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A ilha da Trindade, apesar da pequena área territorial com 13,92 km2, possui

uma grande diversidade de geoambientes, com solos, vegetação e microclimas variados, dependendo da sua posição topográfica. Estudos detalhados da vegetação de Trindade foram realizados por Alves (1998), contribuindo decisivamente na elaboração do mapa de geoambientes da ilha. Os diversos geoambientes são responsáveis pela abundância de espécies florestais existentes. Atualmente encontra-se bastante degradada, com espécies endêmicas já extintas e com poucos indivíduos remanescentes, dentre eles Cyperus atlantic

onteceu com o Pau-Tucano (Colubrina glandulosa), totalmente predado. Com base no mapeamento da ocorrência de troncos preservados e de solos orgânicos relituais, foi

. Presume-se também que a flora herbác

Regossólicos). Nos terços médios das encostas e nas partes ais baixas encontram

us, Bulbostylis nesiotis, Pityrogramma calomelanos, Myrsine floribunda e Cyathea delgadii, sendo os mais representativos.

A flora original de Trindade é aquela anterior à chegada dos primeiros habitantes da ilha, cujos dados são escassos para se reconstituir o perfil original da vegetação. A floresta de Cyathea delgadii, que é dominante na face sul da ilha nos tempos atuais, pode não ter sido anteriormente, sendo tal dominância uma decorrência da seleção predatória das cabras (Alves, 1998). O oposto ac

possível reconstituir a extensão da floresta ocupada pela espécie em questão. Dentre as espécies viventes, é razoável supor que algumas participaram da antiga composição florestal nos altos dos picos da ilha, como: Banara brasiliensis, Sideroxylon obtusifolium, Pisonia obtusata, Myrsine floribunda, Myrrhinium atropurpureum e Dodonaea viscosa

ea era bem mais rica, e que as florestas de Myrrhinium atropurpureum e Dodonaea viscosa cobriam uma área bem maior que a atual (Alves, 1998).

A vegetação remanescente de Trindade mostra uma estreita relação com os solos da ilha (vide mapas de Geoambientes e Solos). Nas partes com clima mais seco (semi- árido) associados a solos rasos e ricos em nutrientes (Cambissolos e Neossolos Regolíticos) predominam coberturas herbáceas de ciperáceas de grande porte (Cyperus atlanticus), com alguns grupamentos de Bulbostylis nesiotis nos solos mais rasos (Neossolos Litólicos ou

m -se Colubrina glandulosa jovens, levadas para a ilha no processo

dominância de Ipomoea pes-caprae, gênero comum nas vegetações de restinga do Brasil, cobrindo áreas de pequena extensão da ilha.

truturação do habitat onde vivem. Nos estádio

Nos Platôs intermediários, nos quais ocorrem os solos mais profundos e desenvolvidos da ilha (Cambissolos Háplicos), é onde se localizavam grandes grupamentos de Pau-Tucano (Colubrina glandulosa), existindo hoje uma cobertura herbácea descontínua de Pityrogramma austroamericana, uma pteridófita agressiva e adaptada à condições de dessecamento temporário. Populações de Pityrogramma calomelanos são também comuns nos fundos mais úmidos de canyons de erosão, situados abaixo do platô vulcânico com Cambissolos Háplicos.

No Platô do Desejado, parte mais elevada da ilha, o clima é bem mais úmido, com chuvas orográficas, e nele se encontram Cambissolos Hísticos, predominantemente distróficos, sobre rocha vulcânica alcalina muito alterada. Nas partes mais estáveis, se encontram remanescentes de Mata Nebular (Elfin Forest) com predomínio de Myrsine floribunda e Dodonaea viscosa, que dão um aspecto peculiar, pela presença de abundantes liquens e epífitas (Usnea ssp.) e orquídeas epífitas. Essas espécies também são encontradas nas encostas do pico Trindade.

Nas encostas voltadas ao Sul, a partir do Pico do Desejado, encontram-se os Organossolos. Nessas encostas mais úmidas, a camada orgânica superficial é formada em condições de boa drenagem pelo intenso recobrimento dentrítico depositado na superfície do solo. A manta morta de restos orgânicos de pteridófitas não é incorporada ao solo, promovendo seu acúmulo.

Estudos realizados em ilhas oceânicas mostram que existe uma tendência geral de pobreza de mesofauna do solo na maioria delas, em função do isolamento geográfico e natureza jovem do vulcanismo. Da mesma forma que o isolamento geográfico impede que muitos macro-organismos cheguem a essas áreas e se adaptem ao ambiente insular, o mesmo se dá com microrganismos. Assim, a maioria dos solos de ilhas oceânicas, possui propriedades químicas e físicas peculiares, onde o turnover da matéria orgânica e a estruturação pedobiológica dos solos são fortemente reduzidos, afetando a vegetação local.

Os microrganismos participam da es

s iniciais de formação do solo, carbono e nitrogênio são elementos deficientes, e espécies fotossintéticas e fixadoras de nitrogênio são importantes colonizadoras

através de participação em reações que liberam prótons, nutrientes inorgânicos e ácidos orgânicos (Moreira e Siqueira, 2002).

Em ilhas oceânicas a fauna do solo é bastante restrita, sendo comum à pobreza de macro e mesofauna, e reduzida microfauna. Em Trindade não foi observada a presença de cupins e formigas quanto na abertura de perfis, somente raras minhocas e abundantes baratas. Segundo Alves (1998), há presença de formigas próximo ao POIT. Os cupins são de grande importância na estruturação dos solos e pedogênese, pois se alimentam de matéria orgânica associada ao material mineral, e sua excreta condiciona uma microestruturação específica (Schaefer, 2001). As formigas e minhocas auxiliam na macroporosidade do solo, devido às galerias criadas, condicionando uma maior aeração. Além disso, a ausência de microrganismos, como bactérias diazotróficas e micorrizas, irão afetar um sistema de regulação biológico, onde todos os organismos e microrganismos do solo interagem entre si em funções específicas. A ausência ou pobreza desta fauna explica a baixa decomposição da serapilheira na floresta de Samam aias Gigantes (Cyathea), apesar de ser um ambiente favorável à sobrevivência e atividade de microrganismos (baixa salinidade, altas temperaturas, alta umidade, pH na faixa de 4,0 – 5,0, disponibilidade de nutrientes, entre outros).

A floresta de Samambaias Gigantes caracteriza um geoambiente único e importante na ilha, pois são espécies com características adequadas para recuperação de áreas degradadas e conservação dos solos. Seu sistema de sustentação com rizóides parece ser muito eficiente para estabilizar solos em condições de declive, formando uma manta que protege o solo e retém água. Por outro lado, tal vegetação evita a competição devido ao poder alelopático e baixa herbivoria. Contudo, existe uma grande carência de

inform e estudos foram realizados apenas com

alelopatia, tanto no exterior como no Brasil, como relatado por Peres (1997). No entanto, trabalhos referentes à composição química inorgânica do material vegetal de samam aias inexistem. São espécies que se adaptam bem em ambientes variados, crescendo bem em solos pobres, e sua maior limitação é a disponibilidade de água. Um fator importante na competitividade ecológica das samambaias é que muitas delas

crescem m habitats marginais, onde outras plantas não podem sobreviver, e esta

estratég xilia a formação de solos.

Nas praias voltadas ao leste se encontram arrecifes de algas calcárias, sendo as areias constituídas de grãos calcários, subarredondados e pouco trabalhados, provenientes de fragmentos de conchas de moluscos, crustáceos, corais, foraminíferos e

b

ações sobre o papel dessas plantas,

b

e ia au

algas carbonáticas. São ambientes exclusivos de Fernando de Noronha e Trindade, não ocorrendo nas praias e cordões arenosos do continente.

Nas proximidades do POIT, existe uma vegetação diferenciada do resto da ilha, devido à ocupação humana ter introduzido diversas espécies de plantas invasoras, algumas das quais foram capazes de colonizar áreas remotas no passado, dentre elas Verbascum virgatum, Plantago trinitatis e Psilotum nudum. A ação combinada do constante vento salgado e da pastagem por caranguejos torna quase todas as tentativas de cultivo de hortaliças inúteis. As plantas que melhor se adaptam incluem: agrião, batata doce, falso boldo, bananeiras e ervas daninhas (Alves, 1998). Indivíduos jovens de Colubrina glandulosa encontram-se nesse local, fruto do processo de revegetação iniciado no ano de 1992, propiciando um maior desenvolvimento e diferenciação dos Neossolos Regolíticos nessa área.