O Rio Tibagi percorre desde suas nascentes situadas no Segundo Planalto Paranaense, ou Região de Ponta Grossa, o Estado do Paraná no sentido noroeste, até desembocar no Rio Paranapanema, divisa dos Estados do Paraná e São Paulo, junto à cidade de Primeiro de Maio, em sua margem esquerda.
Por atravessar vários grupos e formações geológicas, a Bacia do Rio Tibagi é bastante heterogênea do ponto de vistas geológico, além de inúmeros ambientes, fato que permite dividi-la em três regiões: alto, médio e baixo Tibagi (SUDHERSA, 2010). Na região de Primeiro de Maio ocorreram grandes impactos provocados pela ação humana antrópica, principalmente a expansão urbana e as modificações impostas pela agricultura do tradicional modelo monocultor até a agricultura comercial mecanizada.
Nos anos setenta e oitenta pouco foi feito para minimizar os impactos ambientais e econômicos trazidos por esta transformação da paisagem, com a formação do reservatório de Capivara no Rio Paranapanema, fazendo desaparecer debaixo das águas toda uma história cultural, onde famílias inteiras tiveram que abandonar suas terras, recebendo indenizações simbólicas da CESP, que também pouco investiu na mitigação dos impactos ambientais desta grande região.
No final dos anos oitenta (1980) e início dos anos noventa (1990), as mudanças geradas na estrutura fundiária, com a expansão da monocultura mecanizada da soja, milho e trigo, trouxeram um dinamismo econômico para toda região do Baixo Tibagi, valorizando suas terras e enriquecendo centenas dos agricultores de todo Norte do Paraná.
A região apresenta também eficiência logística por ser corredor rodoviário de ligação entre as regiões Sul e Sudeste do Brasil e do corredor econômico do MERCOSUL, interligado aos países Platinos, como Paraguai, Argentina e Uruguai.
No mapa hidrográfico (Figura 78) aparecem os rios Congonhas e Tibagi e o rio Paranapanema com o reservatório de Capivara com os municípios lindeiros de Sertaneja, Sertanópolis, Rancho Alegre e Primeiro de Maio, PR. Observa-se a presença de sub-bacias em toda região, em áreas de formações basálticas mesozoicas com afloramentos em largas extensões da bacia hidrográfica.
Figura 78 - Mapa do reservatório de Capivara do baixo Tibagi, PR. Fonte: IAPAR (2010) - Org. Ciciliato, RN.
Os desníveis existentes entre as sub-bacias e as águas do reservatório, levaram a formação de lagoas marginais que ficam cheias durante os meses de verão e secam durante os meses de invernos. Estas lagoas são utilizadas pelos cardumes durante a Piracema para fazer a desova de ovas que formarão alevinos e peixes típicos da bacia do Paranapanema.
A região é rica em águas subterrâneas e superficiais, favorecendo a prática da irrigação em latossolos roxos, com a agricultura mecanizada de alto rendimento, possibilitando duas colheitas anuais, fator determinante na alta valorização dos imóveis rurais.
A região do baixo Tigagi apresenta pequena distância das grandes cidades do Norte do Paraná, como Cornélio Procópio, Cambé, Rolândia, Arapongas, Ibiporã,
Apucarana, e principalmente Londrina, metrópole Regional, (IBGE, 2012). Devido as suas belezas naturais, matas ainda preservadas, e principalmente o fácil acesso à água dos Rios Tibagi e Paranapanema, se tornou atrativa para fluxos dinâmicos de pessoas interessadas em áreas de lazer.
A atividade turística que se limitava a grupos de pescadores que percorriam o comércio local à procura de alimentos, bebidas, e iscas, acabaria por levar a instalação de empreendimentos imobiliários, loteamentos, que atraíssem não apenas pescadores, mas famílias inteiras, e a incorporação cada vez maior de casas e chácaras e pousadas de lazer.
À medida que estas atividades se dinamizavam, o próprio Estado e a Prefeitura de Primeiro de Maio visionou na atividade turística um elemento econômico fundamental para trazer a região investimentos, dado aos incentivos oficiais para a instalação de Estâncias Turísticas em suas diversas modalidades, como turismo balneário, montanha, climático, águas termais, religioso, entre outros.
O turismo balneário passa a ter uma relevância econômica para a cidade, levando o Estado à construção de um grande empreendimento de lazer numa extensa área contígua ao represamento da Foz do Rio Tibagi, a PARANATUR, contemplando, praia natural, cais, ancoradouro para barcos, píer, área de camping, churrasqueiras, piscinas, banheiros, campos de futebol, área de eventos, shows e rodeiros, passando a ser o verdadeiro cartão postal de toda região.
A região é o maior receptor de Turismo de todo entorno do reservatório de Capivara, e no momento apresenta dentre os municípios conflitantes ao reservatório graves problemas ligados à ocupação irregular de suas APPs e o avanço das atividades de turismos como construções particulares, hotéis e resorts em áreas de grande vulnerabilidade ambiental.
A implantação de atividades de turismo em Primeiro de Maio trouxe grandes transformações na paisagem, já bastante modificada quando da formação do Lago de Capivara, represando e estrangulando a Foz do Rio Tibagi, formando centenas de ilhas e penínsulas, emoldurando a paisagem física de toda a região.
A grande superfície líquida formou ambientes de paisagens cênicas deslumbrantes, atraindo turistas de todo norte do Paraná e Sudoeste de São Paulo, que procuram ranchos de pesca, lazer, chácaras, e condomínios residenciais de alto luxo. Esta atividade ligada ao Turismo náutico pesca e ambiental, deve ser controlada, pois já existem áreas fragilizadas por seus impactos diretos, além do
comprometimento da qualidade da água do reservatório que é apontado pelo próprio IAP como de manancial de abastecimento.
A atividade turística que se limitava a grupos de pescadores que percorriam o comércio local à procura de alimentos, bebidas, e iscas, acabaria por levar a instalação de empreendimentos imobiliários e de loteamentos, que atraíssem não apenas pescadores, mas famílias inteiras, e a incorporação cada vez maior de casas e chácaras e pousadas de lazer.
6.8 O TURISMO E SEUS IMPACTOS EM ÁREAS MARGINAIS DO