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Virkemidler for å bekjempe korrupsjon innenfor

7 Mikroøkonomisk modell

7.9 Virkemidler for å bekjempe korrupsjon innenfor

Foram identificados os locais que, segundo os informantes, são os principais locais de proliferação e aquisição da doença.

O local mais citado foi o rio Padauiri. Esse rio fica na região do médio rio Negro, é o limite entre os municípios de Santa Izabel do Rio Negro e Barcelos e é um local de exploração de piaçaba (Leopoldinia piassaba). Segundo os participantes, o corte de piaçaba é um trabalho ruim e difícil. Durante o corte da fibra desta palmeira os trabalhadores ficam acampados perto dos locais de extração, muitas vezes por vários meses. Raramente levam a família. A situação é precária e o ganho muito pequeno, pois trabalham pelo sistema de aviamento, ou seja, as mercadorias são fornecidas pelos patrões da piaçaba a crédito, e no final do trabalho não sobra quase nada para retornar para casa. Além disso, é muito comum serem picados por cobras e escorpiões. E a contaminação por malária é certa.

“A senhora não pode imaginar o preço que podem cobrar por um

remédio de malária” (Sr. M.).

O discurso do Sr. E. ilustra essa triste realidade:

“Quando meu pai e avô foram lá para o Padauiri, o comerciante que levava era o Moraes,

ele era branco e cearense... ninguém tinha visto a malária ainda, eles encontravam a malária lá e morriam por lá mesmo”.

“Isso ainda existe por lá, quase escravo, os comerciantes são todos

brancos e eles pagam muito pouco e a malária continua, mesmo que tenha remédio do branco, é uma atrás da outra.” (Sr.E.).

O segundo local mais citado foi a cidade de São Gabriel da Cachoeira. Os comunitários vão para a cidade por motivos variados, mas principalmente para receber os benefícios mensais do governo, e segundo eles, se contaminam com a malária na cidade e levam para a comunidade. Os comunitários que não possuem casa na cidade e nem parentes onde possam se hospedar, montam acampamento nas pedras que

aparecem durante a época da seca no meio do rio Negro, em frente a cidade, e permanecem dias nesse local. O problema é que essas pedras possuem depressões que armazenam água e são criadouros do mosquito da malária, facilitando assim a contaminação dos viajantes, que muitas vezes começam a apresentar os sintomas apenas quando retornam as suas comunidades de origem, transmitindo a doença.

A estrada de Cucuí (BR 307) também é citada como um foco de malária, assim como a estrada que leva ao aeroporto. Ao longo dessas estradas existem roças e tanques para criação de peixes e poços de água parada.

Outro lugar próximo à cidade de São Gabriel é o igarapé Uacatunum que foi bastante citado.

“Em São Gabriel peguei no Uacatunum lá que tem o pai da

malária (wuhaké bʉhkʉ), a origem da malária, todos os que vão lá não escapam da malária, fazia roça lá mas não dá, não aguentei por causa da malária, lá tem terra boa, aqui não dá nada é só catinga.” (Sr. D.).

A comunidade de Mercês foi citada pelos moradores do rio Curicuriari como um local de bastante malária. Os comunitários afirmaram que a contaminação com a malária se dá nos bailes e torneios de futebol na comunidade.

Na comunidade de São Jorge no rio Curicuriari, onde durante a pesquisa foi presenciada uma epidemia de malária, a causa de infestação, segundo os participantes, deve-se ao lixo jogado no igarapé e aos tanques de peixe.

Outro local citado foi à localidade de Parauari citada como um local de muita malária.

Foi citado também o Igarapé Ira, rio Traíra e rio Cauaburis. Locais de garimpo. Em 1983, foi descoberto ouro na Serra do Traíra por índios Tukano do Tiquié, dando início a uma “inquietação” que se alastrou por vários pontos da região por mais de uma década, deslocando índios e atraindo, inicialmente, garimpeiros de outras partes do país e moradores de São Gabriel e, em seguida, empresas de mineração, que invadiram a Serra do Traíra e a região do Alto Içana (ISA, 2014). O garimpo do Traíra e os garimpos em geral, são locais de entrada de bebidas alcoolicas, conflitos, desrespeito as autoridades indígenas locais, não cumprimento de regras e a entrada de brancos (RICARDO; RICARDO, 2006). E local de transmissão de doenças.

Os principais locais citados como pontos de transmissão de malária são locais de ambiente alterado por intervenção humana, seja pela abertura de roças em locais onde há acúmulo de água próximo à cidade, construção de tanques de peixes e posterior abandono da atividade, acúmulo de lixo e esgoto, locais de garimpo, e locais com grande fluxo de pessoas vindas de outras localidades. Essas áreas promovem as condições ideais para a proliferação do mosquito e/ ou transmissão da doença. Essas informações deveriam ser registradas e utilizadas pelo poder público local no combate e prevenção à malária na região. Além disso, historicamente os grandes surtos de malária estão relacionados aos processos de degradação ambiental e de imigração. A história de ocupação da região amazônica fornece dados importantes no que se refere à problemática da malária e da degradação ambiental. A construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré, o garimpo em terras indígenas Yanomami, e da própria exploração do Alto rio Negro são tristes exemplos. Entretanto o Brasil é um país em que os exemplos históricos têm pouca importância na tomada de decisões. E não só os fatores históricos deveriam tem peso na tomada de decisões, mas a participação popular deveria ser garantida nos processos de identificação das áreas problemáticas e nos programas de erradicação da doença.