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5.2 Skjellanalyser

5.3.1.3 Eldre laksunger

O ponto de partida para o desenvolvimento de um mundo mais sustentável, a definição de que é esse o caminho que devemos e queremos seguir para a garantia do futuro.

Originado do latim sustento, a palavra sustentar origina-se do latim suportar, proteger, manter, cuidar, conservar. Logo, sustentabilidade é a característica ou condição de manter, conservar um conjunto de elementos necessários à manutenção da vida. Dados da Organização WWF nos indicam que o consumo atual de recursos naturais está perto de esgotá-los de tal forma que o planeta não será mais capaz de regenerá-los e sustentar sua vida na terra. (PLATAFORMA, 2012)

Segundo Carlos Leite (2011, p. 43), o desenvolvimento sustentável no Século XXI precisa incorporar uma agenda estratégica que contemple, pelo menos:

 Nova economia: mercado socialmente responsável e ambientalmente sustentável;

 Visão ampla: superação do modelo individualista e imediatista;

 Novo padrão de relação social corporativo: relacionamento horizontal eco-operativo;

46  Novos indicadores do progresso humano (mais amplos menos

economistas): IDH's, metas do milênio, pegada ecológica, índices de sustentabilidade.

E na visão de Rogers (2009, p. 167), uma cidade sustentável é:

 Justa: onde justiça, alimentação, abrigo, educação, saúde e esperança sejam distribuídos de forma justa e onde todas as pessoas participem da administração;

 Bonita: onde arte, arquitetura e paisagem incendeiem a imaginação e toquem o espírito;

 Criativa: onde uma visão aberta e a experimentação mobilizem todo seu potencial de recursos humanos e permitam uma rápida resposta a mudança;

 Ecológica: que minimize seu impacto ecológico, onde a paisagem e a área construída estejam equilibradas e onde os edifícios e a infraestrutura sejam seguros e eficientes em termos de recursos;

 Fácil: onde o âmbito público encoraje a comunidade, a mobilidade, e onde a informação seja trocada tanto pessoalmente quanto eletronicamente;

 Compacta e policêntrica: que proteja a área rural, concentre e integre comunidades nos bairros e maximize a proximidade;

 Diversificada: onde uma ampla gama de atividades diferentes gere vitalidade, inspiração e acalentem uma vida pública essencial.

Em 1980 surge uma nova proposta de urbanismo com ideais voltados a promover uma cidade com maior qualidade de vida para seus habitantes. Desenvolvido nos Estados Unidos, o Novo Urbanismo visa a reestruturação e o planejamento das cidades de forma a promover um ambiente melhor para se viver: “Dar às pessoas a opção de viver um estilo de vida urbano em um local sustentável, conveniente e agradável, oferecendo soluções para o uso do petróleo e a mudança climática”. (NEW, 2011)

Andres Duany, juntamente com sua sócia Elizabeth Plater-Zyberk, através do escritório, Duany Plater Zyberk Company (DPZ) se transformou no líder desse

47 novo movimento urbano que tinha como meta conter a expansão suburbana das cidades. Para Duanys, diferente do bairro tradicional, composto por uso misto (comércio, habitação e serviços), população variada e adensada, além do uso das ruas para os pedestres; os bairros criados nos subúrbios não passam de um sistema idealizado artificial. (DUANY, 2001)

O crescimento dessas áreas suburbanas constitui um sistema insustentável, que ocupa as terras de forma alarmante, gerando problemas de deslocamento e tráfego, além de isolamento e desigualdade social, no entanto, esse modelo de expansão continua a ser reproduzido.

De acordo com Duany (2001, p. 5-8) são cinco os componentes que compõe o modelo do subúrbio urbano que o tornam convenientes para os empreendedores e "nocivos” ao desenvolvimento sustentável:

Habitação: apesar de se apresentaram com bairros ou comunidade, esses lugares são exclusivamente residenciais e não fornecem a riqueza de experiências contidas em locais de abrigam diferentes usos.

Centros de Compras: lugares fechados e destinados exclusivamente às compras, muitas vezes isolados e distantes das habitações e zonas de escritório e dotados de amplos estacionamentos.

Centros Empresariais: Assim como a habitação e comércio, a área destinada ao trabalho fica isolada das demais e também contempla amplos estacionamentos para aqueles que chegam sempre em automóveis particulares.

Instituições Cívicas: Diferem do bairro tradicional, onde a igreja, a prefeitura, escolas e etc., constituem ponto de encontro da população, no subúrbio esses locais também se encontram independentes das demais zonas. Duany (2001) cita especialmente as escolas com amplos estacionamentos e poucas áreas de circulação de pedestres, uma vez que seus alunos chegam apenas de carros.

Estradas: Finalmente o quinto elemento da expansão urbana são as estradas, que ligam todos os demais componentes através de seus quilômetros de asfalto. Dessa forma, os moradores dos subúrbios perdem parte de seu tempo em deslocamentos, uma vez que suas atividades diárias encontram-se distantes umas das outras, ligadas por esse quinto elemento. Uma vez que esse deslocamento é feito por automóveis particulares, são grandes os gastos com combustíveis e a quantidade de poluição gerada.

48 Glaeser (2010) também critica o modelo de vida dos subúrbios, colocando esse como um desastre ecológico oriundo da má gestão das políticas públicas, ou seja, os programas de incentivo a construção de estradas, a falta de investimentos em melhorias do transporte público e até mesmo baixos preços de gasolina acabaram por promover esse tipo de lugar.

A setorização funcional da cidade que promove o aumento das distâncias entre a residência, o trabalho e o comércio é uma característica da cidade insustentável, uma vez essa compartimentalização impacta no aumento do volume de automóveis e no maior tempo de viagem, uma vez que a cidade diversificada, organizada pela reunião de centros locais, onde o comércio e o trabalho estão perto de casa, possibilita uma melhor qualidade de vida pela diminuição do tempo perdido em deslocamento dentro da cidade e ainda reduz a poluição e o ruído urbano. (VENDRAMINI, 2005)

Diante desse cenário, no qual a sociedade norte-americana se transformava, o New Urbanism (Novo Urbanismo) busca recuperar a qualidade do espaço urbano aparentemente perdida para esse novo modo de vida. Originário do movimento chamado Traditional Neighborhood Design (Desenho do bairro tradicional), o New Urbanism valoriza qualidades como o sentido de lugar e comunidade, além da fácil acessibilidade e valorização da arquitetura.

Em 1993, o grupo de arquitetos composto por Peter Calthorpe, Andrés Duany, Elizabeth Moule, Elizabeth Plater-Zyberk, Stefanos Polyzoides e Dan Solomon se une e fundam o Congress for the New Urbanism (Congresso para o Novo Urbanismo). Juntos, publicaram a Carta do Novo Urbanismo, apresentando os princípios que o compõe, dividido em 3 escalas definidos como metrópole/cidade/vila, vizinhança/bairro/corredor e bloco/rua/construção. Dentro dos 27 princípios estabelecidos, destacamos o determinismo arquitetônico, ou seja, o princípio de que o desenho dos edifícios pode influenciar processos e gerar relações sociais: “A tarefa principal de toda a arquitetura urbana e desenho da paisagem é a definição física de ruas e espaços públicos como locais de uso compartilhado” e “Os projetos individuais de arquitetura deve estar interligados com o seu entorno".(CONGRESS FOR THE NEW URBANISM, 2001). São princípios do New Urbanism:

49 Walkability: incentivar que as pessoas realizem suas atividades diárias a pé através da promoção de comércio e serviços próximos as residências, bem como o projeto de ruas “amigáveis” (arborizadas, limpas, livres de obstáculos) e também ruas livres do trânsito de veículos;

Conectividade: Interligar e hierarquizar as ruas, dispersando o tráfego e promovendo uma melhor qualidade para os pedestres caminharem;

Uso Misto e Diversidade: Promover a existência de comércio, serviços e residências em um mesmo bairro, assim como promover a diversidades de pessoas (idade, níveis de renda, culturas e raças) vivendo juntas;

Habitação mista: habitações de diferentes tamanhos, tipos e preços em um mesmo local;

Arquitetura e Desenho Urbano de qualidade: Criar um senso de lugar com a comunidade, através da beleza, estética, escala humana e conforto das edificações, especialmente as de uso público;

Estrutura Bairro Tradicional: Existência de espaços públicos no centro da cidade, espaços esses de qualidade, concebidos como arte cívica, além de variedade de usos e densidade.

Transectos planejados: Maior densidade no centro da cidade, diminuindo progressivamente em direção às bordas. É um sistema de análise que conceitua os elementos que, mutuamente, se reforçam. Que nessas faixas seja possível identificar as configurações de vida urbana e os habitats naturais, de forma que fique claro o perfil urbano e rural, cada um com suas construções e ruas adequadas para área, embora ambos se interliguem.

Figura 6: Transecto planejado

50 A figura acima ilustra o princípio de transecto planejado, indicando a mudança gradual de um

centro urbano denso para área rural na periferia da cidade, sendo:

T1: Zona Natural T2: Zona Rural T3: Zona Sub-Urbana T4: Zona Urbana Geral T5: Zona Urbana Central T6: Núcleo da Zona Urbana SD: Distrito especial

Aumento da Densidade: Promover a existência de mais edifícios, comércio, serviços e residências próximos a fim de otimizar a utilização dos mesmo, criando um lugar mais agradável, movimentado e conveniente para seus habitantes.

Transporte Inteligente: rede de trens de alta qualidade que interligue bairros e cidades e projetos que incentivem o uso de transportes alternativos e não poluentes como bicicletas e patins.

Sustentabilidade: Que as ações realizadas dentro da cidade tenham impacto ambiental mínimo em seu desenvolvimento e operação; uso de tecnologias “eco-friendly”, ou seja, sistemas naturais e de eficiência energética, mais produção local e diminuição do uso de combustíveis não renováveis.

Qualidade de Vida: Investir em qualidade de vida através da criação de lugares que enriqueçam, exaltem e inspirem o espírito humano.

FULTON (1996) ressalta que o New Urbanism promove uma imagem positiva do espaço urbano e introduz importantes ideias alternativas ao espraiamento urbano.

Duany Plater-Zyberk & Company (DPZ) desenvolveu ainda o chamado Smart Code, que não se trata de um Código de Construção, mas sim um documento compacto que mescla zoneamento urbano (legislação), desenho urbano e arquitetura, permitindo diferentes abordagens em diversas áreas:

O SmartCode é um código baseado em formulário que incorpora Crescimento Inteligente e princípios do Novo Urbanismo. É uma ordenança de

51 desenvolvimento unificado, abordando o desenvolvimento em todas as escalas do projeto. (DUANY, 2003).

Ou seja, uma espécie de manual capaz de ordenar o crescimento de vilas, bairros, cidades e empreendimentos privados baseado nos princípios de walkability, uso misto, contenção da expansão urbana, preservação das terras abertas, e redução do consumo de energia e as emissões de carbono New Urbanism.

Permitir a expansão das pessoas através do campo pode trazer a falsa sensação de se sentir verde, mas na verdade esse tipo de expansão aumenta o dano ao meio ambiente, uma vez que esse tipo de vida ''espalhada'' requerer mais deslocamentos e aumenta o consumo per capita, já que os recursos e infraestruturas não são otimizados entre vários indivíduos. Expansão territorial, carros e, consequentemente, emissões de CO2 não vivem desconectados. (OWEN, 2009)

Vimos, portanto, alguns exemplos de como podemos agir em prol do crescimento sustentável de cidades, bairros, vilas etc. Ideias e iniciativas capazes de estabelecer uma nova maneira de atuação pública e privada na construção do espaço urbano, capazes de criar perspectivas positivas em relação ao um futuro mais sustentável do que temos hoje.

É nas cidades que o futuro irá se reinventar e criar alternativas para se desenvolver de forma sustentável:

[...] muitas vezes indago a mim mesmo por que determinadas cidades conseguem fazer transformações importantes e positivas. Encontro inúmeras e variadas respostas, mas uma delas me parece comum a todas essas cidade inovadoras: porque nelas se propiciou um começo, um despertar.É o que faz uma cidade reagir (LERNER, 2003, p. 8).