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Virksomhet: CG - Kulturtanken Rapport kjørt: 14.02.2018

In document Årsrapport 2017 (sider 36-40)

Conscientes da importância das redes sociais, são muitas as rádios que, além de possuírem um

site na internet, ampliaram também a sua presença para diferentes plataformas digitais como

o Facebook, Twitter ou Instagram. Tal como afirmam Laor e Steinfeld (2018, p. 3), “Various media were quick to realise that they too must have a larger online footprint and that they would be wise to invest in their social media presence and activities.”

A apropriação das redes sociais por parte das emissoras não possui um padrão, uma vez que algumas rádios optam por fazer uso das várias plataformas que existem e explorar todas as suas potencialidades e outras optam apenas por uma ou duas plataformas digitais, tendo em conta as suas características e os seus ouvintes (Otero, 2014a). Neste sentido, podemos afirmar que algumas estações radiofónicas procuram tirar o maior proveito das redes sociais, fazendo várias publicações diárias, incluindo elementos multimédia como as fotografias, os vídeos e o texto e procuram incitar também a participação dos utilizadores. Outras emissoras usam essas mesmas plataformas digitais maioritariamente para se autopromoverem (Laor & Steinfeld, 2018). Exemplo disso é o estudo que Freeman et al. (2012), citado por Laor e Steinfeld (2018), realizou com algumas rádios dos EUA, Alemanha e Singapura. Nesse estudo, intitulado por “Radio and Facebook: The Relationship between Broadcast and Social Media Software in the US, Germany, and Singapore”, concluíram que a maior parte das publicações que as emissoras faziam eram para promover os seus programas, rubricas, profissionais e passatempos “using three primary types of posts: posts meant to elicit engagement; posts meant to promote the station and attract listeners; and posts meant to promote the station’s hosts” (ibid., p. 3).

As publicações do género “pergunta e resposta” que incentivavam a participação dos utilizadores não apresentavam grande feedback ao passo que assuntos relacionados com determinados artistas musicais obtinham muitos “likes” e comentários. Ainda no mesmo estudo

chegaram à conclusão que o conteúdo das publicações apresentadas nas redes sociais varia consoante o tipo de emissora radiofónica, ou seja, rádios de música “post more promotional tweets” quando comparadas com “content-based stations which post more newscast tweets”. As rádios de música também partilham mais links de vídeos do Youtube e os “talk-show programes post details of the relevant discussions prior to the programme and relevant links to the discussions during the programme” (Laor & Steinfeld, 2018, p. 4).

Por outro lado, Bonixe (2010) carateriza a presença das rádios informativas portuguesas nestas plataformas de duas formas: “institucional” e “formal”. No caso de ser uma presença institucional, a emissora radiofónica utiliza a sua marca, a sua imagem e o seu logótipo nas diferentes páginas eletrónicas. As redes sociais servem sobretudo para promover a rádio em questão, “sugerindo aos utilizadores programas, indicando o horário em que começam a ser emitidos ou lançando o tema de um espaço de debate” (Bonixe, 2010, p. 141).

Normalmente, esta presença é também caracterizada pela partilha de notícias que estão disponíveis nos sites das rádios. Assim, os ouvintes que usam o Facebook ou o Twitter são convidados “a clicar e a navegar até às páginas das rádios, partindo das ligações colocadas naquelas plataformas” (ibid., p.141). Bonixe (2010, p. 141) afirma ainda que as plataformas digitais são “utilizadas pelas rádios para o acompanhamento em permanência de determinados eventos, como é o caso de jogos de futebol. Nestes casos, o ouvinte pode acompanhar o evoluir do marcador através do Facebook ou do Twitter.”

Embora não seja tão habitual, as rádios que assumem esta presença usam também o Facebook para duas funções distintas: uma para partilhar a ligação para a emissão online no site e outra para encontrarem fontes de informação, como é o caso da TSF que no dia 3 de Outubro de 2010 pedia “que os utilizadores em situação de desemprego contactassem a redacção para serem entrevistados para uma reportagem da rádio” (Bonixe, 2010, p. 142).

No que diz respeito à presença formal, pode-se afirmar que se trata da utilização que os jornalistas das rádios fazem em nome dos seus programas ou da sua empresa. Quer isto dizer que não é determinada emissora que está presente na rede social mas sim o jornalista que trabalha na mesma. Este “aproveita as redes sociais para divulgar programas em que participa ou abrir um canal de discussão para aquilo que está ou vai ser emitido na emissão tradicional” (Bonixe, 2010, p. 142). Por conseguinte, a conta que o jornalista possui tanto no Facebook como no Twitter acaba por fazer parte da própria emissão de rádio.

Neste sentido, podemos afirmar que existem várias formas de as rádios assumirem a sua presença nas redes sociais. Contudo, Laor e Steinfeld (2018, p. 5) afirmam que as emissoras radiofónicas ainda não adotaram uma estratégia específica de forma a aproveitarem todas as ferramentas que as plataformas digitais disponibilizam:

43 Radio stations seem to operate without any predetermined and thought-

out strategy on the social media front, opting instead for the trial and error approach, in spite of the fact that there are strategies that could be employed towards promoting content and boosting user engagement with the station’s pages, as described above.

Assim, Otero (2014a) defende que as rádios devem fazer um uso eficiente das potencialidades das redes sociais, aproveitando por isso características como a imediatez, a interatividade e facilidade na partilha de conteúdos. Uma boa gestão das plataformas digitais implica, portanto, uma constante atualização dos perfis, uma correta identificação da emissora radiofónica e dos seus outros canais na Web, a difusão de arquivos multimédia ou dos links dos mesmos, a inclusão de publicações que incitem a participação e a cobertura dos eventos de interesse em tempo real (Otero, 2014a, p. 821).

Álvarez et al. (2010), citado por Silva (2014, p. 99), considera que as ferramentas de publicação de conteúdos na rede social Facebook são bastante amplas e por isso enumera uma série de potencialidades da plataforma: no “mural” podemos escrever pequenas frases, como por exemplo “a entrada ou um título de uma notícia”, juntamente com o link da mesma; colocar fotografias, “o meio de comunicação pode usar esta ferramenta com dupla direccionalidade ao colocar fotos ou ao solicitar que o usuário publique”; partilhar vídeos através de links do Youtube ou fazendo o upload de um produto audiovisual.

Nesta plataforma digital a maioria dos textos devem ser concisos, diretos e breves visto que a intenção é apresentar uma informação mais clara e objetiva. Segundo Silva (2014, p. 100), “é frequente, também, o uso de siglas e abreviaturas” e de forma a conseguirmos a participação dos utilizadores devemos utilizar “a interrogação ou frases por terminar, tudo em prol de despertar o interesse do leitor”.

No caso do Twitter, Otero (2014a, p. 821) afirma que deve ser criada uma biografia informativa com uma descrição da rádio, o país da mesma e links dos seus outros canais na Web; devem ser publicados conteúdos “ad hoc para la plataforma”; seguir um número relevante de Twitter’s e fazer retweet’s

“de publicaciones de oyentes-usuarios u otros perfiles como, por ejemplo, de comunicadores”; e usar hashtags como por exemplo “#FF” (Follow Friday) ou “#TBT” (Throwback Thursday).

Para além de as emissoras radiofónicas alargarem a sua presença às redes sociais, também se tem notado um grande esforço por parte das mesmas para estarem presentes nos dispositivos móveis, nomeadamente nos telemóveis e smartphones. Segundo Cebrián Herreros (2008, p. 251), “Hay un movimiento claro de las emissoras de radio para ser escuchadas también por la telefonía móvil”. Da mesma opinião são Otero e Ribeiro (2015, p. 272), que referem que “A convergência entre rádio e a tecnologia móvel era previsível”.

O certo é que hoje isso só é possível devido aos avanços tecnológicos que permitiram que os telemóveis passassem a dispor de uma antena capaz de captar as emissoras de rádio tradicional e ferramentas que possibilitam o acesso à internet. De acordo com Cebrián Herreros (2008, p. 251), “En el caso de la radio, además de incorporar un radiorreceptor para captar las emisiones como cualquier transístor, aporta la opción de acceder interactivamente a las prestaciones de la ciberradio a través de sus aportaciones mediante Internet”. Através dos novos telemóveis somos capazes de efetuar pesquisas cada vez mais rápidas e complexas na Web, tal como é possível fazer no computador, e também navegar com qualidade em qualquer site ou rede social.

Cebrián Herreros (2008, p. 247) reforça esta ideia afirmando que:

Este salto en la telefonía móvil se produce también por la introducción de un nuevo software que es capaz de proporcionar nuevas possibilidades y servicios que se añaden a los anteriores y que les da un vuelco tan grande que se entra en otro universo.

Assim, o facto de os telemóveis serem cada vez mais desenvolvidos, adotando também por isso o termo de smartphones, fez com que existisse a necessidade de criar “uma banda larga móvel que resultou no acesso regular à internet” (Otero & Ribeiro, 2015, p. 272). Segundo Cordeiro e Paulo (2014, p. 118), esse mesmo acesso através da banda larga “proporcionou também um novo contexto para o consumo dos media: em movimento, sempre ligado e multitasking.” Desta forma, conforme Reis (2011) afirma, a mobilidade é outra das características da rádio que se mantém com “os novos dispositivos de escuta e o cada vez maior alcance das redes de Internet sem fios”. Para Cebrián Herreros (2001), citado por Reis (2011, p. 14), o futuro das rádios online e da rádio tradicional “está nos terminais móveis, cada vez mais pequenos, portáteis e mais acessíveis (…) em que a rádio conseguirá ainda maior qualidade de som e oferecerá uma maior e melhor diversidade de conteúdos”.

Conhecedores do sucesso de vendas dos smartphones, devido à constante redução do preço deste tipo de dispositivos, e dos vários tarifários com acesso à internet que existem, as rádios têm procurado responder às necessidades dos ouvintes, que “descarregam” e acedem cada vez mais às chamadas “apps”.

Conforme Cordeiro e Paulo (2014, p. 126):

O desenvolvimento de aplicações mobile pelas das estações de rádio resulta em boa medida da convergência multimédia e do crescente número de utilizadores de smartphones em Portugal. É uma opção estratégica para a rádio, por permitir, facilitando o acesso, que o ouvinte escute rádio em qualquer lugar ou momento (…).

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Estas aplicações móveis são mais uma forma de captar a atenção não só daqueles que ouvem a rádio tradicional, mas também dos que ouvem rádio na internet com os seus telemóveis. Assim, segundo Cordeiro e Paulo (2014, p. 119) através das apps as emissoras radiofónicas conseguem “estar onde está o destinatário da mensagem e criar novas formas de o cativar, oferendo conteúdos a que é possível aceder em qualquer lugar, bastando apenas ter uma ligação à Internet”. Contudo, Otero (2015, p. 50) relembra que “La radio móvil exige el rediseño de la estructura y contenidos de las APPs, para adecuarlas a las oportunidades de este nuevo soporte y crear un lenguaje y expresividad propios”. Neste sentido, Cordeiro e Paulo (2014) defendem que para uma aplicação de rádio ser funcional e útil ao seu utilizador deve permitir que se ouça a emissão em direto e que se aceda a podcasts, notícias e rubricas especiais; deve estar integrada com as redes sociais e possibilitar também a partilha de vários conteúdos. A app teria que ser ainda personalizável, “sem receio de ser possível adicionar podcasts ou streams de outras emissoras e feeds de notícias de outros meios de comunicação”, e deveria possuir também hiperligações externas através das quais “seria possível, por exemplo, a compra de merchandising, de músicas e de álbuns” (Cordeiro & Paulo, 2014, p. 125).

No entanto, a convergência entre a rádio e os dispositivos móveis não resultou apenas na criação de aplicações para as emissoras radiofónicas. De acordo com Cebrián Herreros (2008, p. 255), algumas rádios fazem parcerias com determinadas operadoras de telecomunicações e “van ofreciendo noticias mediante avisos o alarmas a la telefonía móvil cada vez que hay alguna novedad de interés general o de algún campo específico que haya seleccionado previamente el interesado.”

Em conclusão, a existência da rádio nas redes sociais e nos dispositivos móveis provocou uma série de alterações no paradigma radiofónico, que agora passou a relacionar o “on-air”, o “online” e o “mobile”. O facto de as emissoras radiofónicas assumirem a sua presença nestes três meios de difusão, é também uma forma das mesmas promoverem uma maior interatividade e estarem mais atentas e cientes das necessidades dos ouvintes, que assumem atualmente um novo papel.

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Capitulo IV - A rádio e a interação com

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