principal que motiva as pessoas a viajarem até estes espaços, quer para conhecê-los, quer para desfrutar do consumo das atividades programadas com o objetivo de satisfazer as suas expectativas (RIBEIRO; VAREIRO, [2005?] p.112).
Ao se falar de turismo, meio ambiente e desenvolvimento, é impossível negar a intrínseca relação que existe entre eles, uma vez que o meio ambiente constitui-se na principal “matéria-prima” da atividade turística. Pois o contato com a natureza é, hoje, uma forte motivação para viagens, lazer e recreação.
Na observação de Santos (2004),
os elementos naturais como rios, a bica d‟água, as matas, os animais da região tornam-se recursos a serem ofertados e explorados como mercadorias abstratas. Também a cultura rural, o folclore, a gastronomia e o artesanato são incluídos como atrativos a serem comercializados pelos proprietários dos hotéis-fazenda (SANTOS, 2004, p. 176).
Na área de estudos, essa característica também não é diferente; os elementos naturais se constituem como o principal atrativo do lugar e o melhor motivo para se justificar a chegada do turismo nas propriedades rurais.
Recentemente, os ambientes naturais conservados têm ganhado cada vez maior importância em todos os países e, claro, nos meios de comunicação. É nesse contexto que o turismo no espaço rural se apoia, utilizando um discurso “preservacionista” e ao mesmo tempo “conservacionista”.
De acordo com Weissbach (2001), é necessário distinguir o meio ambiente em ambiente natural, que constitui a natureza “intocada”, onde o homem ainda exerce pouca interferência – praticamente inexistente –, e os ambientes humanizados, que correspondem aos espaços modificados pela ação humana, em seu processo de produção. Portanto, teríamos a paisagem física constituída pelos elementos naturais e a paisagem humanizada, também entendida aqui como meio cultural, que abarcaria todos os produtos e serviços idealizados pelo ser humano.
Aprofundando um pouco mais essa questão, o mesmo autor afirma que:
nesse processo de prover a sua existência, a raça humana cria ambientes artificiais – não naturais – onde as relações sócio-econômicas possam melhor acontecer. Assim, originam-se núcleos urbanos, que diferenciam-se dos ambientes adaptados, na medida em que esses não implicam em total artificialização do espaço, senão em um ajustamento do meio à necessidade circunstancial, enquanto a cidade é resultado de uma total alteração do espaço. Incluso nesse processo de aproveitamento do meio, tanto natural quanto o humanizado, para a satisfação das necessidades humanas, o turismo apresenta-se como uma atividade capaz de usufruir ambos os locais. Utilizando as potencialidades características de cada ambiente com a finalidade de ofertar um produto atrativo, o turismo beneficia-se das paisagens naturais e culturais, reservando a cada uma delas um valor, conforme a demanda requerer (WEISSBACH, 2001, p.23).
Conforme citado por Cruz (2001), o turismo, frequentemente, exerce influências – benéficas ou maléficas – sobre os ambientes, afetando os recursos de formas contraditórias. Podendo, ao mesmo tempo:
a) Degradar, irreversivelmente, as maiores atrações que o justificaram e o atraíram; e b) proteger o meio, uma vez que estimula o interesse da população e das autoridades
para a apreciação do valor do ambiente, introduzindo medidas para sua proteção. Comungando das idéias de Cruz (2001), podemos afirmar que os problemas ambientais nada mais são do que a materialização, no espaço, das distorções e contradições
presentes nas relações sociais, e toda medida, portanto, relativa à melhoria da qualidade ambiental – preservação de uma dada área, despoluição de um rio, rodízio de automóveis – será sempre um paliativo, por mais significativa que possa parecer.
Na área de estudo, os problemas ambientais também não estão ausentes, e vêm sendo causados, principalmente, pelo lixo que é produzido, pois o seu destino final é uma prática corrente na região: queimar o que é possível e enterrar o restante; não ocorre ainda uma preocupação com a reciclagem, devido, principalmente, à distância dos locais coletores desse lixo.
Segundo Cruz (2001),
o turismo tem reconhecidamente, uma capacidade avassaladora de transformar os lugares (natureza e cultura), mas, a priori, isso não é bom ou ruim. Somente as análises de caso podem revelar como, quando e onde o turismo impactou positiva ou negativamente o patrimônio natural ou cultural de um lugar. E quando se tratar de impactos socioeconômicos e culturais, é preciso ter ciência de que todo julgamento será permeado por ideologias e que, portanto, aquilo que for considerado negativo por determinado autor poderá ser visto como positivo por outro (CRUZ, 2001, p. 30).
Ainda em Cruz (2001) encontra-se que, da apropriação de espaços naturais pelo turismo, decorrem transformações espaciais relacionadas, principalmente, aos fatores de acessibilidade e hospedagem. Ou seja, para que o consumidor possa alcançar determinado destino, faz-se necessária a existência de alguma infra-estrutura de acesso que permita essa integração, não apenas entre as propriedades rurais do município, como também em todo o circuito turístico a que estão agregadas.
Existe uma estreita relação entre o meio ambiente e o turismo, principalmente quando se observa que as mais variadas formas turísticas se apropriam, direta ou indiretamente, dos recursos oferecidos pela natureza; essa apropriação resulta no que a literatura corrente denomina impactos, que podem ser negativos ou positivos, junto à natureza.
De forma resumida, podemos apontar os seguintes fatores ou danos provocados pelo turismo:
- degradação ecológica (destruição da fauna e flora); - poluição do ar, da água e sonora;
- destruição da paisagem ou má utilização do ambiente natural;
- destruição de valores tradicionais; - congestionamentos;
- aumentos dos custos de serviços devido à ausência de uma infra-estrutura básica; - conflitos entre a população fixa e turista.
Como constata Weissbach (2001), os riscos causados pelo turismo são provenientes, em grande parte, do setor privado da economia. Para esse autor, a afirmação encontra respaldo no sistema econômico vigente, uma vez que a economia é regida pelo mercado e este funciona de maneira especulativa e com uma visão de curto prazo; enquanto que as consequências ambientais só se manifestaram a longo prazo, o que dificulta a medição das consequências ocorridas no meio ambiente. É na verdade, a mercantilização dos espaços naturais.
Na Microrregião de Viçosa, as propriedades rurais envolvidas com o turismo não estão excluídas desse processo de mercatilização dos espaços naturais, mesmo porque a chegada dessa atividade econômica, nas referidas propriedades, é fruto de uma necessidade econômica local. Ao abrir as porteiras para o turismo, os proprietários vislumbraram, primeiramente, o lado econômico da atividade, mas aos poucos perceberam a importância de preservar a natureza que se encontra complexa e amplamente valorizada pelo turismo.
Atualmente, diante da importância crescente da atividade turística, Ruschmann (1994) propõe várias medidas preventivas a serem adotadas para preservação dos sistemas naturais:
- combater todo o tipo de contaminação provocada pelo turismo, assegurando o tratamento das águas servidas e do esgoto, limpando, protegendo e conservando as áreas turísticas, desenvolvendo estudos do impacto turístico no local, evitando grandes aglomerações de turistas e equipamentos;
- integração dos equipamentos turísticos à paisagem, procurando regular a construção de equipamentos, incentivando o desenvolvimento de uma arquitetura adequada às tradições locais e zelando pelo equilíbrio entre os espaços explorados intensamente;
- reduzir os efeitos negativos de motorização dos turistas, estimulando a prioridade ao transporte público, regulando o tráfego de veículos ou mesmo aumentando as possibilidades de atividades recreativas nas zonas urbanas e de residência da população.
O objetivo dessas medidas é garantir os recursos para o futuro, mas ele só será alcançado se for precedidos de uma política turística racional na ocupação do território.
Ruschmann (1994) aponta os seguintes princípios, para que ocorra um equilíbrio entre o turismo e o meio ambiente: a) garantir o equilíbrio entre a proteção ambiental e a programação de equipamentos turísticos constitui, atualmente, uma necessidade imperativa;
b) não existe um turismo “bom” ou “mal”, ou um que respeita o meio ambiente e outro que o destrói; c) é preciso ter certa cautela com as afirmações muito generalistas; d) evitar as perigosas políticas do tudo ou nada; e, e) a consideração da qualidade do meio ambiente passa a constituir-se num critério essencial para a definição de um turismo qualitativo que, entretanto, apresenta certos custos.
Faz-se necessária uma participação de todos os envolvidos nas atividades turísticas, seja o turista agindo de uma forma mais consciente, seja o poder público investindo em projetos conservacionistas ou criando uma legislação imperativa e preventiva mais eficaz ou, até mesmo, subsidiando o consumo dos atrativos turísticos. Finalmente, deve-se procurar achar um ponto de equilíbrio ou uma forma de convívio mais harmônico entre turismo e meio ambiente. Essa situação começa a ser discutida, na área de estudo, partir da intensificação das ações do circuito turístico local, ocorrendo ainda de forma lenta.
Para vários estudiosos, esse ponto harmônico entre o turismo e o meio ambiente seria o desenvolvimento sustentável. Mas compreendemos que, por se tratar de uma relação capitalista de produção, essa harmonia não existe, e não é nosso interesse, nesste capítulo, retomar a questão da conceituação e argumentação teórica sobre o desenvolvimento sustentável nas propriedades e, sim, estabelecer uma discussão sobre o desenvolvimento local. Considerando que certas áreas rurais necessitam de se desenvolver economicamente e que o turismo pode ser uma alternativa interessante de atividade não-agrícola de geração de renda e emprego, é preciso considerar que cada localidade tem seus valores sócio-culturais, seus ritmos, relações sociais e de produção historicamente fixados.
O turismo resulta em fluxo de pessoas e serviços, significa encontro e desencontro, a cultura do lugar entra em contato com outras culturas, de lugares distintos. É preciso pensar o turismo com o cuidado de não fazer, do espaço, uma simples mercadoria sem conteúdos imateriais. Os moradores dessas áreas traçaram suas identidades, seus modos de vida, seus hábitos e costumes, que devem ser relevados dentro do desenvolvimento local. É imprescindível preservar esses elementos e pensar na qualidade de vida das populações locais e sua reprodução a partir das características sócio-culturais e ambientais.
Aqui, vale uma ressalva: provavelmente, os circuitos turísticos foram propostos e pensados com essa finalidade, mas, efetivamente, os que existem hoje não se encaixam numa prática turística que favoreça, acima de tudo, o desenvolvimento social.
Em geral o desenvolvimento turístico é entendido como uma estratégia de evolução para o crescimento econômico e percebido a médio e longo prazo, mas também pode representar um problema nas regiões receptoras do turismo, como, por exemplo, degradação
ambiental, exclusão, perda de identidades e muitos outros problemas. Para o desenvolvimento local, no sentido do turismo rural, são necessários, entre outras coisas, reforço dos meios e recursos para o desenvolvimento, capital humano, difusão de informação, estímulo para a atração de investimentos, criação de serviços de apoio à população, coesão social, explorando atividades novas como, por exemplo, as artes de ofício artesanais, infra-estruturas e proteção do patrimônio natural e humanizado. No nível do turismo rural, para Carminda Cavaco :
O desenvolvimento local assenta na revitalização e diversificação da economia, capaz de fixar e atrair população, de ocupar a população potencialmente ativa, com êxito econômico, profissional e social, de valorizar produções, de renovar habitações e aldeias, de assegurar melhores condições de vida (...) Combinam-se freqüentemente propostas de valorização de produtos agrícolas - como produções de qualidade intrínseca, natural ou pelas condições de fabrico e transformações: biológicos, caseiros, tradicionais, específicos, regionais e locais – com planos de desenvolvimento do artesanato e de atividades ligadas ao turismo à cultura – feiras e festas centradas em temas regionais e locais: produtos, trabalhos, tradições, jogos e cantares, comeres, sabores e cheiros (CAVACO, 1999, p. 98).
Na Microrregião de Viçosa, existem várias potencialidades para que o lazer e o turismo se desenvolvam e promovam um reaproveitamento das paisagens culturais e naturais, assim como em relação ao envolvimento dos grupos sociais residentes nas áreas onde foram se formando as comunidades.
O desenvolvimento local, para a região da pesquisa, necessitará conciliar desenvolvimento e conservação espacial e um turismo alternativo de base local, de forma a atender as peculiaridades econômicas da região e geração de emprego e renda, mantendo as identidades culturais dos lugares, que valorizem os elementos ambientais e culturais, de forma a causar o menor impacto possível, também contribuindo para a afirmação do lugar.
Para Cavaco (1999, p.99), o desenvolvimento alternativo, nessas áreas “está em causa mobilizar recursos disponíveis e não utilizados, saberes-fazer e capacidade organizativa e de iniciativa (agentes econômicos; atores de desenvolvimento)” para criar riqueza e emprego. Para tal, seria necessário aproveitar atividades tradicionais, instituir atividades novas e reorganizar processos produtivos.
A região do estudo apresenta uma cultura camponesa bastante rica. Nas comunidades, as pessoas praticam suas religiões, promovem encontros por meio das festas (muitas em devoção aos santos padroeiros), desenvolvem suas técnicas da própria produção agrícola e de
atividades secundárias, como a produção de queijos, doces, quitandas, por exemplo, e manifestam seus simbolismos, entre tantos outros costumes. Nessa região encontram-se, também, belas paisagens naturais, formadas por uma região serrana, com vegetação de matas densas, rios, cachoeiras, fauna e flora, sem contar que existem muitas edificações exóticas, de construção antiga.
Esse espaço é uma combinação de vários elementos de sedução turística, que seduzem o turista não somente para a contemplação da paisagem e para o lazer; muitas pessoas desejam fazer parte de uma rotina diferente da habitual, participando das festas, das produções agrícolas, enfim, atribuindo diversos usos a essas áreas, o que garante uma possibilidade de turismo ao lugar.
Esses espaços rurais são refúgios para os citadinos que buscam tranquilidade e contato com a natureza, desprendendo-se, mesmo que por alguns poucos dias, da rotina desgastante da cidade. Outros buscam formas mais agitadas de aproveitar o rural, praticando atividades desportivas/recreativas, conflitando, assim, interesses. Até que ponto o rural significa um repouso físico e mental e até que ponto ele tem de ser adaptado para diversas práticas de lazer?
Vários questionamentos são postos, em se tratando de desenvolvimento de base local relacionado ao turismo rural, mesmo sendo ele alternativo. Nesses lugares existem conteúdos culturais que foram-se desenvolvendo há décadas. Existe ali um espaço vivido, um cotidiano e a intensificação do turismo resultará em fluxos de pessoas, o que poderá resultar em perdas indesejáveis. Levantam-se, então, problemas diversos: o produtor, ao abrir sua propriedade para o turismo, irá-se submeter a uma série de transformações; o encontro de culturas poderá resultar em perda de identidades, esse espaço passará por metamorfoses, pois não permanecerão intacta, a rotina e a privacidade de outrora e os desgastes ambientais sempre irão existir, pois a atividade do turismo é dinâmica.
Com o desenvolvimento turístico, a movimentação de pessoas será intensa, fazendo com que surjam várias preocupações; normalmente, a região apresenta uma série de propriedades rurais, e é necessário observar se a atividade interage com a vizinhança, devendo haver uma integração entre produtores vizinhos e outros agentes relacionados. Toda a comunidade deve estar mobilizada para evitar conflitos de interesse e grandes perturbações, fato que ainda não é visivelmente marcado nas propriedades rurais de estudo, mas que é apontado pela literatura corrente.
Não é simples para o produtor rural, que antes se dedicava somente à produção agrícola e outras atividades relacionadas à rotina do campo, de repente se tornar, também, um
empreendedor turístico ou estar, indiretamente, diante dessa possibilidade. Esses produtores e suas famílias terão de administrar novos rendimentos, dedicarem-se a outras atividades e conviverem com hábitos bastante peculiares em relação aos seus. O choque entre culturas talvez seja um dos problemas dessa realidade, como também a degradação de seus patrimônios materiais e imateriais.
O desenvolvimento local pode significar, também, problemas, e poderá destruir seu próprio produto. A pressão sobre certos recursos frágeis (cultura, recursos naturais, por exemplo) pode ser devastadora, pois esses são atrativos diretamente alvos do turismo. Pensando dessa forma, o turismo alternativo pode ser mais desgastante que o próprio turismo de massa. Por isso, deve-se ter cuidado com as especificidades dos lugares, as diferentes situações, o perfil dos moradores e se o turismo alternativo surtirá mesmo o desenvolvimento desejado ou se não é mera tentativa de atenuar os problemas do turismo convencional.
O turismo no espaço rural, visto como um turismo alternativo ao turismo de massa, apesar de certas cautelas, pode ser uma forma interessante de desenvolvimento local para essas regiões, já que apresenta uma pluriatividade. Para tal, é necessário: utilizar recursos endógenos; ser centrado nas necessidades próprias da comunidade; capacitar agentes, tal como os produtores rurais; manter estratégias de desenvolvimento; constituir parcerias, como com o setor público, por exemplo; implantar infra-estrutura, procurando sempre pensar na preservação dos bens patrimoniais.
Para o desenvolvimento local, não basta apenas pensar nas potencialidades do local e nas perspectivas futuras. Acredita-se que o planejamento e o desenvolvimento de estratégias são fundamentais, além de se pensar nos efeitos negativos que poderão surgir.
Neste capítulo, apresentamos uma série de definições que tiveram, como fundamento, criar uma base teórica para compreender como se dá o processo de percepção do turismo no espaço rural. A partir dessa fundamentação teórica, idealizamos um suporte mínimo, porém necessário, para identificar que tipo de turismo ocorre, tanto na Zona da Mata quanto no Minho.
De acordo com os nossos postulados, cremos que as transformações pelas quais o meio rural brasileiro tem passado, nas últimas décadas, contribuíram para torná-lo uma mescla de atividades agrícolas e urbanas, atividades estas que podem ser desenvolvidas de forma a complementar as atividades agrícolas. É nesse contexto que o turismo nasce e se fortalece.
As análises aqui apresentadas serviram para corroborar a existência de grandes possibilidades para o desenvolvimento local, com potencialidades em várias modalidades
turísticas, tais como a esportiva, a de lazer, a religiosa, a cultural, a rural, entre outras; porém, faz-se necessário pensar o desenvolvimento local não apenas sob um prisma econômico, mas como um desenvolvimento que garanta uma melhoria do ponto de vista educacional e sociocultural, garantindo a todos os atores envolvidos com o turismo um melhor padrão de vida.
Uma dessas possibilidades é a efetiva implantação de uma política pública que favoreça as famílias envolvidas com a pluriatividade em suas propriedades, ao mesmo tempo que facilite e estimule o turismo na região, garantindo a permanência de todos, em suas áreas de origem.
Outro aspecto a ser considerado é a criação de mecanismos que garantam uma produção e distribuição dos produtos elaborados nas propriedades, tais como: café, doces, vinhos, cachaça, ovos, leite e outros, fazendo com que esses produtos cheguem à mesa do consumidor, mantendo um padrão mínimo de consumo desses produtos e consequentemente, a sobrevivência dessas propriedades rurais.
Observamos que a região de estudo possui uma série de recursos naturais, religiosos e culturais que, favorecidos pela beleza cênica da paisagem, garantem uma dinamização do espaço rural local, por meio do turismo de base local. O que falta a esses proprietários, que agora abrem as porteiras de suas propriedades aos turistas, é uma política de fomento a esse turismo local e também parcerias que possibilitem uma maior capacitação dos envolvidos em atender o turista com cursos, linhas de créditos e outros fomentos, visando, com isso, realmente, alcançar o desenvolvimento local.
Para Hespanhol (2007), essa dinamização do espaço rural requer
o melhor aproveitamento dos potenciais produtivos, tanto da