5 Læringsprosessen
5.3 Lese mennesker
5.3.2 Vise service
A PES teve desde o início, para a estagiária Ana Quadrado, a conotação pessoal de um novo desafio de crescimento e aprendizagem profissional e pessoal. Neste sentido, tudo o que foi realizado neste âmbito foi concretizado com bastante dedicação e motivação, apesar dos constrangimentos, dúvidas, momentos de hesitação e desmotivação, característicos de qualquer percurso de aprendizagem, que foram surgindo ao longo de todo o percurso. O apoio incondicional do Orientador Cooperante, da Supervisora da UBI, dos colegas de estágio e universidade, bem como da turma em causa foram essenciais para uma aprendizagem que se revelou de enorme riqueza pessoal e profissional.
Richard Arends (2002) citando Luft (1970) afirma que "um grupo (turma) pode ser visto como um sistema em desenvolvimento com a sua própria estrutura, organização e normas. As turmas podem parecer semelhantes à distância ou no papel, mas, na realidade, cada uma é tão única como uma impressão digital". Esta constatação expressa que o que está por detrás de cada turma é mais que um mero conjunto de alunos. Os 27 alunos com os quais houve a oportunidade de privar, a cada aula que passava, expressavam-se constantemente com a sua vontade, valores, evolução e crescimento. A relação empática que foi possível criar com estes, foi sem dúvida uma das maiores potencialidades e vantagens da PES. Richard Arends (2002) relaciona a tonalidade afetiva positiva do professor com motivação dos alunos. Este ponto foi fulcral na PES, pois tornou-se um dos fatores preponderantes para o relacionamento com a turma, mantendo sempre um clima equilibrado e motivador. A tonalidade afetiva positiva, foi sempre uma preocupação pela motivação e estímulo dos alunos, através, sobretudo, do recurso a reforços positivos. Ao longo de toda a PES foram surgindo algumas críticas em relação a esta circunstância, assentes apenas no facto de a turma ser dividida em dois turnos que, por sua vez, tornaria esta tarefa mais fácil, mas este facto pode ser facilmente contrariado se considerarmos a individualidade de cada aluno e o respetivo
potencial. A relação professor aluno que se foi verificando ao longo do ano letivo e os resultados práticos e efetivos colmataram, assim, quaisquer apreciações mais críticas. Todos os alunos fizeram um excelente percurso na disciplina e em todas as avaliações e reflexões realizadas ao longo dos semestres verbalizaram a sua motivação, gosto e vontade de aprender, tendo expressado também naturalmente que foram ampliados os seus conhecimentos na área artística.
Ao nível das atividades preparadas para a disciplina houve sempre uma preocupação peculiar com a interdisciplinaridade. Em praticamente todas os trabalhos, havia um conceito plural, que surgia de uma forma natural e colocava os alunos a pensar de um modo transversal. Esta situação verificou-se, por exemplo, na construção do móbil quando os alunos tinham que encontrar o centro de gravidade das suas esculturas cinéticas. De uma forma muito natural e espontânea relacionaram conhecimentos, neste caso particular, com a física. Foi-se verificando um trabalho interdisciplinar, sobretudo, com as disciplinas de Português, História, Física, Matemática, entre outras, constatando-se a dimensão global que a arte pode ter no crescimento e desenvolvimento holístico das crianças e jovens.
As aulas decorreram sempre de uma forma muito tranquila e motivadora, de parte a parte (professor e alunos), em que houve sempre um trabalho cooperativo, equilibrado, assente em normas bem definidas, nunca se verificando comportamentos negativos, e houve sempre um trabalho bastante comunicativo e envolvente, promovendo sempre um ambiente de trabalho muito saudável.
Ao nível das expectativas dos alunos, na sua avaliação/reflexão foram expressando sempre que as mesmas foram alcançadas, o que provoca uma sensação pessoal muito positiva. Muitos dos alunos verbalizaram que conseguiram superar muitas das suas dificuldades nesta área, que ficaram inclusivamente admirados com as suas próprias capacidades e com vontade de continuar a experimentar e a realizar trabalhos de cariz mais artístico e expressivo.
É importante também realçar que os alunos manifestaram sempre altos níveis e motivação, demonstrando o seu empenho e interesse, muitas vezes ficando na aula no momento de intervalo e indo até à Escola continuar ou terminar os trabalhos, na sua tarde livre.
No que concerne ao trabalho desenvolvido nas atividades complementares e extra curriculares, proporcionaram uma aprendizagem de todo o processo escolar para a sua realização, assim como a sua pertinência no crescimento e desenvolvimento dos alunos e na dinâmica cultural e social da comunidade escolar. Nas atividades em que a estagiária esteve mais envolvida é de destacar a importância do trabalho cooperativo com dois colegas do núcleo de estágio. Em relação à manutenção do Blog "Olhar Palmeiras", as suas potencialidades poderiam ter sido mais rentabilizadas, sobretudo, pelo núcleo de estágio e grupo disciplinar, sendo que das 20 mensagens colocadas no blog, cerca de metade foram
elaboradas pela estagiária Ana Quadrado. No atelier de expressões a estagiária poderia ter tido um papel mais ativo, mas a escassez de tempo e a distância física da escola não o possibilitou, acabando por dar uma colaboração mais de caráter pontual. A visita de estudo ao Centro Cultural “A Moagem”, no Fundão, foi uma atividade bastante profícua, uma vez que possibilitou aos alunos um contacto direto com obras de arte e o retorno desta em termos de aprendizagem foi notório nos trabalhos posteriormente desenvolvidos. A Exposição "Eco Design" revelou-se um excelente meio de dinamização dos trabalhos desenvolvidos, acabando por ser uma extensão da escola para a comunidade. Por fim, as atividades no ATL, apesar de ter tido uma colaboração muito pontual, nunca deixaram de ser uma aprendizagem que impulsionaram uma riqueza profissional mais abrangente e dinâmica.
Ao nível do relacionamento com os colegas do núcleo de estágio, poderia ser mais rentabilizado. Tal ficou a dever-se ao facto de os elementos do núcleo não se identificarem uns com os outros e não existir uma grande afinidade, e também ao facto de não haver horários compatíveis que promovessem a colaboração, conhecimento e partilha entre os mesmos. Apesar destes constrangimentos, foi possível trabalhar, cooperar e partilhar com dois colegas do núcleo de estágio, Francesco Pignatelli e Rita Ribeiro.
O acolhimento e relação na escola por parte dos docentes e não docentes com que a estagiária lidava diretamente foi, desde o início, bastante caloroso e recetivo, sendo que a disponibilidade e atenção em integrá-la foi um ponto bastante positivo e motivador sentido ao longo da PES.
A estagiária chega ao final deste processo com a certeza da vivência de uma experiência dual de professora e aluna, aluna e professora onde procurou concretizar grande parte dos princípios expostos na primeira parte deste Relatório, "um professor é um eterno aluno" e "Ensinar é um ato de Amor " (Ana Feio, 2011)