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3 Avgrensning av utvalgskretsen

3.3 Momenter ved avgrensning av utvalgskretsen

3.3.3 Økonomiske forhold og merkostnader

Nesse modelo, os autores não apresentam novas teorias para explicar a inteligência, pois consideram prática a abordagem já existente sobre sua multidimensionalidade (OLIVEIRA, 2007; DAVIS et al., 2011; JIMÉNEZ FERNÁNDEZ, 2000). Dentre seus representantes, citam-se J. Renzulli e F. Gagné.

O modelo dos três anéis, de Joseph Renzulli, adota os termos comportamentos dotados para referir-se ao produto da interação entre três componentes ou variáveis complexas e interdependentes, que são: (1) capacidade/habilidade de executar num alto nível dentro de uma área/domínio geral6 ou específico; (2) altos níveis de comprometimento com a tarefa ou energia exercida sobre um determinado problema por meio de fatores motivacionais (concentração, resistência, dedicação, energia e perseverança); e (3) altos níveis de criatividade ou pensamento criativo, associados à fluência, flexibilidade, originalidade, curiosidade, coragem de correr riscos, inovação e abundância de detalhes, aplicados em qualquer área potencialmente valiosa do desempenho humano (RENZULLI, 1978, 1986, 2002, 2005a, 2005b; REIS; RENZULLI, 1997). Para Renzulli (1997), cada fator atua de forma simultânea e com o mesmo grau de importância, mas reconhece sua variabilidade em

6Domínio geral é a capacidade de processamento de informações e integração de experiências que são capazes de gerar resultados e respostas apropriadas a situações ou problemas (por exemplo: memória, fluência verbal, raciocínio lógico e numérico, relações espaciais e pensamento abstrato). Domínio específico está relacionado

à capacidade de adquirir conhecimentos, dominar técnicas e estratégias aplicadas a um domínio ou campo em particular (por exemplo: matemática, astronomia, xadrez, música, escultura, dança e literatura) (CHAGAS; FLEITH, 2009, 2010; RENZULLI, 2005a; RENZULLI, 2002).

função do contexto no qual o indivíduo está inserido. Nesse sentido, Pfeiffer (2008) observa que a capacidade intelectual perde a sua exclusividade nessa concepção, visto que cada componente desempenha um papel importante no desenvolvimento de comportamentos dotados.

Recentemente, Renzulli (2005b; REIS; RENZULLI, 2011) identificou seis variáveis que contribuem para a manifestação de comportamentos dotados: (1) Otimismo (expectativa de um futuro socialmente desejável); (2) Coragem (capacidade de enfrentar dificuldades ou perigo enquanto superação física e psicológica); (3) Afinidade com um tema ou disciplina; (4) Sensibilidade às preocupações humanas (capacidade de compreender e comunicar tal entendimento por meio da ação); (5) Energia física/mental investida na realização de um objetivo; e (6) Visão/Sensação sobre suas futuras atividades, eventos e envolvimentos. Para o autor, tais comportamentos podem desenvolver-se em determinadas pessoas, mas não em todas, em determinados momentos, mas não durante todo o tempo, e sob determinadas circunstâncias (RENZULLI; REIS, 1997).

Dois tipos de dotação são identificados pelo modelo de Renzulli: dotação acadêmica, entendida como aquela que consome conhecimento, e dotação criativo-produtiva, como aquela que produz conhecimento em níveis de excelência (RENZULLI; REIS, 1997).

Para a identificação de comportamentos dotados, Renzulli e Reis (1997) propõem um modelo de diagnóstico, conhecido como Portas Giratórias, que envolve uma sequência de procedimentos de avaliação, organizados em seis etapas: (1ª) Psicométrica (teste de inteligência, aptidão, criatividade); (2ª) Desenvolvimental (indicadores de pais, professores e autoindicadores); (3ª) Sociométrica (indicadores de colegas); (4ª) Desempenho em tarefas escolares e extraclasse; (5ª) Notificação aos pais e alunos indicados; e (6ª) Notificação da ação (indicadores dos professores de alunos motivados em áreas específicas).

Para auxiliar nesse processo, Renzulli e seus colaboradores (RENZULLI; SMITH, 1979) desenvolveram as “Escalas para avaliação das características comportamentais de alunos com habilidades superiores”, possibilitando aos professores avaliarem seus alunos em áreas específicas, como aprendizagem, motivação, criatividade, liderança, artística, musical, teatral, comunicação e planejamento. Por considerar que apenas os testes e outras medidas de capacidade cognitiva não são o único critério para identificar os alunos com alta capacidade, os autores propõem a utilização de procedimentos mais flexíveis, como informação dos pais, nomeação pelos colegas de classe, produções criativas, dentre outras (RENZULLI, 2005a).

Chagas (2008) defende que o modelo dos três anéis, de Renzulli, é um dos mais difundidos no Brasil e o mais utilizado em programas de atendimento ao dotado, por

apresentar um forte embasamento empírico e por sua boa aceitação nas práticas escolares. No entanto, outros autores destacam que esse modelo recebe críticas em alguns aspectos, como a falta de correlação entre as realizações posteriores da vida e os traços ou experiências das crianças com vários níveis de QI, a ausência de uma base teórica para o conceito de inteligência e a adoção de uma atitude seletiva ao estabelecer quem é dotado ou não (MEDINA BALMASEDA, 2006; PFEIFFER, 2008; JIMÉNEZ FERNÁNDEZ, 2000; SOMODEVILLA, 2009).

Françoys Gagné vem influenciando o campo da educação de dotados para além do uso aleatório dos termos dotado e talentoso. Segundo o autor, mesmo a literatura científica sobre dotação apoia essa ambiguidade na medida em que utiliza um ou outro termo no mesmo parágrafo ou de forma simultânea, como se fossem sinônimos, em trechos como “os dotados e talentosos são [...]” (GAGNÉ, 2008, p. 27).

Gagné (2008) entende que, para muitas pessoas, o termo dotação refere-se à alta capacidade cognitiva e talento, a outras formas de excelência (por exemplo: artes, esporte e tecnologia). Para outras pessoas, dotação corresponde a uma ordem elevada de excelência, mais madura, em oposição ao talento, que seria uma forma de capacidade “crua”, não desenvolvida.

Sobre esses equívocos, alguns autores (COSTA, 2006; PÉREZ, 2006) entendem que a utilização de vários termos como referência ao elevado potencial e excepcional desempenho, deve-se ao fato de não haver um consenso universal a respeito da própria inteligência. Por essa razão, é possível que cada pesquisador utilize um ou mais termos para referir-se àqueles que revelam elevado potencial intelectual (ALENCAR, 2007a; FREITAS; FLEITH, 2007; VIRGOLIM, 2005, 2007b).

Considerando que os estudiosos da área reconhecem implícita ou explicitamente uma distinção entre potencial vs. desempenho ou aptidão vs. realização, sem uma preocupação em conceituar as expressões utilizadas, Gagné (2008) apresentou, em 1985, sua primeira versão do Modelo Diferenciado de Dotação e Talento – DMGT (A Differentiated Model of Giftedness and Talent), a fim de explorar bases para uma diferenciação entre os termos dotação e talento.

O DMGT é apoiado pela definição de dois termos-chaves: (1) Dotação, que designa posse e uso de aptidão elevada ou dons7 (capacidade natural elevada não treinada proveniente

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Gagné, em seu modelo diferenciado de dotação e talento, distingue o conceito de aptidão ou dons, como habilidades naturais em um domínio específico, do conceito de realização, como habilidades sistematicamente desenvolvidas em um campo de talento particular (GAGNÉ, 2005).

da herança genética) em pelo menos uma área da atividade humana, a um grau que o coloca entre os 10%8 melhores, comparados aos pares de idade; e (2) Talento, também concebido como aptidão elevada ou notável grau de competência sistematicamente desenvolvida a partir de conhecimentos e habilidades que emergem progressivamente da transformação das aptidões em realizações específicas, a um grau que o coloca entre os 10% melhores, comparados aos pares etários (GAGNÉ, 1985, 2004, 2005, 2008).

Em termos mais práticos, dotação corresponde à competência9 (potencialidade ou capacidade superior), distintamente acima da média, de um indivíduo em um ou mais domínios em relação aos demais, enquanto talento alude ao desempenho (realização), distintamente acima da média, também em um ou mais campos de atuação humana (GAGNÉ, 1985). Por esses dados, Gagné (2008, 2009a) observa que os dois conceitos compartilham três características: (1) ambos referem-se às capacidades humanas; (2) ambos são normativos, pois diferem da norma; e (3) ambos referem-se a indivíduos que apresentam notável comportamento superior em relação à população geral.

Para o autor (GAGNÉ, 2008), o desenvolvimento da dotação em talento inicia-se logo que a criança ou jovem se dedica à prática de uma habilidade específica em um dado campo de atividade humana (acadêmico, profissional, lazer), como resultado de quatro processos diferenciados: (1) maturação biológica, no sentido do desenvolvimento das capacidades naturais; (2) aprendizagem informal, por meio de aquisições e habilidades desenvolvidas pela vivência normal, cotidiana; (3) aprendizagem formal não institucional (institucional ou autodidata); e (4) aprendizagem institucional formal (âmbito escolar).

Para que o processo de desenvolvimento do talento se concretize, o DMGT instituiu três componentes: Giftedness, Talent, Learning and Practice, entendido como a transformação da capacidade natural acentuada (aptidão) ou dotes/dotação em talento, a partir da aprendizagem e prática, resultando em um desempenho de habilidades sistematicamente desenvolvidas (GAGNÉ, 2008). Com base nesses pressupostos, entende-se que não se pode ser talentoso sem primeiro ser dotado, pois cada indivíduo talentoso é necessariamente dotado, embora o inverso não seja verdadeiro (GAGNÉ 1985, 2000, 2004, 2008).

Segundo Gagné (2000, 2004, 2007, 2009a, 2009b), o processo de desenvolvimento e manifestação do potencial em desempenho (talento) pode ser facilitado ou impedido pela ação

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Dentro dos 10% acima da média, o DMGT reconhece quatro subgrupos progressivamente mais seletivos, que são: (1) moderadamente dotado, (2) altamente dotado, (3) excepcionalmente dotado, e (4) extremamente dotado (GAGNÉ, 2008).

de três tipos de catalisadores10: (1) Intrapessoais – que são subdivididos em fatores pessoais (características pessoais como temperamento e personalidade) e fatores psicológicos – processos de autodireção e autocontrole (motivação, vontade, iniciativa, persistência, confiança em si mesmo), todos eles sob a influência parcial das características genéticas; (2) Ambientais – desde influências de nível macroscópico (fatores geográficos, demográficos e sociológicos) até contextos mais microscópicos, como o agregado familiar (pais, irmãos), pessoas que exercem influência sobre o indivíduo que com ele interagem (professores, colegas), empresas (programas para alunos dotados e talentosos), eventos, intervenções (treino prático e sistemático), provisões (programas conduzidos dentro ou fora da escola), acontecimentos significativos (a morte de um dos pais, doença, receber prêmio); e (3) o Fator Sorte/Chance ou Acaso – de estar no lugar certo no momento certo (nascer em uma família em particular e não em outra, estudar em uma escola que ofereça programas de enriquecimento curricular etc.).

Com relação aos estudantes baixo-empreendedores, Gagné (1985, 2000, 2004) não desconsiderou a possibilidade de serem dotados, por entender que, em algum momento, podem demonstrar desempenhos excepcionais, mesmo não manifestando potencial em alguma área acadêmica. Nesse caso, considera-os como dotados intelectualmente. Corroborando com o autor, Károlyi e Winner (2005) afirmam que a dotação pode ser definida pela presença de um elevado potencial, mesmo na ausência de realização incomum evidenciada por interesses fora da escola, pois consideram que as razões para a não realização em alto nível podem estar relacionadas ao contexto social em que os alunos vivem (por exemplo: meios desfavorecidos e ausência ou insuficiência de desafio em sala de aula).

Quatro domínios11 de competência da capacidade humana são constituintes do DMGT (GAGNÉ, 2000, 2004, 2009b): (1) capacidade intelectual/cognitiva, necessária para pensar racional e abstratamente, planejar, resolver problemas, compreender ideias complexas e aprender pela experiência; (2) capacidade criativa, função intuitiva do cérebro necessária para resolver diferentes tipos de problemas e produzir um trabalho original; (3) capacidade socioafetiva, refere-se às habilidades sociais necessárias nas interações com os colegas, professores e pais (perspicácia, comunicação, percepção, eloquência, influência, liderança, persuasão e outros); e (4) capacidade sensório-motora, presente no subgrupo sensorial (visual, auditivo, olfativo, gustativo e outros) e motor (força, resistência, equilíbrio,

10 Os catalisadores são moduladores da conduta que aumentam ou inibem a capacidade de realização com valor

social (JIMÉNEZ FERNÁNDEZ, 2000).

11 Domínio refere-se às áreas da atividade humana que muitas vezes são referidas como campos ou disciplinas

coordenação, agilidade, velocidade e outros). Segundo seu idealizador (GAGNÉ, 2004), essas capacidades naturais manifestam-se em todos os indivíduos em uma variedade de níveis de proficiência, mas quando o nível de expressão torna-se proeminente, é que a classificação “dotado” se aplica.

Três campos de talento são apontados no modelo de Gagné (2009a): (1) acadêmicos – inclui as disciplinas ministradas na escola; (2) artísticos – envolve arte, dança, música, teatro, fotografia e design; (3) negócios e tecnologia – atuação comercial-industrial, administrativo e informática; e (4) interpessoal – abarca a liderança, prestação de cuidados e serviços humanos como resultado de um processo de transformação dessas capacidades naturais (dotação) em talento. Segundo Gagné (2008), é possível encontrar indivíduos talentosos não somente em ocupações aprovadas socialmente, mas em qualquer campo da atividade humana, por exemplo, entre os criminosos, os hackers (invasores de computador) e outros.

A identificação da dotação e do talento sob o enfoque do DMGT se processa em três perspectivas: (1) Qualitativa, com base na diferenciação horizontal entre domínios e subdomínios; (2) Quantitativa, com base na discriminação vertical entre domínios e subdomínios; e (3) Avaliação do Desempenho, que é dada a partir de múltiplos meios (GUENTHER, 2008b; GAMA et al., 2006).

Quanto aos instrumentos, Gagné (1991) recomenda a utilização de medidas psicométricas nos domínios intelectual e criativo, assim como baterias de testes para avaliar a aptidão física no domínio sensório-motor. Para o domínio socioafetivo, ainda são empregados esforços nesse sentido (GAGNÉ, 2005).

Considerando a necessidade de explicar algumas questões ainda não claramente abordadas e respondidas por pesquisadores, o autor tem revisado seu modelo regularmente (GAGNÉ, 2004, 2005, 2009a, 2009b). Todavia, França-Freitas (2012) coloca que o modelo DMGT tem sido pouco citado entre as publicações nacionais. Ao considerar as teses e dissertações sobre a temática da dotação e talento produzidas até dezembro de 2010, França- Freitas (2012) verificou que o modelo de Gagné passou a ser citado, no contexto nacional, por um número mais significativo de autores somente a partir de 2008. A autora encontrou ainda que, dentre essas publicações, alguns autores apresentaram interpretações equivocadas sobre o DMGT, tais como: a concepção de que dotação refere-se aos indivíduos que se destacam nas áreas da inteligência linguística e lógico-matemática, enquanto os talentosos seriam aqueles que se sobressaem em outros domínios, como as inteligências inter e intrapessoal, e a ideia de dotação como medida de potencial ou habilidades não treinadas.