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A etapa da familiarização pretende conhecer o perfi l epistemológico que está sendo apresentado pelos alunos, a fi m de que se possa compará-lo com o perfi l apresentado no início do curso. Essa estratégia serve de subsídio para que possamos avaliar se houve ou não uma alteração no perfi l epistemo-

lógico do aluno ao longo do curso proposto.

Como os dados que foram analisados por meio dos questionários: ini-

cial, módulo 1 e módulo 2 (ver Apêndice). As respostas na íntegra e as fi chas

sínteses de análises podem ser consultadas em Souza Filho, 2009.

A Tabela 1 e o Gráfi co 1 apresentam, em termos de porcentagens, as respostas dos alunos enquadradas nas diferentes zonas do perfi l epistemoló-

no primeiro dia de aula; em seguida, o questionário referente ao módulo 1 (fi nal do primeiro semestre) e; fi nalmente, o questionário do módulo 2 (fi nal do curso).

Tabela 1: Zonas do perfi l epistemológico (geral).

Quest. 1

(%) M1 (%)Quest. M2 (%)Quest.

Não apresentou perfi l defi nido 15 – –

Senso comum (observação dos fenômenos) 25 5,5 5

Empirismo (por meio de experimentos) 30 42 33

Racionalismo (causas no mundo microscópico) 30 52,5 62

Podemos verifi car que, inicialmente, alguns estudantes não apresenta- ram perfi s defi nidos (15%) em suas respostas. Após os encerramentos dos módulos, todos os estudantes passaram a apresentar pelos menos uma das zonas do perfi l. Em relação à categoria de senso comum, também tivemos uma queda em relação aos dado iniciais, que eram de 25% e caíram para 5,5% no módulo 1 e 5% no módulo 2. Essas quedas demonstram que as ideias com status inferiores se tornaram mais evoluídas, ou seja, os integrantes do curso passaram a argumentar seus conhecimentos em um nível mais eleva- do de conhecimento. No caso do empirismo, que era inicialmente de 30%, notamos que houve um aumento dessa porcentagem no fi nal do módulo 1 (42%), pois nesse módulo as questões relacionadas a essa zona do perfi l esti- veram bem presentes. Em seguida, houve uma queda desse valor para 33%, ou seja, as explicações deixaram de ser baseada apenas nos experimentos e passaram a possuir uma explicação mais racional. O aumento gradativo (30%, 52,5% e 62%) é um bom indicativo, pois mostra que, de uma maneira geral, as discussões realizadas em sala de aula possibilitaram ao aluno ter uma visão de um conhecimento mais elaborado e sistematizado em relação aos fenômenos estudados. O Gráfi co 1 sintetiza o que acabamos de relatar.

Podemos dizer que, embora nós tenhamos comparado respostas dife- rentes e o número de alunos participantes distintos em cada questionário, foi possível verifi car que o processo de dialético entre razão e experiência, entre o erro e verdade contribuiu para que o aluno pudesse “construir” con- ceitos mais elaborados e vislumbrar novos conhecimentos a partir de suas próprias concepções.

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Gráfi co 1: Zonas do perfi l epistemológico (geral).

Considerações fi nais

Ao iniciarmos o nosso estudo, procuramos conscientizar os alunos que muitos dos conhecimentos que eles possuíam e trouxeram para o ambien- te escolar não davam conta de explicar os fenômenos que eles “julgavam” conhecer. Trata-se da etapa denominada conscientização. O primeiro ques- tionário mostrou que muitos alunos se defrontaram e relataram algumas “anomalias” em sua compreensão sobre o eletromagnetismo e sentiram ne- cessidade de reestruturar seus conceitos.

A etapa da desestruturação consistiu no curso propriamente dito, em que a recorrência a História da Ciência por meio de textos históricos e experi- mentos subsidiaram o processo dialético entre o erro e a verdade; entre a

razão e a experiência.

A última etapa do tempo crítico da psicanálise consistiu na familiari-

zação. Depois de conscientizarmos os alunos de suas dúvidas e certezas, e

após a utilização de situações potencialmente desequilibradoras, elaboramos os questionários (módulo 1 e 2) compostos de quatro e três questões (ver apêndice), respectivamente, que resgatavam suas concepções anteriores e as confrontavam com as concepções relacionadas à evolução histórica.

As etapas da metodologia adotada (conscientização, desequilibração e fa-

miliarização) nos possibilitaram explorar as concepções prévias dos alunos

visando à construção de novas concepções. O processo de aprendizagem por meio de um processo dialético (desequilibração) se mostrou profícuo, visto que o perfi l epistemológico dos alunos baseado nas concepções an- teriores (conscientização), estava fortemente pautado pelas visões de senso comum e empirismo. Os questionários no fi nal dos módulos (familiariza-

ção) sugeriram uma aquisição de uma região mais desenvolvida dentro da

hierarquia do pensamento, em um racionalismo crescente.

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Apêndice

Questão inicial

Em sua opinião, existe relação entre fenômenos elétricos e fenômenos magnéticos? Argumente sua resposta defendendo seu ponto de vista.

Questões – Módulo 1

Existe diferença entre a eletricidade produzida por atrito e a eletricidade produ- zida por uma pilha?

Você considera que o polo norte possui maior poder de atração que o polo sul? Por que é possível conduzir a eletricidade e não é possível conduzir o magnetismo? Existe relação entre eletricidade e magnetismo?

Questões – Módulo 2

O que você considera ser responsável por produzir o campo magnético ao redor do ímã? E ao redor de um fi o conduzindo uma corrente elétrica? O que estas coisas têm em comum?

Diferencie as duas situações: O experimento de Ørsted e o experimento de Faraday. Pode existir um campo elétrico sem um campo magnético? E o último sem o primeiro?

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