2.3 L OVENS OBJEKTIVE VILKÅR
2.3.6 Vilkårene i strl. § 311, første ledd bokstav b)
Os dados obtidos a partir do Questionário de identificação das famílias, do CCEB e do ISSL, foram analisados por meio de estatística descritiva.
As entrevistas semiestruturadas foram analisadas utilizando-se a técnica do Discurso do Sujeito Coletivo – DSC (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2001, 2005, 2010). Tal técnica vem sendo desenvolvida desde o final da década de 1990 para pesquisas de representação social.
O método prevê que por meio de um único discurso a opinião de uma coletividade seja exposta, sem, no entanto, descaracterizar a natureza qualitativa de cada depoimento analisado e reunido para composição desse discurso coletivo. Dessa forma, busca-se recuperar,
por meio da opinião dos indivíduos participantes, os atributos da dimensão coletiva contidos em cada fala (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2001, 2005, 2010).
Assim, após todos os depoimentos serem coletados, faz-se a “reunião em discursos-síntese dos conteúdos e argumentos que conformam essas opiniões semelhantes” (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2010, p. 17). A técnica, desta forma, consiste em uma série de operações sobre os discursos coletados a fim de elaborar depoimentos coletivos a partir de estratos literais significativos, de sentido semelhante, dos diferentes discursos relatados.
Destarte, cada DSC elaborado a partir da técnica, ilustra uma determinada opinião da população estudada. Sendo assim, tal método permite a elaboração de vários DSCs, de acordo com a diversidade de opinião da população pesquisada (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2001, 2005, 2010). Vale ressaltar que como se trata de um método de representação social o DSC formado com a opinião de apenas um ou de poucos participantes, também é relevante e importante para os resultados da pesquisa, pois demonstra a presença daquela representação dentro do contexto pesquisado.
Os autores do método definem que para a elaboração dos DSCs são utilizadas quatro figuras metodológicas, a saber: Expressão Chave (ECH), Ideia Central (IC), Ancoragem (AC) e Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2001, 2005, 2010). A seguir, apresentam-se brevemente tais figuras.
As Expressões Chaves (ECH) são trechos literais destacados de um discurso individual, que revelam a essência de um depoimento. Este resgate da literalidade do depoimento apresenta-se como algo fundamental à medida que, por meio dele, o leitor é capaz de julgar a pertinência da seleção de uma sentença e, desta forma, comprovar “empiricamente” a veracidade das ICs e ACs. Pode-se dizer ainda que a identificação destas ECHs é fundamental para a construção dos DSCs.
Assim, as ECHs são associadas a figuras metodológicas, ICs ou ACs, que de maneira sintética e fidedigna descrevem o sentido de cada um dos discursos analisados. A IC revela o tema do depoimento ou sobre o que o sujeito está falando, desta forma, pode ser entendida como uma expressão capaz de elucidar a essência dos discursos proferidos.
Já a AC remete às falas dos sujeitos em seus depoimentos uma ideologia ou crença que os autores do discurso professem, desta forma, a ancoragem só é possível de ser encontrada quando o discurso apresenta explicitamente traços linguísticos de ideologias, teorias e conceitos
provenientes da cultura que está internalizada no indivíduo (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2001, 2005, 2010). Vale ressaltar que na presente pesquisa nenhuma figura metodológica deste tipo foi identificada, assim não serão apresentadas ancoragens neste estudo.
A partir da identificação das ECHs e das ICs ou ACs, os discursos podem ser categorizados de modo a possibilitar a reunião daqueles que são similares ou iguais entre si. Com isto, as categorias expressam uma mesma ideia que é representada por discursos equivalentes, de forma a eliminar a variabilidade individual e explicitar o que é comum a uma dada população (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2001, 2005, 2010).
Assim, entende-se que os DSCs são então construídos a partir das ECHs que tenham a mesma IC ou AC, a partir da reconstrução e agrupamento de trechos dos discursos individuais, de modo a formarem um discurso único que reflita o que determinado grupo social pensa, o discurso de uma coletividade (LEFRÈVE; LEFÈVRE, 2001, 2005).
Desta forma, os dados obtidos no presente estudo foram analisados por meio das transcrições na íntegra das entrevistas2, que tiveram seu conteúdo agrupado e categorizado, identificando temas representativos presentes nos discursos dos participantes e construindo discursos comuns representativos de cada grupo (avós, mães e filhos/netos mais velhos) considerando os objetivos que foram propostos.
Ressalta-se que para a construção dos DSCs foi feito um trabalho conjunto entre duas pesquisadoras3 a fim de que pudesse ser avaliada a pertinência da identificação de Expressões Chave, da elaboração de Ideias Centrais e da construção de Discursos do Sujeito Coletivo. Assim, após a realização destas três etapas por parte de uma pesquisadora, a outra fazia uma leitura e avaliação com sugestões de alterações, funcionando como um “juiz” da análise apresentada. Após a verificação realizada pelas duas pesquisadoras os DSCs foram considerados concluídos4.
2 Optou-se por não anexar as transcrições das entrevistas pelo fato destas serem consideravelmente volumosas.
Entretanto, tais transcrições encontram-se, à disposição, com as pesquisadoras.
3 Pesquisadora responsável pelo estudo e sua orientadora.
4 Devido ao considerável número de páginas utilizadas para a construção dos DSCs, que incluem o destaque das
ECHs presentes em cada resposta, as ICs referentes a essas ECHs e as categorias que conformam tais ICs e ECHs, optou-se por não apresentar a construção dos DSCs dos grupos participantes. Contudo, esta etapa de análise dos dados encontra-se disponível com as pesquisadoras.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Apresentam-se a seguir os resultados e discussão do estudo.
Tal apresentação será realizada considerando três dimensões que agregam os aspectos presentes na realidade investigada: cotidiano e práticas de apoio exercidas no contexto familiar; relacionamentos familiares intergeracionais e; estresse das avós.
Os resultados referentes ao cotidiano, às práticas de apoio exercidas e aos relacionamentos familiares intergeracionais, serão apresentados e discutidos de forma ampla, envolvendo todas as três gerações. Ainda que considerações sejam apresentadas focalizando cada geração participante, buscar-se-á considerar os relacionamentos e interações verificados entre todas.
Destaca-se ainda que as crianças/ adolescentes com deficiência serão aqui representadas por “D”, quando referencias às mesmas forem identificadas nas respostas dos participantes.