4 INDIVIDUELLE VILKÅR KNYTTET TIL UTTAKSTIDSPUNKTET
4.5 Vilkår om samtidig uttak av alderspensjon
O AR é um tipo de investigação que tem tido um campo de aplicação alargado. Não se tratando de uma só disciplina académica, tem sido interpretada e construída ao longo do tempo, em várias correntes de pensamento filosófico e diferentes abordagens do conhecimento ontológico e epistemológico.
Não há absoluto consenso relativamente à origem do AR, no entanto, é nos anos 40 que Kurt Lewin, psicólogo americano interessado no estudo dos grupos humanos e das suas dinâmicas, desenvolve um método de pesquisa para estudar psicologia social e constrói a teoria do AR, onde a define como método faseado que se desenvolve em espirais, em que cada espiral é composta de planeamento, ação e avaliação do resultado da ação. Mais tarde, em meados dos anos 70, o instituto Tavistock, no Reino Unido, realiza estudos sobre disfunções psicológicas e sociais de soldados que estiveram em combate e prisioneiros de guerra. A metodologia consistia em alterar algum aspecto relacionado com os pacientes ou ambiente onde estavam inseridos e estudar o efeito dessa ação. Este método possibilitou obter o conhecimento necessário para a criação de terapias eficazes no tratamento de doenças. O método tinha a particularidade de cientistas e terapeutas serem a mesma identidade e terem intervenção no experimento (Masters, 1995, Baskerville e Wood-Harper, 1996).
O AR parte da assunção que sistemas sociais complexos não podem ser reduzidos para base de estudo. A forma de aprofundar o estudo de um sistema social complexo é introduzir alterações nesse mesmo processo e observar os efeitos dessas mudanças (Checkland e Holwell, 1998). Foi com base nesta perspetiva que se elaboraram os primeiros estudos que viriam a formalizar o método.
O método foi alargando o seu campo de aplicação ao longo das últimas décadas; começou por ser aplicado à medicina, depois à educação, aos sistemas de informação, e depois à gestão de operações.
Existem várias definições de AR:
• Numa perspetiva mais social, o AR é um processo democrático de participação com vista à criação de conhecimento prático, de valor e importante para o ser humano, alicerçado numa visão do mundo participativa - Reason e Bradbury (2008, citados por Coghlan e Brannick, 2010)
• Numa perspetiva mais ligada com as organizações, que é também o foco deste Projeto, adoptamos a definição de Shani e Pastomore (1985, citada por Coghlan e Brannick, 2010): “Um processo de questionamento em que o conhecimento científico é integrado com o conhecimento da organização para resolver problemas organizacionais reais. Tem como preocupação simultânea trazer mudanças à organização, ajudando a desenvolver competências
pessoais, adicionando conhecimento científico. É um processo que é levado a cabo com o espírito de colaboração e co-questionamento.
Fases do método:
O método seguido é composto por cinco fases, todas com a participação do investigador e praticantes.
Pré-projeto - constitui a 1ª fase onde se identifica o contexto e propósito do projeto, se procuram determinar os fatores políticos, económicos, sociais, e outros, que determinam a necessidade de mudança, se avaliam as condições internas da organização, nomeadamente, aspectos culturais e estruturais que poderão ajudar na condução das mudanças. Também é nesta fase que se estabelecem as relações de colaboração do investigador com a empresa (hierarquia, diretor, administrador) e do investigador com os colaboradores que vão participar no projeto e que se encontram envolvidos no ambiente de estudo, designados como praticantes.
Coghlan e Brannick (2010) referem ainda a necessidade de, nesta fase, se definir o futuro desejável, ou seja, descrever como a organização, unidade de negócio, departamento, secção deverá estar após a conclusão do projeto. Ajuda a definir objetivos concretos e serve como guia ao longo do projeto.
Ciclos de AR - os ciclos são compostos por um conjunto ordenado de 4 fases que uma vez completadas são retomadas na mesma sequência até ao fim do projeto (momento determinado pelo investigador).
• Construção: recolher dados, reportar dados, analisar dados. A construção consiste essencialmente num diagnóstico, que neste caso não é independente das pessoas que o fazem. Pode ser inclusivamente alterado, ou reformulado.
• Planeamento – definir e planear as ações com base na fase de construção. • Implementação – colocação em prática as ações planeadas.
• Avaliação – análise e avaliação dos resultados da ação, seus output directos e indirectos, nomeadamente: se o planeamento foi adequado, como a ação foi executada, necessidades de adaptação e alteração no ciclo seguinte. O investigador deve conduzir o trabalho após reflexão sobre os acontecimentos, com vista a extrair melhorias e ensinamentos a propor aos outros para que o trabalho evolua.
Meta - ciclo
É um ciclo que decorre em paralelo e que é realizado apenas pelo investigador. Perry e Zuber- Skerritt (1992) distinguem dois tipos de ciclos num projeto de AR. Um a que chamam “nuclear” e que está relacionado com o problema real e a execução da ação para resolução desse problema (corresponde ao pré-projeto e ciclos AR), outro a que chama thesis onde se realiza o trabalho de investigação e se produz o conhecimento científico. Este Meta-Ciclo é a reflexão sobre o projeto, o seu curso e resultados, e é constituída pelas fases de construção, planeamento, implementação e avaliação, que decorrem de igual modo em ciclo. Numa dissertação de mestrado o meta-ciclo constitui parte da dissertação, um questionamento ao Projeto, a procura de respostas para as interrogações formulados sobre o tema em estudo.
Sintetizando as características do AR de acordo com o descrito por Gummenson (2000 citado por Coghlan e Brannick, 2010):
• Investigadores atuam – o investigador não é apenas um observador, toma parte na ação. • Tem dois objetivos - resolver um problema real e contribuir para a ciência. O investigador
procura resolver um problema com as pessoas que o vivenciam, e ao mesmo tempo tenta desenvolver um trabalho de investigação em que reflete sobre o projeto e tenta construir novo conhecimento.
• É interactivo: no sentido de requerer colaboração e cooperação entre o investigador e os praticantes que têm que permanentemente proceder a ajustes na sua ação de acordo com nova informação ou novos eventos.
• Tem que desenvolver um entendimento holístico – entender as organizações como sistemas complexos, dinâmicos, e desta forma considerar que os problemas têm que ser enquadrados e não podem ser isolados para tratamento, têm que ser analisadas as fronteiras e jogar com múltiplos efeitos e causas.
• Tem a ver com mudança – pois o propósito da ação é introduzir mudanças na organização para resolver um problema.
• Requer um entendimento dos aspectos éticos - especialmente no que concerne ao papel do investigador com a hierarquia da empresa, praticantes, e outros colaboradores e chefias. O investigador deve respeitar as normas e regras da empresa e não deve condicionar a intervenção dos praticantes.
• Pode incluir todos os métodos de aquisição de dados - qualitativos, como surveys e entrevistas, e quantitativos.
• Conduzido em tempo real, até mesmo o conhecimento criado pode ser aplicado imediatamente.
• Tem um código de qualidade próprio, o investigador deverá saber evidenciar:
• Como os ciclos foram realizados e de que forma eles são representativos da matéria estudada.
• Como testou as suas percepções e assunções relativamente ao que estava a acontecer no projeto.
• Como testou as diferentes visões, confirmando e confrontando opiniões contraditórias.
• De que forma as interpretações foram baseadas e tiveram fundamento teórico, e de que forma os outputs do projeto, confirmaram ou desafiaram essas mesmas teorias.