4.5 Users
4.5.1 Road Users
A Internet tem demonstrado, desde o seu surgimento, que é a mídia mais interativa e potencialmente democrática disponível na atualidade. Para que possam ser usufruídos os benefícios oferecidos por ela, os governos devem implementar sua presença na Rede de maneira sólida e eficiente. Com o desenvolvimento de novas tecnologias que possibilitam a prática de diversas teorias da administração, sugiram formas mais racionais de aproveitar esses benefícios, como, por exemplo, a
utilização dos portais. Na literatura especializada, encontramos diversas definições e classificações de portais. Apesar das variações, em todas elas percebemos duas características principais: a integração e o compartilhamento.
Para Gant & Gant (2001), um portal Web é um meio de acesso integrado que oferece aos visitantes um ponto único de contato para fornecimento de informações e de serviços on-line. Dias (2002)15 classifica os portais Web em públicos e corporativos; subdivide os públicos em verticais e horizontais, e os corporativos em portais com ênfase em suporte à decisão e em processamento cooperativo. Segundo a mesma autora, os portais públicos ou portais de consumidores têm como objetivo atrair maior número possível de visitantes (Internet) e estabelecem com eles um relacionamento unidirecional, voltado para marketing de produtos.Os portais horizontais são direcionados ao público em geral e oferecem grande quantidade de serviços e conteúdo em diversas áreas temáticas.
O portal vertical, também conhecido como vortal, tem como público-alvo os internautas especializados em determinada área do conhecimento ou ramo da indústria. Os portais corporativos (também conhecidos como portal de negócios ou portal de informações empresariais) normalmente são implementados em uma rede corporativa, ou, quando presentes na Internet, são providos de serviços de segurança, como dados criptografados e rigorosa autenticação de usuários. Os portais corporativos com ênfase no processamento cooperativo utilizam ferramentas de trabalho em grupo (groupware) e de fluxo de documentos (workflow) para gerenciar o acesso e o intercâmbio de informações geradas pelos usuários. Os portais corporativos com ênfase na tomada de decisão auxiliam os executivos das empresas, oferecendo interface única que reúne todas as informações,estruturadas ou não, necessárias para a tomada de decisão.
15 A autora, em seu livro Usabilidade na Web, mostra a evolução dos portais públicos e corporativos, além de um resumo das 15
regras esperadas em um portal corporativo (baseado em ECKERSON, W. 15 rules enterprise portals. Oracle Magazine, v. 13 n. 4, p. 13-14).
Para Terra & Gordon (2002), os componentes-chave da arquitetura de um portal corporativo são os seguintes: camada de apresentação e personalização, taxionomia e mecanismos de busca, aplicações Web e conectores.
A camada de apresentação possibilita ao usuário visualizar informações no portal, e a personalização é o mecanismo que propicia a customização da informação de acordo com o perfil de cada usuário – recurso conhecido como “minha página”. A taxionomia, apesar de ter surgido há muito tempo como campo de estudo da biblioteconomia, somente com o crescimento exponencial da informação digital é que os profissionais da informação têm percebido sua importância, principalmente para aplicação na recuperação da informação.
Os mecanismos de busca, de acordo com sua complexidade, podem implementar os seguintes serviços:
(i) buscas por palavras-chave ou por frase exata;
(ii) buscas booleanas, utilizando operadores lógicos como AND OR e NOT;
(iii) buscas com inferência baseada na freqüência dos termos no texto (buscas bayesianas);
(iv) buscas conceituais, que utilizam thesaurus para adicionar aos parâmetros da pesquisa termos relacionados com as palavras-chave digitadas;
(v) buscas por contexto, que levam em consideração o contexto em que o usuário está realizando a pesquisa, o que possibilita resolver problemas como o da homonímia; (vi) buscas utilizando a linguagem natural;
(vii) buscas baseadas em bases de conhecimento, utilizando mecanismos que “aprendem” de acordo com as respostas às perguntas às quais os usuários são submetidos;
(viii) buscas baseadas na popularidade do sítio, que permitem alterar o ranking de links exibidos, considerando, por exemplo, o numero de visitas já realizadas naquele link;
(ix) buscas baseadas em filtros colaborativos, que se sustentam na tese de que usuários que compartilham interesses similares, consideraram como mais relevantes aqueles resultados tidos como relevantes anteriormente por outros usuários com perfil idêntico; (x) buscas por afinidade, que empregam técnicas parecidas com as utilizadas pelos filtros
colaborativos. No entanto, vão além: procuram traçar correspondência entre a pessoa que escreveu, leu ou atualizou um determinado documento;
(xi) buscas com mapeamento visual, que permitem aos usuários ver os resultados categorizados graficamente, para facilitar a navegação entre os blocos de informações relacionadas;
(xii) buscas ponto a ponto, que utilizam uma comunidade auto-selecionada sem a necessidade de índice centralizado;
(xiii) buscas baseadas em agentes personalizados, que utilizam sua alta capacidade de “aprendizado” dinâmico, levando em consideração o padrão de buscas e escolha de cada usuário, com base nos algoritmos das buscas conceitual e por contexto.
As aplicações Web correspondem ao conjunto de software desenvolvido tanto para a plataforma Web, quanto às interfaces padronizadas (API) desenvolvidas para possibilitar a integração das novas aplicações com os sistemas legados da organização.
Os conectores são ferramentas incorporadas ao portal para prover serviços adicionais como a teleconferência, os sistemas de gerenciamento de documentos eletrônicos (GED), os sistemas de relacionamento com clientes (CRM), o acesso ao armazém de dados (Data Wharehouse) aos sistemas corporativos e ao sistema de gerenciamento de conteúdo do próprio portal. A Figura 1 mostra graficamente a estrutura de portal proposta por Terra & Gordon (2002).
Figura 1 – Componentes-chave da arquitetura de um portal corporativo
Fonte: Terra & Gordon, 2002, p. 96.
Vilella (2003) defende que o portal deve ser planejado como verdadeiro sistema de informação e que ele deve ser resultado da integração desses sistemas. Também na visão de Silveira (2002), um portal de governo deve ser cooperativo, ou seja, as transações gerenciadas que envolverem mais de um órgão devem ser realizadas pelo portal de maneira transparente, sem apresentar dificuldades adicionais ao cidadão usuário. Essa é uma das formas de utilização da Internet que têm sido defendidas como uma oportunidade de transformar a relação entre os governos e os cidadãos. É importante ressaltar que, se o objetivo é proporcionar mudança na relação, o planejamento e a implantação dos portais devem considerar a busca pelo interesse e as necessidades do cidadão, ou seja, o desenvolvimento e a implantação do portal devem estar centrados no cidadão. Nos projetos de alguns países que detêm as melhores práticas de e-gov, estão presentes aplicações que implementam conceitos relevantes em um portal e-gov, como o ponto único de parada (one-stop government).
Para atender a esse conceito, o portal deve concentrar grande quantidade de serviços e informações, de forma que não seja necessário o deslocamento do cidadão a outro endereço para utilizar um determinado serviço público. O conceito de fatos da vida do cidadão (life-events) está diretamente relacionado com a integração dos serviços oferecidos pelo portal. Na implementação desse recurso, os sistemas de informação dos órgãos públicos e seus processos deverão estar organizados de modo a oferecer um determinado serviço público independentemente da estrutura física tradicional.
Assim, ao atender ao evento “documentos perdidos”, por exemplo, o portal deverá transacionar com diferentes órgãos, possivelmente de diferentes poderes ou até mesmo em mais de um nível de governo (federal, estadual e municipal) para solucionar o problema do cidadão, que é comunicar- se com os órgãos ligados à polícia e com os responsáveis pela emissão da segunda via dos documentos perdidos.
Para que seja possível a implementação de portais com as características defendidas pelos autores já citados nesse tópico, é necessário que os governos que tenham sistemas de informação não integrados reorganizem seus sistemas visando a obter interoperabilidade entre eles. Santos (2002) denomina essa reorganização interna de Protogoverno Eletrônico.
Silveira (2002) descreve a situação de sistemas não integrados e sem interoperabilidade no governo brasileiro como verdadeiras “ilhas” interligadas entre si apenas por meio de links. Também mostra a necessidade de esses sistemas serem transformados em “continente”, ou seja, serem integrados ou interoperáveis.
Finalmente, tanto Santos (2002) quanto Terra & Gordon (2002) afirmam que um portal corporativo só pode alcançar êxito se houver uma mudança na própria cultura organizacional e na forma pela qual os conhecimentos serão geridos a partir de sua implantação.