SAHHENHENG KORROSJON OG MILJØ
VIKTIGE PARAMETRE I KORROSJONSSAMMENHENG
p. 78. Neste texto, Médola observa este narrador onisciente e onipresente no discurso da telenovela. 16 J.L. Fiorin, op.cit., p. 41.
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Cecília”. O final da frase em off (a parte sublinhada) se dá com Denise Fraga, em off
primeiro plano, olhando e falando para o telespectador, no estúdio de gravação da encenação da história. Em todos os 11 episódios que são iniciados pela referida vinheta, é deste modo que Denise se mostra em sua apresentação das personagens da história, ela está no set de gravação onde há uma movimentação de pessoas ar-arar rumando o local – por traz do primeiro plano dela –, além de completar, as vezes, esta introdução também com um texto posterior em off.offoff
FIGURA 8 Apresentações de Denise Fraga com a presença de profissionais da produção em quadro
discurso a um segundo narrador, a Denise que, por sua vez, diz “eu”. E, com sua posição olhando para a câmera, para o telespectador, instala no texto também o “tu”, o narratário, estabelecendo então uma situação de diálogo. Identificamos es- tes dois sujeitos explícitos no texto em análise, como já apontamos antes: Denise como narrador e o telespectador como narratário.
Essa projeção de pessoa no enunciado se instaura também pela fala de Denise neste trecho do quadro. Com a “voz” do discurso e assumindo o seu papel de narrador, Denise se utiliza da primeira pessoa, o “eu” da instância da enunciação, como por exemplo: “... eu não posso falar agora...” e “... eu posso dizer...”. Esta projeção do “eu” no enunciado, debreagem enunciativa, cria o efeito de sentido de subjetividade, de aproximação ao discurso, fazendo com que o telespectador se sinta parte do discurso, do que ele vê na tevê.
Citemos um outro exemplo deste narrador, o do episódio “A bela que virou fera (em futebol)”. Em off, Denise diz: “Essa semana Retrato Falado vai contar a história de Senira de Santa Bárbara d’Oeste-SP” e em sua fala na apresentação diz:
“A Senira virou o jogo. Ou o jogo virou a Senira. Vocês vão ver”. Neste episódio, o narrador-Denise não faz o uso do “eu”, porém quando ela usa o “vocês” estabelece a relação com o narratário-destinatário, envolvendo-o também no que se passa na tela. Há uma reiteração deste efeito de subjetividade também pelo seu posiciona- mento, olhando para câmera, ou seja, falando diretamente com o telespectador.
Além disso, a atriz usa também o “nós” para trazer para o enunciado o “tu”, o enunciatário-telespectador, envolvendo-o no que se passa na frente dele. Ela diz no episódio “Marias Cecílias”: “... nossa história...”; “vamos à história”. En- tendemos que o “nós” engloba o “eu” da atriz como apresentadora, o “eles” dos membros da equipe de produção e o “tu” do telespectador. É a “minha”, a “deles” e a “sua” história: é a “nossa história” que “nós” – eu, eles e você – “vamos” ver. Com isso, o discurso envolve quem está assistindo, criando o sentido de que Retrato
Falado é também de quem o assiste, do telespectador. É uma reiteração do efeito
de sentido de aproximação ao discurso, uma forma de interação pelo regime da manipulação com o seu público.
Um outro exemplo deste efeito de aproximação está no episódio “A verdadeira carga pesada”. Em sua apresentação, olhando para o telespectador (para a câmera), o narrador-Denise se utiliza da expressão “a gente” que nos traz o mes- mo sentido do “nós”. Ela diz: “A Terezinha vai mostrar pra gente que na vida não existe marcha ré. Tem que engatar a primeira, a segunda, a terceira, a quarta, o que não dá é pra ficar em ponto morto”. Neste exemplo, mais uma vez, a apresenta- dora “envolve” quem está assistindo ao mesmo tempo em que se mostra também “envolvida” com o que se verá na tela. Além disso, este envolvimento cria uma aproximação maior com o público pelo uso da referida expressão, “pra gente”, que é carregada de informalidade, é bastante coloquial e de uso corriqueiro. É quase uma exacerbação da proximidade com o público.
O narrador-Denise também se mostra como conhecedor de tudo que veremos naquele quadro a partir de sua apresentação. Entendemos como onisciente pelo que diz (no episódio “Marias Cecílias”): “... não posso falar agora senão eu vou estragar a surpresa...” e “Por enquanto, a única coisa que eu posso dizer é que uma
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simples coincidência de nomes como essa pode dar um rolo danado!”. Em outro exemplo já citado (o episódio: “A bela que virou fera – em futebol”), quando ela se utiliza da expressão “vocês vão ver”, é uma forma de mostrar-se como aquela que sabe do que se trata a história a ser vista. Além disso, cria um efeito de sentido de suspense para que o telespectador continue assistindo ao quadro.
Outro exemplo da onisciência do narrador-Denise é o episódio “De cabelo em pé”. Em sua apresentação, em primeiro plano, olhando para a câmera, ela diz: “A Isabel se meteu numa aventura literalmente de arrancar os cabelos. Ela foi pra praia com a família, o marido... só que aí...”. Pela sua fala onisciente e aproxi- mação com o narratário/enunciatário, o narrador manipula, criando, mais uma vez, um efeito de sentido de suspense para manter, segurar o telespectador para que ele assista àquele Retrato Falado.
Os episódios que se iniciam com as duas outras vinhetas – analisadas no capítulo anterior, observamos os mesmos procedimentos enunciativos daqueles apontados até aqui. Por exemplo, o episódio que se inicia com a segunda vinheta, “A verdade nua e crua”, na apresentação da atriz, ela se posiciona olhando para a câmera, para o telespectador com quem fala: “Pois é, era aniversário da Gislene e ela queria fazer uma coisa diferente. Aliás, bem diferente!”. Com o seu posiciona- mento, estabelece-se a relação entre “eu” narrador com o “tu” narratário, como já observado. Além disso, este narrador também se apresenta onisciente e com o que diz cria o efeito de suspense para manter o telespectador assistindo ao quadro.
No episódio “Debaixo dos caracóis dos seus cabelos”, também ini- ciado com a segunda vinheta, há uma recorrência do uso do “nós” que convoca o narratário-enunciatário para o texto quando ela diz: “Olha só a história dessa nossa rapunzel!”. Com o pronome “nossa”, o narrador envolve quem está assistindo ao que se passa na tela: a história é de Zuca, a protagonista, e é ela a “nossa rapunzel”. A história é dela, mas também é de Denise que está apresentando e do telespecta- dor que está assistindo. É uma história minha, sua, é “nossa”! Desta forma, todos que fazem e assistem ao quadro estão envolvidos no que se passa na tela, o Retrato
Quando se encerra a participação do narrador-Denise, a “voz” do dis- curso é assumida pelo narrador implícito que inicia Retrato Falado como já obser- vamos. Como veremos, é um narrador que se apresenta onisciente e onipresente e, através de suas escolhas, nos mostra as situações vividas pelos personagens e as falas dos entrevistados no decorrer do quadro. Ele faz nos ver, seguir, a história sem se mostrar.
Ainda sem se fazer notar, este narrador implícito delega a “voz” do discurso a “entrevistados”, que entendemos ser interlocutores que contam a história em discurso direto, referindo-se aos fatos ocorridos diretamente com eles usando “eu”. Entendemos que essa delegação de “voz” que o narrador implícito passa para esses interlocutores-entrevistados cria o efeito de sentido de verdade e de rea- lidade, de que o que está sendo dito é real. Para explicar este efeito, vamos nos deter, por um momento, no contrato de veridicção, o dizer-verdadeiro do discurso enunciado.
O enunciador produz discursos pelo seu fazer cognitivo para persuadir o enunciatário ao que é apresentado, fazer ele “crer” no seu discurso, na sua ver- dade discursiva. Assim, cria procedimentos que permitem o enunciatário, pelo seu fazer interpretativo, chegar a “verdade” do discurso construído, ao seu dizer-ver- dadeiro. O reconhecimento de um dizer-verdadeiro num discurso pode estar ligado ao conhecimento e saber coletivo de uma determinada cultura18, e segundo Barros,
pode estar ligado a contratos de veridicção anteriores próprios de uma formação ideológica, um sistema de valores, de discurso e seus tipos19. Deste modo, o formato
escolhido de exibição desses interlocutores-entrevistados pertence ao universo cul- tural da televisão brasileira no que diz respeito à apresentação de fatos pertencentes ao mundo cultural e natural, “fatos reais”, como em programas de entrevistas, noticiários e documentários. Formato este que é amplamente veiculado pelas emis- soras e redes de televisão e largamente assistido20.
18 Cf. A. J. Greimas e J. Courtés, p.486 (verbete Veridicção). 19 Cf. D.L.P.Barros, op.cit., p.94.
20 Cada emissora aberta nacional, regional ou local, possui seu próprio telejornal e o formato televisivo utiliza-