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Viscoelasticity and attenuation

Energy, viscoelasticity and attenuation

4.2. Viscoelasticity and attenuation

Segundo Lightbown e Spada (2006, p.1) “Um fato extraordinário a respeito da aquisição da PRIMEIRA LÍNGUA24 é o alto grau de semelhança na linguagem dos bebês em qualquer parte do mundo.” 25 É indiscutível a capacidade que as crianças têm de se comunicar. Desde o nascimento, o recém-nascido emite o choro e sons guturais para comunicar que está sentindo fome, sede ou desconforto. Primeiro, entende palavras repetidas: ‘acena’ de volta quando alguém gesticula um adeus; aproxima e afasta as mãozinhas repetidamente, quando batem palmas. Entre o sexto e o décimo segundo mês pode produzir uma ou duas palavras que todos entendem. A partir do primeiro até o segundo ano, já produz no mínimo cinqüenta palavras, que vão combinando-as, umas às outras, para formar frases telegráficas, mas criativas: ‘mamãe, suco’, ‘bebê, colo’, ‘bebê, chão’. Aos três anos seu vocabulário já atingiu as trezentas palavras. Segundo confirmam Lightbown e Spada (2006) a criança vai descobrindo a língua progressivamente durante os primeiros três anos de vida.

O desenvolvimento intelectual da criança, para muitos estudiosos, resulta da tremenda habilidade que ela tem de aprender a partir da sua experiência com ambiente em que vive. A asserção acima é confirmada por Jean Piaget, que postula que o desenvolvimento intelectual é o resultado de um intercâmbio dinâmico e ativo entre uma criança e seu ambiente. Lightbown e Spada (2006, p. 19) elaboram que:

Eles entendem a aquisição da língua como um processo semelhante, ou até mesmo influenciado pela aquisição do conhecimento e de outros tipos de habilidades, e não como algo diferente e amplamente separado da experiência e do desenvolvimento

cognitivo da criança26.

Para além da noção piagetiana da aquisição da língua como conhecimento, fruto da interação física da criança com o ambiente, Lev Vygotsky concluiu que a linguagem desenvolve-se principalmente a partir da interação social.

Há na literatura muita discussão em torno da questão do período crítico para aquisição da língua; há mesmo um período de desenvolvimento biológico ótimo em que a aquisição da língua ocorre com maior facilidade, e partir do qual se torna cada vez mais difícil aprender uma língua? A hipótese do período crítico postula que sim; há um cronograma biológico.

24 Grifo das autoras

25 Texto original: One remarkable thing about FIRST LANGUAGE acquisition is the high degree of similarity in

the early language of children all over the world.

26 Texto original: They see language acquisition as similar to and influenced by the acquisition of other kinds

of skill and knowledge, rather than as something that is different from and largely independent of the child’s experience and cognitive development.

A princípio, acreditava-se que o período crítico fosse relacionado apenas à aquisição da L127. Singleton e Ryan (2004, apud Brown, 2007, p. 59) fizeram estudo minucioso, baseado em argumentos neurológicos que sinalizou a influência do período crítico também sobre a aquisição de L2.

Segundo Ellis (2008) muitos pesquisadores que se posicionaram a favor do período crítico para a aquisição de línguas postulavam que há uma predisposição biológica para desenvolver certas habilidades em um tempo definido, e se, não houver o estímulo de fora durante esse período, essas habilidades não serão mais desenvolvidas. Seus argumentos fundamentaram-se em pesquisas de estudos de casos de afasia ou de outros danos cerebrais em crianças que não puderam desenvolver a L1, ou nos casos clássicos, reportados na literatura lingüística, das crianças ferais, que cresceram em ambientes sem o contato humano, privadas de estímulo lingüístico, e, portanto, quando encontradas, mesmo em presença de estímulo maciço, não puderam mais desenvolver a linguagem. (Lenneberg, 1967; Galloway, 1980; Obler e Mahecha, 1991; Rymer, 1993; Curtiss, 1977)

Muitos neurocientistas aceitaram a existência de um período crítico para a aquisição da segunda língua, mas foi Lenneberg (1967, apud Ellis, 2008, p. 761) quem primeiro viu uma correlação entre o processo de lateralização, o qual não se completa até a puberdade, e o período crítico para se aprender a segunda língua. No entanto, contrapõe (Ellis, 2008, p. 24) não há um “claro consenso sobre quando se fecha, de fato, a ‘janela da oportunidade’ para a aquisição de línguas” 28.

Lenneberg foi o precursor dos estudos que explicitaram que a maturação biológica ou neurológica, fator determinante do período crítico, está relacionada à aquisição da segunda língua. E este mesmo pesquisador argumentou ainda que, com base na maturação biológica do indivíduo, a aquisição natural da língua somente se dá dos dois anos até a puberdade, quando a lateralização da função da linguagem no hemisfério cerebral dominante se completa, e, por conseguinte, resulta na perda da plasticidade cerebral. Este é o período crítico para aquisição da segunda língua por exposição natural. Embasada neste argumento é que, após a puberdade, a aprendizagem das línguas não acontece naturalmente, por mera exposição; se dá por meio de esforço consciente e elaborado. (Scovel, 1988)

Ellis (2008, p. 23) apresenta o trabalho de Patkowsky (1980) que pesquisou a influência do fator idade como fator limitante para o domínio de outras habilidades

27 Termo primeiramente empregado por CATFORD (1959) para designar a língua primária do individuo.

28 Texto original: There is, however, no clear consensus on when the ‘window of opportunity’ for language

lingüísticas na aquisição/aprendizagem da segunda língua, afora a pronúncia. Patkowsky entrevistou e gravou em áudio as entrevistas com os participantes da pesquisa, a saber, 67 imigrantes nos Estados Unidos que haviam iniciado seus estudos de inglês em tempos diferentes, mas ali residiam há mais de 5 anos, e 15 falantes nativos de inglês, nascidos e domiciliados no país. Em seguida, editou as gravações, eliminando qualquer indício que pudesse revelar a condição de imigrante do entrevistado e submeteu-as à avaliação de juízes experientes, falantes nativos do inglês que julgaram o domínio da língua-alvo por meio da produção oral dos entrevistados. Os resultados foram contundentes, pois 32 dos 33 participantes falantes de inglês como segunda língua que começaram a aprender a língua- alvo antes dos 15 anos e todos os participantes falantes nativos obtiveram grau de 4+ a 5 (em escala de 0 a 5). Patkowsky concluiu que, os limites que a idade impõe ao sucesso na aquisição/aprendizagem de habilidades lingüísticas da segunda língua vão além do sotaque, e alcançam, por exemplo, a sintaxe e a morfologia da língua-alvo. Os resultados encontrados por Patkowsky corroboram a existência do período crítico para aprender uma segunda língua.

Scovel (1988) fundamentando seus achados com base na hipótese do período crítico refutou-a com a argumentação de que a produção fonológica é o único aspecto da aquisição da segunda língua que está, de fato, determinada pela maturação dos processos biológicos, e, portanto, atrelada ao período crítico para aquisição, pois está ligada diretamente à maturação neuromuscular das estruturas da fala, e findo esse período, não há possibilidade do aprendiz superar o sotaque estrangeiro ao aprender uma segunda língua. E este mesmo autor corrobora que existe sim, um período crítico para a aquisição de línguas, que não é determinado pelas limitações do amadurecimento biológico ou neurológico, mas, é, antes de tudo, regido por influências que o meio exerce sobre o aprendiz de segunda língua, quais sejam o papel da afetividade, a motivação do aprendiz, a influência do contexto lingüístico-cultural, campo onde o processo da aquisição onde está ocorrendo, dentre outras variáveis.

Lightbown e Spada(2006, p.17) afirmam que:

No que diz respeito à língua, a Hipótese do Período Critico sugere que as crianças que não tiveram acesso à língua na infância (devido à surdez ou isolamento extremo) nunca irão adquirir a linguagem, no evento dessas privações estenderem-se por muito

tempo.29

29 Texto original: With regard to language, the CPH suggests that children who are not given access to language

in infancy and early childhood (because of deafness or extreme isolation) will never acquire language if these deprivations go on for too long.

Como quase todas as crianças são expostas à língua desde a mais tenra idade, torna-se difícil achar provas a favor ou contra a Hipótese do período critico. As crianças aprendem a segunda língua em qualquer tempo. Hipoteticamente, há um período crítico para aquisição da segunda língua da mesma forma que há um prazo para aquisição da primeira língua. A hipótese do período crítico pressupõe determinantes biológicos na aquisição da primeira e segunda língua. (Lightbown e Spada, op.Cit.)

McLaughlin (1978) argumenta que não há evidências que comprovem que crianças e adultos aprendam a segunda língua por mecanismos distintos; aprende-se a segunda língua de acordo com o desenvolvimento cognitivo. Ele pondera se há uma melhor idade para introduzir-se a segunda língua. E ele mesmo responde que há consenso entre a maioria dos pesquisadores que o período ideal para aprendê-la é a partir do nascimento. No entanto, acrescenta McLaughlin, as pesquisas sugerem que as crianças mais velhas aprendem a segunda língua com mais facilidade que as mais novas; as primeiras têm a vantagem do sistema cognitivo mais desenvolvido, por isso aprendem mais facilmente a sintaxe, a semântica, a morfologia da língua nova. As segundas têm maior facilidade com a fonologia da língua. Têm a desinibição a seu favor e não tendo medo de cometer erros se comunicam melhor na língua. Por fim, McLaughlin contra-argumenta dizendo que seria irrefletido eleger uma idade determinada para uma criança começar a aprender a segunda língua, principalmente porque as condições de aprendizagem variam de acordo com o ambiente onde a criança é exposta à segunda língua: em casa, na escola, nos dois ambientes. O que é plausível sintetiza McLaughlin, é que pode haver diferentes idades ideais para cada uma destas situações.

A argumentação de McLaughlin encontra consenso na hipótese de Seliger (1978,

apud Ellis, 2008, p. 24) que propõe a existência de vários períodos críticos para diferentes habilidades lingüísticas. A esta hipótese poderia se atribuir, por exemplo, a impossibilidade do adulto em aprender a pronúncia nativa da L2, ao passo que, a criança adquire a fonologia da L2 como a adquire um falante nativo da mesma (Santos, 2001, mimeo).