IRMÃOS E O RECASAMENTO
Na qualidade do relacionamento entre os membros da família recasada que recai a maior ou a menor possibilidade de seu bem-estar.
CAPÍTULO 4- IRMÃOS E O RECASAMENTO
Um senhor viúvo muito rico tinha uma filha a quem amava muito. Ele decidiu se casar novamente com uma viúva que tinha duas filhas.
O homem morreu, deixando sua filha desolada. No entanto, a madrasta e suas filhas ficaram felizes com a herança. Este era o início de um tempo muito ruim para a pobre moça, agora órfã de pai e mãe...
As três mulheres invejavam a beleza e a bondade da moça. Então a converteram em sua criada, e a chamavam Cinderela.
Cinderela lavava, limpava, passava e cozinhava. Porém, mais que tudo chorava, porque ninguém mais gostava dela ...
Este é o início do mundialmente conhecido conto de fadas “Cinderela”, de autoria dos irmãos Grimm e imortalizado ao longo das gerações pelas produções Disney. Este é sem dúvida um dos mais conhecidos contos que apresenta como tema central a família recasada e que retrata, além da figura da madrasta malvada, a acentuada rivalidade entre as “irmãs do recasamento”. Embora presente no imaginário coletivo, as fratrias formadas a partir do recasamento não são mais apenas parte de contos e lendas, mas, ao contrário, compõem uma realidade cada vez mais presente nas famílias cotidianas e necessitam uma maior compreensão. Apenas ciúmes e rivalidade caracterizam as fratrias no recasamento? Quando vínculos afetivos satisfatórios se desenvolvem ou falham em se desenvolver? Quais os fatores interferem nesse processo? Os meio-irmãos podem se perceber como “irmãos por inteiro”? Quais papéis um meio-irmão ou co-irmão desempenha na vida do outro? A experiência do recasamento transforma o vínculo entre irmãos biológicos?
De forma geral, no âmbito da literatura científica internacional e principalmente da literatura científica nacional, poucos trabalhos tiveram como foco tais questionamentos, como pode ser constatado no capítulo 1 desta tese, em que se caracterizou a produção sobre o tema “recasamento” nos últimos trinta anos. A análise permitiu constatar que a maioria dos trabalhos que buscou compreender os processos familiares associados ao recasamento teve como foco o subsistema conjugal e o subsistema parental - pais, filhos, padrastos, madrastas, enteados. Poucos estudos examinaram as relações entre os irmãos no recasamento.
Dessa forma, pesquisas se fazem necessárias, uma vez que os irmãos representam importantes agentes de socialização e suporte ao longo de todo o ciclo vital, e compreender como esse papel pode ser desempenhado em famílias recasadas constitui-se um aspecto bastante relevante.
Judy Dunn (1995), estudiosa que se dedicou às pesquisas sobre os efeitos do divórcio e do recasamento nas crianças, aponta que os relacionamentos com os irmãos podem ser um fator de grande influência no ajustamento dos filhos após o recasamento, tanto de forma positiva, quanto negativa. Aponta, em concordância com outros estudos (ZILL, 1994, 1988; HETHERINGTON, 1989), que crianças que possuem meio-irmãos ou co-irmãos apresentam taxa mais alta de problemas de ajustamento do que aquelas sem esse tipo de irmãos. Apresenta tal fato como possivelmente associado ao aumento de conflitos relatados por membros de famílias recasadas no período inicial do recasamento, ou seja, logo após a transição, e também como possivelmente associado ao tratamento diferenciado dos pais com relação aos irmãos. Esse último aspecto é relatado por Hetherington (1989) como significativamente associado a dificuldades de ajustamento da criança.
Em contraste a essas associações entre irmãos e ajustamento pobre, Dunn (1995) também evidencia que as relações fraternas podem desempenhar um papel positivo no ajustamento da criança ao recasamento. Em concordância com Kurdek e Fine (1995, 1993) e
com Jenkins e Smith (1990), Dunn (1995) relata que adolescentes advindos de famílias recasadas apontam seus irmãos como sendo fontes de suporte, influência e aceitação com mais freqüência do que aqueles advindos de famílias não-recasadas. Dunn (1995), ao analisar uma série de estudos que buscaram comparar o nível de ajustamento de crianças e adolescentes advindos de famílias intactas e de famílias recasadas, chega à conclusão de que o aspecto mais importante a ser estudado com relação ao ajustamento não é a estrutura da família em si, mas sim a qualidade das relações que se desenvolvem nessa família. Nesse sentido, a qualidade do relacionamento entre irmãos nas famílias recasadas assume um papel de destaque, uma vez que relacionamentos fraternos afetuosos e de apoio podem funcionar como um fator de proteção à criança, ao passo que um relacionamento fraterno pobre parece aumentar os problemas de ajustamento ao longo do tempo. Assim, podemos inferir que, de forma geral, os irmãos desempenham um papel ainda mais significativo no desenvolvimento de crianças e adolescentes em famílias recasadas do que em famílias não-recasadas.
A uma conclusão semelhante chegou Wagner e colaboradores (1999) em seu estudo sobre configuração familiar e o bem-estar psicológico dos adolescentes. Com o objetivo de comparar o nível de bem-estar de adolescentes advindos de famílias originais e de famílias reconstituídas, obteve-se o resultado de que 81% da amostra de 391 jovens entre 12 a 17 anos apresentaram um nível de bem-estar geral entre bom a muito bom, não havendo diferença significativa entre adolescentes advindos de configurações diferentes. Com base nesses resultados, os autores concluíram que, independentemente da configuração familiar do adolescente, é na qualidade do relacionamento entre os membros da família que recai a maior ou a menor possibilidade de bem-estar. Assim, a saúde e competência da família independem desta ser fruto de um primeiro casamento ou de um recasamento. Contudo, fatores como o desempenho de papéis, as relações hierárquicas estabelecidas e a qualidade dos vínculos
afetivos desenvolvidos são fundamentais para um funcionamento familiar saudável e o bem- estar dos seus membros.
Frente às constatações apresentadas acima, as quais enfatizam a importância de se compreender, não apenas a estrutura em si da família recasada, mas sim as relações nela desenvolvidas, e frente à escassez de publicações acerca das relações que se estabelecem entre os irmãos no recasamento, fica evidente a relevância de voltarmos nossa atenção para esse fenômeno. O tom, a atmosfera da família, seu sucesso, seu fracasso, seu funcionamento saudável, seu bem-estar podem ser fortemente influenciadas pelas relações que se desenvolvem nesse subsistema familiar: a fratria.
Ihinger-Tallman (1987), em um dos primeiros trabalhos publicados sobre o relacionamento fraterno no recasamento, aponta que as pesquisas nessa área, até o momento, eram inexistentes, e por isso, propõe algumas reflexões teóricas, na tentativa de incentivar o início dos estudos sobre essa temática. Para a autora, não se pode entender o relacionamento entre irmãos sem compreender como as condições ao redor da família afetam a interação entre eles e definir a experiência específica de cada família. Para isso, sugere a adoção do Modelo Ecológico de Bronfenbrenner (1979 apud IHINGER-TALLMAN,1987, 1996), que permite uma análise dos fatores, tanto da família, quanto da comunidade.
A abordagem ecológica do desenvolvimento humano enfatiza a interação entre a pessoa e o ambiente. Focaliza a acomodação progressiva e mútua entre um ser humano ativo em desenvolvimento e as propriedades mutantes dos ambientes imediatos em que a pessoa vive, e como esse processo é afetado pelas relações entre esses ambientes e pelos contextos mais amplos em que os ambientes estão inseridos. O ambiente ecológico é concebido como uma série de estruturas encaixadas, uma dentro da outra. Essas estruturas, cada uma contida na seguinte, são chamadas de micro-, meso-, exo-, e macrossistema e podem ser assim compreendidas: (1) microssistema: o complexo de inter-relações dentro do ambiente imediato
no qual a pessoa experiencia a realidade; (2) mesossistema: inclui as inter-relações entre dois ou mais ambientes dos quais a pessoa em desenvolvimento participa ativamente. É, portanto, um sistema de microssistemas; (3) exossistema: refere-se a um ou mais ambientes que não envolvem a pessoa em desenvolvimento como um participante ativo, mas no qual ocorrem eventos que afetam ou são afetados por aquilo que acontece no ambiente que contém a pessoa em desenvolvimento; (4) macrossistema: é a estrutura social maior na qual as outras três estruturas estão inseridas. Seria a manifestação de padrões globais de ideologia e organização das instituições sociais comuns a uma determinada cultura ou subcultura (BRONFENBRENNER, 1996).
Ihinger-Tallman (1987) propõe que se analisem as relações fraternas nessa perspectiva ecológica, e, embora nosso grande e maior foco seja o microssistema, onde os irmãos, meio- irmãos e co-irmãos constroem sua realidade, o meso, o exo e o macrossistema também devem ser considerados possíveis de afetar e influenciar a relação e vinculação fraterna. Concordo com essa perspectiva e, na análise dos dados empíricos a serem coletados, elas serão consideradas e ponderadas.
4.1- Irmãos Biológicos, Divórcio e Recasamento
Conforme discutido no capítulo anterior, uma das proposições de Bank e Kahn (1997) sobre o processo de vinculação fraterno é que, quando há um vácuo de cuidado parental, ou quando este cuidado é inadequado ou não suficientemente preenchedor emocionalmente, o vínculo fraterno poderá ser mais intenso e de maior importância. O divórcio é apontado como um evento de vida muitas vezes associado a um período de decréscimo na competência parental, devido aos estressores vivenciados (HETHERINGTON & CLINGEMPEE, 1992). Uma vez que os pais se voltam para a resolução dos problemas conjugais e para o alcance de
um acordo mútuo para a situação, as necessidades dos filhos podem não ser atendidas momentaneamente. O divórcio também pode abalar o senso de realidade, a ordem e a segurança dos filhos. Assim, Bank e Kahn (1997) afirmam que, sob essas condições e dependendo das condições de acesso entre os irmãos biológicos, esses podem buscar um ao outro para preencher suas necessidades emocionais. Os autores afirmam:
...muitos jovens irmãos cujos pais decidem se separar passam a contar muito um com o outro. Com receio de assumirem lados opostos na guerra conjugal, os irmãos tendem a caminhar juntos, em um espírito de proteção mútua... (p.64)
Esses dados estão em concordância com o que identifiquei em estudo anterior (OLIVEIRA, 2000), haja vista ter ficado evidenciado que um irmão pode se constituir uma figura de apego para o outro, seja na infância, adolescência, ou na fase adulta, usando o outro como base segura.
Outros estudos (KURDEK & FINE, 1993; HETHERINGTON & CLINGEMPEE, 1992) também apontam que eventos relacionados ao divórcio estão ligados ao fato de os irmãos tornarem-se importantes agentes socializadores. Dunn e colaboradores (1994), em consonância, afirmam que há evidências de que a experiência de eventos de vida negativos está relacionada ao aumento de proximidade e ajuda mútua entre irmãos.
Há situações, entretanto, em que o vínculo fraterno não é enriquecido pelo divórcio (BANK E KAHN, 1997; IHINGER-TALLMAN, 1987). Uma dessas situações é quando a decisão judicial separa os irmãos, limitando assim o acesso de um ao outro. Esse seria um exemplo de uma decisão ocorrida no exossistema e que tem impacto sobre as relações fraternas.
Ramires (2004) lembra-nos que o modo pelo qual as crianças e adolescentes percebem e respondem ao divórcio parental depende de múltiplos aspectos: sua idade, gênero, nível de desenvolvimento cognitivo, padrão de apego, arranjo de cuidado, personalidade individual e resiliência, nível de conflito conjugal e redes de suporte com que podem contar. Nesse aspecto, a família extensa, amigos, terapeutas e também os irmãos podem desempenhar um papel importante.
O recasamento segue o divórcio na maioria dos casos e, assim como o divórcio, pode ter impacto sobre o relacionamento dos irmãos biológicos. Exemplo disso são os resultados da pesquisa desenvolvida por Kurdek e Fine (1995), os quais revelam que adolescentes de famílias recasadas percebem seus irmãos como provedores de aceitação e apoio com mais freqüência do que adolescentes de famílias intactas. Entretanto, tais dados não podem ser tomados como decisivos, pois outros estudos revelam resultados contraditórios. Anderson e Rice (1992) identificaram em seus estudos que irmãos biológicos em famílias recasadas acham seus relacionamentos fraternos mais negativos do que irmãos biológicos em famílias intactas. Já Anderson e colaboradores, em 1999, ao analisarem famílias recasadas com mais tempo de união, identificaram que essa diferença não era significativa. Assim, concluíram que níveis de negatividade entre irmãos biológicos tendem a diminuir ao longo do recasamento e sugerem que mais estudos sejam realizados para se confirmar a hipótese de que há ajuste na relação fraterna ao longo do tempo. Anderson e colaboradores (1999) também identificaram que o relacionamento entre irmãs no recasamento tende a ser caracterizado como mais positivo do que entre irmãos.
Um aspecto que merece destaque é que fica evidenciado que a qualidade do relacionamento fraterno no recasamento é importante para o desenvolvimento do indivíduo e contribui para seu ajustamento. Anderson e colaboradores (1999) encontraram forte relação entre ajustamento do adolescente e qualidade da relação entre irmãos. Adolescentes com
relacionamento fraterno caracterizado por mais positividade e menos negatividade demonstraram menos sintomas de depressão e comportamento de externalização e maior índice de responsabilidade social, sociabilidade e autoconfiança. Esses dados confirmam os de Anderson e Rice (1992). Anderson e colaboradores (1999) apontam que a relação entre qualidade do relacionamento entre irmãos adolescentes e ajustamento não pode ser contestada; contudo, o mecanismo particular dessa correlação permanece desconhecido. Assim, sugere mais estudos que possam elucidar esse aspecto. Acredito que estudos qualitativos sejam bastante adequados para alcançar tal objetivo, uma vez que, até o momento, a maioria absoluta das pesquisas da área inclui estudos quantitativos correlacionais. Precisamos de estudos que busquem os significados e a compreensão das experiências que estão por trás dos números e correlações encontradas.
4.2- Meio-irmãos e Co-irmãos
Quando ambos os cônjuges trazem filhos de uniões anteriores para a nova família, temos o que aqui denomino de fratrias de co-irmãos. A literatura aponta que nesses casos os filhos experimentam muitas mudanças de vida, tais como mudanças no tamanho da família, mudanças na posição do filho na família e competição por diferentes motivos: atenção dos pais, espaço, privacidade (HETHERINGTON, 1999).
Beer (1989), sociólogo americano, desenvolveu um dos primeiros estudos sobre os irmãos no recasamento. Segundo o autor, ao estudar esse fenômeno, deve-se levar em consideração algumas variáveis envolvidas, sendo a principal delas a idade dos filhos quando a família recasada é formada. Outros fatores que também devem ser considerados são: sexo e número de filhos e o tempo decorrido da separação. Esses fatores combinam-se para produzir diferentes padrões de comportamento na família.
Beer (1989) aponta que a rivalidade é uma das características presentes no relacionamento entre co-irmãos. Um dos aspectos envolvidos é a noção de que um grupo de irmãos é visto como “os invasores”, enquanto o outro grupo é visto como “os que foram invadidos”. Espaço, propriedade e privacidade são alvos de competição. Segundo o mesmo autor, mudanças de posição na família após o recasamento (Ex: o filho caçula passar a ser o do meio na família recasada) implicam mudança de status e podem envolver dificuldades de se lidar com questões de poder e hierarquia na fratria, configurando mais um fator relacionado à rivalidade e competição entre co-irmãos.
Anderson (1999), em estudo quantitativo em que comparou o relacionamento de irmãos, co-irmãos e meio-irmãos no recasamento e o relacionamento de irmãos biológicos em famílias intactas, apresentou uma ênfase diferenciada de Beer (1989). Resultados revelaram que o relacionamento do grupo de co-irmãos era menos negativo comparado aos outros três grupos. O relacionamento de co-irmãos exibiu menos rivalidade e menos agressão do que os outros grupos, assim como menos evitação. Os níveis de positividade, companheirismo e empatia não foram diferentes dos outros grupos. O autor aponta que os co-irmãos parecem desenvolver ao longo do tempo relações bem sucedidas: provendo ao outro apoio e companheirismo, com menos negatividade. Outros estudiosos apresentam resultados semelhantes (GANONG & COLEMAN, 1994, WHITE & REIDMAN, 1992), caracterizando os relacionamentos de co-irmãos como relativamente benignos e até mesmo positivos. Beer (1989), apesar de apontar a rivalidade como uma das características do relacionamento entre co-irmãos, também aponta que eles podem ser modelos de identificação.
Hetherington (1999) apresenta perspectiva semelhante quando aponta que é mais fácil para os co-irmãos em famílias recasadas justificar o tratamento diferenciado dado pelos pais com base na relação biológica, o que leva a reduzir a rivalidade. Irmãos biológicos e meio-
irmãos são mais sensíveis ao tratamento parental diferenciado. Para a autora, o conflito entre co-irmãos não parece ser excessivo e relações bem sucedidas podem ser formadas.
Pouco se sabe sobre o relacionamento entre co-irmãos na fase adulta. Resultados de estudos quantitativos são muitas vezes contraditórios. White e Reidman (1992) apontam que o contato permanece, ao passo que Hetherington (1999) indica a existência de relacionamentos mais distantes entre co-irmãos do que entre irmãos biológicos na fase adulta.
Quanto aos meio-irmãos, Hetherington (1999) aponta que um terço das crianças que passam a viver em famílias recasadas têm um meio-irmão no prazo médio de quatro anos. Bernstein (1989) descreve que, quando meio-irmãos vivem juntos, costumam se ver e se tratar simplesmente como “irmãos”, mas, quando moram separados, fazem grande distinção entre meio-irmãos e irmãos biológicos completos. A mesma autora aponta que o relacionamento entre meio-irmãos costuma ser mais positivo quando esses moram juntos, são semelhantes em temperamento e são mais distantes em idade.
Em estudo comparativo, Anderson (1999) identificou que o relacionamento de meio- irmãos tende a ser mais parecido com o relacionamento de irmãos biológicos, o que está de acordo com os resultados de Ganong e Coleman (1994). Apesar de os meio-irmãos demonstrarem menos rivalidade do que os irmãos biológicos e os relacionamentos serem menos positivos do que os de co-irmãos, a análise de Anderson não encontrou diferenças significativas entre irmãos biológicos e meio-irmãos em termos de relacionamento. Assim, em concordância com Bernstein (1989), Anderson (1999) concluiu que os adolescentes fazem pouca distinção entre meio-irmãos e irmãos biológicos nas famílias recasadas.
Beer (1989) identificou em seu estudo que o nascimento de um meio-irmão na família recasada tem sido associado com relacionamentos positivos entre co-irmãos, embora a razão para isso ainda não tenha sido investigada. O autor também aponta que a chegada de um meio-irmão é vista pelos filhos da união anterior como um sinal de que uma “família real” se
formou, transcendendo o simples arranjo temporário estabelecido. Beer (1989) afirma que o principal fator de influência na qualidade do relacionamento entre meio-irmãos é o intervalo de idade, embora outros fatores possam interferir. Quando os filhos são muito pequenos, na época do nascimento do meio-irmão, suas relações tendem a ser semelhantes às dos irmãos biológicos. Quando são adolescentes ou mais velhos podem assumir um papel de irmão parental.