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A teoria da prática humanística propõe que as enfermeiras abordem a enfermagem como uma experiência existencial. Paterson e Zderad (1979, p.19) reforçam que “(...) a enfermagem é uma experiência que se vive entre os seres humanos”.

Huf (2002) afirma que o enfermeiro experiencia a essência da existência humana ao fazer da sua profissão uma oportunidade de transformar o sofrimento em realização humana e em uma situação plena de sentido.

Para as teóricas humanísticas, a prática existencial da enfermagem se estabelece na relação dos enfermeiros com as pessoas, quando entendem os princípios de singularidade, autenticidade, experiência, valorização e “ser-mais” ou “tornar-se mais” no processo de cuidado.

Descrevem a singularidade como a qualidade de ser o outro, permitindo o conhecimento humano do ser. Sendo necessário conhecer cada homem como uma existência singular, lutando e rivalizando com seus companheiros para sobreviver e chegar a ser, para confirmar sua existência e entender seu significado (PATERSON; ZDERAD, 1979).

A singularidade é uma capacidade universal da espécie humana. Assim, ao mesmo tempo em que o homem é único, paradoxalmente, é como os outros. A singularidade é uma característica comum aos demais homens (PATERSON; ZDERAD, 1979).

Na enfermagem humanística, a consciência existencial requer a autenticidade, ressaltando que a autenticidade e a sensibilidade são mais do que se denomina consciência intelectual, ou seja, é ser consciente de suas respostas humanas e o que estas representam no mundo (PATERSON; ZDERAD, 1979).

Segundo as teóricas, a qualidade de ser autêntico permite que as ações de enfermagem sejam aplicadas de forma responsável e estejam embasadas no conhecimento mais do que na defensiva humana, mas reforçam que seus distintos pontos de vista acerca do cuidado humano devem transpor os juízos de valor de negativo e positivo ou do bem e do mal.

Tais considerações remetem que a enfermagem humanística deve aliar o conhecimento técnico-científico ao emocional, com a cautela de avistar o outro com a mente imune de julgamentos e preconceitos pessoais, permitindo a autenticidade da relação entre ambos e, assim, promover a genuína presença de estar-com-o-outro.

Para Schaurich et al. (2005), em meio à prática do cuidado, as palavras arte e ciência podem ser interpretadas, respectivamente, como interação e regra na enfermagem humanística. A ciência correspondendo às regras que orientam o processo de cuidado e a arte refletindo a interação entre o ser que cuida e o ser que é cuidado por meio do encontro autêntico.

Acrescentam que uma relação autêntica e genuína entre o enfermeiro e a pessoa se estabelece por meio do diálogo, que deve envolver o ato de perguntar e responder, compartilhar as vivências, experiências e sentimentos entre os dois, permitindo o vir-a-ser de ambos, por meio da reciprocidade (SCHAURICH et al., 2005).

Santos, Pagliuca e Fernandes (2007), ao refletirem sobre os cuidados ao portador de câncer baseando-se nos pressupostos humanísticos, confirmam que o cuidado humanizado envolve a presença verdadeira e legítima por meio de um diálogo vivo e autêntico entre o enfermeiro e a pessoa.

Essa relação intersubjetiva estabelecida insere a enfermeira em um contexto singular, buscando maximizar o potencial humano diante do cuidado desempenhado, no qual objetiva ser mais e suplantar as expectativas frente ao cuidado de enfermagem.

Paterson e Zderad (1979) ressaltam que cada enfermeira deve ser mais do que pode, com a intenção de chegar a ser mais, reconhecendo as potencialidades humanas entre os envolvidos, considerando que a enfermagem humanística provoca, nas enfermeiras, o sentimento de luta para reconhecer a complexidade dos homens no mundo.

Nesse contexto, a enfermeira apóia o outro quando necessita, mas pede ajuda, reconhecendo suas limitações e, ao mesmo tempo, tentando extrair o que ambos têm de melhor, criando um ambiente que favoreça as condições do outro ser capaz de superar sua situação no processo saúde-doença.

Tal atitude é considerada por Huf (2002, p.68) como “auto-transcedência da existência humana, por tratar-se da capacidade de ir além da obrigação/além de si mesmo”. Ressalta, também, que o sentido de transcender aqui discutido deve ser desvinculado do religioso.

É importante que a enfermagem compreenda suas necessidades particulares de expressão no mundo e com o outro, bem como as potencialidades inerentes ao momento do cuidado, a fim de que, após o encontro dialógico, ambos tornem-se mais e exista a possibilidade de estar-melhor no mundo vida (SCHAURICH et al., 2005).

Nesse caso, para oferecer uma presença genuína aos outros, a enfermeira precisa estar convicta de que a presença do outro é valiosa e possibilite a troca de experiências entre

os dois, viabilizando as potencialidades humanas para o enfrentamento de doença, sofrimento e dor (PATERSON; ZDERAD, 1979).

A valorização de estar-com-o-outro pela enfermagem é essencial para o desenvolvimento de um diálogo autêntico, genuíno e singular. Essa valorização influencia o compartilhar de experiências de maneira aberta, em uma relação intersubjetiva no contexto do cuidado vivido.

Portanto, para Santos, Pagliuca e Fernandes (2007), a enfermeira precisa estar constantemente valorizando as capacidades e necessidades do outro, dessa forma, auxiliando e promovendo sua participação máxima no cuidado terapêutico.

Assim, percebe-se como a relação existencial presente no cuidado baseado na teoria humanística determina que a enfermeira desenvolva características humanas necessárias para se estabelecer um diálogo verdadeiro e aberto com o outro, fazendo com que compreenda a presença da pessoa como algo singular e valiosa, buscando sempre uma relação autêntica e que, ao final desse encontro, ambos tornem-se melhores, ou seja, alcancem o estar-melhor e o bem-estar.

As teóricas humanísticas explicam que as enfermeiras vivenciam eventos culminantes na vida dos seres humanos, tais como: criação, nascimento, triunfo, perdas, separação e morte. Essas experiências fazem com que as enfermeiras se sintam estimuladas a conhecer os fenômenos que envolvem as pessoas que pedem ajuda, a realizarem o cuidado humano.

Para Paterson e Zderad (1979), a descrição dos fenômenos humanos em situações vividas na relação enfermeira e pessoa influenciam: na qualidade da situação de enfermagem; no conhecimento que o homem possui sobre a capacidade humana para ser e na forma como a enfermagem e a ciência se inter-relacionam.

A enfermeira precisa experimentar junto às pessoas suas experiências de alegria e tristeza, saúde e doença, nascimento e separação, desempenhando, por meio dessas vivências, um cuidado singular e existencial com cada indivíduo, percebendo-o como um ser único com sentimentos e atitudes particulares.

Descrever os acontecimentos vividos pelas pessoas fortalece a enfermeira no lidar com as diversas situações experienciadas pelos seres humanos, bem como favorece sua percepção e sensibilidade quanto aos fenômenos que envolvem o homem na comunidade.

A prática da enfermagem de Paterson e Zderad é composta estruturalmente de três conceitos que fundamentam a base da enfermagem: o diálogo, a comunidade e a enfermagem fenomenológica.